EP 44

Time de 12 que entrega como 60: a empresa agêntica

Um time de 12 pessoas que entrega o trabalho de 60. Foi assim que um cliente descreveu o Dalton Lab, e é daí que parte a conversa com Rodrigo Spinola, sócio fundador e CEO da empresa que venceu a competição de pitch do Web Summit Rio entre 1.400 startups, a primeira empresa de serviços a levar o prêmio. Da diferença entre um GPT customizado e um agente de verdade aos 6 agentes que organizam a rotina de um CEO, o episódio mostra como tirar o trabalho robótico das pessoas e crescer sem inchar o time. Fica uma provocação: no futuro, contratar um executivo vai funcionar como um M&A?

45:42 · 05 out 2026
Rodrigo Spinola

CONVIDADO

Rodrigo Spinola

CEO e founder · Dalton Lab

Transcrição do episódio

[00:00:00.00] – Rodrigo Spinola

Eu não diria nem que é uma dor. Hoje está mais para uma ambição. Hoje nós somos um time de 12, a gente fala, um time de 12 que entrega um trabalho de 60. Muito mais os modelos que foram melhorando e agora ele ficou muito mais inteligente, é muito louco isso.

[00:00:13.19] – Fred Pericini

Agora eu empolguei. Olá, nós somos o AI Firstcast, o podcast destinado à discussão estruturada sobre adoção de inteligência artificial nos negócios. Nós acreditamos que Troca gera conhecimento e conhecimento gera valor para o nosso país. É isso, Fih?

[00:00:33.01] – Filipe Xavier

É isso aí. Você evolui, eu evoluo, você evolui, todo mundo evolui junto. A gente faz essa comunidade de inteligência artificial virar, na verdade, uma MBA gostosa. Então, curta, compartilhe, mande comentários, a gente presta atenção em tudo, a gente evolui junto, como eu acabei de falar.

[00:00:49.14] – Fred Pericini

É isso, pessoal. A gente traz empresa de tudo quanto é tamanho aqui para conversar com a gente, não é mesmo? Já conversamos desde Ford até startups. E hoje nós vamos aterrissar aqui numa conversa super bacana, um cara que está antenado no modelo agêntico de AI e ajudando empresas a implementarem AI no dia a dia delas. Bem-vindo, se apresente para a gente.

[00:01:18.29] – Rodrigo Spinola

Prazer, galera, meu nome é Rodrigo Spinola, sócio fundador do Dalton Lab, CEO também lá na operação. Hoje uma das primeiras empresas aqui no Brasil no modelo de services as software, né, prestadoras de serviço utilizando inteligência artificial ali para ajudar as empresas a implementarem essa cultura agêntica, né, o que a gente chama de transformação agêntica das empresas que vão virar ali das organizações tradicionais até as organizações agênticas para a gente ter mais eficiência dentro das operações.

[00:01:50.14] – Fred Pericini

Qual que é a dor que você se propõe a resolver?

[00:01:54.05] – Rodrigo Spinola

Eu não diria nem que é uma dor. Hoje está mais para uma ambição. Eu acho que quando a gente— Legal isso aí, porque a gente discute isso muito lá dentro. A dor, a gente vai começar a perceber essa dor da organização agêntica ali para 2028, 2029, que é quando você olha para o lado e você vê um monte de gente correndo rápido e você não está tão rápido. Hoje é mais uma ambição. É a ambição de você ser um dos primeiros a sair na frente, de entender, e é muito do que vocês fazem aqui, começar a entender que esse mundo de inteligência artificial não é uma hypezinha, não é uma ondinha que vai diminuir, é um negócio que veio para ficar. Isso acontece na nossa vida pessoal, na pessoa física. Quem começa a usar mais começa a ver, eu falo assim, cara, tem coisa que você vê que você não consegue desver depois, você fala assim, cara, Isso daqui vai mudar tudo. Nas empresas é a mesma coisa, você começar a pensar como que a empresa precisa começar a funcionar para ela ser mais eficiente no modelo organizacional dela e entender menos que inteligência artificial é só uma ferramenta e começa a ser algo estrutural ali dentro do negócio.

[00:03:01.02] – Rodrigo Spinola

Então, hoje é uma ambição de ser esse tipo de coisa. Eu falo assim, as empresas que a gente atende são early adopters. Ainda, é quem está um pouquinho à frente. Em 2028, a gente vai falar de dor, porque aí você começa a comparar mercado e falar, pô, meu concorrente está muito na frente e eu não… Ok, aí dor. Hoje não tem tanta dor, hoje você tem essa ambição, essa vontade de sair na frente.

[00:03:23.12] – Filipe Xavier

Vamos dar um passo para trás só para entender uma coisa. Você falou que uma das primeiras… Como você está aqui no Air Force Cast, a gente vai tratar como a primeira empresa agêntica. De onde veio a ideia e como é que foi empreender nesse mercado? Qual foi a lição de casa que você fez para começar aqui?

[00:03:39.04] – Rodrigo Spinola

Cara, 2020… 3 ali, a gente quando começou essa onda toda de ChatGPT e começou a popularizar isso aí, eu comecei a olhar o que estava acontecendo de fato nas empresas em relação à adoção de inteligência artificial. Não aqui no Brasil, mas Estados Unidos e China também. Eu falo assim, a gente tem uma grande vantagem de estar no Brasil, que é a gente estar 2 anos atrás dos Estados Unidos em tudo que sai. Isso é ruim, mas isso é bom. É ruim porque a gente está 2 anos atrás, é bom porque a gente está 2 anos atrás. Então, eu consigo ver o que está acontecendo lá e falar, beleza, daqui a 2 anos chega aqui. 2023, 2024, os Estados Unidos começou a ter uma onda muito grande das empresas quererem colocar inteligência artificial dentro dos processos, aquela conversa toda de eu quero ficar mais eficiente, coisa e tal. Só que não estava funcionando, você não tinha resultado. Então, elas começaram a investir muito, mas não tinha resultado. Em 2025 começaram a sair alguns estudos que comprovavam isso, o mais famoso de todos talvez do MIT, dizendo que 95% das iniciativas de IA nos Estados Unidos não viram ROI e 5% viram um ROI muito alto e aí começou a comparar a diferença.

[00:04:46.09] – Rodrigo Spinola

E a partir disso dali, eu comecei a ver que isso ia se repetir aqui no Brasil, porque a gente estava seguindo o mesmo padrão de todo mundo querendo colocar IA em tudo e querendo… Achando que é simplesmente mais um software que você contrata e agora mudou tudo. E não é. Então, a gente pensou: em montar uma camada de implementação de agentes. Então, não ser uma empresa de produto, ser uma empresa de serviço, porque a gente ia ajudar justamente a achatar essa curva de adoção. E também eu pensava assim, nesse mundo que os modelos já estão evoluindo muito rápido e a gente começou a ver, talvez a grande mudança de modelo foi ali do GPT-3 para o GPT-4, que foi quando a gente viu assim, opa, coisas novas aqui. Depois o Google já veio com modelos de imagem, de vídeo e aí começou a explodir muita coisa legal. Eu tinha uma preocupação muito grande da gente montar um produto que pudesse morrer por uma atualização futura da OpenAI. Entendeu? Então, tipo assim, cara, eu vou investir uma grana, vou investir tempo num negócio que depois eu vou morrer por um negócio que não depende de mim.

