EP 36

Tecnologia do produto ao atendimento

Uma empresa icônica e reconhecida no mundo todo que encontra formas de se reinventar por meio da Inteligência Artificial: esse é o momento atual da Ford.

13 jul 2026
Djalma Brighenti

CONVIDADO

Djalma Brighenti

Ford

Transcrição do episódio

[00:00:08.03] – Fred Pericini

Olá, nós somos o AI First Cast e estamos aqui para um novo episódio. Primeiro, sou Fred Pericini, fundador da agência F2F. Tô aqui com meu amigo e co-host Filipe Xavier. Boa noite, Fih!

[00:00:26.14] – Filipe Xavier

Tudo bem, Fred? Boa noite! Mais um episódio. Agora a gente vai desbravar uma indústria que a gente ainda não entrou pela, pelo prisma que a gente vai falar hoje, certo?

[00:00:35.26] – Fred Pericini

É isso. Como diz o Fih, hoje mais um episódio super especial.

[00:00:40.22] – Filipe Xavier

É isso aí.

[00:00:41.15] – Fred Pericini

Eu tava com saudade de gravar, viu?

[00:00:43.13] – Filipe Xavier

Fazia um tempinho que a gente não sentava aqui, né? Parece que a gente vai gostando mais e mais do que a gente faz, né?

[00:00:49.08] – Fred Pericini

E quando dá um tempo meio grandinho de gravar, aí muda demais. E aí a gente tem que se atualizar aqui. Como é que você tá fazendo? Como eu tô fazendo, né?

[00:00:59.02] – Filipe Xavier

É.

[00:00:59.18] – Fred Pericini

Mas vamos lá, bem-vindo, boa noite, bem-vindo ao nosso podcast, se apresenta para a gente.

[00:01:07.01] – Djalma Brighenti

Ok, boa noite, obrigado aqui pelo convite, prazer estar com vocês aí no podcast. Então, eu sou Djalma Brighenti, responsável pela área de TI da Ford na América do Sul. Estava contando um pouco a minha história aqui para vocês, né, sou uma pessoa que era apaixonada por aviões, me formei em engenharia aeronáutica e fui parar na TI e até na Ford um pouco por acaso. E me encontrei dentro da TI, dentro da Ford. Então, eu sou uma pessoa que gosta de desafios, eu gosto de resolver problemas, gosto de tecnologia e gosto muito de aprender. E quando junta tecnologia e automotiva, desafios e problemas e oportunidade de aprender ao tempo é uma constante. Então, já vai fazer mais de 20 anos que eu estou nessa vida dentro da Ford, entusiasmado, continuo entusiasmado e agora a gente tem um desafio a mais, ou novo, ou adicional que ela lhe dá com a IA.

[00:02:00.03] – Filipe Xavier

Muito bom. Djalma, essa credencial Ford, eu creio que 99% das pessoas que nos ouvem aqui sabem do que a gente está falando, uma empresa fundada por Henry Ford, um dos maiores gênios da humanidade, um grande inventor. Traz um pouquinho mais de como está a Ford hoje no mundo, só para a gente aterrissar todo mundo e conseguir mensurar o tamanho da magnitude do trabalho hoje.

[00:02:24.10] – Djalma Brighenti

Bom, a Ford e o setor automotivo como um todo estão num processo gigantesco de transformação e de muito investimento em tecnologia, seja na busca do veículo autônomo, na eletrificação dos produtos e na conectividade. Então, aqui na nossa região, a gente tem aproveitado o que a Ford tem de melhor e focado nos pontos fortes da Ford, na região, digo aqui, América do Sul. Então, seja nas picapes, na linha completa que a gente tem de picapes aqui, SUVs, carros icônicos como o Mustang e uma linha de veículos comerciais, de vans, ônibus, que a gente produz no Uruguai. E os nossos produtos são todos conectados. Então, o carro sai de fábrica já com um chip, com um módem enviando informações para a gente. E todo esse investimento na tecnologia, não só no uso, no prazer de dirigir o veículo, mas também na experiência do cliente. Então, a gente tem investido muito em como eu uso a tecnologia, como eu uso esses dados que a gente tem dentro de casa para criar uma experiência diferente para o nosso cliente. A gente acredita que é aí que a gente se diferencia da nossa concorrência.

[00:03:28.02] – Filipe Xavier

Muito bacana.

[00:03:29.00] – Fred Pericini

Conta alguma história de experiência que pode ser criada para o cliente com essas novas tecnologias.

