
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 45
Governança de IA numa fintech de R$1 trilhão
Advogado por 20 anos e hoje desenvolvedor ativo dentro da própria empresa. Alexandre Assolini, fundador e CEO da Vórtx, fintech que tem cerca de R$1 trilhão em operações sob sua custódia e administração, conta como criou com vibe coding uma aplicação de gestão do partnership da companhia. A aplicação já está em produção, soma 260 pull requests e vai ganhar um mercado secundário de ações entre colaboradores.

CONVIDADO
Alexandre Assolini
Vortx
Transcrição do episódio
A nossa capacidade de trabalho está muito potencializada. Às vezes pessoas numa mesma organização podem ter a mesma atividade e não sabem. E eu hoje consigo advogar com o meu celular coisas que antes eu precisaria de um time para fazer.
Olá, bem-vindos! Nós somos o AI First Cast, o podcast destinado à discussão estruturada sobre adoção de inteligência artificial no mundo dos negócios. Meu parceiro Filipe Xavier, você tá bem, cara?
Bem, Fred. Você preparado para desbravar conhecimento e prover uma forma de ajudar as pessoas nessa divertida jornada de inteligência artificial?
Tô preparado, é isso aí. Gente, a nossa missão é ajudar, inspirar a adoção de inteligência artificial nos negócios que vocês estão trabalhando. A gente acredita que conversando com gente que está pondo a mão na massa é a maneira principal que a gente consegue aprender. Então nós dois estamos aqui como aprendizes e com uma missão nobre de ajudar vocês a tirar conhecimento desse povo que vem aqui para a gente poder evoluir e gerar mais valor para o nosso país com a adoção de inteligência artificial.
É isso aí. E antes de falar para você se apresentar, a gente só vai lembrar você que essa temporada é patrocinada pelo SoftBank.
O banco de investimento que mais investe em inteligência artificial na América Latina.
Perfeito. Agora sim, conta para a gente quem é você, por favor.
Bom, valeu, pessoal. Boa noite. Meu nome é Alexandre Assolini. Eu sou fundador de uma fintech chamada Vortx. Ela vai completar 11 anos esse ano. Desde o momento que a gente fundou a Vortx, eu e o outro fundador, a gente sempre entendeu que tecnologia era uma parte essencial do nosso negócio. Mas o grande desafio, quando a gente fundou a empresa, eram dois advogados montando uma empresa que passava por uma demanda muito grande de tecnologia. A gente teve uma jornada de desenvolvimento das nossas próprias aplicações, onde a maior parte de nós éramos leigos. E eu acho que esse momento mais recente de AI, a gente passou ao mesmo tempo de leigo, de um refém de alguma parte dos desenvolvimentos, para desenvolvedores ativos. Eu e o outro fundador estamos… O pessoal costuma dizer que a gente entrou para a cientologia do assunto, porque qualquer encontro, qualquer lugar onde a gente vai, a gente começa a falar, só fala de AI. Cada um com a sua jornada. Eu cuido da parte financeira, da administração do partnership da companhia, da parte de compliance, de operações e tecnologia é um negócio muito importante. E hoje eu sou menos refém e muito mais ativo no desenvolvimento de tecnologia da companhia.
O que faz a Vortx? Qual é a missão dela? Dá um panorama de quantidade de pessoas. Para a nossa audiência conseguir entender?
A Vortx é uma instituição financeira que faz uma série de serviços no mercado financeiro de capitais. Eu costumo dizer que a gente tem uma semelhança como se fosse Intel das operações financeiras. Todo computador, todo notebook às vezes tem um processador que normalmente não é feito pela empresa que vende o notebook, mas sem ele o negócio não funciona. A gente tem 400 colaboradores, 150 no time de tecnologia. Diariamente a gente processa transações financeiras tanto no mercado de capitais, aí eu estou falando bolsa e de investimentos, como no mercado de pagamentos, em volumes expressivos. A gente tem cerca de R$1 trilhão em operações que estão sob a nossa custódia e administração. E aí você consegue imaginar qual é a demanda de tecnologia para você conseguir processar volumes dessas magnitudes. Nossa!
Você disse que está de cabeça na AI. Quando que você sentiu um arrepio ali mexendo com a tecnologia e você falou, cara, esse negócio aqui realmente é interessante?
