EP 46

IA sem trade-off numa corretora de plano de saúde

Felipe Baeta, CEO da Piwi, e Josef Bauman, partner da empresa, contam como a inteligência artificial está transformando uma corretora de plano de saúde com 20 mil beneficiários, cerca de 600 contratos e foco em pequenas e médias empresas de ticket médio-alto. Em 7 anos de operação, a Piwi saiu de um mercado que ainda funcionava com malote e chegou a agentes de IA que nutrem leads no tom de voz do CEO, geram cotações a partir da transcrição de uma discovery call e eliminaram a consulta manual diária às operadoras. No episódio, eles explicam como a IA rompeu o trade-off entre ganhar capacidade e manter a experiência do cliente. Contam como a empresa chegou a NPS 92, com 70% da conversão vinda de indicação, e qual foi o erro de subestimar o custo de sustentação dos agentes. Também falam sobre a capacitação da liderança, a tese da Sequoia Capital para empresas de serviços e o cuidado com o lado humano no atendimento em saúde. Fica a provocação: se nunca foi tão fácil construir algo inútil, como acertar as prioridades do roadmap de IA?

41:46 · 19 out 2026
Felipe Baeta e Josef Bauman

CONVIDADO

Felipe Baeta e Josef Bauman

Transcrição do episódio

[00:00:00.03] – Fred Pericini

Olá, eu sou Fred Pericini, faço parte do AI First Cast, o podcast destinado para discussão estruturada sobre adoção de inteligência artificial nos negócios. A gente entrevista executivos de empresas de diversos tamanhos, diversos segmentos, com o foco nessa lente aí, como é que a inteligência artificial está modificando o seu negócio, está alavancando, como cada um está enxergando. É isso, Fih.

[00:00:30.15] – Filipe Xavier

É isso aí. Eu sou o Filipe Xavier, seu co-host favorito, e a gente busca, né, trazer episódios que permitam que as pessoas evoluam justamente no que você falou, né? Então a intenção é transformar essa meia hora que a gente gasta aqui em investimento para quem nos ouve. E hoje a gente vai conversar com duas pessoas que vão ajudar a gente nessa missão, certo?

[00:00:51.07] – Fred Pericini

É isso.

[00:00:52.11] – Filipe Xavier

Então boa, senhores, se apresentem, digam quem são vocês, por gentileza.

[00:00:57.17] – Josef Bauman

Bom, sou Josef, trabalho com baeta na Sou partner na PiuI. Eu já faço parte do ecossistema de startups lá desde 2018. Passei por alguns mercados, comecei em fintech, depois terminei minha vida em fintech, inclusive com um dos convidados que passaram por aqui, o Eduardo Camargo, da Maulna. Passei também por outros tipos de segmentos que são muito diferentes, como marketplace. E desde 2022, eu toco times de growth e sales em startups voltadas ao público da RH. Então, construí o time de outbound na Caju, construí o time de outbound na Piuwi com a tese de IBM em 23, tive um hiato onde eu toquei a minha startup que eu era sócio, que chama Catena de Recrutamento e Seleção, também voltado para RH, e em 25 voltei a trabalhar como partner na Piuwi. Então, a nossa história começa em 18, depois eu conto melhor, mas a gente teve dois momentos em 23 e agora desde 2025, E nos últimos quase 5 anos atendendo RH, vendo as dores que o RH tem, como a gente consegue atender essa demanda que é muito grande em várias frentes, seja saúde, recrutamento, benefícios que o RH tem.

[00:02:11.28] – Filipe Xavier

Boa.

[00:02:12.12] – Felipe Baeta

Boa. Bom, meu nome é Felipe Baeta, eu sou hoje o CEO da Piuí. Comentando um pouco sobre pessoal assim, eu sou um curioso, cara, eu adoro aprender, eu tenho uma síndrome de aprender. Então, meu novo hiperfoco do meu TDAH é AI, então é legal a gente estar aqui, mas, cara, a minha história, eu comecei a empreender muito cedo, com 14 anos, e empreendedorismo virou por muito tempo um peso na minha vida, porque me desvirtuava do caminho tradicional, etc., e é um caminho muito mais desafiador. Por outro lado, fiz disso uma potência, tive inúmeras iniciativas, trabalhei na Endeavor, uma ONG de fomento ao empreendedorismo, fiz mestrado acadêmico em empreendedorismo, fui tateando sempre o tema, lancei alguns produtos de bens de consumo, depois a gente pode também explorar, e voltei para o mercado que é o mercado natural da minha família, mercado de saúde suplementar, de corretagem, com um projeto que é o projeto da Piu. E a gente é uma corretora de plano de saúde, a gente tem um foco muito grande em pequenos e médios clientes, intensivos em capital humano, clientes de ticket médio-alto. Todo o desenho do negócio está focado nisso. A gente recentemente está lançando uma unidade específica que a gente vem se posicionando como um family office de saúde, focado em grupos pequenos, mas sim que exigem um nível de atendimento e serviço bem diferente.

[00:03:37.10] – Felipe Baeta

Depois a gente pode explorar um pouco.

[00:03:38.25] – Fred Pericini

Dá uma dimensão de tamanho para a gente da empresa.

[00:03:42.08] – Felipe Baeta

A gente hoje tem em carteira mais ou menos 20 mil beneficiários. É um time de cerca de 70 pessoas, estamos há 7 anos em operação. E aquela coisa, mais do que número de usuários etc., a gente olha muito perfil, essa consistência do perfil. Então, quando a gente olha um produto nessa categoria, a gente tem uma relevância razoável. Aquela coisa, às vezes você tem contratos enterprise de 20 mil pessoas, que é basicamente a nossa carteira. Agora, Quando a gente olha a estrutura desse perfil, a gente tem, a gente está falando aí mais ou menos de 600 contratos nesse perfil. Então, já é um player relevante no segmento premium de plano de saúde.

