EP 39

Vibe coding, personas sintéticas e Design de Produto

Conhecer o seu consumidor é fundamental, mas isso qualquer marketeiro pode te dizer. Neste episódio, Denilson Silva, Head de Design da Vivo, mostra como é possível conhecê-lo com mais profundidade e preditividade através da Inteligência Artificial.

50 min · 24 ago 2026
Denilson Silva

CONVIDADO

Denilson Silva

Vivo

Transcrição do episódio

[00:00:24.26] – Fred Pericini

Olá, eu sou Fred Pericini, sócio fundador da agência F2F. Estamos aqui hoje para mais um episódio do AI Firstcast, o podcast que discute de maneira estruturada sobre a adoção de inteligência artificial no mundo dos negócios. Meu fiel escudeiro, Phil Xavier.

[00:00:43.09] – Filipe Xavier

Tudo bem, pessoal? Olá! Mais um episódio desse nosso podcast que tanto nos encanta fazer. E temos aqui hoje mais um convidado e tenho certeza, quando eu falo, está dito, né, Fred? Vai ser uma conversa sensacional. Só vamos fazer acontecer. Conta para a gente quem é você.

[00:01:00.15] – Denilson Silva

Boa, legal, pessoal. Prazer estar aqui. Obrigado, Fred. Obrigado, Fê, pelo convite. Meu nome é Denilson, mas pode me chamar de Dene. A maioria me conhece como Dene. Hoje atuo como Head de Design da Vivo. Estou nessa posição há uns 4 anos. Antes passei por Nubank, Quinto Andar, algumas outras empresas. Sou formado em desenho industrial, então comecei minha carreira toda com design. Tenho uma pós-graduação também em comunicação e uma outra pós também em experiência do usuário da SPM. Super feliz com o convite, louco para trocar ideia com vocês aqui, como é que tá o mundo da IA.

[00:01:35.02] – Fred Pericini

Legal. Hoje nós temos uma empresa que é pequena, né?

[00:01:38.11] – Filipe Xavier

Pequena, tá na mão de quase poucas pessoas, no bolso, né?

[00:01:41.28] – Fred Pericini

Quase ninguém conhece.

[00:01:43.03] – Filipe Xavier

Quase ninguém conhece.

[00:01:43.27] – Fred Pericini

Então vai ser super interessante entender como que uma empresa desse tamanho, desse porte, com esse impacto no Brasil, está adotando inteligência artificial.

[00:01:54.00] – Filipe Xavier

Muito bom.

[00:01:55.09] – Fred Pericini

Conta para a gente o que é a área de design da Vivo. O que vocês fazem lá?

[00:02:00.14] – Denilson Silva

Legal, Fred. Bom, a área de design hoje olha para todas as experiências digitais que a gente tem. E aí, quando eu falo, a gente cuida de app, de web, B2B, B2C, fintech. Então, a gente costuma olhar a Vivo muito como uma parte telco, mas ela também tem uma parte de serviços e outros produtos que vem avançando e criando cada vez mais, aumentando o faturamento da companhia em outras áreas. Então, a área de design cuida de tudo isso. Todas essas experiências, desde a parte do discovery, ideação, prototipação e handoff para os times de desenvolvimento.

[00:02:35.12] – Filipe Xavier

Então, boa. Vamos mais fundo um pouquinho nesse diagnóstico ainda. O para a gente conhece, vocês trabalham para milhões de brasileiros. E o de? Quantas pessoas estão nesse time de design e quantas trabalham com inteligência artificial hoje?

[00:02:47.16] – Denilson Silva

Legal, legal. Bom, hoje a gente no time de design da Vivo, a gente tem mais ou menos umas 100 pessoas. E a gente tem um parceiro também, juntando tudo somos mais de 130 designers hoje dentro da Vivo, divididos entre PD, content, research. E, cara, é um orgulho falar que todo mundo trabalha com IA lá dentro. Acho que a gente, algum tempo atrás, criou uma task force para entender o que era esse universo, uns 2, 3 anos atrás, e isso gerou camadas ali de pessoas interessadas em entender como é que a gente poderia utilizar para otimizar nossos processos no dia a dia. Então, Todas as pessoas hoje lá são habilitadas, a gente consegue ter licenças de Autopilot e algumas outras que a gente solicita para a companhia para conseguir melhorar nossos processos.

[00:03:33.11] – Fred Pericini

Como foi o processo de letramento de mais de 100 pessoas?

[00:03:36.26] – Denilson Silva

Legal. Acho que designer por natureza tem uma curiosidade nata. Então, acho até bacana comentar que no começo muitos designers me procuravam e falavam, Dani, estou testando alguma coisa aqui, qual é a sua visão sobre isso? Então, a gente por curiosidade, algumas pessoas foram ali pintando como pessoas ali que eram chapters, então acabavam chamando essa responsabilidade para tribo, e a gente foi fazendo núcleos. A gente tem encontros ali mensais, encontros quinzenais, e desses encontros começou a nascer essa curiosidade. Então, costumo falar que o nosso letramento vem não muito por só a gente treinar e falar muito disso durante o dia, mas da curiosidade das pessoas e que replicaram o que vinha conhecendo ali para os outros designers. Hoje, basicamente, todo mundo utiliza bastante e a gente vê resultado na prática, ganho de eficiência com os times.

[00:04:33.06] – Fred Pericini

Então, eu posso entender que além de letramento tradicional de curso e tal, tem um pé forte aí em mão na massa e curiosidade teste e erro.

[00:04:44.03] – Denilson Silva

Tem, cara, muito. Porque os times lá, a gente tem uma forma de replicar conhecimento que é muito bacana. Então, a gente tem um content design que é tipo uma semana inteira do time de conteúdo passando todos os guidances, evolução que ele tá tendo com os nossos conteúdos, não só olhando para B2B, para B2C, mas olhando para inteligência artificial, como a utilização do Autopilot, né, que é uma das ferramentas de IA que a gente vai ter aí customer face. A gente tem um time de pesquisa também que replica esse conteúdo, o próprio time de conceito e evolução que tá o tempo todo olhando, né, para tendências do mercado. Então acho que é fundamental, né, a nossa cultura, né, dentro da própria Vivo de design estimular e passar essas informações para o time. Então acho que o letramento tá muito nessa, nessa forma que a gente coloca coloca ali como cultura de aprendizado.

