
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 43
O verdadeiro papel dos datacenters de IA
Para que o output de IA que muda o jogo chegue para você, a demanda energética da IA demanda tecnologia, inovação e evolução constante. Flávio Marques, Senior Manager da Lightera mostra como o negócio vem liderando essa onda.

CONVIDADO
Flávio Marques
Lightera
Transcrição do episódio
O que é uma virada também poucas vezes a gente viu na história, uma virada dessa. Posso citar para você que nós começamos a usar ferramentas de inteligência artificial ainda antes da pandemia, ou seja, quando isso era absolutamente embrionário. Eu não estou dizendo que é uma bolha nem que não é. A gente só vai saber se é uma bolha se estourar ou não.
Olá, bem-vindo a mais um episódio do AI Firstcast. Nós somos um podcast voltado para discutir a adoção de inteligência artificial no mundo dos negócios. A gente entrevista executivos de tudo quanto é tipo de empresa, fazendo sempre essas perguntas de caso de uso, como que estão adotando, como estão enxergando a inteligência artificial. É isso, Fih?
É bem por aí. E não é raro a gente conseguir histórias singulares, e hoje acho que a gente vai ter uma Nessa linha, Fred, hoje nós vamos falar com uma pessoa que trabalha numa empresa que suporta essa transição da era da inteligência artificial. Muito interessante.
Então, como eu já dei um mini spoiler, né, conta para gente quem é você, da onde vem.
Vamos lá. Bom, primeiro, obrigado, Fred, obrigado, Felipe, pela oportunidade. Fico muito feliz de estar aqui. Eu acho que o formato que vocês estão fazendo é um formato muito legal para trabalhar IA de uma maneira diferente do que a gente tá vendo por aí. Eu sou Flávio Marques, sou um profissional com, vamos dizer, um background técnico, né? Eu sou um cara muito técnico que sempre trabalhou a tecnologia no sentido de mostrar um benefício dela, né? Eu comecei a trabalhar especificamente com telecomunicações Lá em 94, faz um tempinho já, né, que eu tô trabalhando com isso. Nos últimos anos eu tenho me especializado especificamente em data centers e conexões ópticas em data centers. E esse background técnico, ele tem ajudado bastante em como a gente tá procurando resolver um problema que todo mundo tá enfrentando para fazer a IA funcionar, né. Acho que todo mundo tá ouvindo falar que a IA tá demandando muita energia, que a IA tá demandando muito terreno, que a IA está demandando muita água. Isso está acontecendo por causa dos data centers, as coisas acontecem dentro dos data centers. E um dos fatores-chave para a IA acontecer dentro dos data centers, além do software, além da energia, além dos equipamentos, tem uma área crucial que é a conectividade óptica.
E é sobre isso que hoje a maior parte das minhas preocupações estão ligadas. Conectividade ótica dentro de data centers numa área que está demandando recursos em todos os sentidos como a gente nunca viu recentemente. Eu não lembro de ter visto alguma revolução. A gente ouve falar muito de revolução industrial, a gente fala de uma nova revolução industrial agora que é representada pela IA, mas nós estamos na linha de frente de conectividade ótica, que é a melhor conectividade, a conectividade necessária para fazer a IA funcionar. Então tudo isso que nós estamos vendo, esse hype que nós estamos vendo aí na frente de todo mundo usando IA, todo mundo olhando o seu telefone e consultando assistentes de IA, empresas tomando decisões baseadas em IA, ela está lastreada em uma porção de sistemas complexos dentro de data center, entre eles e muitos deles conectados por fibras ópticas. Hoje, se eu pudesse resumir as minhas preocupações, é como conectar melhor os data centers de maneira óptica. Isso é uma onda, é mais uma onda dentro de data centers, tá? Data center não é uma coisa nova. Data center é uma coisa que existe desde os anos 50, 60, para colocar aqueles enormes computadores, né?
E agora é mais uma, ou é a aplicação mais intensa que nós já vimos funcionar dentro dos data centers. Não é a primeira onda, Mas se eu pudesse resumir, era isso. Então assim, a nossa preocupação é fazer conectividade ótica e a preocupação da Lightera é fazer essa conectividade ótica ser a melhor possível para os sistemas de ar funcionarem.
E a Lightera, ela também tá num momento singular junto dessa demanda. O que que tá acontecendo na empresa globalmente?