[00:04:30.14] – Filipe Xavier

Para a gente já desenhar um pouco a evolução de vocês com inteligência artificial, a empresa nasce ali em 2019, pré-pandemia. Para essa nossa conversa de inteligência artificial generativa, dá para olhar para trás e ser muito claro do que mudou?

[00:04:49.09] – Felipe Baeta

Não tenha dúvida. Não tenha dúvida, né, cara? Quando a gente nasceu, o mercado de plano de saúde vivia algo parecido com o que contabilidade vivia. Quer dizer, a relação, a tríade entre operadora, cliente e corretora, ela era… Ridícula assim, você falava, caramba, eu sempre brinquei, parou nos anos 90. Para você ter noção, a gente fazia operação de malote, é o que acontecia com contabilidade, você mandava nota fiscal em malote e não tinha cabimento nenhum, você já tinha ferramentas, a possibilidade de construir um produto digital que otimizasse essa relação, ela estava clara. E muito do início da nossa proposta de valor nasceu desse lugar, eu consigo montar a operação a partir de um produto digital que vai otimizar Essas questões, ninguém mais manda malote, você digitaliza o documento, põe ali, você acompanha o fluxo. Então, o produto nasceu dessa maneira. E a gente tinha desafios muito grandes sempre na construção de produto. Eu sempre falo, por exemplo, desde coisas básicas de OCR, por exemplo, leitura documental. Puta, cara, a gente fez um piloto com o Google lá atrás para leitura documental, era um negócio assim, Assertividade baixíssima. Até que um dia eu lembro de participar de uma reunião, quando começou a AI, participar de uma reunião, o nosso CTO meteu no sei lá que ferramenta que ele usou, meteu o documento lá, meu, saiu um negócio em XML redondinho, leu o documento, mapeou os campos.

[00:06:18.13] – Felipe Baeta

Aí fizemos um teste de assertividade gigantesca. Então, acho que dando essa visão mais longitudinal da coisa, É o produto nasceu dessa maneira e tinham diversos gaps de tecnologia e desafios que a gente vivia e a AI transformou completamente isso. Eu não vou nem falar sobre desenvolvimento, a gente vai ter milhões de dias, mas sim, claro, dá para ver bem essa diferença ao longo do tempo do que permitiu ser feito. E é o que eu disse até antes da gente entrar aqui no ar. Eu acho que a AI rompeu com uma dicotomia, com um trade-off que existia, que era aquilo, você digitalizar e otimizar um processo, Você ganhava capacity, mas você tinha algum prejuízo de experiência de cliente. E o que a gente vê hoje é a brincadeira diferente, você ganha capacity e melhora a experiência do cliente do ponto de vista de velocidade de resposta, assertividade, etc. Então, eu acho que muda o jogo, cara.

[00:07:12.29] – Fred Pericini

Na sua visão, a experiência antes era danificada porque a tecnologia tinha um processo tão difícil de desenvolver que às vezes você tinha que fazer escolhas e não ficava tão aderente à necessidade? Por que agora você acha que o processo digitalizado com AI melhora a experiência?

[00:07:34.18] – Felipe Baeta

Eu acho que o melhor exemplo para tangibilizar isso é você pegar o chatbot. O chatbot é baseado em triggers. Então, cara, você enquadra o cara num trigger. Hoje você faz uma conversa baseada em contexto. Então, quantas vezes você não se decepcionou com um chatbot onde você ia respondendo e ele ia te dando para um caminho que no final não era aquele aquilo que você queria. Hoje não acontece mais. Você pode até ter o anseio de ter algum tipo de atendimento, mas você hoje confunde, você não sabe se você está falando com um robô ou se você está falando com alguém, dada a qualidade da leitura do contexto, de como aquilo encaminha a conversa. Esse é um exemplo, mas em outras frentes de produto isso também é sensível.

[00:08:17.25] – Filipe Xavier

Então, o insight potente aqui é: inteligência artificial bem aplicada hoje no negócio, você acredita que não Existe mais o trade-off de perda da experiência ou perda de qualidade no processo?

[00:08:31.07] – Felipe Baeta

Na verdade, melhora.

[00:08:32.04] – Filipe Xavier

Melhora.

[00:08:32.20] – Felipe Baeta

Melhora. Eu tenho falado muito isso, todas as frentes que a gente tem colocado, que antes era um trade-off, cara, a percepção é outra. A percepção, o cliente se sente mais acolhido, o cliente tem uma resposta mais rápida, o cliente falou, nossa… Porque você tem que lembrar também que a hipótese contrária, além da automação a partir de um robô, por exemplo, chatbot, é um atendimento humano que demora, que tem suas necessidades de treinamento. Então você também, então assim, é contexto, então é variação de humor, problemas pessoais, de qualquer natureza, né? Então eu acho que o elemento central dessa mudança ao longo do tempo é essa.

[00:09:16.24] – Fred Pericini

Bom, assim, trazendo um pouco para minha realidade, né? Plano de saúde, a gente vai precisar de uma corretora para comprar e vai precisar de uma corretora para quando tiver algum sinistro para te ajudar. Como que você alavanca essas duas coisas usando AI?