[00:05:50.16] – Rodrigo Spinola

E aí eu vi muitos amigos meus fazendo isso, criando softwares, criando soluções que de repente no GPT-4 o cara morreu. Alguns milhões ele deixou na mesa, ele teve que pivotar o negócio inteiro porque ele fazia um negócio que o GPT-3 não fazia, E agora o 4 começou a fazer e não faz mais sentido.

[00:06:09.18] – Fred Pericini

Essa guerra é árdua, porque imagina quantos desenvolvedores não tem lá dentro da OpenAI versus um time seu ágil produzindo algo.

[00:06:19.25] – Rodrigo Spinola

Exato. E tem uma frase muito famosa do Sam Altman mesmo, acho que foi numa universidade lá nos Estados Unidos, ele falando assim, que quando eles começaram o negócio todo, eles imaginavam que as startups de IA, iriam criar camadas de implementação, camadas de aplicação das funcionalidades das LLMs. Só que quando eles começaram a fazer as pesquisas, 95% estava fazendo assim: o GPT chegava até aqui, as startups estavam fazendo um pouquinho mais. Tipo assim: Cara, eu estou indo onde ele não chega ainda. E ele começou a falar assim: Cara, isso não faz sentido, galera, porque a gente vai chegar aqui daqui a pouco. Só que quando eu chegar aqui, não faz sentido você existir mais. Então, se você criar uma camada de aplicação do que eu faço, porque pensa que a OpenAI faz para todo mundo, ela não faz para a indústria médica, ela não faz para o varejo, não faz… Então, se você cria uma camada de aplicação, você sempre está no jogo.

[00:07:15.28] – Fred Pericini

Sim.

[00:07:16.10] – Rodrigo Spinola

Então, foi daí que veio a ideia da gente criar essa camada de aplicação por meio de um serviço que é uma mistura de consultoria com software house e com software.

[00:07:26.22] – Filipe Xavier

Isso que você falou até é uma coisa, pode até parecer meio óbvio enquanto a gente conversa com você, Mas eu não sei se é uma coisa óbvia quando a gente pensa no assunto. Porque a gente fala muito das oportunidades com inteligência artificial, de como isso pode potencializar grandes novas empresas e coisa e tal, mas esse é um insight potente e valioso aqui para quem nos ouve. Pensar um pouquinho de onde a inovação que você vai criar com inteligência artificial vai te levar, se ela não vai desaparecer daqui a pouco. Isso é um bom insight, eu gostei de ouvir.

[00:07:58.14] – Fred Pericini

Isso se aplica muito se você estiver pensando em desenvolver uma empresa software. Porque é o que as venture capitalists, os investidores falam: Cara, eu não quero investir num cara que vai fazer uma camadinha em cima do modelo. Eu preciso de alguém que vai construir o que ele chamou de camada de aplicação com um diferencial, com dados proprietários dentro de um processo. Pessoal, estou adorando aqui a conversa. Um jovem super inteligente empreendendo Criando uma empresa de serviços para ajudar as empresas brasileiras a adotar inteligência artificial. É isso? Cara, uma pergunta. É muito difícil você vender serviços sem você ter cases de sucesso. Dizer que é um especialista em criação de agentes é complicado, porque é uma tecnologia nova.

[00:08:57.29] – Rodrigo Spinola

Sim.

[00:08:58.25] – Fred Pericini

Como foi o início? Como tem sido o início?

[00:09:03.16] – Rodrigo Spinola

Essa é a pergunta de 1 milhão. Como você começa uma empresa de serviço se você não tem case? Ainda mais num mercado que você está descobrindo esse mercado toda semana, toda hora sai coisa nova. Eu acho que isso passa muito pelos fundadores do negócio. Nós somos 3 sócios, são 3 gerações diferentes, eu sou a geração do meio. Então, o Marcelo é mais novo do que eu e o Júlio já é uma geração acima, já é um empreendedor, no meio do varejo super conhecido, um cara grande. E o que a gente definiu desde o começo? Que nós seríamos o— e o nome vem muito daí, o Dalton Lab é o laboratório. Dalton é um cientista bem famoso. O laboratório porque a gente sempre pensou, cara, a gente vai navegar num mar meio incerto, a gente não sabe o que vai acontecer. Eu não sei o que vai ser o Dalton Lab daqui a 1, 2 anos, porque a única coisa que a gente se propõe é em ser ágil para a gente conseguir navegar conforme a maré. Então, a gente vai ter que ser o laboratório nos nossos clientes. Eu não vou fazer do meu cliente um laboratório, a gente vai testar dentro de casa para aí sim a gente aplicar nos clientes.

[00:10:06.16] – Rodrigo Spinola

Então muitos dos nossos cases nos primeiros clientes eram cases internos, eu mostrava o que eu estava fazendo aqui. Eu falei assim, cara, eu trabalho desse jeito, a gente funciona assim. Hoje nós somos um time de 12, a gente fala, um time de 12 que entrega um trabalho de 60, porque isso foi uma frase que um cliente nosso falou. Ele falou assim, cara, eu achei que vocês tinham 60 pessoas. E isso depois já de contrato fechado e tudo, não sei o quê. Não, somos nós dois aqui. E aí o cara abriu a cabeça e falou assim: Como que eu boto o meu time para trabalhar desse jeito? Porque o cara tinha, acho que quase 300 funcionários, e ele falou assim: Eu quero que essa galera entregue o que 1000 poderiam entregar. E aí entra um ponto legal que a gente sempre traz para mesa, que é quando você fala de eficiência no uso de inteligência artificial, principalmente numa empresa, a gente olha muito para corte, para diminuir. Hoje eu tenho 100 pessoas, então quer dizer que eu posso fazer esse mesmo trabalho com 20. Aí é layoff, aquele negócio todo, e aí você começa a criar uma cultura de medo da inteligência artificial.

[00:11:02.04] – Rodrigo Spinola

A gente vai para o lado contrário, a gente fala assim: se você tem 100 pessoas, o mais difícil é ter 100 pessoas. Então, meu irmão, triplica o teu faturamento, entendeu? Duplica o teu faturamento com essas mesmas 100 pessoas, começa a crescer sem contratar mais gente. Por isso que o nosso mote lá é Not Bigger, Identic. As empresas do futuro não vão ser maiores, elas não vão precisar Não vão precisar contratar mais para crescer. Elas podem ser a gente. E a gente tenta ser isso. A gente tenta crescer sem crescer. Crescer sem inchar o time.