Olha, eu, a gente poderia falar, sabe aquela frase tudo ao mesmo tempo? Agora tá muito parecido com o que a gente tá A Lightera é uma empresa que o nome e a empresa são novos, né? A Lightera, ela começou em abril do ano passado, em abril de 2025 surge a Lightera, mas ela não surgiu do nada. A Lightera, ela surge com 50 anos, pelo menos 50 anos de Furukawa Electric no Brasil e mais de 140 anos de Furukawa Electric no mundo, oriunda do Japão. O que aconteceu? A Lightera, ela é a empresa de tecnologia de fibras ópticas do Grupo Furukawa Electric. Então a gente tinha empresas diferentes, a gente tinha a UFS nos Estados Unidos, foi comprada pela Furukawa Electric da Lucent no começo dos anos 2000. Nós tínhamos a Furukawa Electric Latam, sediada aqui no Brasil, mas atendendo a América Latina toda. Nós tínhamos também a parte de fibra e cabos ópticos da Furukawa Electric do Japão. Então essas duas empresas e essa unidade foram unidas debaixo do mesmo nome, Lightera, e debaixo das mesmas políticas e com alcance global. Então a gente já cobria o mundo inteiro com tecnologia óptica, digamos assim, através dessas duas empresas dessa divisão da Furukawa Electric, resolveu colocar dentro do mesmo guarda-chuva, dentro das mesmas políticas.
Isso aconteceu pouco mais de um ano, tô falando de abril, então nós estamos falando de um ano e meio mais ou menos que isso aconteceu, que nós mudamos. O projeto veio de muitos anos antes. Mas ao mesmo tempo que isso aconteceu, veio essa onda de IA. IA também não é algo novo, a gente ouve falar em IA faz muitos anos, é uma promessa há muitos anos de popularização, mas de fato o uso já existe há um bom tempo. E ao mesmo tempo veio essa onda que também tem exigido bastante da gente. A conectividade ótica é o cerne do funcionamento interligado dos data centers. E ao mesmo tempo que a gente mudou de nome, ao mesmo tempo que a gente tá dando uma cobertura mundial, a minha responsabilidade especificamente é, eu chamo de conectar os pontos, que eu trabalho como desenvolvedor de negócios no mundo inteiro com clientes-chave que têm cobertura global. Então eu tento colar o footprint que a gente tem global em cima das empresas dos nossos clientes de footprint global também. Ao mesmo tempo que a gente está fazendo isso, a gente está enfrentando uma demanda tanto de volume quanto uma demanda de desenvolvimento tecnológico para fibras ópticas como nunca vimos antes.
Então o cenário é esse, é um cenário que o Daphne falou de tudo ao mesmo tempo agora, é essa coisa que nós estamos enfrentando na dinâmica da empresa.
Tudo ao mesmo tempo agora ou o caos perfeito?
É.
E essa alta de demanda ela é é significativa no segmento como um todo. E você pincelou que é uma alta de demanda em volume de produção e também de qualidade e desenvolvimento. Conta para a gente esses dois pilares aí desse caos perfeito.
Vamos lá, a tecnologia de transmissão óptica, seja para interligar data centers, né, O data center, ele é a unidade funcional da nuvem. O que a gente chama de nuvem, que foi a última onda antes da IA, foi a onda da nuvem dentro dos data centers. Como unidade funcional, a nuvem só funciona porque ela é interconectada. Todos os data centers são interconectados. E já acontecia um fenômeno muito forte que é uma extrema paralelização da transmissão ótica. Paralelização significa uma quantidade enorme de fibras paralelas que foram, as tecnologias foram demandando. Uma fibra é capaz de transportar uma quantidade enorme de informação. Você já ouviu em petabytes, você já ouviu em terabytes, vocês já ouviram bastante coisa, mas isso não é suficiente. Você precisa colocar mais e mais fibras paralelas. E nós sentimos isso antes da pandemia. Furukawa Electric fez um cabo de 6.912 fibras em um cabo. Já havia essa demanda para interconectar os data centers. Dentro dos data centers já tinha uma demanda muito forte, só que aí, com essa quantidade de GPUs que você precisa interconectar, as GPUs precisam trabalhar com um mínimo de atraso entre elas, com o máximo de sincronização, como se elas fossem uma só.