[00:09:35.10] – Felipe Baeta

Cara, hoje a gente já tem, é um mundo já o que a gente já tem que estar fazendo em AI, mas eu vou começar do zero, tá? O modelo de prospectar um cliente nesse mercado é extremamente relacional. O Joseph participou muito dessa construção do modelo de Growth, é muito relacional. E é um modelo que o lead time é longo, você precisa criar reputação, autoridade, etc. E é um modelo também que você tem uns emotes lá, você tem um intervalo de tempo curto de interesse do cara. Então você precisa se fazer presente. E assim, é muito normal, o time de vendas prospecta começo, meio e fim. Aquela nutrição mais interessante. Aí você vai fazer um email de nutrição com fluxo ali e tal. Porra, a gente começou fazendo um agente, a gente tem um agente rodando hoje que faz uma nutrição em meu nome, disparando com o meu email, que bebe de todo um data lake que a gente construiu a partir do nosso CRM, todo o contexto daquele cliente, e define periodicidade da abordagem a partir do contexto. Então não é um fluxo de cadência fixo, olha, dia 1, daqui 15 dias… Não, não, não.

[00:10:48.01] – Felipe Baeta

O cara define a partir de inteligência retroalimentada a periodicidade, define o teor da mensagem, define o nível de formalidade da mensagem e sempre apoia a mensagem num contexto. Então, desde o momento 1 da prospecção, a gente tem AI interferindo e apoiando o nosso processo. E assim, tem e-mails que eu vejo que eu não sei se fui eu que escrevi ou não, porque a gente fez um… Um RAG é muito a partir das minhas trocas. Então tem o meu tom, tem nuances de comunicação que eu uso e tal. Então isso. E você tem nos processos operacionais milhões de coisas. Por exemplo, a gente sempre teve uma tecnologia para cotação. Então grupos menores, a gente tem tabelas de mercado de preço disponíveis. Então você tinha lá, a gente tinha um sistema que a gente imputava essas tabelas e tinha uma interface que a gente alimentava de informações. Isso imputava um preço. Hoje isso tá numa base de conhecimento de AI e a gente imputa isso num conversacional, isso sai uma cotação para mim pronta, né? Inclusive com ponderações, porque nessa cotação eu coloco, por exemplo, uma transcrição de uma discovery call e etc., e ele entende a dor do cliente, direciona comparações.

[00:12:12.28] – Felipe Baeta

Então É assim, é impossível. Eu falo que ou a gente olha isso como um novo Big Bang, ou você vai achar que são mudanças marginais e você vai ficar atrás dessa transformação. Porque não é uma mudança incremental, é uma coisa fundamental assim.

[00:12:32.14] – Fred Pericini

E a corretagem de seguro não é uma atividade de hoje.

[00:12:38.09] – Felipe Baeta

Não.

[00:12:39.16] – Fred Pericini

E os seus olhos estão brilhando como se fosse uma coisa novinha. É muito por conta da oportunidade de transformar esse segmento com AI?

[00:12:52.17] – Josef Bauman

Não só com AI, né? Desde lá de trás, a visão da Piu é como fazer algo que parou no tempo e que ele não funciona mais no modelo tradicional, da forma que a gente tem acesso à tecnologia. E hoje a AI é só mais um passo nessa história. Porque se você pegar a média do mercado, se você pegar a corretagem, ela ainda está parada nos anos 90 e agora que a gente está vendo movimentos, eu diria que a Pewi ela é uma das precursoras disso, de querer acrescentar uma camada de inovação a algo que estava estagnado.

[00:13:27.20] – Felipe Baeta

E eu acho que além de inovação, a gente tem uma certeza que assim, tem muita corretora no mercado que busca vantagem competitiva através da força de canal, da força comercial. A gente tem uma visão diferente, a gente sempre teve uma visão de criação de valor. Esse é um business transacional e se você não cria alguma coisa que gera valor, porque tanto faz você, o Zezinho ou a Mariazinha, entendeu? É como que a gente de alguma maneira se diferencia. Isso é uma luta muito grande num mercado como o do digitizado e num mercado onde você não é dono do produto, porque você vende o produto de outro. Então, Acho que o brilho nos olhos é natural, porque eu sou um otimista de natureza, mas o mundo vai estar caindo e eu vou estar continuando, vamos lá, gente. Não sei se faz parte da minha inteligência emocional ou se eu sou simplesmente descolado da realidade, mas o fato é que eu vejo sim a abertura de inúmeros caminhos para a gente criar novos modelos de diferenciação. E a gente tem uma paixão muito grande de atender. Eu acho que… Só para vocês terem uma ideia, vou dar um número aqui.

[00:14:34.06] – Felipe Baeta

A gente, no ano passado, 70% da minha conversão veio de indicação. Então você imagina o quanto que a minha qualidade, eu tenho um NPS de 92 hoje na minha carteira. Então assim, a minha tese é: gera valor, que você tenha o cliente por longo tempo e um cliente que te gera novos negócios. Então eu vejo muito potencial em tudo que está surgindo. Aí as possibilidades que aí abrem.

[00:15:01.25] – Josef Bauman

Inclusive, essas indicações não foram nem com um esforço ativo de PUI, foi algo que aconteceu organicamente. A gente pensou lá atrás, em 23, a criar um programa. Como a gente consegue agregar valor para o nosso cliente indicar PUI? E a gente entendeu que não funcionava. A gente entendeu que o caminho era gerar valor para ele organicamente querer indicar a PUI sem que houvesse um esforço on-trade para ele.

[00:15:26.13] – Felipe Baeta

Até porque normalmente o esforço parte de um incentivo que o cara nem, para o perfil do nosso público, nem quer. E vira aquela coisa meio member get member de SaaS, que aqui ganha R$50 e o cara fala, pelo amor de Deus, cara.

[00:15:39.05] – Filipe Xavier

Deixa para lá.