[00:03:35.18] – Djalma Brighenti

Opa, legal. Esse é um espaço que eu adoro. Gosto de um— tem um exemplo que eu gosto de contar porque ele conecta as várias partes, né? Então, sabe quando acende aquela luzinha no painel do teu carro? Que aparece um ícone bonitinho ali e você fala, poxa, mas o que será que é isso aqui? Será que eu devo fazer? Vou olhar no manual. Quem é que olha no manual para saber o que está acontecendo? Na Ford, a gente tem um aplicativo da Ford no celular, então ali já vai te falar, essa luz é isso ou isso que você deve fazer. Mas a gente dá um passo além usando a tecnologia. Como o veículo é conectado, desde que você autorizou esses dados a virem para a Ford, a gente também recebe essa informação de que a luzinha acendeu no seu painel. E aí, se for um caso crítico, a nossa inteligência está monitorando, ela avisa a nossa central de atendimento ao cliente. Então, e aí, se você nos autorizou a entrar em contato com você, a gente vai ligar para você e falar: olha, você tem um problema no seu veículo, esse problema pode se tornar sério, vamos agendar um serviço, vamos levar você para cuidar de você e do seu carro.

[00:04:36.01] – Djalma Brighenti

Então, a gente transforma dado conectado, inteligência, numa experiência para mostrar que, poxa, eu cuido de você enquanto você está usando com o meu carro.

[00:04:46.03] – Fred Pericini

E, mano, isso traz muita segurança para o cliente final.

[00:04:49.19] – Djalma Brighenti

Acho que traz segurança, conforto, né? Enxerga que nós estamos do seu lado o tempo todo. E não só a Ford não tá com você só no momento da venda, né? Durante todo o ciclo de uso do teu carro, a gente tá te acompanhando, tá do teu lado.

[00:05:02.18] – Filipe Xavier

E nesse modelo onde você consegue estar conectado com o seu cliente, você já saiu de um modelo reativo para um proativo, você já consegue até eventualmente fazer manutenções remotas? Como tá isso com o avanço tecnológico?

[00:05:18.08] – Djalma Brighenti

Excelente pergunta. Então acho que esse é um outro, é uma outra oportunidade que a gente tem pelo fato de ter essas informações com a gente, né? Então o veículo hoje ele tem diversos módulos que controla a operação do carro e conectados e vários sensores em cada um desses módulos. E essa informação é a que é transmitida para a gente aqui na Ford. Então hoje a engenharia ela tem esse acompanhamento e ela começa a monitorar sinais de algo que pode estar saindo fora do normal.

[00:05:50.13] – Filipe Xavier

Anomalias.

[00:05:51.01] – Djalma Brighenti

Anomalias, você vê um dado, poxa, tinha que estar comportando assim, esses carros estão começando a comportar estranho. Então a inteligência artificial detecta isso e informa a engenharia, a engenharia estuda, então antes de Isso nem virou um problema ainda para você, mas a gente começa a detectar essa anormalia. E se isso for algo que possa ser corrigido por um setup do motor ou uma atualização do software daquele módulo que faz essa operação, como o carro é conectado, eu posso mandar essa atualização de software para o teu carro. A gente chama de over-the-air. Então você não precisa nem ir numa concessionária, vai estar em casa, vai aparecer um aviso no teu carro. E assim como o teu celular, que você recebe lá, tem um update. Você vai fazer o update, no dia seguinte teu carro tá melhor do que ele era antes. Então, com o tempo, teu carro vai evoluindo, né, com as melhorias que a gente vai fazendo dentro dele. Então, essa é assim, antes de você quer ter um problema, teu carro evoluiu.

[00:06:45.07] – Filipe Xavier

Sim, aqui a gente já começa a ver um primeiro exemplo de uso real de inteligência artificial no teu negócio, não necessariamente a inteligência artificial generativa que a gente tem falado bastante aqui, mas já uma solução do time de tecnologia para uma melhor experiência do cliente. Acho que isso, isso é um benefício bem bacana para as pessoas perceberem. É bem, bem relevante mesmo. Deixa eu te fazer uma pergunta diferente, Djalma. Quando a gente pensa na Ford, é uma empresa gigantesca e global. Como que é a questão do que você pode desenvolver localmente versus o que a companhia suporta globalmente do ponto de vista de tecnologia e essas novas adoções que a gente fala?

[00:07:27.19] – Djalma Brighenti

Esse é um desafio super interessante. Acho que qualquer líder de uma empresa que está numa empresa multinacional, né, com presença local, ele enfrenta. Então, a forma como a gente buscou encontrar o nosso espaço aqui na região para atuar é olhando muito para os processos de negócio e depende da área de negócio que a gente está atuando. Então, eu vou exemplificar aqui. Se a gente pega uma engenharia de produto que está fazendo engenharia do carro, a Ford tem 7 centros de desenvolvimento de engenharia no mundo, um deles inclusive aqui no Brasil, em Camaçari. A gente tem mais de 1.500 profissionais produzindo engenharia, fabricando engenharia na Bahia para os nossos produtos que vão para o mundo inteiro, né? A gente exporta tecnologia a partir da Bahia.

