
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 48
Vibe coding para priorizar o roadmap de produto de uma fintech global
Desenvolvedor de formação, com mais de 20 anos em tecnologia, negócios e produto. David Lopes, Vice-presidente de Produto da Movantis, conta como usou IA para organizar o portfólio de uma fintech global de pagamentos cross-border que movimenta mais de 65 bilhões de dólares por ano. A Movantis atua nos Estados Unidos e na América Latina com pay-in, pay-out, issuing, wallets, remessas e stablecoins, e reúne cerca de 10 empresas adquiridas e um time de produto espalhado por mais de 10 países.

CONVIDADO
David Lopes
Movantis
Transcrição do episódio
Bom, é uma empresa que hoje movimenta entre essa parte de pagamento cross-border mais de 65 bilhões de dólares ano. Só que pela minha experiência, tudo eu consigo fazer muito rápido, com qualidade, cheio de desenvolvimento, mas o uso nem tanto. Então, Kuai, ah, putz, legal, você consegue desenvolver muita coisa, mas muita coisa pode ser lixo, pode não ter valor.
Olá, bem-vindos a mais um podcast, mais um episódio do nosso querido AI Firstcast. É um podcast destinado à discussão estruturada sobre adoção de inteligência artificial nos negócios. A gente acredita que inteligência artificial não é uma onda passageira, é uma mudança de placa tectônica se movimentando. Por isso a gente quer ouvir das pessoas que estão pondo a mão na massa dentro das empresas o que que elas estão fazendo.
É isso mesmo. Ele é o Fred Pericini, eu sou o Filipe Xavier, e se você acompanha o nosso podcast, você percebe que a gente também tá evoluindo. E é justamente isso que a gente tenta fazer, transformar esses episódios em conhecimento para que você que nos ouve evolua também. É isso, bora para mais uma, bora para mais uma. Conta para a gente quem é você.
Prazer primeiro, obrigado aí pelo convite, adoro esse tema, então acho que vai ser bem legal a gente explorar a fundo. Eu sou o Davi, sou vice-presidente de produto na Movantis. A Movantis é uma empresa global, uma fintech global em cross-border, pagamento cross-border, com soluções de issuing, pay-in, pay-out, wallet, remessas. E já venho aí nesse mundo de tecnologia mais de 20 anos, entregando um pouco a idade, mas Já vem um tempo aí, comecei como desenvolvedor e tive a oportunidade de acompanhar muito dessa evolução de tecnologia, sou apaixonado. Tive a oportunidade também de não só estar na área de tecnologia, mas como também seja na área de negócios, área comercial, de operação e, por óbvio, produto, que é onde eu fiquei maior tempo na minha carreira.
É uma empresa global. Tenta dar um pouco de dimensão de tamanho para a gente da empresa.
Olha, é uma empresa que hoje movimenta entre essa parte de pagamento cross-border mais de 65 bilhões de dólares ano, passa pelos nossos rails, pelo nosso processamento. É uma empresa que hoje tem presença nos Estados Unidos e em toda a América Latina, então onde Claro, tem alguma presença também na Europa, em alguns outros corredores, mas hoje a nossa grande presença está concentrada nos Estados Unidos e Latam. E todo esse processamento, como eu expliquei, seja de uma pessoa para uma outra pessoa, o P2P ali ou consumer to consumer, no processamento de pagamentos ou essa parte de remessa, ou seja também B2B, um importador, um exportador que precisa processar pagamentos, Alguém que está, uma exportadora na China que quer fazer importação na América Latina. Então, uma vez que a gente tem todos os rails, a parte de licença ou parceiros que têm as licenças, então a gente consegue operar com muita maturidade e com muita cobertura em Latam. Também oferecemos parte de cartões digitais ou cartões físicos, cartão de crédito, débito, ou mesmo em Bitcoin ou cripto para retailers ou para a parte de fintech, enfim. Oferecemos soluções diretamente para bancos, para transmissão de dinheiro também. Então, é uma gama grande de ecossistema financeiro.
Sim, e eu entendi também que é uma cobertura de muitos países, com muitos negócios, com várias possibilidades de transação. Então, são muitos produtos.
Sim. Sim, é produto de pay-in, para quem está mais nesse meio de pay-in, pay-out, issuing wallets, parte de stablecoins, que a gente também processa os nossos pagamentos por trás utilizando stablecoins, a parte de remessa, como eu comentei. Então, é processamento, FX. Então, é uma oferta grande que a gente tem no nosso ecossistema para diferentes tipos de cliente. Seja importador, exportador, seja banco, seja fintechs, seja retail, seja gig economies também, e em diferentes regiões: Brasil, Colômbia, América Central, Argentina, ou operação nos Estados Unidos, como eu comentei. Então, é uma matriz imensa de diferentes produtos, diferentes tipos de cliente e diferentes regiões.