Elas respondem, as GPUs, elas respondem como uma só. Elas são separadas, mas exige paralelização muito grande. Então as fibras A quantidade de fibras é cada vez maior. Então, paralelização em âmbito externo, interconexão data center, paralelização em âmbito interno e a quantidade muito grande de conexões necessárias fez com que o volume aumentasse enormemente. Então, nós estamos numa demanda muito grande, o que é uma virada também poucas vezes a gente viu na história, uma virada dessa, porque nós tivemos um problema no mercado pós-pandemia. As operadoras se sobreestocaram, as operadoras tiveram que investir muito, todo mundo ficou conectado na pandemia e depois a gente teve uma ressaca da pandemia. As operadoras começaram a enxugar, pararam de demandar muita fibra. E ao mesmo tempo, paralelamente, começou essa demanda de IA, de nuvem como infraestrutura para IA, e isso tudo aconteceu. Então, o primeiro impacto é o volume. Então, volume muito grande, demanda muito grande globalmente. Uma das preocupações que a gente tem é sempre manter os clientes abastecidos, manter as fábricas funcionando no seu melhor de performance, tratar das cadeias de suprimento de maneira adequada para manter essa demanda que é exponencial rodando. Então, quantidade está relacionada a isso.
A outra coisa é que para melhorar a eficiência tudo está sendo espremido. Demanda de energia elétrica é uma coisa assim que não se viu de fato antes, né? Então todo mundo está sendo demandado a ajudar na redução do consumo de energia elétrica e no aumento da eficiência. Então se você for falar com um cara que faz transformador, que faz grupo gerador, que faz qualquer sistema de distribuição Ele tá sendo pressionado a ter o máximo de eficiência. Nós também estamos sendo pressionados. Bom, primeiro porque a transmissão óptica é a transmissão mais eficiente que tem. Ela por si só já ajuda a diminuir o consumo de energia, mas quando a gente faz fibras de melhor desempenho, elas ajudam mais ainda, certo? Você tem uma fibra de melhor desempenho, e a gente hoje tem uma fibra chamada fibra hollow core, que ela tem um núcleo oco. Ela, nesse caso, ela, a transmissão é mais rápida dentro dela, ela diminui o atraso, ela é capaz de fazer isso. Então esse é um nível de exigência que a gente tá tendo hoje. Então quando você faz isso, você contribui para o consumo, para diminuição do consumo de energia elétrica. Mas como eu disse para vocês, a paralelização ela tá aumentando bastante.
E se vocês olharem como a NVIDIA tem apresentado os produtos deles hoje, você vê que é uma, eles extremamente compactado dentro de um rack que hoje consome 120 kW, nós estamos falando de 10 casas ou mais, dependendo do tipo de casa, num rack. Ao mesmo tempo que você tá condensando essas GPUs, essas CPUs, esses equipamentos, nós também estamos sendo demandados a diminuir o tamanho da fibra, o quanto que ela ocupa de espaço, diminuir o tamanho dos conectores, melhorar a performance deles, E isso está fazendo com que a nossa área de pesquisa e desenvolvimento tenha que trabalhar nessa velocidade que a IA está exigindo. Então são duas frentes muito complexas de se trabalhar. A manutenção do volume, do aumento do volume, cuidar toda a cadeia para isso e fazer com que isso funcione cada vez melhor, de maneira mais eficiente, mais compacta, mais rápida, menos, que dê menos manutenção. A gente tá nesse negócio hoje. Nós estamos trabalhando com microtecnologias até para fibra óptica que antes a gente não imaginava trabalhar, né?
Eu tô aqui ouvindo e pensando, gente, e o plano estratégico de 10 anos de uma empresa como essa? Porque uma empresa centenária japonesa, de origem japonesa, tenho certeza absoluta que tem planejamento estratégico de longo prazo.
Com melhoria contínua em tudo.
É, e nessa última década de 20 para 30, que é o que nós estamos vivendo, a gente teve a pandemia, que foi um evento Do nada. E IA não é do nada, mas ao mesmo tempo não era trivial a empresa fazer grandes investimentos sem a demanda por IA vir. E a demanda veio, entre aspas, do nada, foi muito rápido. Desde o GPT surgir, a gente tangibilizar a inteligência artificial, sair do… Do discurso e aquilo virar uma prática, cara, temos o quê, 2 anos e meio, né? Conta para mim um pouco dos bastidores relacionados a essa visão de longo prazo versus situações aí.