[00:11:32.03] – Fred Pericini

Quando você diz que as empresas não serão maiores, no fundo é em número de pessoas.

[00:11:37.28] – Rodrigo Spinola

Em número de pessoas, em volume, em tamanho de pessoas dentro da empresa. E a gente brinca muito isso. Acho que o primeiro grande exemplo que teve disso foi a Lovable, que começou a crescer de um jeito… Vertiginoso, gigante, e quando você ia ver a foto dos caras lá, um monte de moleque que 3 pizzas dava para eles. Então, foi um exemplo para a gente, da gente falar: A gente está vivendo uma época que dá para fazer isso, dá para você criar uma empresa grande com pouca gente.

[00:12:06.03] – Fred Pericini

E uma dúvida, existe algum serviço, algum segmento em que vocês são especialistas ou é…?

[00:12:15.24] – Rodrigo Spinola

Mar aberto. Hoje a gente atua em mar aberto, isso foi uma decisão de negócio mesmo, justamente por querer entender como que o mercado ia se comportar e testar a demanda, eu pensei o seguinte: se eu nichar, que é o que eu sempre recomendei para todos os meus amigos que quiseram empreender, falei: nicha, foca. E eu fiz o contrário, porque eu comecei a ver que se eu nichasse, eu ia estar deixando dinheiro na mesa, porque eu não ia tocar oportunidades porque eu estava nichado. Então, a gente abriu o leque, começou realmente a vir de tudo. Hoje, o que a gente está fazendo no Dalton Lab? A gente está começando a abrir verticais especializadas. Então, a gente atende todos os mercados e a gente começa a ter verticais especializadas com pessoas especialistas de cada segmento para atender aquele mercado. Então, normalmente a gente começa atendendo o back office das operações, porque o back office é muito parecido em tudo que é lugar. Operacional, RH, esse tipo de coisa. Você tem muito trabalho manual ali. Uma vez que eu estou lá dentro, Logicamente, o cara começa a falar comigo de coisas específicas do negócio. Aí é quando eu começo a verticalizar ali dentro, começo a trazer pessoas que, pô, fulano é especialista no ramo do varejo, no ramo de indústria médica, no ramo de advocacia.

[00:13:28.26] – Rodrigo Spinola

Então eu começo a trazer pessoas que vão começar a criar essas verticais aqui dentro. A gente está exatamente nessa fase agora de expansão do negócio.

[00:13:35.08] – Filipe Xavier

Eu gosto muito desse ponto, me fascina te ouvir falar que uma empresa de 100 pessoas você consegue Não mexer no número de pessoas e triplicar, fazer o negócio crescer. Isso é para qualquer empresa? O diagnóstico que vocês conseguem fazer hoje, que é o ponto zero do teu business, é para qualquer empresa? Qualquer empresa consegue faturar mais trazendo inteligência artificial?

[00:13:57.16] – Rodrigo Spinola

Sim, eu acho que sim, independente do nicho. Se a empresa já está rodando, você consegue colocar inteligência artificial e expandir faturamento. Por quê? Você precisa entender duas coisas e aí a gente volta para a natureza do trabalho que a gente faz, independente do cargo. Desde um CEO, um diretor de marketing, um analista, um técnico, todo mundo você consegue dividir o seu trabalho em trabalho robótico e trabalho humano. Trabalho robótico são coisas repetitivas, coisas processuais, coisas que a gente faz sem pensar muito. Trabalho humano, a gente vai botar aqui criatividade, estratégia, visão, relacionamento, isso daqui que a gente está fazendo. Então, todo mundo tem algum percentual disso aqui. A inteligência artificial está vindo para tirar o trabalho robótico da gente. E cada vez mais ela vai ficar melhor nisso daqui. Se eu tiro o trabalho robótico, eu começo a gastar mais tempo das pessoas no trabalho humano, que é onde mexe o ponteiro. Então, eu viro o humano para ele fazer o que ele é melhor e eu boto a inteligência artificial que cada vez vai ser melhor em fazer o trabalho repetitivo. Então, para toda empresa eu consigo aumentar faturamento, porque o faturamento é, na equação, ele é uma relação direta com o quanto eu sou bom em fazer essas coisas.

[00:15:05.22] – Fred Pericini

Partindo da premissa que ainda tem mercado, mais pessoas pensando no negócio, melhor. Acabou. Deveria aumentar o faturamento.

[00:15:13.07] – Rodrigo Spinola

E a inteligência artificial fazendo o robótico mais rápido e com mais consistência, melhora também.

[00:15:19.10] – Fred Pericini

E o mato é alto. As empresas têm um componente de trabalho manual, em papel. A realidade não é exatamente o que aparece aí no nosso Instagram. Falando de cloud, não sei o quê. Na hora que você vai ver, aprofunda lá. Então, você disse que começa pelas áreas de apoio, back office, RH, e que você já meio que deve ter algumas coisas até meio pré-prontas e vai mantendo o relacionamento, entendendo o negócio e aprofundando para daí construir coisas mais complexas.

[00:15:58.21] – Rodrigo Spinola

Isso. A gente vai muito… É legal isso que você falou, porque o pré-pronto, ele não é tão pré-pronto assim. Eu considero pré-pronto mais a ideia do que dá para fazer. Mas eu olho muito para inteligência artificial e aí de novo, é uma visão diferente mesmo de muitas pessoas, mas eu entendo que tem o certo dos dois lados. Você pode usar inteligência artificial para você criar mais rapidamente um produto escalável, ou seja, um produto que muita gente vai ter. Eu olhei e a gente olhou no Dalton Lab, para criar o custom-made, para diminuir a velocidade para eu criar o personalizado. O que antes para o personalizado eu demorava muito tempo para fazer, agora eu posso fazer em um período menor. É a discussão que existe hoje no mundo do SaaS. Se você parar para pensar, é maluco você considerar se o cara hoje é… Eu estava falando com uma empresa de SaaS semana passada e ele falou assim: A gente nunca teve a objeção do cara, que é uma empresa grande, ele falar assim: Eu acho que eu vou criar o meu próprio CRM. Nunca teve essa carta, nunca teve na mesa. Agora ela está na mesa.

[00:17:06.10] – Rodrigo Spinola

Significa que é o melhor para o cara fazer? Não. Mas essa carta está na mesa agora.

[00:17:09.15] – Fred Pericini

Eu criei meu próprio CRM.

[00:17:11.26] – Rodrigo Spinola

A gente também criou o nosso próprio CRM. Mas agora você tem empresas grandes que contratavam uma Salesforce da vida, que o cara agora está com o time dele assim: Será que não é melhor a gente fazer o nosso?

[00:17:21.14] – Fred Pericini

Eu não posso citar a empresa, mas eu conversei com um CTO de uma empresa grande que a prioridade estratégica dele É desenvolver seu próprio CRM.