[00:08:10.01] – Filipe Xavier

Inovação made in Brasil.

[00:08:11.15] – Djalma Brighenti

Inovação made in Brasil. E bom, não faz sentido, quer dizer, esse time trabalhar de uma forma diferente dos outros centros de engenharia. Então todos eles vão trabalhar com a mesma tecnologia, com o mesmo sistema, os mesmos processos, né? Então isso é muito é muito liderado pelo time global. Não faz sentido a gente atuar aqui nesse espaço. Então, acho que para mim esse é um extremo. Quando a gente vai para o outro extremo, quando a gente está falando de cliente, de vendas, de experiência do cliente, de serviços, aí a realidade é completamente oposta. Os nossos clientes aqui no Brasil enfrentam uma realidade que é muito diferente, que tem problemas diferentes do problema de um cliente americano e um cliente europeu. E uma solução global, ela não vai conseguir ter essa visão que a gente tem aqui localmente. Uma solução global não vai ter o tempo de resposta que o negócio da região precisa. Criar uma nova experiência que seja relevante para o meu cliente, que é diferente da experiência do cliente lá de fora. Então, aí aparece o espaço para a gente ocupar. Não é que lá fora o pessoal falou, você atua aqui, não aqui.

[00:09:16.19] – Djalma Brighenti

A gente vai encontrando os nossos passos, vai abusando um pouco e se passar do ponto, puxa a orelha. Mas a gente vai, é aqui onde tem muita oportunidade.

[00:09:24.19] – Filipe Xavier

Então é como se o produto fosse global, a resposta às necessidades locais vocês desenvolvem aqui. E qual tem sido a demanda para tua área de desenvolvimento de tecnologia, aí sim com todas as possibilidades de inteligência artificial, para essa demanda local?

[00:09:40.25] – Djalma Brighenti

Tá bom, com a demanda local é muito, a gente tem investido muito nosso time na experiência do cliente de fazer alguma coisa diferente. Então esse caso da que eu comentei da luzinha acendendo no painel, a gente entrar em contato com vocês, foi algo que surgiu aqui na nossa região. E é um produto que eu me orgulho muito porque ele surgiu de uma forma realmente ágil. A gente, o time teve a ideia, né, o nosso time junto com a área de engenharia de conectividade, e a gente criou uma planilha Excel, pegou uma pessoa para ligar para os clientes para ver se fazia sentido, a gente aprendeu um montão e viu, pô, faz sentido, e a gente produtizou. Hoje, agora puxando para inteligência, tem Tem um outro produto que a gente está trabalhando que é super interessante e esse sim usa a inteligência generativa. Então nós temos o nosso sistema de agendamento de serviço, né, que a gente chama de Agenda Ford. Então você com o seu celular, você abre o nosso aplicativo, escolhe a concessionária que você gosta de ir, se você quiser escolher o consultor técnico, se você já conhece ele, vai ver, escolhe a data, vê a disponibilidade de horário, Sabe o valor, clica ali, já está agendado.

[00:10:53.08] – Djalma Brighenti

Na outra ponta, no dia que você for lá, a concessionária vai te receber, sabe que o Felipe está chegando, sabe qual é o teu carro, tem toda a sua informação. Aí você faz isso direto do celular. O que a gente criou agora recente para ajudar nessa experiência na sua recepção lá na concessionária? Então, o consultor que te recebe, ele sabe todos os agendamentos do dia, E ele tem uma série de informações que são úteis para ele poder te receber bem. Só que isso está distribuído em diversos sistemas dentro da Ford. Então você tem sistema de garantia para saber o que você já fez de serviço, tem um outro sistema diferente para saber se tem algum recall ou se tem alguma ação que ele deveria fazer ali, é um terceiro sistema para saber qual é a sua experiência com a Ford passada, quais foram os comentários que você fez. Então a gente criou uma funcionalidade que a gente chamou de Vehicle Tweet, e roubando aqui a palavra tweet, porque é para ser um resuminho fácil de ser lido. O que que o consultor faz? Ele recebe quem ele vai atender naquele dia, ele clica nesse botãozinho, então aí a AI e o GenAI, né, eles vão varrer esses vários sistemas e vão dar um resuminho para ele.

[00:12:01.22] – Djalma Brighenti

Olha, o Carlos Felipe aqui já veio por esse problema aqui antes, né, tem uma ação pendente para fazer, A experiência dele tem sido boa e a gente, e o próprio engenheiro falava, a gente recomenda talvez já fazer essa ação porque teve um outro veículo parecido e já fica de sugestão. Então quando você chegar, ele já tem tudo isso na mão. Então o teu atendimento, né, ele não vai só reconhecer você, mas já sabe o teu entorno. Então são coisas desse tipo que a gente está experimentando que tem muito potencial. Então talvez não sejam coisas que aparentemente você vai ver na o ROI medido na ponta da vírgula, mas vai criando experiências que são muito diferentes. E foi só a GenAI que permite a gente fazer isso, né? Com a tecnologia tradicional você não consegue fazer isso.