E a tua jornada lá, você começou há quanto tempo?
Eu tô na empresa tem uns 9, 10 meses mais ou menos.
Então já nasceu o bebê, o bebê, a solução que tem tudo.
Ah não, já nasceu o bebê sim, lá dentro com certeza nasceu.
E qual é seu grande bebê então, cara?
É boa pergunta, porque depende muito hoje do tipo de cliente, como eu comentei, e da região. O que acontece? E uma das missões que a gente tem também dentro da área de produto, e aí reforçando esse papel importante em produto, que eu como já vim, já tem um tempo nessa área, eu vejo que cada empresa tem uma visão diferente do que é uma área de produto. E área de produto, ao meu ver, ela é uma área que vai determinando também, claro, com base nas estratégias da empresa, na visão da empresa, ela vai alinhando onde a gente tem que apostar, para onde a gente tem que caminhar, qual o nosso perfil de cliente, onde está o nosso valor, onde estão as nossas apostas. Então, um pouco da tua pergunta, né? Qual é o bebê? São vários bebês, né? Eu posso te dizer, para o mercado de retail, para nós, o wallet é super importante porque vou prover para esse mercado engajamento dos clientes dele, é que eles concentrem toda a parte de pay-in, pay-outs dentro dessa wallet. Eu posso oferecer cashback, programas de fidelização. Se eu vou para um outro que eu comentei, né, de B2B, importador e exportador, eles precisam de clientes, ou melhor, de parceiros dentro da América Latina regulados e que facilitem em tempo real esse processamento a menor custo.
E eles, por óbvio, não têm toda a capacidade de regulamentação, de licenças que nós podemos oferecer. Então, tem um lado bom de você ter um ecossistema amplo, poder oferecer para vários tipos de cliente em várias regiões, mas tem ao mesmo tempo um desafio onde a gente tem que focar e fazer as apostas. Por isso que eu digo, acho que o BB, eu te diria, é muito baseado em tipo de cliente, em que região eu estou atuando. Mas isso não é fácil. E eu acho que hoje em dia, se você não tem uma IA, aí vindo um pouquinho no assunto, cara, é muito mais difícil você conseguir orquestrar tudo isso e você montar esse teu mapa estratégico sobre o ponto de vista de produto.
Você mencionou IA, então onde a IA está hoje no seu trabalho?
Então, aí é que é interessante, né? Mas eu posso falar aqui muita coisa de IA, do que a gente faz para o nosso produto, né? Utilizando a IA e para o cliente final. Mas eu acho interessante um capítulo aqui de a IA para mim hoje, ela foi habilitadora de desenvolver um produto para a área de produto. Então o que acontece hoje com a IA, eu consigo junto com a equipe e junto com todas as outras áreas da empresa, é dizer, área comercial, área de marketing, área de compliance, área de legal, área de segurança, de tecnologia, por óbvio, né, que vai desenvolver o produto, eu consigo ter uma inteligência e uma ferramenta em que me ajuda muito a identificar primeiro, baseado nas diretrizes, nas estratégias da empresa, onde está o potencial de mercado quando eu tô falando de determinado cliente, determinado tipo de solução. Uma coisa é o potencial de mercado, mas depois eu vou pensar: a minha proposta de valor tá pronta e tá madura e faz sentido para esse tipo de cliente, para esse potencial de mercado que eu avaliei? Bom, isso é uma coisa. O produto que eu tô oferecendo, ele tem uma margem interessante para o tipo de empresa que eu sou, que às vezes eu posso estar querendo ganhar em grandes contas, ou posso aceitar e querer ganhar em escala com uma margem menor?
Mas margem também é super importante a gente avaliar. Qual o tempo para eu vender aquela solução? Aquela solução, ela vai ser difícil a parte de go-to-market? O ciclo de venda dela é grande, não é grande, né? O tempo de implantação tá lindo, maravilhoso, tem uma grande proposta de valor, mas hoje para implantar vai levar 6 meses e para eu começar a gerar receita e transação vai levar 6 meses no mínimo.
Então eu tô dando alguns exemplos que são como se fossem critérios ou testes de tese, né?