Na verdade, eu dividiria isso em dois momentos. A primeira vez que alguém me levou para ver o ChatGPT foi um momento uau. E faz tempo, eu diria que foi em 2022 ainda. Era naquela época que o ChatGPT tinha aquela área chamada Playground. Não sei se vocês lembram disso. E ainda naquela época, o ChatGPT tinha muito menos restrições do que em algum momento ele passou a ter, porque ainda não tinha uma preocupação com direitos autorais, o que ele podia trazer de informações. Então, na hora que você pedia uma informação, ele se sentia super livre de poder pesquisar onde quer que fosse. Hoje em dia já esse negócio não funciona assim. E aí, nosso CTO da época me pediu para falar assim, pede para ele fazer um pitch deck da Vortx. A Vortx ao longo dessa jornada já fez vários rounds e tal, tem informação pública do montante de recurso que a gente captou com fundos de investimento, até 2020, a gente fez muito pitch para o SoftBank, que é patrocinador de vocês, a gente chegou a receber proposta deles, mas a gente seguiu com outro fundo. E eu fiquei impressionado, porque foi um pitch deck muito bem feito para um primeiro pedido.
E sem contexto nenhum. A gente foi lá, fez um pedido. Só que desse momento, uau, porque era um leigo conseguindo usar inteligência artificial, porque a primeira vez que eu fui para o Vale do Silício em 2017, o pessoal já falava em AI, Deep Learning, Machine Learning, mas para o leigo como eu eram coisas muito mais distantes. Aí quando o ChatGPT começou a ter os modelos de voz, ele só parecia um Google melhorado. E um Google melhorado, tipo assim, para algumas coisas do meu negócio de gestão, para trabalhar políticas, para produzir textos, para fazer tradução funcionava, mas ainda estava, de novo, muito distante do desenvolvimento. Agora, mais recentemente, quando a gente começou a ver agentes, vibe coding, apresentação de, fazer apresentações de decks, preparação de decks, ou então você começar a fazer mockups com Lovable, o negócio começou a ficar cada vez mais poderoso. E aí eu diria que, sei lá, nos últimos 6 meses, o que a gente começou a fazer com Claude, usar agentes em várias áreas, né? Tipo assim, desde vibe coding, mas de análise financeira, análise de documentos. Eu achei que o negócio ficou muito poderoso. Eu costumo dizer, semana passada, a gente tem reuniões mensais com o time num negócio chamado Sintoniza, onde quem quer da empresa que quiser participar e saber o que tá acontecendo pode fazer uma inscrição e ter como se fosse um town hall. E eu comecei a falar, antes eu precisava do fulano, não preciso mais de vocês para fazer coisas do meu dia a dia.
O pessoal começou a ficar preocupado, mas é que antes, se você era um gestor, você dependia de uma série de pessoas do seu time para ter respostas muito pequenas e muito rápidas. Então, eu acho que a nossa capacidade de produção está muito multiplicada. Eu costumo dizer assim, eu consigo fazer 10 vezes mais coisas do que eu conseguia fazer por dia. Não sei se vocês se sentem assim, mas eu chego no final do dia cansado. Ainda mais quando eu tenho múltiplas sessões trabalhando ao mesmo tempo, que aí quando vem a resposta, eu estou ali me perguntando, mas o que eu perguntei mesmo? Porque uma das coisas que eu cuido na empresa é a gestão do partnership. Então, numa empresa de 400 colaboradores, 150 colaboradores são nossos acionistas. E esse negócio tem um giro mensal muito grande. E não sei se vocês já se depararam com isso, mas trabalhar com a gestão do partnership também passa pela vaidade. Então, por que colaborador A tem mais ações que colaborador B? Por que o outro que foi contratado tem mais ações? E isso tem todo um contexto e tem todo um envolvimento de privacidade que eu sempre deixei essa condição exclusivamente comigo.
E a gente abriu o partnership da empresa em 2018. E até o começo desse ano, isso era tratado numa planilha de 7 mil linhas, não sei quantas abas, que tinham diversos controles. Quando você vai contratar um executivo que você eventualmente oferece um pacote de ações para eles, isso estava tratado lá. E aí, no começo do ano, eu falei assim, ó, eu não vou mais fazer isso com uma planilha e, ao mesmo tempo, não gostaria de continuar fazendo isso. Isso tinha envolvimento com jurídico, com área financeira, com contabilidade, e aí eu desenvolvi uma ferramenta única customizada para fazer toda a gestão do partnership da empresa, que agora, por exemplo, estou preparando para soltar na próxima semana, vai ter um próprio mercado secundário, como se fosse uma bolsa entre os colaboradores. Então, na hora que você entra nessa minha aplicação, você tem inclusive gráficos de negociação. Tipo assim, livro de ordens de venda, ordens de compra, faz o matching e tudo isso desenvolvido por um profissional que não é do setor.
Traça as bandas de Bollinger.
Faz exatamente o gráfico de candlestick, entendeu? Tipo assim, cara, na hora que você olha aquilo ali e fala assim, imagina se eu como leigo consegui desenvolver isso, alguém que nunca fez nada ou alguém que saiba mesmo, o que não vai conseguir desenvolver?