[00:12:50.23] – Fred Pericini

Nós queremos explorar bastante a adoção de AI estruturada na Ford, mas você tocou numa palavra, ROI, e aí eu já quero antecipar uma pergunta.

[00:13:01.25] – Djalma Brighenti

Não tem como fugir do ROI, né? É o tema do ano.

[00:13:04.26] – Fred Pericini

É, e aí, a inteligência artificial já move o ponteiro da Ford?

[00:13:10.25] – Djalma Brighenti

Acho que sendo bem honesto, acho que não. E falando aqui no nosso mundo da América do Sul, né? Principalmente a IA generativa. É claro que os casos que eu descrevi de manutenção preditiva, isso claro que faz diferença, né? A gente evita, se a gente não tivesse o preventivo, aquilo vai acabar gerando um problema que vai virar uma garantia e que quando você resolver o problema você tem que recolher um monte de carro para resolver. Isso aqui já faz diferença. Pro business. Mas da forma que a gente tá olhando, principalmente a generativa, ainda não. A gente, dentro da Ford, tem uma política de incentivar o uso. Então, a gente disponibilizou desde o começo, através de um portal seguro, controlado, custos e inclusive a gente pode colocar dados confidenciais e secretos ali dentro da GenAI para que todos usem no seu dia a dia. Isso é super incentivado. O nosso presidente tem uma live mensal com toda a organização e ele tá sempre comentando casos, trazendo uma pessoa para falar o que tá fazendo, casos simples, simples, mas de uso no dia a dia. Então, na minha visão, a gente deve ter uma centena, um milhar de pessoas fazendo pequenas melhorias, né?

[00:14:19.12] – Djalma Brighenti

Isso de alguma forma melhora a produtividade da companhia, traz mais qualidade, mas você não consegue medir o ROI. O desafio que o presidente nos deu esse ano, ele falou, eu sei que nós estamos bem, nós estamos comendo pelas beiradas e atacando, eu queria encontrar, ele chamou de big bets aqui, as grandes apostas, onde eu posso aplicar que me traga real diferença para o meu negócio? E a gente recentemente fez um trabalho de um Inception com toda a liderança presente, inclusive o presidente participou o dia inteiro com a gente, pegando as 6 principais estratégias de negócio que a gente tem na região. E aí os grupos tentando estudar e falar, poxa, Se eu trouxer aí, a AI pode me ajudar a mexer esse ponteiro, a AI pode me ajudar esse outro ponteiro. Então, e aí qualquer AI, né, e qualquer funcionalidade da AI. Então a gente tá nesse momento agora que a gente listou 12 ideias, então mais ou menos priorizadas. A gente vai ver como é que a gente dá esse next step, valida primeiro a hipótese de que aquelas ideias realmente vão dar o que é um outro desafio, né. O negócio, a gente vai, a tendência do negócio é Já encontrei as 12 ideias, me faz os 12 projetos.

[00:15:34.08] – Djalma Brighenti

E a gente está falando para eles, vocês não têm projetos, isso aqui é inovação, é diferente. A gente tem hipóteses, vamos validar que aquela hipótese dá o resultado que você acha que dá e depois produtivizar. Então, a minha expectativa é que até o final do ano eu vou ter pelo menos 1, 2 casos que vão mexer o ponteiro da companhia com IA.

[00:15:51.29] – Fred Pericini

Deixa eu fazer uma interpretação então. Não, não está gerando, mas eu acredito que vai gerar.

[00:15:59.02] – Djalma Brighenti

Eu acredito que vai gerar.

[00:16:00.06] – Fred Pericini

Interessante. Aí, uma outra interpretação: a gente tem amplo acesso para companhia nos modelos, isso deve gerar algum valor, difícil mensurar, mas o que nós estamos apostando mesmo é na adoção estruturada de inteligência artificial em projetos conectados com o nosso planejamento estratégico.