Você tá falando de tese e critérios, né? E variáveis que a IA me ajuda, mas ela não é a única solução e vai me dar tudo isso de mão beijada. Você tem que avaliar isso. Aí é que tá a tua experiência, é que tá um como você vai direcionando a solução, a ferramenta para aquilo. Mas eu consigo dizer que eu quero avaliar esses critérios, eu quero ter uma solução que pondere esses critérios para mim.
Deixa eu ver se eu entendi também, fazer um pouco de tradução assim para uma linguagem mais simples. O que você desenvolveu foi um software para gerenciar a área que é responsável por desenvolver os softwares Para a empresa.
E vai fazer a gestão do roadmap.
Isso que ele quis dizer com produto da área de produto. Cara, é genial. E esse é o grande case, pelo jeito. A nossa brincadeira é que em 9 meses nasceu um bebê. Então, o bebê é um software para gerenciar o desenvolvimento de outros softwares. E você, pelo que eu entendi, criou uma metodologia meio própria de linkar o planejamento estratégico até a escolha Da feature, do mercado, das apostas.
Das apostas e depois, posteriormente, bem dito, das features e como a gente vai amadurecendo e avançando para esse produto e para esse mercado que a gente está apostando.
E como você fez esse software para gerenciar apostas de desenvolvimento em software?
Cara, aí vai assim… Foi vibe coding? Foi vibe coding, sim. Usou o cloud, o cloud code. Muito com base no que eu conheço para poder fazer essa conversa com ele, né? Então não adianta falar aqui que, ai, qualquer um, ou, e não que eu seja o suprassumo de desenvolvimento, mas você tem que saber fazer obviamente as perguntas corretas e interagir e ser muito crítico. Né, por óbvio, naquilo que ele te passa, naquilo que ele te responde. E cada vez mais algo que ele te passa, você vai pensando de outra forma, você vai evoluindo o teu raciocínio e você vai explorando, fazendo e fazendo. Mas é vibe code, sim. Claro que quando a gente começa a pensar, puxa, mas é uma solução em escala, se eu quiser já vender esse produto, e nem é o propósito. Aí é outro patamar, né? Aí você também tem que começar a pensar em escalabilidade. Quesito de segurança para nós é indispensável. Então isso também passa um pente fino dentro de empresa em questão de segurança, mas se fosse qualquer um se aventurando, tem que pensar nessas coisas de segurança, escalabilidade, né? Então não acho que é mágica e não acho que assim tá feito e acabou.
Só que pela minha experiência, tudo eu consigo fazer muito rápido, com qualidade, e tem nos ajudado muito, tem nos ajudado muito. Desde mapear essas apostas, eu quero fazer uma análise de mercado e trazer para minha ferramenta para ter um comparativo, um comparativo de estudo de mercado, os potenciais que eu havia comentado. Então vamos agora montar um gráfico, entender baseado no tempo de implantação, na margem do produto, no potencial de mercado, onde está aqui as nossas grandes apostas. E aí, quando eu vou para dentro do produto e vou pensar nas features, como você comentou, eu também posso ter um outro nível de análise que é assim: tá bom, quanto essa feature pode me dar em termos de receita, por exemplo? Claro, isso vai baseado nas nossas experiências, isso vai baseado na conversa que a gente tem com as outras áreas, com o comercial, com como está madura aquela solução frente aos nossos clientes também. Então também não vai ser só a IA que vai nos dizer isso, por óbvio. E aí eu tenho uma projeção de receita, pego o que dá o meu investimento em termos de tecnologia ou custos para desenvolver aquilo, começo já a ter uma visão de ROI e posso, dentro da solução, dizer: tá bom, estabeleça isso para mim como um dos critérios de priorização.
O outro pode ser um nível de urgência, o outro pode ser um nível de esse desenvolvimento é muito estratégico porque eu vou fazer uma parceria com uma marca aí de processamento global super importante que para nós é interessante e agora pode não ter uma receita envolvida. Então a gente vai criando tantas variáveis quantas sejam necessárias também até para definir essa priorização e de forma clara para a companhia.
Eu queria enfatizar alguns pontos aqui, porque estou achando um papo genial. Cara, um VP de produto de uma empresa global deve ter desenvolvido uma porrada de coisa ali nos produtos nesse tempo, mas a grande história, a grande entrega não necessariamente dentro dos produtos, mas é como gerenciar os produtos usando AI, e construiu um software para digitalizar, para deixar esse processo mais estratégico e melhor.
Eu achei interessante trazer um pouco esse caso. De novo, a gente usa muito a IA para os nossos produtos em si, mas eu acho que é legal trazer um caso diferente, que como a IA também ajuda nos bastidores, no processo decisório.