Deixa eu ver se eu entendi então, espera lá. Alê, você é o CEO de uma empresa de médio-grande porte, 400 pessoas, grande porte, né? E você está dedicando um tempo em aprender IA e desenvolveu uma aplicação você mesmo para algo que gera valor para a sua empresa, que é o partnership. E essa aplicação que você fez, você fez via vibe coding.
Exato.
E ela foi para o ar? Ela foi para produção?
Não, ela está em produção. A gente estava falando um pouco antes de entrar aqui, ela já tem 260 pull requests. Tipo assim, quando você cria uma aplicação e ela fica viva, você tem que dar manutenção. Tipo assim, tem sempre aprimoramentos que você está fazendo. Tipo assim, ela já está na versão 1.5, mas eu tenho até a versão 7 já no roadmap. Tipo assim, se eu quiser, tem trabalho de desenvolvimento disso daí para uma geração. Mas ao mesmo tempo, em algum momento ela pode virar um produto da companhia, porque ela consegue integrar uma série de outras coisas que a gente precisa na nossa atividade. Por exemplo, é uma companhia que paga dividendos todo ano. Então, tipo assim, e todo ano a cabine de liquidação financeira precisa receber as informações. Olha, quanto pago para cada acionista? Essa aplicação desenvolvida, ela pode já mandar mensagem direto para a cabine de liquidação e a cabine de liquidação vai disparar os 150 pagamentos de dividendos de cada um dos colaboradores que são acionistas.
Sim. Vibe coding pode gerar aplicações que vão para produção? Nessa jornada, eu imagino que em algum momento você chamou dos 150 desenvolvedores algum desenvolvedor para olhar para o que você estava fazendo? Como foi esse processo?
Na verdade, assim, não chamei nenhum. Não precisou de nenhum desenvolvedor para olhar, mas precisou de um acompanhamento da área de infraestrutura. Então, por exemplo, hoje a ferramenta, o login nela funciona com single sign-on da companhia e aí isso aí é a área de infraestrutura que preparou. E aí quando ela foi preparar, ela fez uma revisão do código para saber se ele estava minimamente seguro para poder ser utilizado. Eles criaram um ambiente, levaram o repositório para o Git, criaram um ambiente de homologação e depois de a gente fazer uma série de testes no ambiente de homologação, entrou para produção. Só que depois de algumas semanas operando, eles viram assim, ah, é seguro. Então, tipo assim, hoje eu já consigo mandar para homologação e tenho agentes de AI que testam em homologação, e uma vez eles testados, eu consigo promover para produção. E aí é engraçado que assim, eu não tinha um linguajar desse negócio. Então, tipo assim, essa discussão de fazer commit, de fazer merge, de fazer pull request, isso aí foram incorporados ao meu vocabulário. E aí vocês estavam falando, né, uma parte de programas como esse é incentivar as pessoas. Assim, toda vez que eu falo com alguém, alguém fala assim, eu vou fazer um curso.
Eu falo assim, cara, não precisa fazer curso nenhum. Pela primeira vez você tem uma ferramenta que você pergunta para ela como você faz. Tipo assim, não necessariamente o cara que tá te vendendo um curso no Instagram de AI, ele vai saber mais do que a sua necessidade. Você só precisa ser curioso o suficiente e no final das contas, quando ele te der uma resposta, tentar perguntar várias vezes sobre isso. E eu acho que assim, eu sempre fui uma pessoa atenta. Então tipo assim, a minha ferramenta nasceu com configuração de usuários, com permissionamento, com trilha de auditoria, com controle de logs, porque tipo assim, eu usando outras ferramentas, outros softwares, você viu que a boa prática era ter aquilo, que tinha um lugar lá embaixo para você comentar. Então tipo assim, agora se tem gente que tipo assim passa na vida desatento, aí vai ser sempre mais difícil. Mas se você minimamente atento, você já tem um head start gigante para poder desenvolver a sua própria ferramenta. Eu só vou dar um exemplo de uma coisa como isso se incorporou no meu dia a dia, né? Tô vendo uma casa de campo, aí eu fui e o meu Claude funcionou no celular, e aí fui ver um dia uma casa, eu gostei, mas eu falei assim, será que eu vi todas as casas que estão anunciadas nessa região?
E aí eu pedi para o meu Claude preparar um artefato para ele fazer, né, tipo assim, a busca na internet de todos os sites possíveis. Falei quais os sites em vez de eu ficar lá olhando cada um. Cara, ele me criou um HTML com todos os searchs. E aí tipo assim, cara, na hora que eu abro no meu celular, ele consegue me mostrar, tem novos anúncios, não tem novos anúncios. Qual era o trabalho que cada um fazia antes quando queria procurar por alguma coisa. Então assim, se eu quiser comprar uma TV, posso preparar um HTML do meu celular que faz toda a busca na internet e eu consigo classificar o que é importante ou não. Então tipo assim, a nossa capacidade de trabalho está muito potencializada nos dias de hoje.