[00:05:32.09] – Filipe Xavier

Dando um passinho adiante na nossa conversa, o que esse exército de designers já fez com inteligência artificial? Quais seriam os cases mais sólidos que você pode compartilhar com a gente?

[00:05:42.24] – Denilson Silva

Você usou exército, minha VP usa muito exército de designers também lá. É um time parrudo, cara. Eu gosto que a gente, enfim, ao longo desses 4 anos conseguimos equalizar bem a força do time e provar valor. Então, eu gosto muito de falar que esse time também está conectado com os times de negócio, E hoje, quando a gente tem dúvidas na companhia sobre evoluções de produtos e serviços, esse é o primeiro time que é acionado para conseguir conectar essas pontes. Cara, acho que em termos de claro do que a gente está fazendo, hoje a gente está com algumas frentes. Quando eu falo de customer face, a gente está praticamente remontando toda a nossa estrutura de chat. Então, antes ele era muito árvore de decisão e agora ele vai participar e vai começar a ser mais generativo. Todos os guardrails de como é que a gente tem que avançar, guia de tom de voz, tipo de frase que a gente utiliza, boas práticas. A gente está alimentando com o time de content design esse agente, uma frente que a gente está avançando muito. Toda a parte de URA também, que é a parte de ligação. A gente vai deixar de ser aquela URA de escada convencional para também ser uma URA generativa.

[00:06:49.15] – Denilson Silva

Então, esse mesmo time de conteúdo também está avançando ali com os guidances. E em termos de eficiência, acho que a gente está conseguindo produzir muito mais com os times com relação a ter mais eficiência nos steps. Então, a gente conseguiu criar personas sintéticas junto com um parceiro nosso que ajuda a gente a entender melhor o que o nosso cliente precisa e como ele avança com resultados de tecnologia em jornada. Então, um exemplo é o pré-pago. Criamos ali 16 personas sintéticas conectado com o público pré-pago, que me ajuda a entender melhor os fluxos de jornada para chegar com perguntas muito mais eficientes e efetivas com o meu cliente final. Então, por exemplo, se eu estou desenhando um fluxo de eSIM, que é o novo chip virtual, será que o cliente pré-pago tem dúvidas sobre isso? Será que ele vai saber fazer uma ativação? Porque ativação é feita normalmente com um email ou no próprio sistema operacional no final da compra. Então, a gente testa todos esses fluxos e vai para o nosso cliente final muito mais preparado. Então, acho que tem alguns ganhos importantes.

[00:07:52.02] – Fred Pericini

Pedir licença para interrompê-lo, para que você explique para todo mundo o que é uma persona sintética.

[00:07:58.13] – Filipe Xavier

Até mais do que isso, letramento que você falou no começo, em dezenas de episódios essa é a primeira vez que esse termo aparece aqui. Então é por isso que a gente quer essa tua visão.

[00:08:07.23] – Denilson Silva

Muito bom, muito bom. Bom, persona acho que já vem, né, da gente conseguir ter a conexão ali, criar, personificar massas de público em um perfil que tem alguns comportamentos específicos. Né? E quando a gente fala de personas sintéticas, é criar essas personas de uma maneira agêntica ali para conseguir fazer perguntas para ela, né? Como que a gente montou isso? A gente montou com base em todas as pesquisas que eu tenho com time de research. Então a gente tem mais de 400 pesquisas lá, enfim, numa base de dados muito grande, né, para cada público. Então a gente começou a montar essas pesquisas e foi vendo que qual seria as respostas desses agentes, né? Então no começo a gente tinha uma acurácia um pouco baixa, né? E a gente falou, putz, mas esse perfil ele não é só perfil que usa os produtos da Vivo, ele é um perfil que vai usar um banco, ele vai usar um e-commerce. Então a gente começou a colocar dados ali também de outras plataformas e também dados etnográficos para ajudar a gente a entender comportamento. Será que uma tomada de decisão de um pré-pago em São Paulo é a mesma de alguém do Sul, do Sudeste, do Norte, Nordeste?

[00:09:13.14] – Denilson Silva

Então a gente acabou criando essas personas sintéticas com compilado ali de várias informações e testamos a acurácia com base nas pesquisas que a gente já que a gente tinha feito. Então criamos aí hoje mais ou menos 16 perfis pré-pago, mas a gente está evoluindo para criar para o pós, para o controle, para o fibra. Isso ajuda muito a gente. Então esse é o conceito de personas sintéticas, você ter agentes ali que vão poder ajudar a gente a tomar melhores decisões com base em conhecimento nas pesquisas que a gente já fez anteriormente.

[00:09:42.07] – Fred Pericini

E isso é muito bacana, eu não sei o quanto está claro para todo mundo, mas uma vez com persona sintética você consegue produzir dado sintético. Que é você consegue rodar pesquisas, testar uma tela, testar uma campanha, testar algo com um público que não existe, que é virtual ali e que vai te produzir insights para você ter algo mais próximo do que o consumidor vai realmente achar daquilo que você está produzindo. Boa. E o consumidor é importante também nesse processo como validador final?

[00:10:22.16] – Denilson Silva

Boa, Fred. Pergunta super importante. Eu acho que, como a gente costuma dizer, a gente vai muito mais preparado com personas sintéticas, mas isso é só para a gente conseguir ir com perguntas melhores. Mas no final do dia, a gente ainda fala muito com os nossos clientes até para conseguir fazer essa equalização. E quando você fala de teste, hoje a gente tem 3 principais testes lá dentro. A primeira é pergunta e resposta, então eu consigo fazer um teste de profundidade, né, para essa persona sintética. Consigo fazer um teste A/B, então consigo colocar, sei lá, uma imagem do pré-pago do Gil com Vigor e uma imagem só mostrando quantidade de giga e preço. Consigo perguntar para cada persona o que que é mais atrativo, qual que estimularia o clique dela, e ela também me responde até dando sugestões do que poderia melhorar nesse teste A/B. E o outro é um teste de jornada, então consigo subir uma jornada inteira, por exemplo, uma jornada de recarga, consigo subir uma jornada inteira e pedir para essa persona utilizar, ver o que mais chama atenção, se ela está conseguindo entender todo esse fluxo. Então, isso com certeza alimenta o nosso banco de dados sintético.

