
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 11
Sustentabilidade, IA e o Futuro das Organizações
Um papo direto sobre como uma das maiores petroquímicas do mundo está aplicando inteligência artificial em diferentes frentes do negócio.

CONVIDADO
Ana Laura Oliveira
Braskem
Transcrição do episódio
Olá, bem-vindo a mais um episódio do AI First Cast. Eu sou Fred Pericini, sócio fundador da agência F2F e gaspers.ai. Estou muito feliz por estar retornando a gravar, faz 40 dias por aí que a gente não grava. Eu estava morrendo de saudades. Meu co-host, parceiro, Fi Xavier, bem-vindo!
Valeu, Fredão! Vamos para mais um. Também tava no mesmo ansejo de voltar a gravar e ouvir coisas boas sobre inteligência artificial. E esse episódio, ele é muito especial para mim.
Você sempre fala isso.
Não, não, não, mas aqui esse tem um contexto melhor, porque uma coisa muito bacana disso que a gente tá fazendo é que a gente traz pessoas que a gente admira para conversar. E essa conversa é com uma pessoa que eu admiro profundamente. Tive a felicidade de trabalhar com ela na empresa que ela ainda atua. Então essa conversa aqui vai ser bem especial. E sem mais delongas, conta para a gente quem é a Ana Laura que está aqui.
Olá, Fred, Felipe, tudo bem? Primeiro, obrigada pelo convite. Para mim também é um prazer enorme estar com vocês. Bom, eu sou Ana Laura Sivieri, sou mineira, Moro em São Paulo já há 30 anos, mas vim para São Paulo depois de formada e aí me especializei em marketing e trabalho com marketing e comunicação desde que cheguei aqui. E hoje eu estou responsável na Braskem pelo marketing corporativo global, então todas as atividades de marketing e comunicação corporativa.
Muito bom.
Conta para a gente o que é a Braskem para que todos que estão nos ouvindo tenham a dimensão da da Braskem e de como será nosso papo.
A Braskem é uma empresa petroquímica, ela produz insumos básicos químicos e resinas plásticas, termoplásticas. É o maior produtor de resina das Américas e o maior produtor de biopolímeros do mundo, que é o plástico verde feito de cana-de-açúcar. A Braskem tem 40 fábricas espalhadas pelo mundo, 29 no Brasil, 4 no México, 5 nos Estados Unidos e 2 na Alemanha. E escritórios também, além desses países, a gente tem escritório em Singapura, Colômbia, Mercosul, Argentina, e a gente vende para, exporta para mais de 100 países esse produto. Então é grandinha, uma empresa robusta.
Sim, um orgulho do Brasil inclusive, né? Agora, Ana, empresa global com um produto com forte apelo de sustentabilidade, uma jornada genial de crescimento, por assim dizer, e eu tenho propriedade para falar porque eu conheci muito bem. Onde a inteligência artificial está inserida nesse contexto hoje?
Praticamente em tudo, Felipe. Então a gente tem até a jornada da inteligência artificial dentro da Braskem, ela vai desde forecast de demanda, né? Então olhar para frente quais as demandas que vão acontecer, otimização de compra de matéria-prima, né? A nossa matéria-prima matéria-prima é gás, seja nafta ou gás natural ou etanol para fazer o plástico verde. Então, como que a gente usa para melhor compra? Porque matéria-prima você pode trazer de outros países, outros lugares, e tem modal de transporte. Então, aonde a gente compra a melhor matéria-prima e qual a melhor maneira de transportá-la? Dentro do processo de produção, eficiência energética, por exemplo, a gente tem um programa de AI específico para inteligência, para Otimização energética em todas as fábricas do Brasil e agora a gente está começando a levar para outros lugares, mas no Brasil faz mais sentido essa otimização de energia. Então, a gente ainda, o comando final ainda é do ser humano, mas todo o raciocínio de otimização energética já é feito pela AI e daqui uns dias vai ser também até a decisão final. Processo de produção, como é que você otimiza? Porque assim, na planta você tem que fazer a projeção de produção dos mais diversos grades dos produtos.