Inclusive essa busca comparar com critérios que você quer e já rankear.
E aí entra assim, ele fez o anúncio, aí já fica mais fácil. É isso.
Te dou o aval, chegou ali e faz.
E foi muito engraçado que eu ainda, quando ele preparou o primeiro, eu falei assim, não, vamos fazer o seguinte, eu posso apertar um botão rejeitar e às vezes podia ter o mesmo imóvel e eu podia combinar com outro anúncio. Então tipo assim, cara, ele foi… E de uma versão para outra foi melhorando cada vez mais a forma de trabalhar.
O ponto que você fala de não precisar fazer curso é que você conhece a sua dor melhor que ninguém. Isso é muito bom. Então, todos os exemplos que você está dando e você está falando era coisa que te incomodava e você busca uma solução com inteligência artificial para resolver. Isso é genial. Você tinha lá uma planilha com 7 mil linhas, insustentável. Você não vai saber o que está na linha 300, 500, qualquer coisa assim.
E antes eu era o único operador dessa planilha, porque o único operador que saberia fazer aquilo… E eu hoje já deleguei, olha que interessante, a parte do legal só para o legal, a parte da contabilidade só para a contabilidade. E aí aquela minha preocupação com vazamento de dados não tem mais e eu não preciso ser o único a preparar isso. O repositório do código está inteiro no Git, então se eu morrer alguém consegue operar. Deus o livre, não precisa isso. Mas alguém consegue operar. Mas se eu não quiser mais fazer, não precisa me sentar no cadastro.
Mas se morresse 6 meses atrás, o partnership parava.
Ele ia parar até alguém entender onde ele estava. Então em termos de governança melhorou muito.
Se bobear, não iam nem achar o arquivo dele.
Não iam, não iam. Ia levar um tempo para saber onde estava aquele arquivo.
Muda bastante. E quando você… Essa é a tua curiosidade, tá? Muito bacana ver você como um executivo de sucesso, uma empresa que movimenta 1 trilhão. Isso é você. E a empresa?
Aí o que acontece? O pessoal começou a ficar incomodado, falou assim: Se o Alexandre está fazendo isso, a gente podia fazer muito mais. Então isso virou um movimento. E assim, só um parênteses, eu disse, o outro fundador também fez uma série de desenvolvimentos ele. E essa nossa aprendizagem virou tipo assim um framework de trabalho. Então assim, como que a AI vai ser, vem sendo difundida dentro da empresa? A gente costuma dizer que tem 3 degraus. O primeiro deles é assim, auto-AI. Todo mundo deve ter alguma atividade repetitiva que não precisava estar fazendo, que poderia ter sido verificada. Qual a grande dificuldade? Saber se o custo de tokens vai ser adequado para aquilo, porque às vezes é tipo assim, ah, não adianta nada eu acabar com uma atividade repetitiva e gastar mais de token do que gastava antes com atividade anterior. Segundo, às vezes pessoas numa mesma organização podem ter a mesma atividade repetida e não sabem. Então assim, a nossa grande preocupação foi como criar uma governança de utilização de AI na empresa, e foi criado um framework assim: primeiro, todo mundo tem um allowance mínimo de tokens para falar assim, experimenta. Depois que você… só que para você ter esse allowance, você vai precisar fazer um cursinho mínimo que tem lá dentro da própria universidade interna. A gente tem uma série de requisitos regulatórios, então a gente tem um canal interno que tem os treinamentos.
Então tem lá um treinamento mínimo para o cara saber o que que, antes de começar, o que ele precisava saber.
Com founders, 2 founders advogados, vocês não iam errar aí, né?
Não está fácil. Precisa ter lá uma trilha de conhecimento. Quando o cara fez isso, ele ganha um usuário dele com uma quantidade mínima de tokens. Quando ele tiver um projeto que ele queira fazer, ele tem que submeter para a área de produto. Para quê? Para que a área de produto saiba que aquilo está sendo feito. Diferente do que… Qual era o modelo de automação anterior? O cara ia lá, às vezes criava um RPA, ele fazia um Python e isso não tem governança. Desse jeito, a área de produto está sabendo, todo o desenvolvimento que ele está fazendo está para o Git, então está público. E quando chega um produto igual, a área de produto vai falar assim: Você vai falar com fulano de tal que fulano de tal já está fazendo, ele tem que compartilhar com você. Se esse negócio for muito bem-sucedido, em algum momento a área de produto fala assim, ó, eu vou assumir o produto daqui para frente porque eu vou espalhar para a empresa inteira. Então, tipo assim, essa é a primeira camada de auto-AI. Segundo, a gente tem uma área da empresa que chama escalabilidade. Essa área, a função dela é olhar assim, ó, como eu consigo crescer o volume de operações sem ter que crescer o número de pessoas.