Olha, tem muita gente que fala de bolha, né? Tem muita gente que fala de bolha. Você tem pessoas defendendo que isso é uma bolha, defendendo que isso não é. Veja, Eu falei que já tiveram várias aplicações que aconteceram suportadas pelo data center. Então, lá pelos anos 90, você teve uma miniaturização dos computadores, automação bancária, mais ou menos ali o CPD virou data center, né? Ganhou um— lá pelos anos 90 aconteceu isso. Então foi uma aplicação que demandou bastante. Lá pelos anos 2000 aconteceu as ponto-com, lembram? Ponto-com tem uma demanda enorme. Onde isso aconteceu? Isso aqui aconteceu no data center, certo? Onde aconteceu as ponto-com? Dentro dos data centers aconteceram. Aquilo foi uma bolha. Que ele estourou, né? Teve uma aí, isso aqui em 2000 mais ou menos. Em 2014, 2015, 2013, vai por aí, aconteceu a nuvem. Onde ela acontece? Dentro do data center. Essa aqui não estourou, né? Essa aqui não. E qual que é a que tá agora acontecendo? É IA. Onde ela tá acontecendo? Dentro dos data centers. O que tem de perenidade nisso é o data center. Ele sempre vai ser a ferramenta para você armazenar e processar informação. Sempre. Qual que vai ser a próxima?
Computação quântica? Não sei como é que vai ser a próxima.
Então, mas você sabe onde vai acontecer, dentro da Center.
E eu tô falando, eu tava lá nos anos 90 quando eu vi a primeira coisa acontecer, a segunda, terceira, e agora tô tendo oportunidade de ver isso. Então assim, a primeira coisa é, eu não tô dizendo que é uma bolha nem que não é, a gente só vai saber se é uma bolha se estourar ou não. O conceito é esse. Então, a Light Area e a Furukawa Electric acompanham com muito cuidado isso. Nós estamos fazendo muito investimento, nós estamos trabalhando com um aumento substancial de capacidade nas nossas fábricas nos Estados Unidos, no Brasil, na Índia, a gente tem uma capacidade muito grande no Japão que também aumenta. Isso já está acontecendo, nos próximos anos a gente vai ver os frutos disso. A gente já, nós já estamos colhendo frutos de ampliações que nós já fizemos antes e também com aquisições estratégicas. Quer dizer, a Furcal Elétrica, antes da Laetera, ela já adquiriu uma empresa que faz uma parte central dos conectores ópticos, a parte-chave dos conectores ópticos, chamado ferrulho. É um produto de extrema precisão que faz a terminação da fibra óptica e é responsável pelo desempenho da conexão da fibra óptica, que é a Se a fibra óptica tivesse um ponto fraco, normalmente é na conexão.
Então, esse investimento foi feito antes da Lightera ainda, e essa empresa chamada Rakusan, que foi comprada pela Furukawa Electric, ela também já fez, já está fazendo investimentos substanciais para aumentar a capacidade. Nesse nível de demanda, eu não sei quem conseguiu prever, tá? Talvez os caras lá da ponta, da ponta da demanda, que eu digo assim, a NVIDIA com o seu, acho que até a CMC que faz para eles, né, uma boa parte, mas talvez eles tivessem vendo isso um pouco antes, mas é muito difícil alguém ter visto a rampa nesse ângulo, nesse nível tão íngreme como foi. Mas assim, então a Furukawa, ela itera, ela vem com cuidado, né, porque é uma empresa japonesa, ela faz as suas, ela toma suas decisões muito calcadas no cuidado, né, mas também ela já tá colhendo frutos de investimentos anteriores e está fazendo efetivamente agora onde ela enxerga que é onde nós entendemos que há demanda ainda. Igual, preveu que isso que ela tá acontecendo, mas não sei se alguém acredita.
Mas a concentração de investimento comparando esse passado recente com agora, agora é muito Muito maior.
Os números, por questões estratégicas, eu não posso abrir, mas a empresa está investindo substancialmente.
Muito mais agora, por quê? Porque tem uma demanda puxando.
Tem uma demanda e tem uma perspectiva firme de consumo.
Continuidade.
Tem uma perspectiva firme de consumo.
E é aí que eu ia pegar, sobre continuidade, porque o investimento em fábrica demora meses, anos para maturar. E depende dessa premissa que é a demanda atual continuar ou eventualmente até aumentar?