Então, como é que eu faço uma sequência de grades que a planta performe melhor? Qual é a programação de produção que eu faço com todo dado que é imputado nela para que eu tenha melhor performance operacional? E aí, a gente tem uma plataforma para os clientes, de relacionamento com os clientes, Então, como é que eu coloco inteligência artificial nessa plataforma? Desde um email para otimização de comunicação com o cliente, para o cliente não receber muitos emails. Então, como é que eu compilo o número de dados que eu tenho que passar para ele no melhor formato? Até todo o relacionamento que ele já teve com a empresa. E além de outros processos aí no meio, né, específicos, a gente tem também de logística. Então, qual é o melhor modal logístico para aquele cliente versus custo, prazo, volume? Isso em todo esse sistema. Então, desde o… Estimativa de demanda até entrega, a gente tem utilizado inteligência artificial projeto a projeto, né, um por um.
Eu ouvi aqui você dizendo sobre várias etapas do processo, desde produtivo, compras. Como está organizada a AI na estrutura organizacional da Braskem?
Ela não tem um dono sozinho, né, ela tem, existe um estímulo para todas as áreas para olharem para isso. Então, por exemplo, a minha área de marketing, eu tenho uma pessoa que olha para dados. Então, essa pessoa ajuda usando inteligência artificial como otimizar as compras de mídia, como otimizar performance, como otimizar monitoramento das redes sociais com todos os inputs que a gente tem de respostas nas redes sociais, como é que a gente gera respostas mais rápidas e mais alinhadas para os mais diversos perfis. Para a área de conteúdo, que gera conteúdo, então, como é que cria conteúdo, imagem, isso dentro da minha estrutura. Existe uma área de digital, na verdade até existia, agora ela foi disseminada, porque ela precisou existir durante um tempo para impulsionar. E essa área de digital, junto com a área de TI e com a área de inovação, são os três, vamos dizer, as três áreas mais propulsoras da inteligência artificial, são as mais que utilizam e que geram soluções para toda essa cadeia que eu comentei, Principalmente nos processos de produção até chegar nos clientes.
Eu vou até pegar carona nisso que você falou, Ana. Inovação é um pilar bem forte para vocês. Eu imagino que ele esteja bem conectado com sustentabilidade também. Como é que vocês olham para inovação e sustentabilidade pensando em inteligência artificial? Já dá para dizer que isso faz parte do pipeline futuro na maior quantidade? Como tá?
Já é uma realidade, assim. Excelente ponto. A inovação, para você ter uma ideia, a área de desenvolvimento sustentável está ligada hoje à inovação. Ela era ligada à área corporativa e há alguns anos ela foi para a área de inovação, por entender que toda inovação tem que ser sustentável. Então, o drive de inovação da Braskem é a sustentabilidade. E o principal drive hoje são os biopolímeros. Então, a Braskem já é líder global em biopolímeros, a gente produz o plástico verde de cana-de-açúcar há 15 anos, Então, a gente é a mais longeva produtora e todos os esforços de inovação, todos os investimentos estão para biopolímeros. Então, a gente tem laboratórios aqui no Brasil, tem um em Campinas, tem lá no Rio Grande do Sul, onde a gente faz plástico verde. O ano passado, a gente inaugurou um laboratório novo, super tecnológico, em Boston, para estar perto das universidades, das grandes universidades. Associação com inteligência artificial é constante e crescendo muito, muito fortemente. Quando eu vi a Amy Webb falando, ela já falou o ano passado na SDSW e esse ano de novo, do Super Psychotech, que ela acredita que o que vai mover os grandes movimentos de tecnologia é a associação de 3 tecnologias que são inteligência artificial, biopolímeros e internet das coisas ou conectividade das coisas.
Então eu falo, pô, a gente está bem aliado com esse ciclo. A gente acredita fortemente que o futuro da petroquímica são os materiais de fonte bio e a nossa estratégia está toda direcionada para isso e a inteligência artificial usada em longa escala nessas pesquisas.
Como? Conta um pouco do uso.
Você vai entrar numa área técnica que eu não vou saber responder, Fred, porque assim, imagina que você está pesquisando materiais, quando eu falo materiais bio, vai desde a cana-de-açúcar ou qualquer coisa que cresce na natureza até algas, Até tudo que pode gerar gás, qualquer material bio que pode dele se transformar em algum tipo de gás, porque gás é matéria-prima para fazer. E aí você cruza com a inteligência artificial para fazer essas associações. Aí você entra numa base muito técnica, muito química, que eu não vou conseguir te dar essa granularidade, mas é basicamente isso, é usar a tecnologia da inteligência artificial associada a esses estudos de fonte bio que podem transformar em gás.