Nos últimos 2, 3 anos a gente conseguiu crescer 30%, 40% ao ano a empresa sem crescer o número de pessoas. Isso melhora a margem e mostra que a gente está escalando. E o último é como o time de engenharia vai desenvolver com AI, porque é uma forma muito diferente do que se desenvolvia antes. E muito interessante, alguns dos códigos que a gente desenvolvia antes, a gente colocou AI para fazer uma análise e falar, o código está sendo muito bem desenvolvido, mas ele está muito lento. E hoje o que eu vejo? Antes, mesmo desenvolvendo em sprints, o desenvolvimento era lento. Porque tinha que alguém lá da área de negócios pensar numa história, dividir com o cara de produto, o cara de produto vai lá, divide com o desenvolvedor, o cara fala, isso aqui vai levar não sei quantas sprints para ser desenvolvido. Aí faz, volta, tem problema. Hoje, esse ciclo que era de 15 dias, ele pode ser diário, ele pode ser meio período, instantâneo. E aí, a quantidade de pessoas envolvidas nessa cadeia tende a diminuir. Então, tipo assim, você vai ter, tipo assim, cara, um cara de negócio com talvez um tech lead para rever o que tá sendo.
Então, tipo assim, o cara de negócio ele vai ser o negócio, produto, e o desenvolvedor vai ser muito um cara para olhar o capô que o leigo não sabe, né? Tipo assim, de novo, quando lançaram lá os primeiros dias do Fable 5 para poder fazer revisão de código, fui ver revisão de segurança, porque a minha maior preocupação é: os meus dados estão protegidos? Hoje, talvez, eu entendo que o time de engenharia, o time de infraestrutura vão ter que estar focados muito mais na arquitetura e na segurança das suas ferramentas de tecnologia do que em escrever os códigos, porque eu acho que é incomparável. Só um parênteses, eu, antes de fundar a empresa, fui advogado por 20 anos. E eu hoje consigo advogar com o meu celular coisas que antes eu precisaria de um time para fazer. Então assim, outro dia minha mulher precisava rever um contrato no domingo, eu assistindo Fórmula 1 com o meu celular, fiz a revisão do contrato dela. Quando a gente está fazendo a revisão de contrato, a gente usa muito aquele negócio, marcas de revisão. O meu AI fez com marcas de revisão, com o nome dela, como se ela tivesse feito a revisão do contrato.
Antes eu ia precisar abrir, consultar uma série de coisas. Então assim, isso para o mundo contratual. Para o mundo financeiro, quantas planilhas, quantas fórmulas, quantos desenvolvimentos. Outro dia eu precisava de um modelo financeiro para um fundraising que a gente estava trabalhando, que o advisor de M&A ia levar não sei quantos dias para preparar, a minha área de FP&A ia levar não sei quantos dias para poder, a gente fez em meio período. A aplicação não é só em código, por isso que eu falo assim, eu estou lá trabalhando, as minhas telas estão em uma série de sessões trabalhando uma série de coisas, preparando decks, fazendo modelos financeiros, revendo contratos e codando coisas.
Você falou um ponto, só espera um pouquinho, só para não perder um pensamento aqui, Fred, e você vê se você embarca nessa comigo, mas te ouvindo, você e seu sócio são uma liderança AI first. Bem raro, eu diria, ouvir um exemplo potente da forma como você está contando aqui para mim. Meu ouvidinho está bem calibradinho aqui ouvindo o que você está falando. Note, vocês dois puxaram a organização para prestar atenção nisso, não veio ao contrário. Nós fizemos até uma pesquisa entendendo comportamentos e tudo mais, da inteligência artificial no Brasil, mas olha o benefício de uma liderança que respira inteligência artificial e incorpora isso. Você já tem uma área que consegue apoiar crescimento de 30%, 40% por ano, porque vocês mudaram a mentalidade e a cultura da empresa para todo mundo respirar a mesma coisa.