[00:16:26.08] – Djalma Brighenti

Eu acho perfeito o seu resumo, só não seria mais, acho que são os dois. Eu acho que é importante a gente incentivar as pessoas ao uso. Eu tenho alguns casos dentro da TI que eu gosto, que parecem pequenos, mas que para mim geram um impacto, de novo, difícil de medir. Deixa eu contar uma historinha aqui que eu exemplifico. Eu gosto de historinhas porque ajuda a aterrissar, a gente não fica— Quem trabalha com dados, dicionário de dados é uma coisa que É extremamente importante e relevante, mas é chato de fazer, ninguém gosta de fazer, quando faz, faz com baixa qualidade. E a gente pegou o nosso time e eles experimentaram usar a GenAI para criar o dicionário de dados. Então, usaram, deram exemplos, criaram um modelo e o dicionário que ele gerou, quando a gente levou para a área de negócio validar o conceito, o que significa cada um desses dados que estão no lake, ele falou, pô, tá melhor do que eu teria feito. Então, algo que a gente tava escolhendo algumas tabelas-chave para fazer, que eram mais relevantes, investiu bastante tempo manual para gerar. A gente acabou usando o GenAI, fez para todas as tabelas em muito pouco tempo e economizou um montão de tempo.

[00:17:43.03] – Djalma Brighenti

Mas para mim o valor não tá aqui. Aqui tem um certo valor, mas a partir do momento que eu tenho um dicionário de dados muito bem feito e padronizado e igualzinho, o acesso a esses dados para quem vai consultar fica muito mais fácil. Então, aquilo que o dado que talvez estivesse democratizado até um certo ponto, ele ficou muito mais acessível, então vou tomar melhores decisões downstream. Isso me permitiu também eu usar uma outra AI para classificar se esses dados são sensitivos, se são PII, se são PII, porque o dicionário de dados está bem feito, ele acessa o próprio dado e esse deu uma assertividade de mais de 99%. Então, além de eu ganhar tempo de novo na classificação, eu tô protegendo meus dados. E como é que eu meço isso? Acho que isso é difícil de medir, mas eu acredito demais que esses pequenos exemplos, eles têm um efeito downstream aqui que são extremamente relevantes. Muito bom, muito bom.

[00:18:38.12] – Filipe Xavier

Vai mais uma daí ou eu vou daqui?

[00:18:40.03] – Fred Pericini

Pode ir daí.

[00:18:41.28] – Filipe Xavier

Eu vou fugir um pouquinho, tá, Djalma, porque o teu background paixão por tecnologia, por grandes máquinas e tudo mais. Eu vou te fazer uma provocação que esses dias eu fiz para mim mesmo e eu quero ouvir você.

[00:18:56.12] – Djalma Brighenti

Vamos lá.

[00:18:57.16] – Filipe Xavier

Qual você acha que é o potencial humano para a gente aprender sobre inteligência artificial? Por que eu estou te perguntando isso? Eu, a cada dia que passa, eu acho que eu sou mais capaz. Eu começo a brincar com as tecnologias, como o Fred falou, passa uma semana, se tem coisa nova, Eu estou me sentindo mais capaz do que nunca. E foi a primeira vez que eu falei, eu acho que eu não sei qual é a minha própria fronteira de me desenvolver. Isso está acontecendo com você também? Como é que você está vendo isso?

[00:19:28.22] – Djalma Brighenti

Poxa, essa provocação é muito interessante. Deixa eu pensar um pouquinho. Poxa, o desafio que a gente está enfrentando nessa de aprendizado é gigantesco. A gente, quando começou dentro da minha TI a explorar, falou, nós temos que usar. Eu fui num evento onde empresas de tecnologia estavam logo no começo do GPT, um pouquinho depois, falando, chegou a vez da transformação da indústria de TI, a disrupção chegou. E quando eu ouvi grandes empresas, era CIT falando isso, eu falei, poxa, se chegou para ela, Eu tenho que estar nessa mesma onda. Como é que eu vou embarcar nessa onda? Daí eu peguei um grupo de jovens que já estavam metidos ali, a gente criou um grupo, apelidou de X-Force, o X-Force Team, então um grupo de jovens mais um grupo de gente experiente em TI, gente de processos, e a gente começou a se reunir toda semana para ver como lidar com a— e o desafio inicial era esse, porque toda semana tinha uma coisa nova, molecada trazia: agora dá para fazer isso, agora dá para fazer aquilo. A gente passou 6 meses vendo tudo tudo que podia fazer. E aí eu te falar agora, ok, o que que nós fizemos?

[00:20:42.01] – Djalma Brighenti

Não, nada, porque tá sempre fazer mais alguma coisa. Eu acho que nós estamos vivendo esse momento onde a gente sente, tem cada vez mais capacidade, potencial de fazer as coisas, mas é muito difícil você aterrissar e fazer uma organização, assentar isso. Acho que puxando um pouco que você falava, né, de assentar e fazer uma organização, adotar e transformar isso em processo do seu dia a dia. E quando você começa a fazer, a tecnologia já mudou de novo, te permite fazer mais coisas. Então, acho que a gente está num dilema e uma ansiedade de como fazer isso acontecer, que é extremamente desafiador, é fascinante, mas é muito desafiador, porque você pega uma pessoa individual, individualmente ela consegue fazer muita coisa e cada vez mais, mas como fazer uma organização inteira, um time inteiro, como transformar isso em processo estabelecido que funciona nessa com essa capacidade. Acho que esse para mim é o desafio que eu estou vivendo hoje.