[00:11:26.23] – Denilson Silva

Então, nas próximas ela também vai aprendendo com o que eu já mostrei para ela. E também a gente costuma sempre alimentar depois com os resultados que a gente fez da pesquisa física. Então, depois que a gente falou também com as pessoas, a gente nutre esse grupo aí com as respostas finais.

[00:11:41.15] – Filipe Xavier

E quanto tempo vocês levaram para desenvolver as 16 personas sintéticas? Pegar tudo que vocês tinham lá de pesquisa, para chegar nesse número?

[00:11:49.23] – Denilson Silva

Eu vou te falar que a gente demorou mais ou menos 1 ano e meio para conseguir fechar todo esse conceito, para conseguir fazer testes, para conseguir aumentar a acurácia. Hoje a gente tem mais ou menos 87% de acurácia das respostas das personas sintéticas, mas sempre tudo muito refinado. A gente usava alguns LLMs no começo, depois a gente foi testando outros, depois a gente foi remodelando e entendendo essa modelagem de etnografia, de comportamento, Não só com base na Virro, mas com base em outras coisas. Então, é um projeto grande, cara. Costumo falar que já tem hoje, já tem players no mercado que trabalham com pessoas sintéticas, mas muito com essa base de etnografia, não olhando para o seu público específico. Do nosso lado, a gente entendeu que é importante talvez no primeiro momento você usar o Synthetic Users para talvez um pool maior, mas eu mesmo assim ainda quero entender como é um perfil que eu já estudei. Como é o perfil que consome o meu produto, que já tem interação com telco, né? Diferente talvez de outras pessoas que talvez fluxo de compra, talvez o fluxo de compra seja mais massivo, mas a gente tem uma especificidade que é entender tecnologia, entender dados.

[00:12:55.21] – Denilson Silva

Será que quando eu falo para o cliente, você é pré-controle ou você é pós? O cliente não sabe, fala, eu tenho internet no meu celular, eu tenho internet na minha casa. Então, né, como é que a gente começa a colocar isso dentro das personas sintéticas? E vai me trazer melhores respostas. Será que eu não deveria falar assim para o meu cliente?

[00:13:11.22] – Filipe Xavier

Então, você levou um tempo de desenvolvimento maior, só que agora você tem eficiência por saber o que você pergunta e o que você está levando para validação final com o teu cliente. É isso?

[00:13:23.03] – Denilson Silva

Exato. E aí ganhamos muito agora, falando de eficiência, ganhamos muito em tempo. Uma das maiores dores que a gente tem em qualquer segmento é conseguir recrutar, conseguir fazer um bom screener com os clientes. Então esse tempo a gente otimizou, porque hoje eu utilizo uma massa um pouco menor do público final, consigo tratar, refinar muito mais no sintético e aí depois eu já vou muito mais preparado e direcionado para profundidade, com a pesquisa de profundidade que a gente vai fazer.

[00:13:49.27] – Filipe Xavier

Muito bom, muito bom. Esse para mim é um grande case de uso. Você não tinha citado ele no começo, mas pode adicionar.

[00:13:56.01] – Denilson Silva

Eu vou somar.

[00:13:57.29] – Filipe Xavier

Bota aí, Denis, esse aí é bom demais.

[00:14:00.04] – Denilson Silva

Muito bom.

[00:14:00.17] – Filipe Xavier

Esse é bom demais.

[00:14:01.12] – Fred Pericini

Então vamos falar um pouco mais dele. Você falou da acurácia de 87%. O que é essa acurácia? Como é que mede isso?

[00:14:09.23] – Denilson Silva

Boa, boa, Fred. Essa acurácia a gente fez com base nas pesquisas que a gente já tinha realizado com esses clientes. Então quando a gente começa a juntar esses dados, então fui lá e peguei uma persona que a gente já identificava como uma pesquisa que a gente já tinha feito e fiz as mesmas perguntas para a persona sintética. E aí eu comecei a colar essas respostas, né? Puts, aqui tem uma variação muito grande. Não, aqui ela começou a falar de um ponto que não apareceu em nenhum lugar da pesquisa. Então a gente foi não remodelando e falando como esse agente tinha que responder, mas colocando mais informação para ele com os dados que a gente tinha para chegar o mais próximo possível dessa acurácia. Então esse foi no piloto. Agora, o que a gente fez? Depois que a gente já consolidou e entendeu esses 87% no que eu já tinha feito, as novas pesquisas já nascem com os meus dados de cliente duplicado. Já vou fazer personas sintéticas e também faço a mesma pesquisa com o meu público. E aí eu comecei a olhar para esse novo viés do resultado dessa pesquisa. E esse viés também trouxe uma média de 87%.

[00:15:14.16] – Fred Pericini

Quantos por cento é bom?

[00:15:16.27] – Denilson Silva

No mercado, a gente entende que 80% a mais já é um— você pode estar um pouco mais confiável dessa pesquisa. Pensa que de cada 10, 8 vão responder daquela maneira. Então, a gente entende que é mais, mas lógico que a gente tenta alcançar 90% e tal para sempre estar mais próximo possível.

[00:15:35.02] – Fred Pericini

E 16% para o tamanho da Vivo não parece… Eu sei que deu um baita trabalhão aí pelo tempo que vocês falaram de projeto, mas nós somos 200 milhões de brasileiros únicos. Persona já é uma simplificação, porque cada um é muito único. Exato. E 16 cobre quantos por cento de um Brasilzão aí afora? É 80/20?

[00:15:59.22] – Denilson Silva

É um 80/20, é um 80/20. A gente sempre tenta se balizar nessa equalização, mas entraria nesse 80/20. Porque mesmo assim, até quando você faz persona, por mais que ela represente uma grande classe, um grande núcleo, no final ainda pode ter algumas escapadas. Então a gente entende que tá no percentual que o todo vai, quando somar o todo, a gente vai continuar sendo efetivo, tá?