Eu acho assim, primeiro, a cultura da empresa sempre foi de inovação. Total. E aí, a inovação é uma bagaça. 5 anos atrás, a gente estava discutindo tokenização. Algumas dessas inovações ficam pelo caminho. Tipo assim, nossa iniciativa de tokenização foi aquilo que aconteceu, acho que com muitos da era do smartphone, é a ideia certa no momento errado. Tipo assim, a gente lançou um primeiro experimento em sandbox regulatório para fazer tokenização, só que o que a gente descobriu é que a gente, tipo assim, a tecnologia era muito importante, mas ela não tinha um modelo de negócio associado. Então, a gente gastava mais dinheiro do que a gente ganhava. Esse negócio foi abandonado. Agora, com essa chegada do AI, de fato, isso permitiu que a gente difundisse isso da empresa. E a minha principal constatação com AI: AI é um negócio de gente sênior, não é um negócio de gente júnior. Tanto é que, tipo assim, mundo afora o pessoal está chamando muito de AGIC, High Individual Contributor, porque é quem mais sênior que é mais potencializado pela AI. Porque se você ainda não tem o conhecimento suficiente, a AI depende da sua provocação. E isso é o que eu venho falando, por exemplo, para toda diretoria, porque para alguns dos meus diretores eu falava assim: Fulano, você pode melhorar o desenvolvimento da sua área com isso.
Aí ele falava: Tá bom, vou pedir para o outro fazer. E aí eu falava assim: Não, você está errado.
Você entendeu errado.
Porque no final das contas é você que precisa mostrar que olha o que é possível ser feito. Porque o seu júnior não vai extrair o melhor resultado do negócio, é o sênior. Então, o que eu venho falando para todo mundo aí na empresa já é: AI é coisa para gente sênior. E graças a Deus, outro dia eu estava falando, quando eu entrei no mercado de trabalho com 20 e poucos anos, era raro a gente ver alguém de entre 40 e 50 anos. Entre 40 e 50, ou você tinha chegado em diretor ou você não tinha lugar numa organização. A organização eram organizações de gente jovem. Jovem. Hoje em dia, tipo assim, cara, esse negócio tá girando. Tipo assim, o sênior tem uma grande importância porque, tipo assim, para você produzir, você tem que ter capacidade de questionar, de ter visto muita coisa, até para poder avaliar se tá sendo bem feito ou não. Porque, tipo assim, né, a gente já passou da fase de alucinação com AI. Quem de nós ainda não viu nenhuma série de alucinações? Só que hoje, primeiro, a gente já consegue construir o contexto para falar assim, ó, não inventa. Tipo assim, se você não souber, me fala.
Porque toda essa jornada a gente já passou por isso, porque no começo isso era muito bom. Outro dia foi engraçado, meu pai também é alguém que adotou AI, ele é professor universitário e resolveu escrever um livro com AI. Aí outro dia eu falei, vou fazer uma auditoria editorial no seu livro. E aí, cara, tinha uma quantidade de alucinações gigante no livro dele, era um livro de 200 páginas. Mas hoje, com prompts adequados, com contextos adequados, você já pode fugir disso. Mas para chegar a essa conclusão, você precisa ser sênior. Um júnior não vai conseguir ver um negócio desse.
Sim.
É interessante que AI é uma tecnologia espelho. Ela reflete a sua capacidade. E aí põe em pauta uma discussão de governança, de construção de tecnologia. Porque hoje, via vibe coding, a gente consegue construir tecnologia de uma maneira fácil. Você tem o seu depoimento de algo que você construiu. Só que o mais difícil não é a AI, é saber o que construir, é ter esse repertório, essa história de conhecimento em partnership que te fez capaz de construir uma solução para partnership. E aí vem um dilema na minha cabeça, que é assim: como isso escala? Beleza, você fez um bom produto, o time vai continuar ele. Agora, é abrir para todo mundo criar produto? Todo mundo pode aplicar um projeto? Porque nunca ficou tão fácil construir algo inútil.
Ah, concordo. De fato, você pode construir um monte de coisa e virar um cemitério de coisas construídas que não são utilizadas. Só um parênteses. Uma das coisas muito bacanas quando a gente montou a companhia foi o fato de a gente não precisar ter que desenvolver o nosso próprio parque de infraestrutura. Então, cloud foi uma coisa que nos ajudou muito. Mas ao mesmo tempo que o cloud nos ajudou muito, em algum momento ele foi um dos maiores detratores do nosso resultado, porque teve épocas da gente crescer 40%, 50%, mas o custo de cloud crescer 100%, 120%. Porque quando a gente começou o negócio, a gente não pensou na governança dele. Então, como eu disse, agora que a gente está com toda essa onda de desenvolvimento da companhia com AI, a primeira coisa que a gente resolveu fazer foi a governança. Primeiro, para controlar a quantidade de token, saber o que as pessoas estão produzindo, porque de fato eu não queria que cada um tivesse, como acontece hoje, a sua planilha, o seu Python, a sua macro, porque quando alguém sai, perde, e no final tem uma série de muitas iniciativas que são perdidas. Por isso que você precisa ter áreas na empresa que estão acompanhando isso para saber o seguinte: esse é um produto que vira definitivo ou não, que ele vai ser sustentado por uma determinada área da companhia, ou se ele só está resolvendo uma demanda de um indivíduo.