[00:21:36.16] – Fred Pericini

Adotar você mesmo é muito diferente do que a Ford adotar.

[00:21:42.19] – Djalma Brighenti

Exato. E mesmo um time de 10 pessoas adotarem, mudarem toda a forma como eles trabalham. Você pegar 3, 4 que são expoentes, que estão estudando, é uma coisa, muda tremendo a forma como ele trabalha, mas como ele muda a organização, como ele muda um time, Isso é muito diferente.

[00:22:02.02] – Fred Pericini

Pegando esse gancho, como é que você vê essa onda de vibe coding e AI agêntica que promete desenvolver software super rápido? Como que você enxerga isso? Tá pronto? Realmente sai tudo muito rápido e aplicável para Ford ou não?

[00:22:25.07] – Djalma Brighenti

Eu acho que esse é um excelente exemplo do que a gente estava conversando aqui. Então, se você pegar um grupo de 2 ou 3 pessoas que têm uma ideia e fazem um vibe coding e chegam num produto, num protótipo e ele está funcionando, funciona, funciona super bem. Agora, você pegar um time que tem um produto que tem que ser robusto, que tem que ser seguro, tem que ser protegido, que você tem que cuidar dos dados, que ele tem que ser escalável para você levar não só para esse grupo, mas para talvez um grupo enorme ou para um outro país, para uma outra região, como a gente faz. Não tá lá ainda, é bem longe, é muito diferente esses dois extremos. O Gartner disse que, né, o hype aqui do, ele chama, como é que ele chama, acho que é AI, esqueci o nome formal que eles usam, mas você usar o AI no processo todo, desenvolvimento do sistema, é algo que está super no hype, mas vai levar 5 a 10 anos para estar sólido, funcionando de ponta a ponta. Mas ao mesmo tempo, onde eu estou enxergando oportunidades, se você pegar uma área de negócio, tem que ajudar na conversa com a TI para explicar o que ela quer, o que ela está entendendo da solução que ela quer fazer.

[00:23:34.03] – Djalma Brighenti

Se ela faz o vibe code, chega nesse protótipo funcionável, a partir daí a conversa fica muito mais fácil de entender, de interagir, e depois a TI talvez pegar isso daqui e produtizar para algo que seja realmente escalável. Acho que é um excelente exemplo dessa dimensão do eu sozinho e você transformar num produto escalável, robusto, seguro.

[00:23:58.18] – Fred Pericini

Sim, e quando a gente fala em adoção estruturada também tem a integração dentro do processo da empresa, com acesso aos dados da empresa, né?

[00:24:09.06] – Djalma Brighenti

Exato.

[00:24:10.02] – Fred Pericini

E ali com o usuário, às vezes, muitas vezes fazendo o processo e nem sabe que tá usando uma IA. Seja generativa ou não. Que eu acho que é um pouco do que vocês estão bolando nesses projetos, 12 projetos de impacto grande. Eu tenho uma pergunta extra aqui.

[00:24:33.04] – Filipe Xavier

Deixa eu só conectar um ponto do que você falou então. Nisso que o Fred menciona de como vocês querem um crescimento estruturado, vocês dispõem de alguma plataforma para apoiar os colaboradores a fazer um uso responsável de inteligência artificial? Isso acontece lá como está? Porque acho que também é um bom exemplo de como outras empresas podem se inspirar.

[00:24:54.14] – Djalma Brighenti

Sem dúvida, sem dúvida. Acho que eu comentei ali atrás, a Ford criou uma plataforma, um hub para a gente acessar, a gente chama de Mach 1 ML, em homenagem ao Mustang Mach 1, que é o nosso hub para acessar os modelos. E ali eu posso criar assistentes, ali todo mundo pode trabalhar. E é incentivado a utilizar ali dentro, não usar a ferramenta de como usuário, como cliente individual, mas o incentivo é usar ali. E ali a gente cria boas práticas, você começa a compartilhar assistentes, então você tem uma biblioteca de assistentes que alguém lá no mundo já criou talvez uma tarefa parecida com a sua que você pode usar. Esse fomento ao uso da tecnologia está super, super. E para dentro da TI, muito, a gente é parceiro forte de Google, Google Cloud, então toda ferramental Google é onde a gente está mais explorando.

[00:25:48.03] – Filipe Xavier

E aí fica claro para o usuário, guardrails, tudo, que beleza.

[00:25:52.13] – Djalma Brighenti

Tá super claro o que ele pode, o que ele não pode, e os dados estão protegidos principalmente. Tem até alguns modelos que a gente pode colocar dado secreto, porque essa plataforma tá protegida.