[00:16:23.25] – Fred Pericini

Legal. Mudando agora um pouco de tema, porque esse tema é muito bom e aí corre risco da gente ficar só o tempo todo preso nele. Cara, vamos falar um pouco de vibe coding? Eu imagino que uma área de design tenha ganhado muita eficiência produtiva nos últimos anos, porque tanto as ferramentas Figma da vida estão evoluindo e trazendo funcionalidades AI, como também a gente tem o vibe coding aí invadindo a prototipação, pegando o mercado dessas ferramentas tradicionais.

[00:17:03.27] – Denilson Silva

Legal.

[00:17:04.14] – Fred Pericini

O quanto que o vibe coding já está implementado? O quanto que vocês usam? O quanto isso ajuda vocês a conversar com a área de de desenvolvimento.

[00:17:12.13] – Denilson Silva

Legal, Fred. Acho que é isso, né? Do mercado de design nos últimos anos sempre foi tomado pelo Figma, né? Uma ferramenta que trabalhava muito a colaboração, né? E aí quando você tinha, né, eu sou da época que você fazia isso no Photoshop, enfim, muito tempo atrás. É quando entra, né, o Figma competindo ali com XD, né, e com Sketch, que eram outros produtos que a gente utilizava, a gente vê que realmente ele ganhou diferencial. Mas quando entra o Vibe Code na jogada, eu lembro um dado importante é que quando o Cláudio lançou o Cláudio Design, 7%, teve uma queda de 7% na bolsa do Figma. Então, o quanto também que o mercado olha para isso e fala, cara, olha, talvez aqui tem um potencial de conseguir resolver um problema que eu tinha de desenhar tela, entender comportamentos ali, criar padrões. Então, tem essa preocupação, mas eu costumo trabalhar os dois de forma diferente. Acho que o Figma ainda continua sendo a nossa potência com relação a conseguir tangibilizar tudo que eu quero de negócio, de jornada. O Vibe Code para mim entra muito numa parte mais de teste, mais de validação, de testar rápido. E por que eu falo isso, Fred?

[00:18:22.19] – Denilson Silva

Hoje dentro do Figma eu já tenho ali todas as jornadas digitais desenhadas com o meu design system, com o meu guia de tom de voz, com o handoff feito com todos os meus guias de acessibilidade. Então, tem um material dado bruto muito forte ali, né? E hoje a gente consegue já também com a gente dentro do Figma criar, né? Até o Figma Make, ele te dá a possibilidade de criar essas interfaces de uma maneira muito mais rápida. Só que a gente tem um gap que é a parte do desenvolvimento, que eu acho que ainda hoje ainda está mais rápida, mas pensa assim, qual que é o framework que eu estou utilizando, né? Se eu estou utilizando uma stack React, se eu estou utilizando uma Vue. Então, a gente ainda tem alguns paradigmas em termos de arquitetura, de como eu vou finalizar isso end-to-end, saindo da tela e indo para o código, utilizando o vibecoding ou utilizando até o próprio Figma. E aí, como é que a gente separa isso hoje lá? Dentro do Figma, a gente está fazendo testes, são dois testes, tá? Dentro do Figma, eu estou fazendo testes já para tentar usar o Figma to Code conectando com o MCP, e aí eu vou ter um agente que vai ler esse MCP e vai transformar o Figma Code dentro de um framework que eu utilizo dentro da Vivo.

[00:19:31.11] – Denilson Silva

Aí eu consigo cuspir um front, depois todo o trabalho de conectar com back, outro trampo gigantesco que a gente tem em termos de arquitetura. Então a gente tá indo até aqui na utilização do Figma. No Vibe Code, a gente junto com o time de desenvolvimento testamos algumas coisas, uma delas foi o Lovable, mas é isso, a assistência, né, dificuldade de conectar o meu Design System, o meu guidance, né, tudo que eu já tenho é preconcebido em termos de experiência. A gente entendeu que, cara, mas que futuro que tem isso, né? No final do dia eu não vou conseguir utilizar para um handoff final. Então a gente começou a desenvolver uma tecnologia dentro da Vivo que é conectar o GitHub com Copilot e aí sim criar os agentes que vão fazer a utilização do meu do meu style guide, né, todo do meu design system, é do meu guia de tom de voz. E aí sim eu consigo prototipar via Vibe Code de uma maneira muito mais rápida. Que que a gente vê valor nisso, né? A primeira é o protótipo mais rápido, né? A gente vai já fazer isso no Figma, mas de uma maneira um pouco mais demorada, com refino.

[00:20:34.03] – Denilson Silva

E de novo, né, entendendo que eu tinha algumas limitações, ele não ia funcionar tudo, ele só vai funcionar, né, o que eu queria testar com meu cliente. Então o Vibe Code me deixa fazer um protótipo muito mais refinado, com muito mais steps para esse cliente. E também a gente está começando a utilizar para ferramentas internas. Então, quando a gente fala em revitalizar a nossa intranet e alguns processos internos, talvez o Vibe Code possa ajudar a gente a ser mais rápido, porque ele bebe muito bem da parte ali do meu design system, mas design não é só design system. Design são todas as regras e padrões e utilização de comportamento para a gente tomar a decisão para simplificar o uso do cliente. Então, a gente começa a olhar para esses dois aspectos, tanto do vibecode quanto da utilização do Figma para melhorar o processo.

[00:21:19.11] – Fred Pericini

Então, para facilitar também aí na história de letramento, vibecoding é a arte de produzir tecnologia de maneira conversacional, conversando com inteligência artificial. E aí, os principais players disso: o Lovable, Cloud Code, e o Codex do GPT. São os 3 que me veio à cabeça. Não testaram? Testem, porque faz muita diferença, é um outro uso da IA. E aí você me disse que usa para protótipos, para pôr de pé algo rápido, funcional, para mostrar, e que isso não vai para produção ainda. Mas que para desenvolvimento interno de ferramentas internas até vai para produção.