Ó, comunicações com fibras ópticas, a gente tem outras, a gente tem uma outra empresa que trabalha com tecnologia óptica mais fotônica, digamos assim, chama Phytel, é do Grupo Furukawa também, ela trabalha com lasers e transmissores, entre outras coisas, tá? Nós acompanhamos bem como é que a indústria óptica, e a Furukawa Electric foi a primeira a fazer um cabo óptico no mundo, a gente tá muito conectado com isso. Então a gente tá acompanhando, tá fazendo isso. Comunicações ópticas, elas não devem diminuir com o IA ou com computação quântica ou com o que seja. Como eu falei para vocês antes, o que tá acontecendo hoje também, por exemplo, é que A fibra óptica está chegando mais e mais na parte interna do equipamento. Então, você tem um equipamento de transmissão, um equipamento que processa dados, ele tem no meio dele, ele tem um ou mais chips de silício baseado em semicondutores, que é o que a nossa indústria de computação, de telecomunicações é lastreada nisso. Mas o que acontece? Ele também tem uma porção de parte de cobre lá dentro. Nós somos algumas das empresas que estamos trabalhando para que a fibra chegue mais e mais perto desse chip.
Os chips, alguns novos, já estão saindo com a conexão óptica no próprio chip, que a gente chama de co-packaged optics. Então ele já é todo feito com a parte óptica junto. Então uma certeza é: necessidade de conectividade óptica, ela deve continuar e deve crescer. Sobre expansão e velocidade de expansão e maturação, como eu falei para você, a gente tem A empresa foi a primeira a fazer um cabo óptico lá nos anos 80. Nós temos um domínio muito grande da cadeia de verticalização, nós somos muito verticalizados. Então a gente trabalha desde a pré-forma, que a gente chama, que é o produto que vai fazer a fibra óptica, até o cabo óptico montado lá na frente, conectorizado e pronto para ligar no equipamento. Então o que acontece? O nosso formato de investimento e de relação de disponibilidade após o investimento, ele é reduzido. Porque o nosso parque industrial é capaz de ser atualizado em algumas situações. Nós não partimos do zero. A gente tem um parque industrial dinâmico, a gente tem, por exemplo, equipamentos que eles podem e são convertidos para tecnologias ópticas novas. Então, tem duas tecnologias ópticas novas que estão vindo aí e que a gente não parte do zero com elas.
Uma é aquela fibra que eu falei para vocês, OCA, uma fibra que tem ar no meio. Em vez de ser sílica, ela tem ar no meio. Fibra hollow core chama. Outra é fibra multicore. Fibra multicore significa uma fibra, só que ao invés dela ter um núcleo, ela tem 4 núcleos, que significa que eu vou poder multiplicar por 4 a capacidade de um cabo, de uma fibra, sem aumentar o tamanho dela. Então, o que a gente faz é— isso não é um investimento do zero, tem equipamento que a gente pode atualizar, tem equipamento que a gente pode mudar. Então, a maturação para nós que estamos trabalhando com tecnologia óptica faz muitas décadas, e que temos domínio disso e temos uma boa, um nível de verticalização, ele ocorre num tempo relativamente curto. Então é diferente de alguém falar, eu vou começar a fazer fibra óptica. Hoje, primeiro que a gente tem um domínio de tecnologia de pessoas que conhecem isso no Japão, nos Estados Unidos, no Brasil, espalhados no mundo inteiro. A gente tem o domínio da manufatura, de como ela é feita. Então para nós As coisas de investimento começam em 1 ano, 2 anos, dependendo do que for, já começam a retornar.
Então, para nós que temos essa tecnologia na mão, os investimentos normalmente retornam num prazo bem razoável para nós, bem bom para nós.
Não, é muito impressionante a gente trazer a história de um componente invisível tão presente na conversa de inteligência artificial. Muitas pessoas às vezes devem esquecer que vocês conectam tudo para a gente conseguir ter o benefício, tanto quanto empresa quanto pessoa. E ouvindo a história, tem uma curiosidade dela que eu não posso deixar de te perguntar. Nesse 1 ano e meio, você tem um desafio muito interessante, que é contar para os seus clientes qual é o papel da nova empresa e como vocês justamente vão suprir esses gargalos, entender ali E estruturar toda a conexão com eles. Você usa inteligência artificial para falar com seus clientes? Inteligência artificial te beneficia de alguma maneira na comunicação da nova empresa?