E você mencionou que o laboratório novo está em Boston, nos Estados Unidos. Como é o nível de maturidade dos mercados globais em relação à inteligência artificial? Você percebe diferença?
Difícil te dizer assim, Felipe, eu não tenho tanto esse conhecimento de mercado por mercado, né? A gente vê muito forte nos Estados Unidos isso e não é porque a gente estudou aonde esse laboratório poderia ficar e poderia ficar na Europa, poderia ficar em outro lugar. A gente acabou escolhendo Boston pela rede de conexão que a gente tem com as universidades daquela localidade. Então, ali você tem o MIT, Harvard, tem várias outras.
Um bom celeiro ali.
É, um bom celeiro. E eu sei que foram estudados outros dois lugares, eu não vou me lembrar agora, eu lembro que um era na Europa, que era exatamente para estar perto das pessoas no final do dia, de quem são os cientistas, quem são as grandes cabeças que estão analisando isso. E ali com certeza é um safe place, né? Ali é um lugar seguro para você desenvolver e com a relação que a Braskem já tinha com academia daquela região. Então, por isso que foi lá. Mas eu não sei te dizer assim no mundo quem está mais avançado, não. A minha sensação, pelo que eu tenho visto onde eu vou, depende do segmento. Acho que tem segmentos que estão mais avançados. China com certeza está extremamente, né? Ásia como um todo, mas a China extremamente avançada em várias frentes. E aí, dependendo da região do mundo, tem frentes um pouco mais desenvolvidas do que outras usando inteligência artificial.
Uma grande executiva, CMO de uma empresa global, como que você, pessoa física, adotou inteligência artificial?
Ah, eu me divirto com ela. A gente estava batendo um papo aqui antes de começar. Eu uso bastante para o trabalho, eu uso muito para refinamento de texto, Então quando eu escrevo um texto ou um artigo, eu coloco lá e falo, olha, para essa finalidade e tal, o que mais eu deveria ter? O que eu deveria mudar? Ou para fazer uma frase de efeito baseado nisso, quais perguntas você faria relacionadas a esse texto? Então para o trabalho eu uso bastante, eu quase não uso para imagem, engraçado, geração de imagem que eu acabo pedindo para minha equipe fazer, mas para texto eu uso bastante. E aí mais, pessoal, roteiro de viagem. Eu não consigo mais viajar um final de semana se perguntar. Outro dia até testei, eu tô planejando uma viagem para um lugar que eu nunca fui, pedi um roteiro, né, expliquei data, tudo e tal, veio um roteiro. E tem uma pessoa que é desse país, que mora lá e mora aqui no Brasil e tal, que é de lá e mora aqui, super uma graça de pessoa. Pedi para ela também, falei, me ajuda, eu quero ir, se ela mandou. Roteiros são super parecidos.
Lógico que ela me deu sugestões mais de, ah, um restaurante legal, né, dicasinhas de quem é local, mas o roteiro da inteligência artificial com o dela era muito parecido. Então você vê o quão refinado tá. Desde receita de comida, tradução rápida, como na Braskem a gente trabalha com várias línguas, inglês, espanhol e alemão. Então muitas vezes eu peço para traduções rápidas. Eu uso para absolutamente tudo. Hoje, esse final de semana, eu fui no festival de música lá do Parque do Ibirapuera, no C6. Eu falei, nossa, como que é o lineup? Vai na inteligência artificial, tudo é muito mais fácil pesquisar lá. Para mim virou meio assim, eu não uso mais o Google. Eu uso para qualquer pesquisa que eu vou fazer, eu uso a inteligência artificial, o que é bom porque alimenta ela entender quais são os seus interesses. Então, quanto mais você educar sua inteligência artificial, te ajuda muito. Então pare de pesquisar em outros lugares e pesquisa tudo lá, desde uma bobeira, pode ser a tradução de uma palavra até a criação de um roteiro, de um texto, do que for. Quanto mais você usar, mais ela vai te entender, mais ela vai te entregar.