[00:17:32.10] – Rodrigo Spinola

Isso nunca esteve na mesa, essa conversa.

[00:17:34.10] – Fred Pericini

Não era possível. E se alguém jogasse na mesa, você era o primeiro a bater e falar, cara, tem um monte de solução pronta, para que você vai desenvolver?

[00:17:41.23] – Rodrigo Spinola

Agora isso é uma possibilidade, entendeu? Então, para você ver como esse mundo de software está mudando. Sim. Entendeu?

[00:17:47.20] – Fred Pericini

Sim, eu concordo muito. E você fala muito da era agêntica, da empresa agêntica. E aí eu vou falar um pouco do que eu entendo, que é isso, e você me complementa. Cara, o agêntico é a inteligência artificial agindo, fazendo ação. Então, é interromper aquela dinâmica prompt, feedback, prompt, feedback e ir para uma dinâmica em que a inteligência artificial com contexto, com habilidade, com… Alma, com conhecimento, ela vai fazer algo se ela tiver conectada também com aplicações do mundo real. Perfeito. Um sistema, um email, uma agenda. Conta para mim um pouco mais o que é o agêntico.

[00:18:46.05] – Rodrigo Spinola

Cara, vamos lá. E aí esse é um ponto que a galera confunde muito também. Muita gente fala assim, pô, eu tenho um agente de IA trabalhando para mim. Quando você vai ver, é um GPT customizado ali, é um skill dentro do cloud. Tudo que eu preciso acionar para que ele me dê uma resposta, isso não é agêntico. Por mais que eu tenha ali um monte de conexão, por mais que ele acesse o meu email e tudo, o agente precisa ter contexto, ele precisa ter autonomia e ele precisa ter acesso a ferramentas. Quando a gente fala da organização agêntica é porque, na minha visão, quando você entende que um agente de IA é muito menos uma ferramenta que eu uso para trabalhar e muito mais um pedaço de software que começa a fazer trabalho, eu posso botar isso dentro do organograma, porque uma pessoa é isso. Dentro de um organograma, eu estou pegando uma pessoa e colocando ela dentro do RH na área de recrutamento porque ela trabalha debaixo dessas funções. Pré-determinadas.

[00:19:46.16] – Fred Pericini

Uma unidade independente de produção.

[00:19:49.00] – Rodrigo Spinola

Então, agora um agente entra ali também. Então, vai ser cada vez mais comum a partir de agora a gente começar a falar que o meu time tem 3 pessoas e 2 agentes. E a gente começar às vezes até nomear esses agentes e falar: Esse agente tem essa função, ele entrega tal coisa, o Pedrinho analisa isso, devolve para ele, ele passa isso para o outro agente, porque a gente já trabalha desse jeito. Só que isso estava dentro do trabalho robótico que a gente faz. Então, a gente tira esse trabalho robótico, passa isso para um agente e os humanos começam a tomar as decisões. No meu caso, eu sou o CEO da companhia. Tem um monte de trabalho robótico que CEO faz. É gestão de agenda, gestão de projeto, gestão de demanda, quem está fazendo o quê. Você está equilibrando um monte de pratinho. Eu tenho hoje 6 agentes que trabalham para mim, que estão aqui trabalhando full time. Se a galera do meu time marcar reunião aqui agora, eles reagendam O Neil, que é o meu Chief of Staff, ele que cuida de toda essa orquestração, ele arruma a minha agenda de amanhã de acordo com os projetos que são prioridades para a empresa, porque ele está conectado dentro do banco de dados da empresa e sabe o que todo mundo está fazendo.

[00:20:55.16] – Rodrigo Spinola

Isso é uma parada muito louca. Se falasse para mim que eu ia ter isso um ano atrás, eu ia falar assim: Você fumou? Não faz sentido.

[00:21:02.07] – Fred Pericini

Mas faz.

[00:21:03.05] – Rodrigo Spinola

Só que faz. E cada vez ele vai ficando melhor, entendeu? O Neil do mês passado, Ele é muito pior do que o Neo hoje. Esse que é o benefício. Quanto que eu investi no Neo para ele melhorar? Nada. A inteligência artificial que melhorou.

[00:21:15.02] – Fred Pericini

Sim.

[00:21:15.09] – Rodrigo Spinola

Entendeu?

[00:21:15.21] – Fred Pericini

Tem um investimento seu também. Provavelmente você, nas decisões que foi tomando, foi alimentando os arquivos, textos que orientam esses agentes.

[00:21:27.21] – Rodrigo Spinola

Você tem toda essa parte estrutural, mas os grandes saltos de capacidade dele foi muito mais os modelos que foram melhorando e agora ele ficou muito mais inteligente. É muito louco isso. Agora eu empolguei.

[00:21:39.18] – Fred Pericini

Uma pergunta e um depoimento. Vai começar pela pergunta, tá?

[00:21:44.01] – Filipe Xavier

Vamos lá.

[00:21:44.13] – Fred Pericini

A pergunta: no futuro, toda nova contratação de um executivo é um M&A?

[00:21:54.07] – Rodrigo Spinola

Cara, essa é uma ótima pergunta, ela é uma ótima pergunta. Dá para considerar que sim, porque ainda mais se você vai para esse, para esse conceito do time de uma pessoa só e que cada vez mais isso vai ser uma realidade, eu acho que não vai ser tratado dessa forma, mas as empresas deveriam tratar desse jeito. Lá nos Estados Unidos você tem esse conceito do HIC, o High Impact Individual Contributor, aqui a gente chama de time de uma pessoa só. Isso foi mais uma confirmação que veio para a gente, porque a gente já falava de time de uma pessoa só desde janeiro. O conceito do HIC surgiu em maio. E aí foi uma das semanas que, depois da semana do artigo da Sequoia que eles falaram do services as software, a próxima empresa de 1 trilhão de dólares vai ser uma empresa de serviço travestida de software. E um monte de amigo meu me ligou, cara, são vocês, são vocês, são vocês, estamos no caminho. O HIC vem para falar nessa linha, as pessoas agora, o profissional, ele começa a ser um time. Ele começa a ter contexto, ele começa a ter trabalho sendo feito mesmo enquanto o cara está aqui fazendo um podcast.

[00:23:04.17] – Fred Pericini

E aí imagina a continuação da pergunta. Imagina o futuro, você está lá na entrevista e tal. Cara, você tem o perfil, está certo você, mas nós analisamos seus agentes e eles não batem com os nossos.

[00:23:17.13] – Rodrigo Spinola

E olha que louco, olha que louco.

[00:23:19.02] – Fred Pericini

As integrações que eles são capazes de fazer, o método que eles foram treinados…

[00:23:23.22] – Rodrigo Spinola

Está muito abaixo do que a gente faz aqui.

[00:23:25.11] – Fred Pericini

Está muito abaixo do que a gente faz aqui e nós não vamos ver valor gerado pelo seu time de agentes.