Bom, contar essa história para mim é muito— eu gosto muito de contar dessa história, porque eu estou envolvido com a Furukawa desde 1994. Eu tenho a minha história profissional, se confunde com a da empresa, desde 94. Então eu tive oportunidade não só de trabalhar aqui no Brasil, mas de estar, visitar e trabalhar com outras pessoas de outras, em outras regiões do mundo, seja nos Estados Unidos, seja na Indonésia, seja na Tailândia, seja em Singapura, no México. Eu tive no mundo inteiro, continuo indo no mundo inteiro trabalhando com pessoas da empresa nisso. Então para mim contar essa história, para eu contar essa história, é muito legal. E Ocasionalmente eu cuidava do marketing da área do Latam e EMEA quando nós fizemos essa virada. Então eu, junto com as outras equipes, nós concebemos isso, nós concebemos essa história. E essa história tem uma coisa interessante. Eu tenho uma relação com a empresa desde 94 e a gente tem pessoas que trabalham há 30, 40 anos lá. Nós temos muita, não sei se eu vou estar usando o termo errado, mas a gente tem muita inteligência emocional, emocional que digo conectada com essa história para a gente contar, não sendo necessário o uso de inteligência artificial para fazer qualquer tipo de storytelling sobre o assunto e tudo mais.
Então assim, a maioria das pessoas está envolvida nessa história e gosta de contar dessa história. Naturalmente, do que diz respeito a marketing, etc., a gente usa várias ferramentas de automação, várias ferramentas que nos ajudam a fazer isso funcionar. E aí eu posso citar para você que nós começamos a usar ferramentas de inteligência artificial ainda antes da pandemia, ou seja, quando isso era absolutamente embrionário, para trabalhar na nossa área com previsão, com previsões para ajudar na aquisição de matéria-prima e para ajudar, e ultimamente para ajudar em vendas. Como é que a Como é que a IA junto com RPA está funcionando dentro do nosso sistema? Então assim, baseado em análises de vendas, baseado em análise de perfil de consumo, em forecasts, etc., a IA junto com RPA está trazendo para nós sugestões de compra de matéria-prima, por exemplo. Nós também temos um sistema que ajuda, o nosso olhar é sempre para resolver o problema do cliente. Então vamos supor, se a gente tem um produto que o cliente pediu e que tem um determinado tempo de produção, determinado tempo de entrega, a nossa ferramenta ela consegue olhar o nosso estoque, verificar se tem um produto que é compatível com aquele e já oferecer, trazer isso para o pessoal de vendas com o pitch de vendas.
Ou seja, por que que esse produto é uma alternativa para aquele outro? E ele tem pronta entrega, ele tem as mesmas características técnicas, ele atende você, porque nós nunca vamos oferecer alguma coisa em detrimento do técnico, né, por conta disso. Então, por que que ele se encaixa e por que que ele pode ser oferecido? E ele tem em nosso estoque a pronta entrega.
Então, além de promover a transformação no mundo, vocês também estão transformando internamente.
Sim. Esse talvez, nós temos hoje 30 projetos em andamento que envolvem de alguma maneira IA. Naturalmente, a gente tem o uso dia a dia da IA e temos as mesmas preocupações que qualquer outra empresa tem. Então, a questão de segurança de dados, a questão do uso, o que pode, o que não pode usar, sistemas de educação interna, de mobilização interna, de compliance, todas as preocupações que outras empresas têm, a gente tem. Então a gente está atrás do pessoal para usar as ferramentas, o pessoal de tecnologia de informação está muito atento ao que estão usando, ao que não estão usando, inclusive para nos proteger de ataques, estão usando muito AI para ataque. Então é todas as políticas que qualquer outra empresa tem em relação a isso, Nós estamos usando. É claro que por conta do próprio formato da empresa, a gente sempre vê com muita cautela. As empresas estão adotando IA de maneiras diferentes. Algumas estão experimentando bastante, muito fortemente, e estão voltando atrás em algumas situações. Nós estamos usando Essa ferramenta que eu falei para vocês talvez seja a ferramenta mais importante que a gente tenha hoje de IA. A gente tem, a gente teve um bot também baseado em IA e com um banco de dados local que poderia responder perguntas relacionadas a produtos e tal.