Isso que você falou é muito legal, como a IA fortalece você como um ser humano.
Exato.
Porque você chegou recentemente, 10 meses. Quanto tempo levou o desenvolvimento dessa solução?
Ah, eu acho que foi uns 2, 3 meses.
Um prazo curto para uma usabilidade intensa, relevante e de impacto para a tua organização. Ou seja, olha que mágica, né, Fred?
E tem muito mais.
E eu tenho certeza que desenvolvendo, ele usou também o tempo para aprender.
Claro, sem dúvida.
Então foi um jeito dele fazer onboarding dentro da empresa.
Exatamente.
Você conheceu os produtos que você tinha, entendeu como geri-los melhor, e gerindo-os melhor, você os melhora.
Exatamente.
Você criou um looping infinito.
E se deixar, eu fico ali, eu tenho Mas eu tenho que me policiar para sair daquilo, porque para quem gosta é viciante, é viciante. Porque você falou uma coisa muito certa, também utilizei isso a meu favor por aprendizado, para investigar, para avançar, porque muitos assuntos também eu estava começando a ter contato. E aí você, isso que eu expliquei, acho que já dá uma certa dimensão da complexidade. Junta isso agora com toda essa questão de stablecoins que a gente está explorando muito, E que é um universo maravilhoso, assim, é como se fosse a IA para pagamento, que entrou a IA e fez um boom, né? Só que você tem que aprender também, você tem que entender, porque desde eu te dizer que eu vou fazer um pagamento nos Estados Unidos, que eu tenho o PIN aqui, até o payout aqui no Brasil, passa por tantos processos e por tantas verificações e eventualmente entidades para processar esse pagamento, Que aí também ajuda até nessa questão do aprendizado, como você comentou.
Isso me trouxe para outra pergunta. Quando você tava ali, né, naquele processo de conhecer a empresa, as entrevistas e tudo mais, surgiu como uma necessidade a gestão melhor do portfólio de produtos? Sim, sim, já era algo que você já foi ali calibrando e falou, quando eu entrar eu vou—
Imagina o seguinte, nessa situação específica, mas acho que outras empresas passam por N outras situações que precisa disso. A nossa empresa, ela tem um portfólio de mais ou menos umas 10 companhias adquiridas, que cada um tem a sua cultura, tem o seu processo, é o seu produto, é a sua localização e equipes espalhadas. Minha equipe hoje, ela tá em, sei lá, em mais de 10 países, o meu time. Então sim, já existia uma necessidade E a gente ainda continua muito ainda, muito, tem muito ainda para fazer.
E dentro desse processo e agora com ele estruturado, dá para definir, você consegue ter um KPI que te mostra estamos melhor aqui, estamos melhor ali, ou você tem o feeling de que você está fazendo a gestão melhor? Como é que você reporta isso?
Boa pergunta. O reporte ele vai muito baseado nesses KPIs que eu fui te passando. Então, por exemplo, o ROI é um deles, né? Então a gente cada vez mais está demonstrando, primeiro projetando o nosso roadmap baseado em várias métricas, o ROI é uma delas. Ou seja, de forma bem simples, para cada $1 que eu invisto, quanto me dá de retorno num espaço de tempo X, né? Tipo, a gente às vezes vê muito em 12 meses e tudo. Então isso é, por exemplo, um indicador. Então eu, eu, eu projeto isso e mensuro e vou dizendo, olha, isso realmente tá trazendo ou não tá trazendo, foi um sucesso ou não foi um sucesso. Então esse é um critério, né? Outros critérios: redução de custo. Então também toda a parte, não só receita, mas isso, esse novo processo, essa nova solução que eu tô colocando Um novo BI centralizado na empresa que antes levava muito tempo para tirar determinadas informações, estou conseguindo fazer isso muito mais rápido. Então, uma redução de custo, de tempo ou de qualidade ou redução de risco. Então, tem vários KPIs que para essas features ou para esse roadmap ou aquilo que a gente vai desenhando, hoje a gente tem e consegue mostrar a evolução ou não, né?
Pode Tem coisa que falhou, vamos lá e vamos ajustar. Então, com certeza.
Interessantíssimo. E eu estou aprendendo muito aqui e me inspirando de que, cara, se a gente tem uma dor em algum processo, a gente deveria ver uma maneira de desenvolver alguma coisa com vibe coding para resolver aquela dor no processo. E ferramentas como essas, elas não precisam a gente pensar só em coisas para o cliente final. Na verdade, o cliente final tem que preocupar mais com segurança, com escalabilidade. Quando é uso interno, óbvio, também tem segurança, mas sim, você tem menos essa poética.