Vai ter toda essa fase de acompanhar: isso aqui resolveu esse indivíduo, mas não é um negócio que prospera. Mas ao mesmo tempo ter uma governança muito melhor do que tinha antes. Quantos de nós não tem ali no seu OneDrive uma pasta pessoal que tem um monte de coisas salvas que às vezes não deveriam estar lá? Na minha época de advogado, a ferramenta para isso, a gente tinha um negócio chamado GED, Gerenciador Eletrônico de Documentos, porque obrigava o advogado a salvar os arquivos daquele cliente na pasta do cliente. Então, as máquinas eram travadas, elas não tinham ambiente de salvamento local na hora que o cara apertava a salva e falava assim: Qual é o cliente? Qual é o caso? Porque precisava de governança, porque controlar e gerenciar arquivos já é um problema. Agora imagina controlar e gerenciar aplicações desenvolvidas por tecnologia. Então a gente já pensou isso de antemão para não chegar em uma situação como essa, mas eu acho que essa sua expressão é melhor, a AI é um espelho. Tipo assim, se você… tem uma visão técnica curta, o que você vai desenvolver é curto. E é por isso que conhecimento para o indivíduo continua sendo o objetivo.
O fato da AI estar lá para desenvolver não quer dizer que você pode abrir mão do seu próprio conhecimento. E obviamente o conhecimento muda, que eu disse. Eu adquiri um conhecimento de desenvolvimento de tecnologia que em 11 anos na companhia eu não precisava. Ou não foi uma demanda, agora virou uma demanda? Tipo assim, primeiro, aí eu fui ver qual a história do Git, como o Git nasceu, quando ele foi vendido para a Microsoft, o que ele resolveu, como devia ser antes a administração de repositórios. E assim, antes, para mim, a função de CEO, isso não era um negócio importante. Hoje é, e hoje a gente já consegue falar assim, beleza, eu quero daquele projeto, quero acesso ao Git dele, porque eu vou pedir para o meu AI ir lá e fazer uma auditoria e ver como ele foi desenvolvido. Consigo saber quem foi que mais contribuiu, quem teve mais problema de código. Imagina, qual executivo de empresa antes tinha esse grau de acesso ao que era desenvolver de tecnologia na sua companhia?
É, e muitas vezes também se sentia de mãos atadas. Às vezes você sabia o que você queria, mas aí entrava naquela fila de desenvolvimento enorme e aí não conseguia ganhar tração no…
E o mais engraçado, quando a gente fala em sprint é metodologia ágil. Mas, cara, ágil é isso hoje. Eu falava assim, não, a gente aqui… Eu lembro também há 10 anos atrás, eu falei assim, não, agora nós vamos implementar metodologia ágil na companhia. Tipo assim, vai ter… Até tinha até o nome do como que era o coach de ágil. Você tinha um cara que era responsável para manter a cultura de Agile dentro da empresa. Isso, o cara caiu por terra, porque tipo assim, o ágil hoje não comporta mais uma sprint de 15 dias. Sim, mudou completamente, né?
Dependendo das suas melhorias, você vai executar em pouco tempo.
Uma das coisas que eu descobri também nessa jornada, às vezes desenvolver localmente é muito mais rápido, porque toda vez que eu tenho que fazer um pull para a nuvem, para o ambiente de homologação que está na nuvem, leva às vezes 5, 10 minutos para você conseguir ver lá se entrou. Então agora às vezes eu faço muito desenvolvimento local. E tem os agentes de teste. E antes, você lembra? Tinha pessoas no time que eram QAs. Hoje, cara, um meu agente de QA faz às vezes 200 testes antes de falar que está preparado. Eu duvido que um QA, primeiro, tinha o conhecimento para gerar os dados suficientes para fazer teste, porque esse QA hoje vai lá e implementa não sei quantas vendas, não sei quantas compras, muda preço, vê se o documento é salvo. O que antes ele só apertava para ver se o botão está funcionando, ele não tinha capacidade de pensar os cases teóricos para implementar na aplicação para ver se ela funcionava.
Você sabe quantos agentes você tem hoje rodando para você?