[00:22:08.17] – Denilson Silva

Estamos testando, Fred. Porque pensa assim, por mais que tenha um refino, hoje a gente tem aquela casca de intranet. Você fala de intranet, para mim eu já lembro daquele quase um DOS da vida, difícil de navegar. Então, cara, pensa que a gente tem 33 mil colaboradores. Então, pensa para as pessoas utilizarem isso no dia a dia. Então, a gente está vendo se existe algum ganho de fazer só esse front ali dentro de um vibe coding e depois tentar conectar com alguma outra coisa. Então, ainda está em teste, mas para esse que talvez não é tão customer face, que eu posso ali ter algumas oportunidades de errar e ajustar, talvez a gente tope, mas ainda não chegou.

[00:22:48.27] – Fred Pericini

Mas ainda não.

[00:22:49.21] – Denilson Silva

Ainda não. Ainda está acontecendo.

[00:22:50.24] – Fred Pericini

Isso eu acho muito interessante, porque o vibe coding, tem uma… Você fica fascinado porque você vê o produto rápido, né? Conversando ali com a IA, mas ao mesmo tempo a qualidade do código ainda para uma grande empresa não é suficiente para você conseguir pôr em produção. Então, ele facilita mais a parte de design do processo. Para empresas menores pode ser, né?

[00:23:18.22] – Denilson Silva

É isso.

[00:23:20.00] – Filipe Xavier

E eu até diria que o vibe coding é já um nível superior de utilização de inteligência artificial. Não são todas as pessoas que nos ouvem que estão lá ainda, né? Como foi o processo de letramento do seu time? Como é que vocês puxaram essas conversas? Quantas das 100 pessoas mais ou menos estão utilizando, independente de ser interno ou pensando prototipagem?

[00:23:44.17] – Denilson Silva

Legal. Esse do que a gente tá fazendo o teste com o time de desenvolvimento Tem poucas pessoas testando, porque para mim ele está um pouco mais frágil, porque eu como designer ainda quero olhar a tela, eu ainda quero poder censurar e falar, cara, não é esse ícone que eu utilizo, eu utilizo aquele ícone em todos os outros lugares, em todos os outros steps. Não é esse formato que eu quero em uma tela só, eu quero quebrar em outros formatos. Então, eu ainda sinto essa necessidade de olhar e fazer os ajustes, mesmo que seja no Vibe Code, não tem essa funcionalidade de você selecionar um div ali e falar, olha, isso aqui faz esses ajustes e ele faz diretamente como a gente está pontuando. Então, esse aqui a gente só está testando com o time tech porque eu ainda quero validar. Mas o Figma Make, que aí é um outro que a gente já tem no Vibe Code, mas precisa ter a licença do Figma, acho que você não consegue fazer um teste isolado, você tem que ter pelo menos ali uma licença Professional. Você já consegue fazer testes mais efetivos. E aí o meu time começa a utilizar mais o Figma Make para conseguir validar e prototipar.

[00:24:50.23] – Denilson Silva

E aí depois fazer um refino das interfaces que esse Figma Make está conectado já também com o meu DS. Então esse letramento foi muito uma parceria com a própria ferramenta. Isso foi um ponto importante. Quando a gente viu esse boom do vibecode acontecer, a gente ligou para os contatos do Figma Figma que a gente tem, que atende a nossa conta aqui no Brasil, e falou, meu, e aí, como é que tá isso com vocês? A conta de vocês lá, as ações diminuiu 7%, vocês estão se mexendo? Não, não, a gente tem. E aí eles começaram a fazer testes com a gente, workshops e treinamentos para a gente começar a utilizar o Figma Make, que é uma das grandes apostas da ferramenta. Então esse letramento também acontece via parceiros, quando a gente estimula eles a trazer alguma coisa nova, porque tá todo mundo testando, né? O Lovable bateu na nossa porta lá, minha família, e aí, Vivo, vocês querem utilizar o Lovable? Então, é, a gente tá fazendo isso. E aí a gente faz sempre provocando, né? Porque a gente quer testar em escala. Eu quero saber se dá certo não no meu protótipo para eu testar meus amigos a jogar tranca lá para fazer a pontuação.

[00:25:52.12] – Denilson Silva

Quero saber se eu consigo colocar isso end-to-end para os meus times de design e desenvolvimento. Então esse letramento acontece acontece também com os parceiros que estão junto com a gente hoje.

[00:26:03.09] – Fred Pericini

E essa pergunta que eu fiz foi baseada numa história de guerra pessoal. O meu sócio está produzindo uma tecnologia via vibe coding e de vez em quando a tecnologia quebra. E aí, cara, a gente aprendeu a importância de duplar ele com um full stack sênior para ir vendo o que é crítico e o que não é crítico e o que é crítico e já formulando o código melhor. E tem técnicas usando a combinação de IAs para o código sair melhor. Isso.

[00:26:41.06] – Denilson Silva

Vários agentes também, quando a gente fala disso, eu sempre vejo os testes, as pessoas falando sempre de segurança. Fiz aqui um aplicativo e já estou com 200 mil usuários. Daí o cara responde: Está aqui o CPF, o login de todos os seus 200 mil usuários. Putz, você esqueceu de colocar fazer com segurança no prompt. Então, esse ponto que você traz é super importante a gente começar a olhar com esse cuidado. O Vibe Code para testar, como você bem pontuou, Fred, e para conseguir entender se o seu MVP escala, é uma boa. Mas antes dele escalar, você precisa colocar várias camadas ali, não só de segurança, mas é o que você falou, será que ele aguenta pancada? Será que se ele sair… Eu estava pensando nisso na época que eu estava na Conexa, que era uma healthtech no meio da pandemia. A gente fazia 30 consultas por mês. Cara, a gente fazia 300 mil no meio da pandemia. Então, pensa que a gente teve que escalar tudo isso em 6 meses, correndo com um monte de coisa. Eu falo, nossa, será que tivesse IA naquela época? Como é que será? A gente teria evoluído mais rápido ou a gente cairia nessas ciladas que a gente tem hoje de utilização, como utilizar?