É isso, sim.
Tem uma licença poética. E aí tem uma revolução enorme por si só para ser feita, certo? De quantos processos da sua área, o seu departamento, a sua equipe estão executando que podem ser melhorados se eles forem digitalizados, se eles tiverem agentes de AI no meio do processo. E é muito difícil colocar agente de AI no meio do processo se se não é a ferramenta ali construída pensando naquilo, né? Você concorda com tudo isso?
Concordo. E existe um grande desafio. Hoje a nossa empresa, por ser uma empresa grande também, ela tem toda uma área de IA já para centralizar, alavancar e disseminar essa cultura. Mas eu vejo que é muito importante que as pessoas tenham essa liberdade, essa vontade, essa proatividade, essa curiosidade de ela mesma olhar para dentro da sua área, entender as dores e, cara, deixa eu começar a mexer nesse negócio aqui, deixa eu entender como é que funciona, deixa eu olhar alguns cursos. E tá ficando mais fácil, se você for ver, né? De novo, né, volto a reforçar, tem que ter cuidado. Não é qualquer coisa que você aceita e tudo é lindo, maravilhoso. Mas eu tenho visto que tá ficando mais fácil interagir com a IA e obter essas evoluções, né. Eu tenho um amigo que é advogado, cuida de processos de visto americano, essas coisas. Advogado puro, brilhante, mas ele tem uma curiosidade, ele tem um certo perfil ali para meio que também técnico, digamos. Hoje ele tá usando aí a vida dele ali, ele consegue 50, 60, 70% de produtividade para fazer esses vistos, esse processo de green card, tudo. Então isso é um exemplo assim, né, de alguém que não é técnico nem nada, mas viu a dor dele e falou, cara, deixa eu entrar nesse negócio e fazer isso em compliance, sem legal, em qualquer área, né?
Então eu acho que a gente tem que ter essa liberdade e curiosidade.
E essa deveria ser uma preocupação, Fred, que você falou, né? Você falou de melhorar. Melhorar, se a gente se melhora, a gente melhora o resto. Pensa, olha, olha quão poderoso é 1%. Fala assim, eu quero melhorar 1% por semana.
Sim.
Quando você melhora em um ano, né? E às vezes as pessoas acham que os grandes saltos têm que ser expressivos, né? Colocar uma meta absurda. Coloca uma meta pequena com AI para você, né?
Desenvolvimento pessoal.
Nesse ponto, como é que você se desenvolve com AI? O que que você tá fazendo de AI que melhora o seu trabalho? Onde você vai buscar esse conhecimento facilitado, Davi?
Puxa, boa pergunta. Eu acabo indo muito atrás de cursos, de novidade, de informação, além da minha própria interação com a IA, que eu acho que quer queira ou quer não ela me desenvolve nesse sentido.
É o famoso on the job.
Exato, exato. Mas eu também tenho muito interesse de procurar ir atrás e entender quais são as evoluções, quando utilizar uma determinada LLM ou uma determinada ferramenta. E assim, eu acho que une o útil ao agradável, porque é uma necessidade, é uma dor para você melhorar, e algo que eu gosto muito do assunto. Mas sim, vou atrás, vou buscar entender novidades, cursos, e cada vez mais como se está utilizando aí. Que eu falo, puxa, isso para mim não serve, não tem nada a ver. Mas não, só que para mim tem todo sentido para eu explorar e usar e testar aqui, né? Mas eu acho que também tem uma coisa interessante, eu vejo que isso vai acontecer e tá acontecendo cada vez mais, já virou um processo natural. Já não é uma coisa assim, puxa, preciso ir atrás, estudar e fazer. Já tá tão intrínseco no dia a dia que se hoje eu não tenho AI, eu acho que nem sei como eu ia me virar, sabe?
É, não tem casa sem eletricidade, ou até tem, mas não deveria, né? Mas isso aí é o que ele tá me dizendo assim, cara, eu não A curiosidade acaba tendo que acontecer, ela acontece porque hoje eu não consigo ver minha área sem IA. E aí eu queria explorar um pouco esse caso ainda do produto que vocês desenvolveram para gerenciar produtos. Por que um produto? Onde que você ponderou ali entre, sei lá, ter alguns agentes versus eu ter um um software que eventualmente tem os agentes dentro? Por que que você foi para esse caminho?