[00:15:39.23] – Josef Bauman

Eu fiz uma parceria com a OMI lá atrás, naquele case super legal. Isso é super interessante. A OMI tinha os revendedores dela que eram os contadores. Eu não vou saber precisar a porcentagem, mas mais de 65% dos contadores que vendiam OMI Eles deixavam o dinheiro que eles tinham de rev-share parado e não sacavam. Porque o que agregava valor para eles era poder trazer a solução da OMI no produto que ele estava oferecendo. Porque no final também era commodity, ele faz o que o computador do lado faz. Só que ele falava, olha, eu tenho aqui uma plataforma que é a OMI, que está composta na minha proposta de valor para o meu cliente. Então, para ele, a linha de receita que ele estava acrescentando não fazia diferença, para ele era o diferencial competitivo. E acho que isso vem muito com a Piu, de como a gente agrega valor e a percepção dos nossos clientes desse valor que a gente está agregando.

[00:16:30.07] – Filipe Xavier

E deixa eu dar uma provocada em vocês nisso, porque tem um componente interessante aí. Uma pessoa que ela não é bem atendida, ela vai falar mal de você para mais de 10.

[00:16:39.08] – Felipe Baeta

Não tenha dúvida.

[00:16:40.01] – Filipe Xavier

E uma pessoa bem atendida, não necessariamente ela vai falar bem de você para alguém. Vocês estão invertendo essa lógica da maneira como vocês estão fazendo. O que eu pergunto é: Vocês conseguem perceber que a inteligência artificial está acelerando essa conversa positiva? Vocês estão atendendo melhor o cliente de vocês num nível que ele hoje percebe que a Piu evoluiu a ponto dele falar: Opa, espera aí, já que eu vou ter que falar, eu vou conversar proativamente disso porque eu estou sendo muito bem atendido. Vocês conseguem ter esse…

[00:17:13.20] – Felipe Baeta

A percepção de atender melhor eu tenho. A correlação disso com indicação, Ainda é frágil, ainda tem pouco tempo para bater um martelo aqui. Mas, cara, certamente… Cara, eu vou repetir uma coisa, mas são esses trade-offs, a ideia de que você precisa de mais gente para atender melhor caiu por terra. A ideia de que você automatizar o processo significa melhora de capacidade, mas caiu por terra. Então, o que a gente está percebendo é a possibilidade de atender melhor com menos recurso e a possibilidade de criar experiências muito mais interessantes. Uma das coisas que eu também provocando aqui, abrindo até o leque, por exemplo, eu já não acredito mais em interface de SaaS. A interface UI ali, esquece, cara. Eu acho que tudo vai ser meio conversacional. Você vai ter um banco de dados proprietário ali, você vai ter as regras de negócio por detrás daquilo, mas alguém fazer um login numa plataforma para fazer uma consulta, seja de status de coisa, etc., cara, já não existe na minha cabeça. Então a gente também tem, isso já era uma percepção do cliente. O nosso back-office, nosso sistema proprietário, ele rodava ali, mas o cliente já fazia consultas em paralelo com o time para entender status de atividades, etc.

[00:18:32.22] – Felipe Baeta

E isso é um conversacional hoje. Você imagina o ganho de produtividade que eu tenho para isso. Vou dar outro exemplo de aumento de produtividade, cara. Imagina que eu tenho, eu não sou dono do produto, então eu vou incluir o José no plano de saúde a pedido de uma empresa. Pô, eu faço isso. A empresa, a operadora diz, olha, eu tenho meu SLA para incluir o José de 10 dias. Ok, mas porra, eu não posso esperar os 10 dias para ir consultar na operadora, porque imagina se a operadora faz em 6? Bom, eu vou fazer o cliente esperar 10 dias? Então eu tinha um time que pegava, simplesmente um time dedicado pegava todos os tickets abertos e entrava diariamente em todas as operadoras para consultar status desse negócio. Porque se a inclusão do José tivesse acontecido no dia 6, eu preciso lá comunicar ao cliente, deu tudo certo, concluiu. Cara, a gente hoje com AI, você não tem mais isso, acabou isso.

[00:19:26.10] – Fred Pericini

Foi direcionado para outra coisa.

[00:19:27.10] – Felipe Baeta

É, e a gente tem muito essa abordagem assim, cara. E essa é a vantagem de uma empresa que cresce, né? Você olha esse capaz-te como poder, de melhora, de evolução e não como necessidade de cortar time, etc.

[00:19:39.26] – Fred Pericini

Sim, você ganha produtividade, o que você vai fazer com ela já são outros 500.

[00:19:43.19] – Filipe Xavier

Usa motor de crescimento. Essa tem sido uma abordagem que a gente vê bastante aqui. Tem uma outra coisa que é interessante, que é o apetite de fundadores, CEOs com AI, como isso também faz com que a empresa caminhe de uma maneira mais fácil. Você falou, seu olhar empreendedor ali desde os 14 anos, né? E você também se coloca como uma pessoa que tá no momento de inteligência artificial tá em tudo que você tá fazendo. Como é que você estimula o seu time?

[00:20:18.28] – Felipe Baeta

Sim, é muito desafiador, tá? Eu acho que quando você mostra o poder daquilo e o quanto que aquilo gera de valor para o trabalho da pessoa, é o melhor estímulo que existe. Mas você precisa também fundamentar um pouco. Eu acho que tem gente que não vai entrar nisso. É a mesma coisa, eu acho que você tem inúmeras aplicações de AI, mas no final das contas é a mesma coisa se você não saber mexer no Word em 1990 e 2000. Cara, desculpa, já estamos nesse nível, é bom que entendam, porque é o que é. Então, eu acho que a primeira coisa que a gente fez foi de dar conhecimento para o time operacional daquilo. Então, a gente fez muita iniciativa do tipo, cara, vamos usar, contratou as licenças, vamos usar, fez pauta de como você está usando, como você não está, esse foi o primeiro passo. Aí, o segundo passo foi pegar a liderança, que é o grupo que no final dissemina isso, de uma maneira mais estruturada, é o que provoca o projeto, é o que faz ali, e capacitar esses caras numa visão mais estruturada. E aí a gente fez essa, colocou, a gente fez um, a liderança participou de um programa da Terra, da Terra lá com, de product, não lembro exatamente o nome do curso, mas era Product Owner AI, era uma coisa do tipo que dava toda essa dimensão.