[00:23:30.05] – Filipe Xavier

Não tem match entre os agentes e a gente.

[00:23:33.22] – Fred Pericini

E agora um depoimento. Assim como você, eu também tenho um time trabalhando para mim. E aí que eu tenho a agência F2F e eu me proponho a me divertir e ser criativo em tudo que eu faço. E aí meu time de agentes, eu criei a equipe do Brasil que deu certo.

[00:23:55.15] – Rodrigo Spinola

Legal.

[00:23:56.10] – Fred Pericini

O meu maestro, que é quem recebe as conversas comigo, é quem orquestra o trabalho para os outros, é o Maestro Martins. O Maestro Martins, ele é par de um auditor de agentes, é quem tem que ficar ali provocando os agentes a evoluírem e faz um wrap-up diário nos agentes, pegando as decisões tomadas e melhora os arquivos deles. É o Professor Pasquale. Aí eu tenho a Cíntia Tobrião, Oscar Niemeyer, Barão de Mauá quando o assunto é growth. Enfim, eu crio um time, uma maneira deles trabalharem entre si com workflows. E o mais legal, viu, gente, isso aqui pode parecer talvez um pouco futurologia ou mega complexo, mas no fundo esse time de agentes É uma estrutura de pastas, pastas, pastas e arquivos de texto, com arquivos textos que são os arquivos, hoje o nome é MD, o Markdown, mas é um arquivo texto. E aí você cria a alma do agente, o knowledge do agente, todos os arquivos MDs dentro de uma estrutura de pastas que vão ser system prompt, Vão ser prompts que vão junto com o pedido que você faz ou com o gatilho que você programou para aquela atividade ser automática.

[00:25:25.16] – Rodrigo Spinola

É isso. E aí, o grande segredo é isso, não é em como você constrói o agente, porque cada vez vai ser mais fácil. Eu falo assim, construir um agente, pode ser que daqui a 6 meses a gente esteja construindo um agente simplesmente mandando uma mensagem para o cloud falando assim: Eu queria um agente que faz isso, isso e isso conectado aqui e aqui. Vai ser tão fácil quanto isso. O segredo está em você entender aonde faz sentido você ter um agente e onde não faz sentido.

[00:25:49.04] – Fred Pericini

E é aí que eu quero chegar. Isso não tem nada de novo.

[00:25:52.11] – Rodrigo Spinola

É a mesma coisa. Aí a gente volta para a mesma coisa.

[00:25:54.05] – Fred Pericini

Nós somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.

[00:25:57.08] – Rodrigo Spinola

Sempre.

[00:25:57.16] – Fred Pericini

Isso é engenharia de processos.

[00:25:59.07] – Rodrigo Spinola

Sempre vai ser. Isso é engenharia de trabalho como um todo. Onde eu aloco as pessoas? Depois, como eu remodelo os processos para que as pessoas sejam mais eficientes? No fundo, no fundo, quando a gente está falando de uso de IA para empresa, eu tenho que otimizar a empresa não para a IA ser mais eficiente, mais eficiente, mas para as pessoas serem.

[00:26:16.13] – Fred Pericini

E a parte fácil então?

[00:26:18.00] – Rodrigo Spinola

E a parte fácil, igual eu falei, ela melhora sozinha, entendeu? O difícil é você colocar as pessoas nos processos certos com inteligência artificial para que as pessoas brilhem, entendeu?

[00:26:29.15] – Filipe Xavier

O mais difícil do trabalho são as pessoas.

[00:26:32.10] – Rodrigo Spinola

O mais difícil sempre foi as pessoas. Mas quando uma empresa dá certo, ela dá certo por conta das pessoas.

[00:26:38.04] – Filipe Xavier

E errado também.

[00:26:38.27] – Rodrigo Spinola

E quando ela dá errado, ela dá errado por conta das pessoas. E num mundo onde a gente tem acesso à mesma tecnologia, porque se eu estou usando o cloud, eu tenho o último modelo do cloud, o time da Antropic tem o mesmo modelo que eu, eles não têm o próximo. Então, a gente nivelou em termos de tecnologia. Tecnologia não vai ser o diferencial mais. O diferencial vai ser o teu time, vai ser o teu time, vai ser o meu time. É como que o meu time usa essa tecnologia, que é onde eu acho que as empresas erram muito quando montam… Estratégia de IA. Eu falo: Não, não é para você montar uma estratégia de IA, é para você montar uma estratégia de negócio. E aí você coloca a IA.

[00:27:14.01] – Fred Pericini

Então, bora de enquadro. A sua empresa tem menos de 1 ano.

[00:27:17.01] – Rodrigo Spinola

Menos de 1 ano.

[00:27:18.19] – Fred Pericini

Qual o seu diferencial competitivo?

[00:27:21.09] – Rodrigo Spinola

Cara, o nosso diferencial competitivo é justamente essa velocidade, é estar na fronteira. Entendeu? É a gente estar sempre olhando para as coisas que a gente vai implementar nos nossos clientes daqui a 3 meses. Então, sempre quando eu mostro para os nossos clientes as coisas que a gente está fazendo hoje, isso nunca é produto. Eu sempre falo: Isso daqui a 3 meses, talvez a gente coloque isso. Porque tem um monte de coisa que não dá certo. Então, a gente é um laboratório de teste para os clientes. E o nosso diferencial competitivo nesse sentido é trazer velocidade. Toda empresa vai ter que ter um Dalton Lab dentro de si em algum momento. A grande vantagem para mim é que esse mercado é infinito. E o nosso papel é, em vez de você demorar 5 anos para você montar isso, eu te ajudo a fazer em 2 e depois você anda sozinho.

[00:28:06.21] – Fred Pericini

Algumas empresas mais ágeis vão implementar por si mesmas.

[00:28:09.25] – Rodrigo Spinola

E beleza. E aí algumas que têm vindo falar com a gente nesse sentido é, cara, eu quero fazer sozinho, você pode me dar uma consultoria? Posso.

[00:28:18.13] – Filipe Xavier

Me mostra o caminho só.

[00:28:19.26] – Rodrigo Spinola

Eu te acelero. Eu não vou ganhar no agente, mas eu te mostro o caminho. Beleza, o mercado é enorme. Entendeu? Então vão surgir outros Dalton Labs e toda empresa vai ter um Dalton Lab dentro de si em algum momento. Então o nosso diferencial é justamente essa velocidade, é ter um time que eu falo, o meu time precisa ser extremamente curioso, tem que ser sedento pelo novo. A gente nunca está satisfeito com o que já tem, a gente sempre está perguntando assim, será que tem alguém fazendo melhor que a gente? Será que tem alguém nessa vanguarda? Isso é algo que a gente, essa fome é algo que eu gosto muito de ver ali nos nos meus 12 ali, e é a principal barreira de entrada para o Dalton Lab. Quando a gente vai entrevistar alguém para entrar, eu não olho muito para experiência técnica, eu olho para essa cultura de aonde você está nesse espectro de vanguarda, entendeu? Você está olhando, você espera o pessoal fazer ou você é sempre o cara que está na frente testando? Eu acho que esse é o nosso grande diferencial hoje.