[00:27:48.23] – Denilson Silva

Porque no final do dia está todo mundo meio que aprendendo, mas o mais importante é testar. Então eu falo, cara, você só aprende se você testar, se você implementar. Mas esses casos de teste de startup que já nascem agora com IaT, vai ter um aprendizado muito bacana.

[00:28:03.20] – Fred Pericini

E cara, é uma escolha, porque tem um caminho de desenvolvimento que é o desenvolvimento tradicional, especificação e desenho da tela, validação, integração, desenvolvimento, é um jeito e tem um outro jeito que é vibe coding. São caminhos diferentes e é difícil depois você se encontrar lá na frente.

[00:28:23.25] – Denilson Silva

Exato.

[00:28:24.15] – Fred Pericini

Uma vez que você fez todo um arcabouço de funcionalidades via vibe coding, depois você trazer isso para o processo tradicional é complexo. Então tem um pouco de aposta. E a gente, por enquanto, é uma empresa muito menor do que a Vivo, então para nós essa aposta tá fazendo sentido, mas muito na esperança do lovable vir resolvendo a parte de segurança, confiabilidade, para que o nosso produto não chegue num momento de, ah, quebrou, e agora? E o humano não consiga auditar para poder fazer voltar a funcionar. É muito interessante.

[00:29:12.00] – Filipe Xavier

E talvez seja a evolução natural coisa que a gente vai ver, né? Os problemas que não existiam antes não tinham como ser resolvidos.

[00:29:18.13] – Fred Pericini

Os caras são grandes para caramba, meu. Quem desenvolveu essas ferramentas de vibe code deve saber dessas questões, entendeu? Então eu também fico nessa de, cara, calma, relaxa, que eles vão resolver pouco a pouco. O Lovo é bom mesmo, já vem trabalhando com a parte de segurança, né? Eu caso também dentro de um escopo muito menor que a Eu cancelei meu CRM e eu fiz a Vibe Code em um muito melhor. Para mim é muito melhor, porque ele é muito de acordo com a minha especificidade de trabalho, as tuas personas. E eu sou um cara que fico ali, jogo para o Vibe Code, para o Cloud Code, pergunto: ô cara, que nota o meu software tá agora? Ah, em confiabilidade você tá tanto, em UX você tá tanto. Então tá, vamos melhorar em confiabilidade. O que nós precisamos fazer? Joga o prompt para o Lovable. Eu fico muito nessa interface entre duas ferramentas, mas eu cancelei o SaaS lá e estou na minha ferramenta proprietária.

[00:30:24.03] – Denilson Silva

Você sabe que eu acho que isso vai ser um… Tem vários caminhos de pensar em futuro de experiência, quando a gente fala desses futuros possíveis. Um é esse, que cada um vai poder construir o que se adequa melhor para você. Você deu o exemplo do CRM, mas tem um lance lá que eu fiz lá do contador, do buraco, aí tem um outro lance também, cara, gestão financeira, também criei um no final de semana que se adapta muito mais para o meu tipo de persona. E talvez esse seja um grande paradigma, cara. No final, será que cada vez mais que a gente tiver esse letramento, esse conhecimento, ainda vai fazer sentido para algumas coisas eu utilizar softwares ou ferramentas de terceiro? Ou será que vai estar tão fácil que eu vou poder criar a minha própria ferramenta de acordo com o que eu desejo ver em termos de experiência e de resultado? Isso é um ponto bem legal.

[00:31:16.23] – Filipe Xavier

É um ponto bom e eu vou te fazer uma provocação nesse sentido. Depois que você começou a utilizar inteligência artificial generativa onde você tá hoje, você provavelmente testou várias coisas e você está fazendo mais coisas, você sente mais capaz. Como é que você vai se limitar a manter o seu nível de produtividade? Ou você vai estar sempre numa busca incessante? Talvez você esteja mais cansado como pessoa daqui para frente. Como é que você vai fazer esse balanço? Bom ponto, já que você, né, vai estar buscando mais e mais e mais e mais e mais Acho que a gente vai ter que começar a se preocupar com esse elemento também. Eu falo por mim, eu me vejo assim, eu me sinto muito mais capaz hoje, só que eu estou fazendo mais coisas e eu quero fazer mais coisas. Os meus limites, eles estão sendo extrapolados e eu já me peguei pensando assim, cara, eu vou ter que dar uma pausa, eu não sei se eu quero tudo isso de uma vez, né?

[00:32:15.21] – Denilson Silva

Isso aconteceu comigo agora que entrou atualização do Cloud lá e falei, cara, que parada é essa, né? Você podia usar só até o dia 22. Eu falei, caraca! Daí você começa a mexer, começa a mexer, começa a mexer. Eu fui ver, 3 horas da manhã. Eu falei, caraca, eu tenho reunião às 8 da manhã, que loucura! Mas eu acho que para mim, assim, pessoalmente, né, eu acho que essa cobrança e esse entusiasmo que a gente tá tendo nessa tecnologia nova, eu me vejo muito olhando quando a internet começou, né, cara? E aí Eu lembro do primeiro blog que eu montei. E aí, cara, era tudo tableless, nem sei se a galera vai saber o que é isso, mas era fazer tudo em tabelinha. E aquilo, e é isso, você vai consumindo e você vai avançando. Eu acho que a busca hoje, até a gente entender tudo que é isso, vai ser talvez esse um pouco de estresse, a gente também não saber qual que é o nosso limite, porque a gente também tá testando o limite da ferramenta. E eu acho saudável, eu acho que quem não tá fazendo isso que você tá tá fazendo, meu, tá perdendo uma das grandes ondas que vai ter.