[00:21:47.27] – Felipe Baeta

E aí os times começaram a ser provocados a criar esses projetos, né? Então assim, eu acho que não tem como hoje em dia a pessoa não olhar como aquilo. E a gente faz muito em reunião, cara, é você ressignificar o mindset. Então tudo assim, tudo que eu faço hoje em dia, 100% das coisas que eu faço, eu fecho o olho e falo, puta, mas será que isso não tem um jeito diferente de fazer? Porque se você não faz esse exercício, você também é vítima da inércia. Quantas vezes eu, eu, eu, tópico à parte completamente, eu tenho milhões de hobbies, eu só gosto muito de pesca. Putz, cara, às vezes eu tenho que pensar num negócio de pesca. Outro dia eu tinha que catalogar as minhas iscas, cara. Eu tenho, eu amo ir para Amazônia, pô, tinha que catalogar aquele negócio. Falei, cara, tá fácil, sem brincadeira, meti uma foto da caixa, cara. Soltou assim, ó, isca tal, tal, tal, tal, ele já busca lá peso da isca, cor da isca, e fez um check. Eu fui dando alguma correção ali, porra, saí com aquele negócio pronto, uma planilha de arsenal de iscas, cara. Então assim, se eu não tivesse pensado, eu ia pegar uma por uma, ia lembrar que isca que é, pôr o nome e tal, vai planejar, pô.

[00:22:59.13] – Fred Pericini

Qualquer desafio que você tivesse, pensar um pouco como é que eu consigo resolver com AI. Depois, caso eu não consiga, o meu melhor, Se necessário. É.

[00:23:09.15] – Josef Bauman

Eu acho que a IA, para mim, eu gosto de usar uma analogia do controle remoto. Que antes você precisava levantar, ir até a televisão, ligar, aumentar o som, mudar de canal. E aí o controle remoto, ele te deu mais possibilidade de, putz, agora eu consigo fazer daqui. Então a inteligência artificial, muitas vezes, ao invés de eu abrir o computador e muitas vezes construir algo do zero, eu falo, deixa eu ver o que eu consigo fazer aqui no meu Clodo, o que eu consigo fazer no meu ChatGPT, qualquer outro que for. Que eventualmente ele me abre uma hora de janela que eu teria investido quebrando cabeça para construir algo mais artesanal, mas também a lei é um pouco mais de falhas e eu consigo muitas vezes resolver ali no meu celular. Então, para coisas do dia a dia, para— e eu acho que só voltando um pouquinho no tópico de como você muda a mindset das pessoas, a velocidade ela ficou maior. Então, a pessoa automaticamente ela percebe que ou ela vai ter que estar no limite de produtividade dela ou ela vai precisar de uma ferramenta que vai acelerar ela para ela conseguir acompanhar esse pace.

[00:24:04.20] – Josef Bauman

Então, sem inteligência artificial, ela por si só vai sentir que ela está ficando para trás em relação à empresa. Então eu acho que é algo que foi falado em outros episódios, que ou você vai se adaptar ou você naturalmente vai sentir que você ficou para trás do que você consegue produzir e entregar.

[00:24:21.00] – Felipe Baeta

E é um caminho completamente sem volta. Eu vou dar um exemplo para você, até ele que me perdoe, nem sei se eu posso falar isso, mas eu sou amigo do Paulo da Fink, não sei se vocês conhecem a Fink, e ele inclusive de maneira super gentil participou do nosso offsite recentemente. E pô, eles estavam mostrando a nova ferramenta da Finke lá, que basicamente é o seguinte: é um agente de AI que monitora o seu trabalho, não só para documentar o seu trabalho, como para sugerir agentes que otimizem o seu trabalho. Ou seja, nós já estamos na derivada. Então, ou seja, a partir do momento que você tem aquilo não só mais como ferramenta, mas como ferramenta— é a mesma coisa de AI construindo roadmap de produto. Então assim, gente, É nesse nível de—

[00:25:10.03] – Filipe Xavier

Mas olha, engraçado você falou isso. Esse foi um dos primeiros prompts que eu fiz buscando minha maior eficiência. Eu terminava a minha semana falando assim: revisa tudo que eu fiz e me diz o que eu posso fazer na minha semana seguinte melhor. Isso faz um ano mais ou menos. Esse meu prompt é o meu agente hoje. Ele é o meu agente de eficiência semanal. Ele já olha a minha agenda na sexta-feira, já me mostra se eu posso otimizar, o que eu posso fazer melhor. Ele visita emails que eu enviei sugerindo abordagens que podem ser mais produtivas, esse tipo de coisa. Então, cara, isso que você tá falando, algumas pessoas já devem ter implementado e elas estão fazendo isso. Eu brinquei com o Fred hoje, esse mês eu me vi num problema que foi assim: eu estourei os meus créditos corporativos do ChatGPT e eu estourei os meus créditos corporativos do Claude. E aí eu tinha que fazer uma coisa que eu fazia em 5 horas e eu não conseguia mais fazer nas mesmas 5 horas. Então a gente vai se ver num dilema daqui para frente que vão ser mais interessantes. E aí você vai ter que usar abordagens criativas para resolver os seus problemas, às vezes sem IA, mas que quando você for voltar para usar IA, você pegou um outro gatilho ali no meio do processo que você turbinou o seu uso.