[00:29:14.22] – Filipe Xavier

E como é que alimenta essa fome? Onde é que você vai buscar comida para botar nesse prato? De onde vem?

[00:29:19.24] – Rodrigo Spinola

É muito doido isso, né? Vem…

[00:29:22.04] – Fred Pericini

No primeiro ano de empresa, a fome aparece.

[00:29:24.13] – Rodrigo Spinola

A fome está ali. No primeiro ano de empresa, a fome está ali, mas vem das relações humanas que a gente tem aqui dentro. Então, quando a gente monta um time, e isso é algo que a gente se propôs desde o começo, montar uma cultura em que quem está aqui dentro quer estar aqui dentro. Então, um ajuda o outro. Quem é desenvolvedor tem o papel de ajudar quem não é da área de tecnologia a ter os conceitos básicos de tecnologia para que eles consigam andar sozinhos. E não ficar dependendo da área de tecnologia. Quem é de negócio tem o papel de ajudar a galera de tecnologia a ter os conceitos básicos de negócio para que eles não fiquem também isolados. Então, é um jeito completamente diferente de trabalhar do que as empresas normais que atuam em silos. Eu não falo com o outro, o financeiro é inimigo do comercial, o comercial é inimigo da tecnologia, porque ele está cada um querendo mexer no meu prato. Cara, aqui o prato é um só, está todo mundo com fome, então eu preciso ajudar todo mundo a jogar no mesmo rumo. No começo de empresa é muito legal fazer isso.

[00:30:21.23] – Rodrigo Spinola

A minha grande preocupação como founder e CEO é tentar manter essa cultura quando o negócio ficar grande. A minha grande preocupação… Rodrigo, qual é a sua preocupação hoje? É essa, manter a cultura que a gente tem hoje quando o negócio começar a escalar e crescer.

[00:30:34.21] – Fred Pericini

Então você está muito convencido que vai escalar e crescer?

[00:30:37.25] – Rodrigo Spinola

Eu estou, porque a gente tocou algumas coisas muito maiores do que a gente imaginava. Nesse primeiro ano. Em um ano de empresa, eu não imaginava que a gente teria a perspectiva que a gente tem hoje, em termos de resposta do mercado.

[00:30:51.15] – Fred Pericini

Até interessante, viu, gente?

[00:30:53.21] – Rodrigo Spinola

Eles acabaram de ganhar no Web Summit o prêmio do pitch no Web Summit, dentre as 1.400 startups que estavam no Web Summit Rio, a gente ganhou o prêmio do pitch. Então, uma competição que eles fazem entre todas lá, a gente foi a primeira empresa de serviço na história do Web Summit, que é um dos maiores eventos de inovação do mundo, primeira empresa de serviços a ganhar esse pitch. Sempre era uma empresa de produto, de software, de plataforma. A gente foi uma empresa que não tem produto. Então, isso para a gente foi uma validação muito grande e mostrou justamente isso. Cara, esse negócio é maior do que a gente tinha imaginado no começo.

[00:31:27.21] – Fred Pericini

Eu tenho uma agência, é uma empresa de serviços. E serviço sempre foi considerado o patinho feio no mundo dos negócios.

[00:31:35.28] – Rodrigo Spinola

Porque é difícil de escalar. Como é que você escala?

[00:31:37.29] – Fred Pericini

Era difícil de escalar, mas agora talvez seja possível com a… Uma adoção intensa.

[00:31:44.23] – Rodrigo Spinola

Qual que é o segredo para você escalar serviço? A escala do serviço é diferente da escala de produto. A escala de produto, você vai pensar quantos produtos a mais eu vou vender sem aumentar o meu custo ou aumentar o meu time. Essa é a escala de produto. A escala de serviço é quanto que eu— Se hoje eu consigo entregar o meu serviço em 30 dias para um cliente de tamanho X, no mês que vem, com o mesmo time fazendo a mesma coisa, eu consigo entregar em 27. No outro mês, com o mesmo time, com a mesma coisa, eu consigo entregar em 22, porque eu tô usando inteligência artificial dentro dos meus processos e isso acelera essa parte robótica que eu falei. Então a gente tem dentro da empresa um índice que a gente chama que é o MA, multiplicador agêntico. A gente vai vendo dentro de todas as atividades que todo mundo faz qual o teu percentual de eficiência mês contra mês 6 fazendo as mesmas coisas. E aí você vai vendo, é como se o time tivesse crescendo, é como se eu tivesse contratando mais gente, só que é a mesma galera.

[00:32:42.26] – Fred Pericini

Cara, o seu modelo mental para mim me convenceu, eu tô bem alinhado com o modelo agêntico. Desejo extrema boa sorte, porque eu sei que o caminho de empreender é difícil, né? Entre os primeiros clientes e de fato clientes recorrentes por anos a fio é diferente. Agora, eu queria entender 2 ou 3 cases, porque o modelo mental, beleza, super faz sentido e várias consultorias também vão se mover mais ou menos nessa direção.

[00:33:22.15] – Rodrigo Spinola

Eu acho que esse é o caminho.

[00:33:24.20] – Fred Pericini

Quem que já apostou e se deu bem?

[00:33:27.26] – Rodrigo Spinola

Tá, vamos lá. Tem alguns clientes que eu não posso citar, que pedem para a gente não falar, justamente porque a gente acaba entrando em questões estratégicas. E esse era um negócio que a gente tinha muita crise no começo, porque imagina, você chegou num clientão e aí o cara fala tipo assim: Cara, eu não quero que vocês falem que eu sou teu cliente. Aí aquele negócio do case que a gente falou no começo, você fala assim: Pô, eu estava querendo um case e eu não vou conseguir ter o case. Mas aí, ok, a gente foi nessa linha com alguns clientes. Hoje a gente tem vários clientes ali que eu consigo citar, mas eu queria só falar isso porque é legal de ver que as empresas estão começando a abrir os pontos fracos. Entendeu? E falar assim, cara, eu vou abrir a caixa preta, me ajuda a arrumar, mas eu não queria que você fizesse marketing disso. Beleza. Isso voltou para a gente muito maior porque começou a vir indicação. Então, depois vem um cara e fala, falei com um cara daquela empresa lá, falei, pô, isso para mim é muito melhor do que o marketing de eu botar lá.