Então tem vários projetos, mas a gente está com a diligência adequada, com o cuidado adequado que é necessário para isso, com bastante observação do compliance, do pessoal de de tecnologia de informação para a gente usar da melhor forma possível.
E qual desses 30 projetos que já mexeu o ponteiro?
O que mais mexe o ponteiro de fato é esse que eu falei para você, de previsão, previsão disponibilidade. Esse é o que mais mexe o ponteiro, tá?
Mas tem alguma ordem de grandeza de ganho que isso gerou?
Não tenho essa ordem de grandeza, tá? Ele teve O ganho, talvez, eu não sei se a gente tem um ganho de volume, talvez a gente, talvez não, seguramente nós tivemos um ganho relacionado à velocidade de resposta, que é essencial para a gente fazer isso, essencial para isso. Ganho teve, eu não tenho número, mas ganho teve seguramente. Mas essa é a ferramenta que a gente tem como a linha de frente, digamos, de aplicação de IA mesmo na empresa.
Legal, então é um caso de uso aí, né, para a gente anotar. Previsão, previsibilidade ali de compra de insumos e materiais baseado em forecasts de vendas e outros dados.
Uma curiosidade, você mencionou que na pandemia vocês desenvolveram um cabo com mais de 6 mil e poucas fibras.
Antes da pandemia, a gente já teve uma demanda dos hyperscalers, dos grandes clouds, de fazer essa interconexão com uma quantidade enorme de fibras.
E agora, qual é o cabo? É o mesmo?
Agora, quantas fibras?
Quantas fibras?
Agora nós temos um cabo de 13 mil fibras. O dobro. O dobro. Nós dobramos o tamanho do cabo, tá? Só que não existe uma— o que que acontece? Não existe uma proporção direta. Eu aumentei a quantidade de fibras e aí eu dobro o volume, digamos assim, o tamanho Nós trabalhamos em outras tecnologias para que ele proporcionalmente seja menor, proporcionalmente seja menor. Então a gente trabalha no diâmetro da fibra, a gente trabalha em como a gente constrói o cabo, etc. Então neste momento nós estamos com cabo de 13 mil fibras, nesse momento mais de quase 14 mil fibras, neste momento. Vai precisar de alguma coisa mais? Olha, Nesse momento a gente acabou de sair com esse, tá?
A gente nem tá perguntando, fica tranquilo.
O que eu digo é que a gente nunca pode duvidar dos nossos clientes. Nossos clientes são clientes muito grandes, de alcance global e que têm demandas absurdas relacionadas a tudo. São aqueles clientes que desequilibram o mercado de geradores de energia, de transformadores, de tudo de transceivers, que são os equipamentos que fazem a conexão óptica. Eu costumo dizer assim que não dá para duvidar de nada do que eles possam pedir, mas nesse momento é o que a gente tem. Como eu disse assim, isso é um volume muito alto, mas a gente aposta também nas novas tecnologias de fibra. Como eu disse para você, a fibra com 4 núcleos ela vai fazer de uma hora para outra o mesmo volume de fibras, o mesmo volume do cabo, quadruplicar a capacidade, assim, com o mesmo tamanho. Então, talvez chegue um momento que a gente precise investir, a gente precisa mudar a tecnologia e não necessariamente trabalhar, eu vou usar o termo, com a força bruta, que é ir aumentando, aumentando, aumentando. Não, eu aumento a quantidade de núcleos e eu consigo fazer isso funcionar. Isso, isso é um desafio que a gente tem. E o outro desafio que eu falei para você é como conectar lá dentro do equipamento, lá dentro do equipamento.
Como é que nós fazemos a fibra chegar lá perto do semicondutor? Até que a gente tenha um dia um chip fotônico totalmente, a gente trabalha com tudo fotônico, ou que a gente tenha tecnologia quântica popularizada, tecnologia quântica mais fácil de usar, essas podem ser o que mude um pouco a forma, mas que a fibra vai continuar tendo essa demanda, vai.
Acho que esse é o ponto que as pessoas conhecem, que a fibra tem a sensibilidade ali nas pontas, o conector. Eu mesmo vivi isso na instalação da minha casa. O cara tentou lá, trocava o conector e trocava o conector, quase foi embora falando, só botando problema no conector. E na verdade ele estava sem o óculos, ele não viu que ele estava fazendo a conexão errada. No final das contas foi bem divertido. Mas acho que o que a gente fez aqui hoje é entender um pouco do que sustenta do ponto de vista de infraestrutura e como a gente pode se beneficiar tanto de inteligência artificial ouvindo você contar essa história muito, eu falei lá no começo, rara, mas fantástica, né?