[00:26:31.14] – Felipe Baeta

Caso muito interessante. Eu me lembro de uma— eu fiz economia no Insper e a gente tinha uma matéria, nem lembro o nome, mas é sistema de informações, acho que era, que tinha basicamente era uma matéria de VBA, né? Excel, mercado financeiro, aquela coisa toda e tal. E cara, eu lembro que uma vez o professor trouxe um desafio. Cara, era um desafio treta assim, era um desafio, era uma multiplicação de uma matriz, negócio assim com tantas linhas, tantas colunas, né? E você tinha, sei lá, 2 horas para fazer o negócio. E, cara, você tinha que resolver teoricamente. Ele falava, resolva esse negócio. Mas era uma matéria de VBA. Então ficou lá metade da sala tentando resolver com VBA, criar o sisteminha para multiplicar a matriz. Eu e mais alguns falamos, cara, espera aí, cara. Tem 2 horas aqui, tudo bem. Tem 12 linhas por 16 colunas, mas, cara, se eu multiplicar lá, se eu fizer a conta da multiplicação, em 2 horas acho que eu termino e termino o desafio. Porque eu não tava conseguindo ter um insight. Isso é outra coisa que aconteceu, assim, a produtivização desses agentes, desses sisteminhas, cara, ficou muito mais fácil.

[00:27:34.14] – Felipe Baeta

Então também assim, isso distancia do fazer à mão. Talvez eu não saiba mais multiplicar matriz.

[00:27:42.08] – Josef Bauman

É igual Waze no final do dia. Eu lembro meu pai perguntando onde é que ficava a rua. Hoje em dia também, por exemplo, eu tô sem sinal na estrada, eu me sinto um pouco perdido. Se eu tô sem meu ChatGPT para ele revisar o que eu fiz, eu fico um pouco inseguro. Ontem, por exemplo, eu sou muito da noite, então de noite tá tudo calmo, eu tava modelando um negócio que eu tô ajudando um conhecido meu que tá fazendo uma foodtech, e eu tava fazendo toda a modelagem dele de projeção financeira. E depois eu joguei o ChatGPT para validar. Eu não fiquei satisfeito de fechar o computador até eu rodar a planilha, o ChatGPT falar, não, tá tudo vinculado, tá batendo. Eu falei, ok. E eu já tinha feito o 1+ 1 ali, tava tudo batendo. Só que você vê como você começa a se autodoutrinar a depender dessa validação, desse check de algo que, pô, matemática tá correta. Mas eu acho legal isso da validação. Então eu uso direto também para reuniões. Todos, tudo que eu faço no Google Meet é gravado e eu recebo uma crítica. Então tem o meu crítico falando, ó, Joseph, você normalmente faz um approach mais nesse sentido, você não falou ele.

[00:28:46.14] – Josef Bauman

Pega o cargo que a pessoa ocupa, então fala, você poderia ter pegado um approach, falar um viés de algo. Isso é incrível, é como se eu tivesse realmente um crítico, no caso de negócios, me dando um coaching de, cara, o que você pode fazer melhor? O que você costumava fazer e dessa vez por algum motivo você não fez?

[00:29:03.29] – Fred Pericini

Que você recebe até bem, né? Porque é super empático e tal.

[00:29:08.09] – Josef Bauman

É, exato. E por escrito também, não é uma pessoa… O tom, você também, o tom você interpreta como você quer, mas… Fica na minha cabeça, pelo menos para mim pessoalmente, para eu usar. Então eu fiz um treinamento para, pô, vou num podcast pegando base nas últimas 50 reuniões que eu fiz. Onde vocês acham que tem muito caldo aqui do que eu falei de AI? Algumas coisas que eu nem lembrava que eu tinha feito em AI, ele me trouxe. Ele falou, ó, Joseph, você falou aqui na reunião de fevereiro que você fez isso.

[00:29:35.07] – Fred Pericini

Uma coisa, a gente fica potencializado, né? E se por um lado eu fico animado porque a régua subiu, a gente está mais crítico, a gente busca entregas mais profundas, com mais qualidade, porque a gente sabe que com AI dá para fazer bem feito determinadas coisas. Por outro, dá esse receio da gente emburrecendo e não conseguir questionar e se acostumando a um jeito de fazer que na hora que precisar fazer manual, se um dia precisar, também não sabemos se vai voltar a precisar, Acho que não, tomara que não. Aí não faz mais em 5 horas.

[00:30:14.15] – Felipe Baeta

E pegando carona nessas coisas desafiadoras, um aprendizado forte da gente lá também é: normalmente você subestima o custo de sustentação. Então assim, você acha que fez o agente, resolveu, né? Eu não tô dizendo só de validação, de aprendizado, de coisa. E a gente errou muito nisso, assim, como é tão fácil fazer, Você menospreza o desafio de sustentação, que num modelo de produto engenharia normal, você tem lá as DLs, você tem lá a coisa, você tem lá as sprints, você tem lá… Ele respeita muito mais o lado orgânico desses produtos. Quando você faz do jeito que você faz esses agentes, muitas vezes você menospreza, você acha que você fez, resolveu, está tudo feito. E tem um rito necessário de sustentação disso que a gente errou muito nesse ponto.

[00:31:02.24] – Fred Pericini

Sim, de governança, de atualização do harness engineering da coisa. Eu queria pegar um ponto aí, né? Você é um CEO que parece que meteu a mão na massa e levou a organização para uma direção muito baseada em treinamento e movimento. Qual é a diferença entre uma adoção em que você dá os modelos para as pessoas utilizarem versus uma adoção em que você Reflete como esses modelos entram no seu processo com dados da organização.