[00:33:16.12] – Denilson Silva

Sei lá quanto vai ter uma onda dessa de novo. E você tem que se testar, tem que experimentar, tem que ir atrás desse conhecimento, sabe? E a gente tá com isso na mão, né? Antigamente também eu falo do, do table, mas, cara, tinha que ir lá na banca de jornal, gastei uma grana para comprar um livrinho que eu achei que explicava o que que era isso. Depois tive que ir lá num sebo para entender o que que era a DIV para começar. Então hoje o conhecimento Então tá, cara, YouTube, o que que eu faço? Cursos rápidos, tem muita coisa para você se conectar, cara. Então, e a primeira tecnologia que te ensina a usar ela mesma, ela mesma, cara. Isso é muito louco, né, cara? Se você vai direto no sistema, e hoje você tem acesso, né, você vai ter bancos que vão te dar de MENAI, que vão te dar o ChatGPT por um ano. A própria Vivo dá o Perplexity para clientes durante um ano. Então pensa assim, não é que tá fácil, fácil. Agora, essa provocação da gente querer mais, eu acho que eu tenho que— eu, minha dica talvez é aproveita, cara, curte mesmo.

[00:34:14.03] – Denilson Silva

Se tiver que tomar 2 cafés depois e acordar no outro dia, né? A gente já fez tanto isso com balada, né? Quando saía à noite e ia trabalhar direto. Agora você faz com, meu, só, né, o seu conhecimento crescendo, o seu, a sua velocidade de teste também começa a aumentar. Então eu acho esse momento uma delícia, tá, cara? Acho muito bom.

[00:34:32.08] – Fred Pericini

Eu acho que todo mundo já deve ter sentido aqui um hiperfoco em algum momento, sabe? Você começa a mexer, seja, sei lá, cara, você começou a fazer um prompt para alguma coisa, um planejamento de viagem, você vai ser fisgado, né? Ou então você começou a criar um time de agentes e fazer harness engineering neles, criar alma, memória, não sei o quê. Ou não, você começou a criar, desenvolver algo ali no Cara, tem uma hora que você vai, vai, vai, e aí você não quer almoçar, você não quer jantar, não, você quer só ficar ali focado. Eu até brinco com a minha esposa, eu falo, cara, isso aqui é o videogame do tiozão, é o videogame do cabelo branco. Porque assim, e aí é o benefício do cabelo branco, ou da falta dele.

[00:35:18.23] – Filipe Xavier

Não, mas tem, tem, ele tá aqui, ele tá por aqui, cara.

[00:35:22.22] – Fred Pericini

A gente que já rodou bastante, já conheceu processos, pessoas, desafios organizacionais e acumulou algum conhecimento.

[00:35:33.14] – Filipe Xavier

Repertório.

[00:35:34.09] – Fred Pericini

Repertório. E transformar e usar IA com esse repertório é um tesão, cara.

[00:35:41.28] – Denilson Silva

É muito bom.

[00:35:42.20] – Fred Pericini

É um tesão, entendeu? Se você já tem mais de 15 anos de carreira e brincar de vibe coding, cara, você vai sair com um software, com alguma coisa, com algum conhecimento que você tem aí. E aí você se sente super-humano, cara. Sou capaz de entregar tecnologia.

[00:36:02.14] – Denilson Silva

A gente sempre foi dependente, né, cara? Tipo, e esse talvez para mim é o paradigma das squads, né? Que as squads no formato que a gente tem hoje foi criada por conta, cara, do tempo gigantesco que tinha para desenvolver. Então foi criado lá todo o processo ágil para a gente conseguir fragmentar, entregar pequenas coisas, você vai gerando valor.

[00:36:20.28] – Fred Pericini

E ser menos lento.

[00:36:21.28] – Denilson Silva

E ser menos lento.

[00:36:22.24] – Fred Pericini

Não ágil.

[00:36:23.11] – Denilson Silva

E agora você fala, meu, eu não preciso do… Preciso do dev? Preciso. Quando eu ficar a escalar, eu preciso. Cara, eu consigo fazer muita coisa sozinho, eu consigo criar, eu consigo… É lógico, se você fala de produtos digitais, você tem que pensar sempre em escala. Mas coisas que resolvem o teu problema do dia a dia, puta, cara, você já tem que estar usando para isso. É o seu CRM, é algumas ações que a gente pode fazer, em termos financeiros, é talvez ajudar as crianças na escola, enfim. Tenho duas meninas que, cara, eu colo do lado delas e falo, filha, como é que foi hoje? O que foi na sua aula? O que você aprendeu? Ah, pai, aprendi isso, isso e isso. Falei, e se você fizesse isso? Pergunta aqui para o Cláudio, como é que seria isso? E aí deixo elas conversarem para entender o que é aquilo. Então, cara, a gente está vivendo nessa época que é uma época boa se a gente conseguir aproveitar bem, porque eu acho que em algum momento essa curva da descoberta vai começar a cair, vai virar commodity. Pensa assim, cara, vou querer ainda entrar? Quando você fala, me lembra muito do flow, né?

[00:37:19.29] – Denilson Silva

Vou querer entrar no flow do vibe coding, cara? Hoje é, mas em algum momento talvez isso caia, isso seja mais uma coisa comum. Então, antes que isso chega, cara, eu quero testar muito, eu quero aproveitar muito, quero entender muito disso tudo. Até porque a gente tem essa vibe assim, mas tem pessoas que talvez ainda estão um pouco, puta, eu entendo, mas ah, uso responder o email. Não, eu uso isso aqui para traduzir alguma coisa em inglês.

[00:37:44.12] – Fred Pericini

Função do nosso podcast, nosso podcast tem a missão de estimular e acender uma faísca nas pessoas para que esse flow aí seja despertado, o uso não seja raso, e que a gente como nação gere valor.

[00:38:02.06] – Denilson Silva

Legal. E você sabe que é isso, e você sabe que é por isso que o símbolo da IA é o sparkle, que é esse lance da faísca, do instante. Depois disso, depois da faísca, tudo muda. Sensacional, muito bom.

[00:38:16.16] – Filipe Xavier

A gente faz a corrida e queremos ir para o fundo.

[00:38:18.24] – Fred Pericini

O futuro a Deus pertence, mas o momento é aqui e agora.

[00:38:23.04] – Filipe Xavier

Para a gente fechar, posso, Fredão? Deve. Aqui, Dani, se você pudesse usar inteligência artificial para resolver um grande problema que você tem hoje, hoje no teu trabalho? Qual seria e por quê?