[00:26:02.26] – Filipe Xavier

Já fica totalmente fechado para você.

[00:26:03.20] – Djalma Brighenti

E custos também.

[00:26:05.08] – Filipe Xavier

Sim, não explode todos os custos.

[00:26:06.11] – Djalma Brighenti

Não explode o custo, só quem tá olhando. E com isso está evoluindo a forma como a gente vai controlar. A gente ainda não criou budget de tokens ainda, mas eu não duvido que daqui a pouco a gente comece a criar, porque a gente pode começar a fazer tanto agente que ele custa mais caro que as pessoas que estavam fazendo o trabalho, se você não fizer bem feito, que é outro desafio de equacionar.

[00:26:27.26] – Filipe Xavier

Boa! Vamos para extra, vamos ver o que você tem aí.

[00:26:30.29] – Fred Pericini

Eu achei esse tema muito inteligente. A governança de AI é um assunto novo, a gente não tinha tinha isso na mesa. E quando a gente fala em adoção, nossos olhos brilham na geração de eficiência, na geração de valor, mas também tem a adoção responsável corporativa, sem dúvida, de garantir a governança. E um dos itens da governança que eu não tô sabendo gerenciar, e eu quero ouvir você, é o custo. Como que vocês resolveram isso, ou como vocês estão pensando na gestão de adoção de AI em relação aos custos?

[00:27:11.27] – Djalma Brighenti

Acho que a gente não resolveu ainda. Eu entendo que nesse caso, né, a plataforma que a gente tem cai no caso do que é o time global, que não faz sentido a gente ter alguma coisa local. Eles estão super preocupados e tem guard-rails na quantidade de uso, o quanto você consegue colocar de contexto para não estourar. Então, de alguma forma, eles estão controlando. Nas coisas que a gente tá começando a fazer aqui, a gente tá, nós estamos buscando medir e tentar custear o agente que a gente está criando. Então, esse do veículo tweet que eu comentei, por exemplo, a gente metrifica. Então, a gente acompanha, tem um dashboard falando quantos tweets foram gerados, etc., e quanto está custando, para a gente ficar de olho e ver se isso não dispara. Mas eu acho que é, acho não, com certeza é algo em evolução e aprendizado ainda, com muito olho, com cuidado.

[00:28:02.23] – Fred Pericini

Com certeza, né? Eu tenho uma agência, é um negócio muito menor que a Ford. Mas já é um ponto, porque a gente assina Anthropic Cloud, uso em massa lá, e foi do zero ao 100 em poucos segundos. E assim, ah, tem budget para isso? Cara, quando a gente planejou o budget, não tinha esse assunto, não, né? E Onde nós estamos ancorando é substituição de custo.

[00:28:39.23] – Djalma Brighenti

É, e aí tem que olhar com muito carinho se a substituição não está aumentando o teu custo.

[00:28:44.04] – Fred Pericini

Sim, sim.

[00:28:45.06] – Filipe Xavier

Que é o que você mencionou agora.

[00:28:47.07] – Djalma Brighenti

Eu já vi um estudo falando também do desenvolvimento de software, onde talvez de $1 de gasto com AI, $0,20 foi gerando um código bom, os outros $0,80 foi idas e voltas no token que você estava escrevendo, depois validando, revisando, o código.

[00:29:06.22] – Filipe Xavier

Então, sei lá, você tem um desperdício aí já também.

[00:29:10.25] – Djalma Brighenti

Isso é muito novo, é muito novo. E na substituição, eu acho que ainda vai levar um tempo para não cair nessas armadilhas.

[00:29:19.20] – Fred Pericini

Sim. E a substituição de custo do nosso lado tá muito no olhar de corte de custos e SaaS tradicional para poder usar o que a gente tem desenvolvido de tecnologia proprietária com AI.

[00:29:35.18] – Djalma Brighenti

Eu não tinha pensado por aí.

[00:29:37.13] – Fred Pericini

E aí eu consigo ter uma maneira de pensar para não aumentar custos. Então, olha o raciocínio que a gente bolou. Cara, você está bem se a gente entregar o resultado planejado? Não, eu estou bem, estou feliz. Afinal de contas, nós planejamos. Então tá, agora você me dá a liberdade, já que a gente adora AI, de propor um outro jeito de gastar esse dinheiro. Se eu economizar aqui, em vez de usar esse CRM, eu desenvolvo um, você faz seu buy with code, um próprio que tem a sua cara aí. Pode ser. E aí a gente tá buscando manter pari passu sem economizar. A gente acredita tanto em AI que a gente também não quer economizar, não quero gerar eficiência agora, porque eu acho que os produtos que a gente tá desenvolvendo a gente vai gerar muito mais mais eficiência no futuro.