Olha, eu precisava de certas liberdades para fazer o que eu tava fazendo. Às vezes, sei lá, você vê um, você tem um Jira, né? Vamos dar um exemplo de um produto, uma ferramenta que hoje é mundialmente conhecida e tem os seus módulos ali para para você ter o teu roadmap, para depois se comunicar. E isso a gente ainda tem, mas eu precisava de algo específico para, cara, no meu dia a dia, na minha loucura, eu preciso ter algo em que eu concentre, como eu expliquei, essa matriz de apostas em quais regiões. Então eu tenho aqui os meus, as minhas indústrias, eu tenho aqui os meus produtos E tenho aqui as minhas geografias. Então, onde a gente é forte hoje? Eu posso conectar hoje com a base, com a Receita, com toda a base financeira que a gente tem e já olhar onde a gente está processando mais hoje, onde a gente tem lacunas que a gente poderia explorar também, até para ajudar um time de vendas a explorar a base atual de clientes. Onde vai ser o nosso futuro? Como eu vou calibrar aquilo que eu comentei de Quando eu for priorizar, eu quero 20% do meu peso seja ROI, 20% seja porque é uma estratégia muito importante, uma parceria que a gente está construindo, 20% é porque é uma receita que já vai trazer agora para esse ano e não a longo prazo.
Eu vou usar um gira nisso, cara, e eu acredito que ele tem as formas de fazer isso, mas vai ser mais demorado e vai me limitar nesse contexto. Então eu fui pensando em algo tão mais amplo que pudesse facilitar nossas vidas em termos de decisão, em termos de calcular as coisas, até o simples fato de eu chegar e falar: beleza, agora que você tem tudo isso, me gera uma apresentação executiva para eu compartilhar com a empresa qual vai ser o nosso roadmap no próximo trimestre, daqui um mês. Então essa flexibilidade aliada à rapidez que hoje a IA está gerando, falo, cara, aqui o céu é o limite, aqui eu estou preso.
Eu capturei na sua resposta e concordo, é uma premissa que eu tenho, que quando você cria os agentes e tal, você vai ficar ali num conversacional e você pode ter esses outputs de uma apresentação, todas essas análises, mas é muito menos visual e muito menos evolutivo. Até evolui.
É flexível.
É. Às vezes você vê, igual você foi desenhando um mapinha em cima da mesa ali. Então eu vi a tela. Eu vi essa tela lá no seu produto. E às vezes ter uma tela com passo a passo, com cards, com… Sem dúvida, é outra… É outra profundidade que você consegue ter no processo. E um outro ponto para mim que é muito importante é estar ali e depois você melhora. Sim. Com agentes atuando e te devolvendo de uma coisa muito conversacional, essa evolução não é tão visual, tão produtizada. E eu tenho certeza que a sua companhia foi benéfico ter você fazendo, implementando esse projeto, porque fica ali um software para eles. Que se fosse uma planilha, uma apresentação, que se perde, né? E mais, atrás dele tem toda uma base de conhecimento, uma metodologia embarcada ali, né?
Mas o que eu quero dizer também, uma base de conhecimento e uma história específica que fala: olha, a gente tá apostando nisso, a gente tem essas parcerias, a gente fez esse estudo, esse tem sido o resultado. Ele consegue já numa dessa, e que eu tenho começado a fazer também, dizer: Olha, esse tipo de produto para esse cliente é uma evolução, é uma trend, e baseado nos dados que você já está tendo financeiros, está evoluindo. Esse aqui de repente não está legal. Aí você começa a ter subsídios dentro da área de produto, que é o que a gente chama de sunset ou shutdown do produto. E, cara, isso aqui já está sendo uma distração para a gente, não vale a pena mais apostar aqui. Então, ele vai criando essa base de conhecimento por trás, única, que é um baita potencial, um baita potencial. E uma outra ferramenta, talvez mais engessada, eu confesso que eu não sei o quanto ela vai poder estar conectada a essa base, esse conhecimento que você vai alimentando no teu dia a dia, nas tuas experiências e tudo que vai passando dentro da empresa, Ou naquele teu contexto.
Sim, fora toda flexibilidade para você organizar essa base de conhecimento da maneira que quiser.
Fora toda flexibilidade.
E que os últimos VPs que passaram de produto devem ser ótimos, né? Mas não deixaram toda essa história para você.