[00:38:37.06] – Denilson Silva

Caraca, essa é profunda mesmo, hein, meu? Grande problema que eu tenho hoje no trabalho. Primeiro tem que escalar um ali, né? Priorizar um, tá, cara? Eu acho que ainda seria colocar foco e força no que a gente precisa resolver de fato, que eu acho que a gente tá entrando numa era em que tá ficando um pouco mais fácil de fazer as coisas. E aí a gente vai cair naquela de tem que fazer tudo, tem que fazer muito. E no final do dia, o nosso cliente usa ainda 2%, 3% do total de funcionalidade que a gente solta, sabe? Então, acho que se eu tivesse uma IA que resolveria o problema para mim, resolveria esse problema que é, cara, o que é esses 2%? Como eu potencializo ele e como talvez eu transformo ele em outras funcionalidades? Sabe? Acho que a gente está perdendo o foco do— não digo como vivo, mas digo como empresas que trabalham com tecnologia, de querer fazer muito o tempo todo. E aí, cara, no final do dia eu não estou resolvendo o problema claro do meu cliente, sabe? Eu não estou olhando especificamente para aquilo que vai gerar valor para ele.

[00:39:44.29] – Denilson Silva

Então, meu maior medo hoje é que a gente comece a fazer muita coisa sem sentido e talvez uma IA que comece a ajudar a gente entender, cara, eu preciso focar em 3 coisas. Quais são essas 3 coisas? Vou conectar com outra coisa que eu ouvi esses dias. O governo, né, o governo chinês, de 5 em 5 anos, ele define 3 prioridades para o país. Quando eu vi isso, eu falei, cara, como assim um país tem 3 prioridades? É claro que são prioridades que, né, quando você cascadeia, vai ter várias coisas. Mas falou, olha como isso te dá um foco, cara, como como empresa, como empreendedor, como indivíduo. Cara, se você tivesse 3 coisas para priorizar na sua vida, olha como isso muda as suas escolhas diárias, sabe? O que você quer fazer, como você vai aproveitar melhor o seu tempo. Então assim, se tivesse uma IA que resolveria tanto na Vivo quanto no pessoal, que me ajudasse a entender o que eu realmente preciso priorizar para gerar resultado, acho que era essa que eu queria investir.

[00:40:43.24] – Filipe Xavier

Boa, gostei da resposta. Você tem um exército lá para te ajudar nisso. A gente vai ficar de olho, ver o que vocês estão aprontando. Eu sempre falo isso, mas a gente vai manter a conexão aí e ver o que vocês estão fazendo por lá. E na vida pessoal, aí a gente tem as nossas inteligências artificiais para nos potencializar e nos ajudar. Eu adorei essa conversa. Falei que ia ser bom, falei que ia ser bom, falei que ia ser bom.

[00:41:05.21] – Fred Pericini

Na McKinsey, a gente falava que quem tem mais de 3 prioridades não tem nenhuma. Muito boa, muito boa conversa. Eu espero que vocês tenham gostado como a gente gostou, como a gente aprendeu aqui. Você começou a encerrar e fez uma pergunta final, então também tenho direito dessa, né?

[00:41:25.14] – Filipe Xavier

Eu não limito ninguém, eu alavanco.

[00:41:29.22] – Fred Pericini

Então vai lá, cara. O seu time tá mais produtivo, certo? Você não reduziu equipe?

[00:41:35.22] – Denilson Silva

Não.

[00:41:36.01] – Fred Pericini

Para onde foi essa produtividade?

[00:41:38.22] – Denilson Silva

Legal, Fred. Essa pergunta é boa. Ela é polêmica, mas ela é boa. Porque eu acho que assim, por mais que a IA vai trazer uma melhoria grande de eficiência, o que a gente está entendendo aplicando processos de melhoria de eficiência com IA é que no final do dia o gargalo talvez não seja o processo. No final do dia, o gargalo ainda está nas tomadas de decisões enviesadas, nos vai e vens do que a gente tem ali de regras de negócios, de casas de uso. Então assim, cara, não adianta a gente melhorar o processo em 300%, sendo que as empresas têm que mudar essa mentalidade de como a gente utiliza a IA, não para melhorar o processo, mas o processo precisa mudar pela IA. Enquanto isso não acontecer, a gente não vai ter um ganho de eficiência claro. Então, por mais que eu aumentei a eficiência do meu time, Por mais que hoje a gente consiga utilizar AI em quase toda etapa do processo, eu ainda não consigo, não penso nem em reduzir, porque esse time agora está muito mais pensando na parte estratégica e na parte de conectar essas pontas, conectar desejos de marketing, de negócio, de produto com o cliente.

[00:42:47.05] – Denilson Silva

Porque no final do dia, se eu não tiver o cliente no foco, não adianta eu ter milhares de decisões de negócio, milhares de funcionalidades, se não tiver essa conexão, tá? Então acho que talvez uma das reflexões que a gente tá tendo hoje, né, que algumas empresas que fizeram redução, né, a gente vê notícias aí de empresas que, né, mandaram aí pessoas embora e depois tiveram que recontratar essas pessoas, é que, cara, se a gente não conseguir mudar efetivamente os processos por meio de IA, aí, né, vai cada vez mais falar que o gargalo não é o processo, né? O gargalo tá na falta de definição ou nas idas e vindas essa definição.

[00:43:23.16] – Fred Pericini

Está no processo decisório.

[00:43:25.03] – Denilson Silva

Está no processo decisório.

[00:43:26.12] – Fred Pericini

Muito legal. Esse é um bom insight para a gente finalizar. Pessoal, muito obrigado. Muito obrigado, Dani. Valeu, Fih.

[00:43:34.03] – Filipe Xavier

Valeu, Fredão. E valeu SoftBank também, patrocinador oficial do AI First Cast, o banco de investimento que mais investe em IA na América Latina. É isso aí.

[00:43:44.15] – Fred Pericini

Até o próximo episódio. É isso aí.

[00:43:48.05] – Filipe Xavier

Valeu, pessoal. Obrigado, Dani.

[00:43:49.16] – Denilson Silva

Obrigado, gente. Valeu.

APRESENTADORES

Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini

Fred Pericini

Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier

Filipe Xavier

Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.