[00:34:22.01] – Rodrigo Spinola

Mas eu vou falar de alguns cases, 2 cases aqui de… Um eu não posso citar o nome, o outro eu posso citar. A que eu posso citar é a JASIS Medical, uma empresa sul-coreana que já está em mais de 50 países. Eles vendem equipamentos, indústria médica, então equipamentos de grande porte para médicos. O que a gente fez com eles? A gente fez um trabalho de expansão. Eles chamaram a gente, eles estavam entrando no Brasil, o CEO da operação veio aqui e conversou com a gente e falou assim: Cara, eu vou expandir a minha operação, para isso eu preciso montar um time de marketing, para começar a expandir e atingir ali os diversos consultórios que a gente quer fazer. Eu queria que vocês participassem desse projeto e me ajudassem a usar a IA para eu não precisar ampliar o número de pessoas. Beleza. A gente montou um time ali de mais ou menos 40 e poucos agentes para eles, tem alguns agentes que orquestram esses 40 e poucos e eles conseguiram abrir, eu não vou lembrar o nome, mas mais de 30 operações aqui dentro sem expandir o time humano aqui dentro. Então, eles têm basicamente um time só de sêniores, é só uma galera muito boa e esse time operacional aqui eles não precisaram contratar.

[00:35:28.08] – Rodrigo Spinola

Então, não foi uma substituição, a gente não trabalha dessa forma, foi uma expansão. E isso virou case global da Jazzy’s. Eles fizeram a convenção deles aqui agora, o case de IA da Jazzy’s é exatamente esse tipo de expansão. Vai falar assim: Olha a possibilidade que a gente tem de expandir com o time que você já tem. Um outro case muito legal é uma grande construtora que a gente tem trabalhado com eles e a gente viu que eles tinham um processo de recrutamento, construtora, incorporadora, cara, que roda para caramba. E aí você tem um custo humano ali enorme e normalmente a galera que está trabalhando nesse processo não gosta desse processo. Porque uma coisa é você fazer uma entrevista com um C-level, outra coisa é você ficar fazendo entrevista com pintor, com pedreiro, com não sei o quê, sabendo que mês que vem você vai fazer de novo e de novo e de novo e cada obra nova você vai fazer. Então, o que a gente fez? A gente mediu com eles o custo desse processo e ajudou eles com um agente de recrutamento que vai ajudar essa galera que está trabalhando ali a fazer outras coisas dentro da companhia.

[00:36:27.28] – Rodrigo Spinola

Então, a gente multiplica potencial ali dentro. Então, esse é o primeiro de um roadmap de vários agentes que a gente vai trabalhar com eles para transformar o back office deles numa operação muito mais eficiente, continuar fazendo de início o mesmo que eles já fazem, realocando as pessoas para outras áreas, e daqui a pouco eles conseguirem expandir. Então assim, são cases que eu falo assim, vida real, cara. É você entrar numa empresa e falar assim, o que que tem gente fazendo que não devia ser gente, entendeu? E aí você vai entrar em assuntos bem profundos, você vai entrar em assunto de burnout, que quando você para para ver, eu comecei a conversar com alguns especialistas sobre burnout, burnout dentro de empresas, você tem muito associado o que a pessoa está fazendo, se ela vê valor naquilo ou não, se ela vê sentido naquilo que ela está fazendo ou não. E aí quando você entra nesse assunto do trabalho robótico, alguns especialistas que eu falei falam, pô, a gente nunca usou esse nome, mas é isso aí. Eu falei assim, cara, olha que louco. Então sim, você começa a ajudar a empresa, você começa a ajudar a pessoa a entender, você não devia estar fazendo esse trabalho, deixa eu tirar você daqui para você fazer outra coisa.

[00:37:31.11] – Rodrigo Spinola

O editor de vídeo numa agência de marketing, cara, será que o editor de vídeo tem que ficar ali fazendo o cortezinho ali? E tal, e volta e não sei o quê, e bota a música? Ou será que ele tem que ser um cara muito mais de gosto, de taste, entendeu? Para mim, esse é o editor do futuro daqui a pouco, porque daqui a pouco a gente vai ter ferramenta aqui para eu cortar no momento que tem que cortar. Você faz isso em segundos daqui a pouco, só que isso dá um trabalhão. Você bota um vídeo de YouTube de 40 minutos para o cara fazer, trabalhão. Eu quero um editor agora que o cara tenha o gosto, que ele saiba ver a peça final.

[00:38:03.01] – Fred Pericini

É isso, não é futuro não, isso é agora.

[00:38:05.06] – Rodrigo Spinola

Isso é agora, entendeu? Então é aí onde a gente vai. Esses são alguns cases aqui que a gente vai aprimorando.

[00:38:09.18] – Filipe Xavier

Se você conseguir, se for possível, Rodrigo, só para a gente estratificar aqui. A empresa começou em dezembro, então você tem dois cases bem robustos.

[00:38:17.12] – Rodrigo Spinola

Tem alguns, tem mais de outro.

[00:38:19.07] – Filipe Xavier

O primeiro de marketing. Quanto tempo demorou para esse time de 40 e poucos agentes estarem rodando e qual foi o salto? E no segundo, se o agente vai até a contratação já, o agente consegue finalizar o processo? Era uma expectativa do cliente, sim ou não? E como é que está nesses meses?

[00:38:38.21] – Rodrigo Spinola

Primeiro caso, de diagnóstico até o go-live, a gente está falando de 34 dias, mais ou menos. 34, 35 dias, muito rápido. Hoje é mais rápido ainda. Isso daqui foi feito de março para abril. Então hoje, se a gente fizesse esse mesmo case, era bem mais rápido. No segundo caso que você falou da entrevista do recrutamento, não é o processo 100%. Porque justamente quando a gente senta com eles é aquele negócio, o cara sempre pede: Eu quero que faça tudo. O nosso papel é frear, o nosso papel é falar assim: Cara, não faz sentido ele fazer tudo, porque vai ter coisa que ele vai ser muito pior do que o humano.

[00:39:14.29] – Filipe Xavier

Isso é bom.

[00:39:15.19] – Rodrigo Spinola

Então, eu quero que ele entre no processo nas partes que o humano não deveria fazer. Então, eu tenho humano fazendo o que a vaga deve ter, porque o humano ainda é melhor do que a IA nisso, entendendo o projeto, entendendo a visão da empresa, o humano define vaga. Porque aqui é trabalho de raciocínio. Trabalho de triagem inicial, agente. Por que eu estou falando? Porque eu estou lidando com um volume gigantesco.

[00:39:40.08] – Filipe Xavier

Peneira.

[00:39:40.28] – Rodrigo Spinola

Peneira. Contato inicial, checagem de documento, agente. Decisão final, humano. Então você vê que é um sanduíche. Você tem humano no início definindo o que vai ser, humano no final tomando a decisão final. Meio do caminho você tem muito mais agente do que humano.

[00:39:57.12] – Filipe Xavier

Acelerando tudo.