[00:31:41.14] – Felipe Baeta

Cara, primeiro obrigado pelo endosso ao vídeo de vocês, isso me dá um alívio. Eu nem acho que eu seja tão, mas eu não acho que isso seja uma entidade apartada, tá? Eu não acho que é esse meu ponto. Isso não é mais uma frente, isto é o modelo. A gente tem que entender isso, cara. Isso é o modelo, significa que é o meu trabalho, é o seu, é É o trabalho de todos, inclusive é um elemento transversal no modelo de negócio. Então assim, cara, se tem alguma coisa que não foi olhada à luz de AI, olhe, porque certamente aquela coisa deveria ter sido feita de uma maneira diferente hoje com a disponibilidade de tecnologia que existe. Então isso parte do meu trabalho, trabalho de todos. Então eu realmente acho que não existe a possibilidade de uma organização elevar o nível do modelo de negócio e se atualizar para ser AI first, que é uma tendência inevitável na minha visão, se isso não partir de todos. E assim, pondo a mão na massa. E lembrando, pôr a mão na massa não significa uma tecnicês enorme. Assim, cara, a gente fazer um agente, se você não sabe, se você nunca fez um fluxo no N8N, se vira, porque é aquilo que eu falei, é você saber fazer uma fórmula de, sei lá, PROC V no Excel, cara.

[00:33:01.12] – Felipe Baeta

Tipo assim, tudo bem, não é o básico da soma do Excel, mas, cara, é um negócio mínimo ali que você tem que saber. Então, senão a gente fica criando essas auras como se fosse um negócio… Cara, é o que é e aprenda a usar e faça isso com afinco. Eu realmente sou um otimista pelo seguinte motivo: todo mundo vê o lado de, puta, olha o que ia acontecer com a… Cara, isso aqui vai mudar completamente a capacidade de produtividade da sociedade. O problema social que isso vai criar e etc., meu, acho que vai ser menor perto do poder social que se tem. Fazendo uma filosofando um pouco aqui, eu sou economista e porra, o que que era o crescimento econômico? Era o desenvolvimento dos fatores de produção. Então assim, pô, o que que você vendia mais carro significa que você desenvolveu, você aumentou o número de fatores de produção, você desenvolveu economicamente, você tinha um Peter, aquela coisa. Aí você tinha um modelo, por exemplo, um Uber, Que na verdade o desenvolvimento não era você vender mais caro, mais carro. O desenvolvimento era você criar mais utilidade a partir daquele carro que tinha. Então assim, você tem inclusive tem uma resposta de sustentabilidade por detrás disso.

[00:34:11.10] – Felipe Baeta

Então eu, eu acredito muito em todo lado positivo que esse movimento vai trazer.

[00:34:18.10] – Filipe Xavier

Então eu diria que você já engoliu a pílula, mas tem que explicar. Essa expressão de onde vem, porque outro dia eu tava falando assim, eu falei para pessoa: você já assistiu Matriz? E ela falou não. Então, pessoal, essa brincadeira que eu fiz aqui com o Felipe é do filme Matriz, né? Quando ali vai ter um personagem que ele oferece pílulas, aí a pessoa vai engolir uma. Então assistam para entender a referência. Mas tá muito claro que você já engoliu essa e você já tá lá, né, com o pensamento muito AI first, que a gente entende, né, Fred, que leva a ganho de produtividade, de eficiência e para o desenvolvimento humano também como um todo.

[00:34:56.21] – Felipe Baeta

Que eu aprendo.

[00:34:58.02] – Fred Pericini

E eu ouço a história de vocês, me vem na cabeça a tese da Sequoia Capital. Quem não leu sobre ela, dá uma lida, só dá um Google aí ou qualquer AI e perguntar ali o que é a tese da Sequoia Capital sobre empresas e serviços. E a tese é essa, empresas que antes tinham dificuldade de escalar, por dificuldade de gerar valor, por precisar sempre de mais pessoas. E aí você acaba esbarrando em treinamento, processo… Mood da pessoa, o gargalo é outro agora. Com AI, a tese é que as empresas podem escalar o que elas sempre tiveram dificuldade de fazer. Então, você é o player que está buscando essa escala em AI na corretagem. E na geração de valor aí na gestão de saúde?

[00:35:52.01] – Felipe Baeta

Óbvio que assim, o nosso negócio não é um negócio essencialmente tecnológico ou digital. Nosso negócio é um serviço, mas a gente… Ou seja, é só importante distinguir também aquilo que é AI como ferramenta versus aquilo que é AI como produto. No nosso modelo é AI como ferramenta. Aumenta a capacidade, melhora a experiência e etc. Porque há muita provocação, às vezes até de VCs, etc., do tipo: Ah, cara, Eu sou um produto de serviço, eu tenho esse tipo de responsabilidade, essas atividades continuam sendo atividades necessariamente humanizadas, um peso relacional bizarro. Agora, como capaz de ir processo, a automação e a otimização do valor entregue por esse processo? Você vai usar o quê? Vai usar o quê? Excel? É o que tem de disponível.