Uma resposta melhor. E aprimorar os prompts, né? Você saber não ficar com prompts tão básicos, porque também ela começa a te achar meio burrinha. Então assim, quanto mais elaborado o seu prompt, mais qualificado vem a resposta dela. Então às vezes no dia a dia eu tô usando coisas tão básicas, falei, ela deve estar me achando meio simples demais, deixa eu dar uma elaborada para ajudar a trazer o que é o potencial máximo dela e não ficar numa resposta tão superficial.
Esse é um insight que a gente gosta muito, né, de como você tem que se aprimorar no uso da inteligência artificial e o que você pergunta é o que faz a diferença. E o Fred mencionou de você, e quando a gente pensa na Braskem, como tá a jornada de entendimento dos colaboradores em relação à inteligência artificial? Como é que vocês enxergam isso e estimulam?
Foi muito engraçado porque logo que começou o ChatGPT, há 2 anos, A Brastim levou um susto, falou, peraí, não vamos liberar por enquanto, pelo medo dos prompts que iam ser feitos, da quantidade de informação que iria sair. Então, no primeiro momento, a gente bloqueou o uso e teve um movimento da empresa assim, como assim? Uma empresa de inovação, uma empresa de tecnologia, uma empresa que olha para o futuro, que a gente trabalha inovação na veia, como é que vocês estão bloqueando isso? Aí a área de TI falou, calma, é só até o tempo da gente ter segurança. E aí se estudou alguns caminhos de ter um servidor separado e tal. O principal fornecedor nosso é a Microsoft. E aí a gente conseguiu com a Microsoft fazer o Copilot, a ferramenta oficial da empresa. E o Copilot, ele não joga na inteligência artificial os prompts. Ele só, é só porta de entrada, não tem porta de saída. Então a gente conseguiu bloquear com a Microsoft, né, sem saída de nenhum prompt. E foi assim que a gente conseguiu. Aí a gente liberou para 100% da empresa. Mas o uso do Copalho. Então, quando você abre o seu Não É Com o Pecador, o Copalho já está ali aberto do lado.
E aí todo mundo usa. E ele tem refinado muito bem, assim, ele tem vindo cada vez melhor dentro de uma linguagem Braskem, dentro do que a gente pesquisa. Então foi a maneira da gente abrir para todo mundo, né? Aí você tem projetos específicos por área, como eu comentei. Então, área de manutenção. E aí se desenvolve projetos, por exemplo, aquele de energia, né? De otimização de energia tem um nome o projeto, tem um direcionamento. Essa plataforma é do cliente. Tem um nome a plataforma, tem todo um trabalho feito. Aí não é através do Copilot, aí são projetos mais profundos de inteligência artificial. Mas a porta para 100% dos colaboradores é o Copilot, com essa barreira de não saída.
A gente percebe que a Braskem está fazendo uma transformação com o IA, né? Quando eu vou ver toda essa amplitude de utilização e diversificação. E pegando uma carona na pergunta do Felipe sobre as pessoas, como é isso dentro da Braskem? Você disse que estimula-se muito a utilização. E existe, você percebe barreiras, pessoas?
Eu percebo pessoas mais interessadas e menos interessadas. Não é uma meta, não é assim que você tem que usar, você tem a meta para, não é isso.
Sim.
As pessoas que têm interesse, que veem a facilidade no seu trabalho, têm ali a ferramenta à disposição a ser usada. Não existe uma campanha de estímulo, tipo, use inteligência artificial, não. Existem muitas pessoas, como tudo na vida, tem pessoas que se jogam mais e pessoas são mais conservadoras. O que eu sinto é, à medida que eles vão vendo o resultado do que o colega está fazendo, o resultado de algum projeto que ele vem trabalhando, isso estimula e aumenta. O quanto tempo ele ganha no seu dia a dia ajudando, fazendo com que a inteligência, por exemplo, para fazer ata de reunião, E tem a questão da segurança. Mas quando você conecta ali uma inteligência artificial, um Otter, alguma coisa que faça a ata da reunião, que já faz o mapa mental daquela reunião, você otimiza um tempo incrível. Então, usando a questão da barreira de segurança, ao aprender a utilizar, é um caminho sem volta. Ninguém fala, ah, não estou usando mais porque eu não gostei. Ao contrário, estou usando cada vez mais porque otimizou muito o meu tempo e o processo.
E você mencionou sua viagem recente. Qual foi o tema que mais te chamou atenção no SW desse ano e por quê?