Eu não sei, mas eu tenho grupos de agentes para cada uma das coisas. Para desenvolvimento eu tenho um cara de produto, eu tenho o test driver, mas e para as outras coisas eu tenho times. Então, tipo assim, para quando eu estou revendo documentos, eu tenho o advogado, o financeiro, o CEO. Quando eu estou pensando em projetos, eu tenho um time McKinsey. E aí teve um engraçado que eu brincava, alguém entrou um dia na minha sala, o que foi? Eu falei, eu demiti esse time de agentes inteiro e pedi um outro. Eu falei assim, cara, porque o resultado… Mas de novo, na parte de espelho, quando ele voltava com o veredito, não estava bom. E aí eu falo, não, esse time de agentes não está bom. E antes, para você trocar um time inteiro, uma squad inteira, qual era a dificuldade? Agora, tipo assim, cara, basicamente você vai para um pitádio e fala assim, o resultado que está chegando aqui não está bom, vou preparar novos agentes para poder fazer isso.
E é só uma piada, mas demitiu a McKinsey e pegou qual?
É isso aí, peguei uma Bain. Esse time McKinsey não está funcionando, vou pôr agora um Bain & Company.
Muita admiração pela McKinsey também.
Não, todo respeito, é isso.
Todo respeito.
Até porque quando vem os agentes modelo McKinsey, eles mandam muito bem.
Olha, impressionante ouvir o que você está fazendo com inteligência artificial pessoalmente e também na empresa.
Com convicção, tenho certeza que o pessoal da Vortx tem bastante sorte em ter um CEO como você. Porque eu acredito muito que a gente lidera por exemplo. E você pedir para alguém usar AI não é dar um exemplo. Então, você foi, desenvolveu a aplicação, meteu a mão na massa, aprendeu e isso torna o ambiente incômodo positivamente.
Efervescente.
De uma maneira que o cara, às vezes até seu sócio, seu par, você tem 150 sócios, o cara fala: Se o dinossauro ali, o fundador lá, cara, tá fazendo um negócio desse, quem sou eu que não?
Porque a gente brinca, o dinossauro foi extinto. Mas então, o dinossauro é o que não se atualiza, né? Tipo assim, então eu lá, tipo assim, um dos caras mais sêniores, para não falar mais velhos da organização, tô fazendo isso, cara, todos os outros têm que ter um certo cuidado.
Essa pergunta tipo, e aí? Ela paira na mesa. Então parabéns, é bem interessante isso. Fica uma motivação para vocês todos que estão nos assistindo. Eventualmente, se você está se achando já mais velho e que a AI vai te atropelar, cara, a gente aqui está concluindo que é o oposto, que as pessoas com mais experiência de vida e profissional tendem a tirar mais resultado da AI, pelo repertório que adquiriram e acumularam.
É isso. Eu vou contar só um último caso, não sei o quanto tempo a gente tá para encerrar, mas de novo, uma vez que você tem contato com AI, parece que tipo assim, ele, todos os seus assuntos na vida tipo assim melhora. Fui num casamento outro dia e aí sentei do lado de um cara que era escrevente de um cartório. E aí ele falava assim para mim, imagina que esse negócio de AI vai fazer, se eu tiver que fazer revisar, eu prefiro eu prefiro fazer de cara, né? E aí eu fiquei pensando, eu falei assim, esse daí tá à beira da extinção, né? Porque tipo assim, uma parte de um trabalho de um escrevente de cartório é muito semelhante ao trabalho de um advogado, que às vezes é um trabalho muito de repetição, muito de copiar e colar, olhar e checar. Esse é o tipo de atividade que tipo assim, em algum momento no futuro a gente vai olhar para trás e vai falar assim, a gente não precisa gastar o tempo de um ser humano para poder fazer isso. Quantas vezes você tinha que olhar o documento antigamente, um documento impresso, e digitar no outro lado?
Tipo assim, cara, é uma perda bizarra de tempo. Imagina, você coloca lá numa pasta e fala assim: Os documentos que eu preciso estão aqui, o que eu quero escrever, o modelo está ali, você vai lá, analisa e preenche. Obviamente, eu posso fazer um check, mas é muito mais rápido do que você abrir PDF por PDF, tipo assim, pegar o dado de lá e transportar para o outro lado. E a quantidade de erros que quando você faz isso você está sujeito. Então, tipo assim, isso é um detalhe que mostra que tem uns que vão resistir e vão ser extintos e outros que vão se adaptar e vão ganhar longevidade. E é o que a gente estava falando, os mais sêniores hoje têm a chance de ter a sua longevidade prolongada de uma forma relevante.
Muito bom.
Muito obrigado pelo papo.
Valeu, obrigado.
Espero que assim como para nós, vocês tenham conseguido também absorver bastante, sair empolgado daqui. Acho que esse é um pedaço da nossa missão, é inspirar pessoas a se mexerem e adotarem AI no dia a dia.
É isso, testem suas dores, vejam o que pode ser desenvolvido, sejam melhorados com bons insights do nosso convidado de hoje. Acho que dá para fazer mais e melhor, né, Fred?
É isso, muito obrigado, Alê.
Valeu, gente, obrigado. Valeu, obrigado.
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.