[00:36:43.12] – Josef Bauman

E pode eventualmente até acontecer um movimento da humanização diminuir a ponto da inteligência artificial estar tão evoluída que vai existir uma educação natural das próximas gerações, elas estarem satisfeitas em falar com uma IA. Hoje a gente ainda vê uma questão de etarismo quando a gente vai atender uma pessoa um pouco mais velha, que ela gosta e ela quer ter a pessoa ali. Então a gente também tem essa preocupação do lado humano, principalmente falando de saúde, que é tão delicado, né? A gente está falando eventualmente de um seguro de automóvel, a gente está falando de vida. É importante também essa preocupação de Piu e que a gente usa inteligência artificial para potencializar o humano que está na ponta. Então assim, no último caso ainda vai ter uma pessoa ali para falar com você e resolver seu problema, muitas vezes usando a IA e a pessoa nem vai saber, mas para ela é o Joseph, é o Felipe da Piu e que está resolvendo a dor dela naquele momento.

[00:37:32.14] – Felipe Baeta

É um trabalho que a gente faz, que é indicação de rede e agendamento de consulta. Então a gente absorve, então concierge, Até pelo perfil do nosso cliente. Então, cara, era uma indicação de um cardiologista do Einstein. Antigamente eu tinha que consultar uma base, pesquisar e tal. Hoje em dia o atendente está lá, já solta lá plano tal, solta ali e tal, já sabe. E a gente entende que isso vai virar um agente de agendamento, entendeu? Ou seja, enfim.

[00:38:03.13] – Fred Pericini

Isso é uma coisa legal que eu capturei também. Estão em processo de transformação, né? Ninguém tá pronto ainda, a coisa tá rolando. Então você disse, pô, eu tô visualizando aqui, eu já desenvolvi um sisteminha para atendente consultar, mas já tô visualizando o passo 2 ou passo 3, que é ser um agente com a coisa já mais automatizada e mais AI first.

[00:38:28.26] – Felipe Baeta

E aí entra o desafio, né, do ponto de vista de negócio, É você acertar no roadmap, dentro de uma visão de esforço e impacto. Então, eu acho que a grande também, assim, é impossível você… Uma coisa é você começar um negócio do zero hoje, outra coisa é você transformar um negócio que tinha seus processos, maturidade, etc. Quando você vai transformar isso, você precisa acertar nas prioridades. Ou seja, o que eu faço primeiro, que é aquilo que vai gerar mais impacto versus o esforço que eu tenho para construir.

[00:38:54.00] – Fred Pericini

Afinal, nunca foi tão fácil construir algo inútil.

[00:38:58.18] – Felipe Baeta

Sem dúvida, sem dúvida. Eu fiz vários já com AI.

[00:39:02.01] – Josef Bauman

Eu tenho várias coisinhas inúteis. Eu nem abro aqui. Bom, celulares foram pegos por um bom motivo também, senão a gente poderia usar vários exemplos.

[00:39:09.27] – Fred Pericini

Cara, eu vou tatuar essa frase porque ela é genial, né?

[00:39:13.02] – Felipe Baeta

A gente vai fazer uma camisa. Você sabe que eu tava em junho aqui, tava em Estocolmo em junho, e cara, tive o prazer de visitar o Lovabon, né? Inclusive a gente foi recebido pelo pai do fundador, aquela coisa tal. É isso, tinha alguns públicos comigo, tinha algumas pessoas que tinham mais afinidade, outros não. Cara, As que não conheciam o Lovable, era um poço de inutilidade. Tudo aquilo, você via os prompts ali, você falava, gente, a pessoa tira completamente aquele senso de produto para falar, meu, não é possível que isso faz isso. Aí começam a vir aquelas ideias de jirico. Mas muito legal, cara. A pessoa tem um poder absurdo, né, cara? Imagina, o que você precisava para ter, meu?

[00:39:54.25] – Josef Bauman

Mas eu acho que a origem pode ser no inútil e você vai evoluindo ela para algo útil em algum momento que Convenhamos que padronizar o arsenal de pesca não é a coisa mais necessária.

[00:40:07.29] – Felipe Baeta

Você não sabe que esse mercado vai gerar um dia quem sabe seu produto.

[00:40:11.01] – Fred Pericini

Mas o inútil é parquinho de aprendizado, né?

[00:40:14.28] – Josef Bauman

É um ambiente sandbox.

[00:40:16.07] – Fred Pericini

Você brinca ali com uma coisa inútil para você pegar alguns insights do que é possível com aquela tecnologia, as integrações, o processo, o N8N, né? Aí você fala, cara, beleza, agora deixa eu transportar esse conhecimento para algo que é útil.

[00:40:31.01] – Filipe Xavier

Conhecimento não ocupa espaço.

[00:40:32.29] – Fred Pericini

Gente, eu quero finalizar, agradecer vocês. Fica uma frase aqui para mim: você vai usar o quê? Você vai usar Excel?

[00:40:43.08] – Josef Bauman

Muito bom, muito bom.

[00:40:45.18] – Fred Pericini

Muito obrigado, valeu pelo tempo.

[00:40:48.05] – Josef Bauman

Prazer é nosso.

[00:40:49.16] – Filipe Xavier

Pra gente, como tá sendo a jornada de AI na Piu, muito bom.

[00:40:54.17] – Felipe Baeta

Obrigado.

[00:40:55.05] – Fred Pericini

É isso, mais um episódio. Comentem, compartilhem. E por favor também, se quiserem indicar novos entrevistados, estamos abertos. Nós queremos ouvir casos de pessoas como eles que estão brilhando o olho para implementar IA e transformar o segmento em que estão atuando.

[00:41:16.00] – Filipe Xavier

Se você conhecer alguém que nem o Paulo, que tem uma história bacana com a gente, manda para gente, traz esse contato. É isso aí, Fred.

[00:41:22.21] – Fred Pericini

Até a próxima.

[00:41:23.15] – Filipe Xavier

Obrigado, gente.

[00:41:24.27] – Fred Pericini

Valeu.

APRESENTADORES

Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini

Fred Pericini

Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier

Filipe Xavier

Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.