Cada vez que a NVIDIA vem com alguma coisa a mais, nós estamos pensando em interligar tudo aquilo com milhões, milhares, milhões e milhões de fibras e como a gente vai fazer isso melhor. Então, cada vez que Tem um evento da NVIDIA, o evento da NVIDIA, o GTC em março, a gente sabe que vai, já é, a gente vai respirar.
O planejamento estratégico deles acontece depois dali, Fred, ele vem assim. E uma coisa também que fica aqui na minha cabeça muito forte e é um insight potente para todos nós, vocês suportam do ponto de vista de infraestrutura e atendem a demanda crescente desse mercado, porém se valem de inteligência artificial para desenvolver projetos que são benéficos para a sustentabilidade de uma empresa de 140 anos.
Nós estamos nas duas pontas. Nós provemos a infraestrutura para isso funcionar através de superconexão entre data centers e dentro do data center com uma quantidade enorme de fibras ópticas, mas do outro lado também a gente procura fazer sistemas para melhorar a nossa performance e em última análise atender o nosso cliente da melhor forma possível. Então, nós estamos em duas pontas, digamos assim.
Na verdade, vocês conectam e são conectados.
Nós fazemos uso também do que nós conectamos.
Muito legal, muito legal. Olha, eu me encantei, Fred, com essa história aqui. Ouvi do Flávio como todos nós, de certa maneira, nos relacionamos com a empresa de vocês ou nos beneficiamos da empresa de vocês em algum momento.
E é muito interessante a gente capturar o dedo no pulso mesmo, né? A gente lê que estão criando e construindo um monte de data centers, de que precisa de muita água, de que precisa de muita energia. E agora ouvir de uma maneira técnica, mas ao mesmo tempo democrática, né, um português claro, de alguém que tá nessa ponta, faz a gente sentir o que a gente tá vivendo. E a gente costuma dizer aqui que é de fato, a gente acredita que a IA é uma mudança de placa tectônica e que veio para ficar, não é uma onda passageira, é um negócio enorme. Agora, quando a gente ouve de você, né, dá mais certeza do que a gente achava. Uma empresa enorme fazendo investimentos robustos e com zero, achando que a chance de diminuir a necessidade por cabos é zero. Então, por fibra óptica é zero. Então assim, cara, estamos alinhados e faz muito sentido para nós e trouxe muita vida para as nossas convicções. Te agradecer por isso. Muito obrigado pelo tempo aqui com a gente.
Eu que agradeço vocês pelo tempo, por poder colocar para vocês a importância do que nós estamos fazendo lá atrás, né, para manter tudo conectado, para todo mundo fazer o melhor uso possível da IA. A gente sabe que tecnologia é uma coisa que tá disponível para grande maioria das pessoas, mas o uso dela, o uso responsável, a gente quer que— quer ser a base para que as pessoas usem da melhor maneira possível, para se educar, para usar de maneira responsável, para melhorar o seu desempenho. A gente está feliz de poder mostrar que nós fazemos essa parte importante lá e gostaríamos também de dizer para todo mundo para contar conosco, né? Desde que chegue lá na sua casa a fibra ótica para você ligar no seu equipamento e para jogar, para se divertir, para trabalhar, até tudo aquilo que você armazena nos data centers aqui ou do outro lado do mundo que passa pelas nossas fibras, a gente gostaria também de deixar, manter todo mundo contando conosco para fazer isso tudo funcionar.
É isso, pessoal. Agradecer mais uma vez. Deixem comentários, a gente lê todos, tá? Seja, pode criticar que a gente lê e busca melhorar, ou elogiar também. Quem não gosta, né, de receber um elogio? Compartilhem com amigos e colegas de vocês. A gente tá em busca de aumentar o volume de minutos assistidos para a gente ser reconhecido pelo YouTube como criadores.
E é isso, muito obrigado, canal! Convide mais pessoas, assim a gente consegue trazer outras mentes brilhantes como Flávio para nos ajudar a democratizar a inteligência artificial no Brasil. Obrigado, Fred! Obrigado, Flávio! Foi um prazer!
Obrigado, até a próxima!
Até a próxima!
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.