Não, não, não, não deixaram. Claro, nós estamos num momento maravilhoso, né? Eu acho que a evolução Eu já tava mexendo quando começou esse boom de, ah, vamos falar, a gente começou no ChatGPT, é uma coisa, putz, mas cheio de alucinação, né? Agora vamos falar um pouco mais de código, sei lá, vamos pegar um Replit da vida ou um cursor. Eu lembro que eu ainda tinha que estar muito, se eu quisesse experimentar isso que eu tô experimentando hoje, eu tinha que muito ainda mexer ali no código, ajustar, porque não tava legal. Só que tá dando uma melhorada nisso tudo de forma exponencial, que é assustadora. Assustadora no bom sentido, né?
Sim.
Então eu acho que é um momento muito oportuno que eu tô tentando tirar proveito, né? Fazendo justiça também, outros podem ter pensado, mas não tava, as soluções ainda não estavam tão prontas.
Sim, claro.
Tô tentando juntar tudo, né? O momento e a necessidade.
É, esse é um ponto importante para todo mundo que está nos assistindo. É o momento para o Davi, é o momento para o Felipe, é o momento para o Fred, é o momento para você também. O momento que nós estamos vivendo é muito propício para inovar, para criar coisas novas, para melhorar coisas existentes usando AI. Pergunta de milhões: Code, Codex, Lovable, Replit ou Cursor ou tudo?
Não, eu uso o Code. O Code para mim substituiu, na minha realidade, substituiu tudo. Eu usei o Replit, usei o Cursor, usei o Lovable. Até falando de que não tem a ver com Code, mas usei para Para apresentações, o Gama. Já nem lembro, usei tanto o próprio ChatGPT, por óbvio. Para mim, o Code junta tudo. Claro que eu invisto, não tem uma licença baratinha, vamos dizer assim. Barata entre aspas, porque para mim ele dá ROI de forma maravilhosa. Mas é tipo uns 100 e poucos dólares, né? Mas eu, para mim, na minha realidade, ele substituiu todos.
Sim, isso é o que você falou. Na realidade, do Davi é uma coisa, é uma resposta, na do Fred é outra, na do Felipe é outra. Mas ainda é particular, né?
Sim, é particular, mas ele tá muito bom assim. Ele te ajuda, ele já, quando ele entende, ele já coloca os agentes para testar ou para avaliar aquilo ali teu, né? Os protótipos também estão muito bons, coisa que o Lovable tem uma coisa bem legal, mas eu acho que o curso também agora com design, que tem lá uma sessão dele É para isso. Lá na empresa a gente adotou também e se distribui licença a todos os funcionários.
Com limite.
Com limite, tudo. Tem a questão de custo, que é outra…
Eu capturei uma informação no ar, vamos ver se eu peguei certo. Você tem a sua própria licença?
Tenho. Tenho porque eu já vinha nesse processo há tempo.
Certo.
Já vinha nesse processo há tempo.
Então você tem a sua própria, a da empresa e você vai ponderando umas ali. Vou começar a migrar.
Essa da empresa, é gradual. E eu, como já sou fã, eu já tenho a minha e já tô mexendo, né? Sim, mas sim, vai ser uma transição e vai ficar tudo na empresa. Aí coisas pessoais, óbvio, usar a minha.
Eu peguei essa, pode falar, desculpa.
Eu dei uma vacilada outro dia porque eu fui trocar, eu perdi um histórico em troca de licença de pessoal para corporativa.
Ixi, então já vou tomar cuidado.
Toma cuidado, toma cuidado.
É, mas a coisa melhorou muito. Eu Essa semana, casos que eu tive ali…
Casos da vida.
Estava consumindo todos os tokens da empresa. Eu. Aí, meu sócio que desenvolve tecnologia usando o cold falou: Bicho, cara, por que você usa tanto? O que está acontecendo? 200 vezes mais que eu. E realmente, eu uso para muitos fins, PowerPoint consome muito, Eu tenho uma atividade que além de vibe codar, tem bastante produção de documento para o comercial. Então, eu uso muito mesmo. E aí, eu tentei entender como reduzir, dá. Mas ao mesmo tempo, eu desenvolvi uma solução que é meio essa. Eu tenho a conta corporativa e eu tenho a minha pessoal. Eu voltei, eu tenho o Cloud Code e eu peguei agora o GPT, até porque eu tenho um outro fornecedor e ficar testando como que os dois estão evoluindo. Mas contei toda essa história, dei uma volta enorme para falar o quê? Cara, para eu fazer o setup do GPT de volta, porque eu já tive e parei de ter, ele importou as conversas do cloud. Então, ele importou as skills, ele importou toda a minha estruturação de pastas dos arquivos MDs dos agentes. É um negócio assim absurdo, entendeu? A conversa que eu tava tendo há 10 minutos atrás no Clouder, eu consegui continuar no GPT.