[00:39:58.14] – Rodrigo Spinola

Acelerando esse processo todo. E aí você consegue achatar essa curva. Isso dá para você fazer em qualquer processo. O recrutamento é fácil de entender, um processo de marketing é fácil de entender, processo de vendas você consegue fazer isso também. Eu quero um agente que venda de ponta a ponta. Não faça isso. Tenha alguém que inicia a venda, que pense na copy, que pense em como você vai atingir o teu cliente ideal, coloca agentes aqui no meio do caminho fazendo qualificação e tudo, agora a venda coloca um humano vai fazer. São tarefas específicas, são tarefas complementares.

[00:40:29.26] – Fred Pericini

Exato. E porque ainda os modelos precisam que você faça esses arquivos MDs, aí os arquivos MDs não podem ser extremamente rígidos e pesados, imensos, senão para uma pequena tarefa que você vai fazer você consome muito tokens. Tem muita coisa para rolar, né, cara?

[00:40:49.00] – Rodrigo Spinola

Tem muito. A gente tá, a gente tá no comecinho dessa onda. Entendeu? O negócio está muito no começo. Eu falo assim, é o marketing digital na época do Facebook lá em 2000 e pouquinho, entendeu? Quando eu falo, ah, que negócio é esse? Mas alguns já estão olhando e falando, esse negócio vai ser grande, eu vou parar de anunciar na televisão e vou começar a botar dinheiro aqui, entendeu? Hoje está de graça.

[00:41:13.05] – Fred Pericini

E a Sequoia Capital, ela tem uma tese bem famosa de que a próxima empresa de um 1 trilhão de dólares. É uma empresa futura de serviços com uma base forte de software, de software, e talvez de uma pessoa só, que é o que tá todo mundo falando, né? Acho difícil, mas não é impossível. O Instagram foi vendido, tinha 13, tá? Eu entendo, mas é um software, né? Agora nós estamos falando em serviço com componente de de software.

[00:41:45.17] – Rodrigo Spinola

É diferente.

[00:41:46.00] – Fred Pericini

Aí o serviço você tem que atender, você tem que entender a necessidade, você tem que gerenciar a expectativa. E aí é difícil você fazer isso.

[00:41:54.19] – Rodrigo Spinola

Mas essa tese da Sequoia é a tese do momento, é o que está todo mundo falando. E casa muito com o que a gente vinha fazendo. Então, a gente não começou a fazer porque a Sequoia falou, a gente estava fazendo e a Sequoia confirmou. Então, é aquilo que eu falei, a gente tocou um negócio que era maior do que a gente imaginava.

[00:42:09.24] – Fred Pericini

E a sensação que eu tenho é essa, todo mundo que está dentro do ramo serviços, como eu, por exemplo, agência, a carapuça serviu.

[00:42:19.01] – Rodrigo Spinola

Sim.

[00:42:19.19] – Fred Pericini

Eu me senti mais, até um pouco mais bonitinho.

[00:42:23.27] – Rodrigo Spinola

Todo jogo, né?

[00:42:24.28] – Filipe Xavier

Todo jogo.

[00:42:25.16] – Fred Pericini

Cara, então de repente essa empresa de serviços fala, bom, trilhão é muita coisa, não preciso ter isso.

[00:42:31.03] – Rodrigo Spinola

Não preciso de um trilhão.

[00:42:31.28] – Fred Pericini

O mercado é enorme, mas cara, de repente eu vou conseguir escalar melhor a agência com um componente de software.

[00:42:37.19] – Rodrigo Spinola

Eu acho que para toda empresa de serviço você começa agora a ter a possibilidade de olhar para uma recorrência que você não tinha antes. A olhar não só para como você melhora e torna mais eficiente a entrega do teu serviço, mas o que você deixa depois. Então você ganha uma nova linha de negócio, que é o pós. É a consultoria que ela entregava um PowerPoint, agora ela consegue entregar um software. É a agência de marketing que ela entregava até aqui, agora ela consegue dar dois passos a mais também ou antes. Então você começa a expandir a tua atuação. E por isso que, de novo, o fator mais importante para todas as empresas agora é o fator humano. Se você já tem clientes, o teu relacionamento com o teu cliente começa a ser a parte mais valiosa disso daqui. Porque se você já está ali dentro e ele já confia em você, você começa a expandir a tua operação ali dentro. Muito melhor para uma empresa, estou pensando no cliente agora, ele ter poucos fornecedores que ele confia do que ele ter um zilhão de fornecedores que ele não sabe nem quem é.

[00:43:34.05] – Fred Pericini

Claro, mais difícil de gerenciar.

[00:43:35.22] – Rodrigo Spinola

Então essa é a grande possibilidade que eu vejo agora e para empresas de serviço eu acho que esse é o caminho, é voltar para a prancheta e pensar como que eu consigo redesenhar meu negócio hoje e criar um modelo novo, como que eu faço da minha consultoria uma startup, entendeu? Isso aí que são duas palavras que não casavam antes. Eu tenho uma startup, mas é uma consultoria, nada a ver. Hoje você consegue colocar as duas na mesma frase e montar um plano de negócio.

[00:44:02.18] – Filipe Xavier

Eu brinquei no começo desse episódio, falei que aqui é uma MBA. E se você ouviu todo esse episódio aqui, tem muito insight valioso. Acho que foi um episódio que a gente se debruçou em alguns tópicos pela primeira vez e eu saio maior do que eu comecei, com certeza.

[00:44:17.29] – Fred Pericini

Falamos bastante sobre a era agêntica da IA. É um jeito, um modelo mental diferente de pensar a IA do que o prompt, o feedback. A gente conversou com um cara muito bacana que está empreendendo e buscando gerar valor nesse país com a adoção de IA.

[00:44:36.24] – Filipe Xavier

E Fred, você me permite, nesse ponto dos agentes que vocês falaram hoje, um insight valioso é para que pessoas entendam que as empresas não vão usar agentes sozinhas, vão ser pessoas usando agentes. Ou seja, você enquanto pessoa também se desenvolve nisso. A gente já está batendo nessa tecla aqui faz um tempo, Mas hoje é um reforço muito forte do quanto isso vai ser medido. Você fez a brincadeira de cada contratação vai ser um M&A, porque você traz um time com você daqui para frente. Então, esse é o insight.

[00:45:07.25] – Fred Pericini

Muito obrigado, foi um prazer.

[00:45:09.03] – Filipe Xavier

Valeu, Rodrigão.

[00:45:09.21] – Rodrigo Spinola

Que papo bom. Bom estar com vocês, foi um prazer.

[00:45:12.01] – Fred Pericini

Valeu, pessoal. Não deixe de deixar um comentário, curtir, compartilhar o nosso canal. Nós somos um canal patrocinado pelo software SoftBank. E assim como essa conversa, tem muitas outras que estão para sair, muito interessante, com diversos níveis de empresa, diversos portes, umas mais avançadas, outras menos. Mas é essa diversidade que traz riqueza para a gente aprender. Até a próxima, bonito!

[00:45:42.02] – Rodrigo Spinola

Valeu!

APRESENTADORES

Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini

Fred Pericini

Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier

Filipe Xavier

Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.