[00:30:31.25] – Djalma Brighenti

E olha como é que fica isso a longo prazo, médio e longo prazo, que é o desafio, né?

[00:30:35.10] – Fred Pericini

É, porque o SaaS ele tem um custo mensal também, né? Mas aí tem um, por enquanto tá tendo um custo até de empolgação, que quando você tá ali fazendo a coisa você quer mais e mais, e o negócio te para e fala, não, agora você tem que esperar até o dia tal.

[00:30:55.28] – Djalma Brighenti

Você já entregou o resultado, né? Você tá, o que você tá criando agora mais realmente vai melhorar o resultado? Ou você tá começando a fazer coisas que não são necessárias?

[00:31:04.01] – Fred Pericini

Por estar tão disponível, né?

[00:31:05.22] – Djalma Brighenti

Porque dá para fazer e é fácil de fazer.

[00:31:07.29] – Fred Pericini

Aliás, eu li uma frase que eu achei fantástica: nunca foi tão fácil criar um produto inútil.

[00:31:15.22] – Djalma Brighenti

Excelente, excelente. A gente falava um pouco da escassez, né? Aqui você tira essa barreira da escassez e você pode produzir algo que ninguém precisa, que não precisa, com muita velocidade e muito rápido, muita divulgação.

[00:31:30.08] – Filipe Xavier

E olha, eu vou dizer…

[00:31:31.25] – Fred Pericini

A user interface Airbnb.

[00:31:35.22] – Djalma Brighenti

E gerou valor?

[00:31:37.10] – Filipe Xavier

Nada. Vamos aproveitar essa conversa de vocês e extrair um insight que a gente ainda não trouxe aqui no AI First Cast, que é o planejamento então do custo para AI, certo? De uma maneira diferente de tudo que a gente viu até agora, beleza? Então guarda aí, galera. Eu vou usar um pouco aqui da pergunta extra do Fred e eu vou te fazer uma extra também, Djalma. E aí você pode me devolver e falar, não, que você tá falando não faz sentido, talvez a minha lição de casa aqui não foi tão boa. Mas eu percebo hoje um público jovem, né, categoria ali 14, 18 anos, que seriam entrantes no mercado seu com um desejo muito diferente do que era o meu desejo, né, da minha geração. Carro era um sonho. Hoje em dia esse sonho ele existe em um volume menor. Tá? Essa é a minha leitura do teu mercado. Minha provocação é: se você pudesse ganhar uma solução, não sei qual é, tá, mas com inteligência artificial generativa, que fosse aumentar o desejo de pessoas jovens num carro, ou uma solução que te fizesse crescer em mercado no seu público já existente, qual você escolheria e por quê?

[00:32:54.05] – Djalma Brighenti

Difícil essa, por isso que eu guardei para o final. É excelente, excelente. Vou responder sem pensar muito, pela intuição. Eu acho que eu iria pelo público jovem, porque é o futuro. O público atual, acho que já existe uma briga enorme dentro do público atual, e o público atual vai deixar de ser atual com o tempo. Então, se eu olhar com longo prazo, teremos que buscar soluções que a gente fizesse os jovens gostar dos nossos produtos ou criar produtos que sejam, que atendam, que de repente não são só os produtos, são formas de uso do produto que são diferentes, mas que tragam esse público jovem para o desafio da mobilidade com a gente.

[00:33:34.07] – Filipe Xavier

Boa, boa, gostei, gostei. E aí, Fredão?

[00:33:37.22] – Fred Pericini

Eu quero agradecer, foi um papo muito interessante, muito obrigado, deu uma dimensão muito clara para nós da diferença de adoção numa empresa menor versus uma Ford, né? E também essas fronteiras entre o local e global traz uma perspectiva nova.

[00:34:01.02] – Filipe Xavier

Olha, Djalma, obrigado. Eu tenho quase certeza absoluta que hoje eu vou sonhar com o que o Henry Ford ia estar fazendo com inteligência artificial. Eu tenho quase certeza que esse vai ser o meu sonho dessa noite. Eu conto depois, mas de verdade obrigado. Esse nosso episódio é mais um episódio oferecido por SoftBank, que é o nosso parceiro dessa temporada, o banco de investimento que mais investe em inteligência artificial da América Latina. E foi um aprendizado para mim de diversas coisas. Obrigado pela generosidade, por aceitar aí conversar um pouquinho com a gente, responder essas provocações, perguntas extras e tudo mais.

[00:34:36.09] – Djalma Brighenti

Obrigado a vocês pelo convite e a oportunidade de contar um pouquinho, né, a Ford e como a Ford está ligando com a tecnologia, não só no produto, né, mas na experiência do É isso aí, vamos acelerando por aí, né? É isso aí, muito obrigado, tchau tchau!

APRESENTADORES

Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini

Fred Pericini

Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier

Filipe Xavier

Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.