Porque ele falou, você quer trazer todas as conversas para cá?
Eu pus também as mesmas conexões que eu preciso, os MCPs da vida e tal, instalei as skills, instalei os agentes. Na hora que eu vi, eu tava pronto em segundos, minutos.
E é show de bola essa competição, né? Porque para nós é positiva, mas eles sabem que estão aqui.
E aí eu vou falar meu próximo to-do pessoal, né, cara? Eu quero ter mais do que uma solução, eu já tô comprado, mas eu quero ter no meu pacote de soluções algum chinês ali barato de alta performance. Algum chinês barato de alta performance, que tem, né? A gente já ouviu vários modelos aí. E por que que eu quero isso? Para eu poder executar algumas das minhas tarefas em modelos que vão entregar a preço menor. Eu faço um preço médio por tarefa.
Você tá fazendo complementariedade eficiente.
É, já existem soluções de softwares que fazem esse truque.
É uma dor, né? É, mas no próprio, se você prestar atenção no próprio cloud da vida, o chat, enfim, às vezes a gente tá usando uma LLM que não, para aquilo que você tá pedindo, não é necessário. Então você consegue calibrar ali, fala, putz, isso aqui é muito simples, deixa eu pedir algo, uma outra versão, uma outra LLM com esforço menor, entrega rápido, e para mim tá, isso aqui tá legal.
Eu vi um amigo meu da Amazon lá dos Estados Unidos trabalhando ele me projetou a tela dele, me mostrou um pouquinho. Cara, ele tem uma ferramenta que ele faz o pedido na ferramenta, ela escolhe a LLM, ela vê a tarefa qual é. Todas elas estão conectadas no mesmo contexto, isso aí. E ela escolhe, não é ele que escolhe, ele não, ele fala aqui vai para o Fable, aqui vai para óculos ou prótese. Não, cara, ela escolhe.
Já tá acontecendo, né?
É claro, porque é uma dor. É legal tudo, mas tem um custo.
Claro, novas soluções, novas dores, e assim seguimos.
E aí vai.
Muito bom, muito bom.
Muito obrigado. Fomos para um lado inesperado, mas positivo.
É, e super outros papos aí falando também da solução em si para o cliente, mas eu acho que ao menos para os meus colegas aí de produto que sabem da dor que é, e outra que ainda é uma dor maior para quem tá na área de produto, com o advento da IA você consegue produzir mais, você consegue ter mais ideias, mas ainda relevante é o papel do produto em dizer, cara, isso sim faz sentido, isso não faz sentido. Porque eles já viram aquele, tem umas imagens agora circulando que é com antes da IA era assim de ideia, era assim de execução, mas de uso um monte. Agora com a IA tá cheio de ideia, cheio de desenvolvimento, mas o uso nem tanto. Então com a IA, putz, legal, você consegue desenvolver muita coisa, mas muita coisa pode ser lixo, pode não ter valor.
É a frase nova preferida do Fred: nunca foi tão fácil fazer algo Exato.
Então, falei certo, Fred?
É isso.
Defendendo minha classe aí de produto, aí onde a gente tem que entrar e utilizando aí, por óbvio, né, para facilitar, mas tomar as decisões corretas.
Senão eu dou até um passo atrás. Eu acho que é uma lição para qualquer líder, como conectar a estratégia do negócio nas suas prioridades, sem dúvida, na priorização de ação. No caso, um VP de produto vai priorizar desenvolvimento de produto, mas qualquer outra vice-presidência vai ter suas ações conectadas a uma estratégia do negócio. E para isso você desenvolveu um software próprio com seu método, com seu raciocínio.
Obrigado por complementar, sem dúvida. É isso, é isso. Então sejamos criteriosos e utilizemos a IA para ajudar nisso tudo, né?
Sim, muito bom. Obrigado, Davi. Obrigado a vocês demais pelo papo. Fred, mais um, mais um.
Pessoal, lembrando, a gente tem um patrocínio do SoftBank, o banco na América Latina que mais investe em IA.
Para nós é uma honra tê-los aqui on board junto com a gente, acelerando nossas conversas.
É isso, mais um episódio entregue. Espero que tenham gostado. Mais um passinho na direção de compartilhar conhecimento que não é nosso, o conhecimento é desses caras aqui que vem aqui e compartilham com bastante, bastante gosto e generosidade. Generosidade é a palavra que me faltava. Muito obrigado, valeu, valeu, até mais!
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.