Eu vou ao SX há bastante tempo, então você vai acompanhando, né, a evolução dos temas ali. Antes da pandemia se falava pouquíssimo inteligência artificial, falava muito tecnologia, falava de metaverso, que hoje não existe mais, né? Ninguém fala de metaverso, morreu, ninguém fala. E aí há 2 anos o ChatGPT foi lançado 3 meses antes do SX. Então tava aquele auê, colocaram o presidente do ChatGPT no palco para falar o quê? Não falou nada, porque com 3 meses de lançamento o cara tinha policy para não falar, né? Não respondeu praticamente pergunta nenhuma. A entrevistadora foi melhor do que ele. No ano seguinte também. E aí agora, logo, obviamente sempre tem ali o viés humano, já tem muito tempo que o SX vem trabalhando também não só o lado tecnológico da inovação, mas o lado pessoas. O que eu venho sentindo nesses últimos 3 anos é que vinha para como utilizar a inteligência artificial, depois como a inteligência artificial vai impactar na sua vida, no seu trabalho, no seu dia a dia, e esse ano foi muito forte a questão de socialização das pessoas. Então, a palestra de abertura foi sobre as 3 saúdes que movem as pessoas.
Então, a saúde física, a saúde mental e a saúde social, que é um tema que não é tão falado ainda. Por que essa preocupação? Pelo isolamento que as pessoas estão tendo por conta da tecnologia. E não só inteligência artificial, tecnologia como um todo, né? A tecnologia tem tomado um papel na vida das pessoas tão forte e tão confortável. É isso, eu vou fazer um texto, em vez de sentar com um colega meu e discutir, porque o que você fazia? Você escrevia, você mostrava, falava, o que você acha desse texto? Você joga na inteligência artificial, então você não tem muita troca com outra pessoa até sobre o seu trabalho. E você jogando isso numa escala maior, por quê? Porque a inteligência artificial te responde com qualidade, rápido, e ela só te julga se você pedir para ela julgar, né? Ela, ela é programada para te agradar.
Se você pedir para ela ser simpática, ela será simpática, né?
Se ela ser ácida, ela vai ser ácida. E isso tem causado, se nós como adultos, a gente estava conversando aqui, a gente tem uma tendência a ir para o digital porque é mais confortável, você imagina para os jovens. Então, o que foi debatido muito, e aí foi em várias palestras, então o próprio Scott Galloway, que é um grande key speaker de lá, ele falou muito assim, jovens, saiam de suas casas. Ele falou, bebam, se relacionem, vivam, não fiquem, existe o mundo relacional. A tecnologia é maravilhosa, vai te ajudar muito, mas Viva a vida de verdade, né? Então, uma das palestras, por exemplo, a Esther Perel trouxe, que é inteligente, que a tecnologia, o algoritmo, ele te entrega só dopamina, só prazer. Então, ele entende o que você gosta, o seu interesse, e ele te entrega. Então, você vê uma coisa legal, você vê outra legal também. Nossa, isso me interessa, isso também me interessa. Você vai ficando ali, né? Ela não te desafia. As relações humanas são feitas de atrito. Ninguém no mundo agrada ninguém 100% do tempo todo. Pai, mãe, filho, amigo, namorado, esposa, marido, qualquer pessoa você tem atrito. E aí quando você começa a ter atrito na relação humana, tem hora que você fala assim, ai, peraí, preciso relaxar um pouco.
Você pega porque ele é dopamina. Isso é um perigo, porque na verdade o mundo é feito de relações humanas, né? Então ela trouxe um termo que eu gostei muito, ela falou menos touchscreen e mais touch skin, né? Mais contato entre pessoas e menos o contato virtual. E isso é o grande tema da saúde social, que a gente precisa falar sobre isso. Tem escola já falando sobre isso. Então, usar a tecnologia a nosso favor e não contra a gente, não contra a humanidade. Quando a gente fala de aí, todo mundo fala, ah, mas aí os agentes de inteligência artificial, ah, mas os agentes vão resolver tudo. Mas alguém programou o agente. Você então assim, qual vai ser o papel do marketing nisso? O papel do marketing, todo storytelling, todo que a gente vai trabalhar com a pessoa, do que a gente já trabalha, É o lado emoção. Então, como é que eu faço aquela pessoa ter um desejo sobre um determinado produto, serviço e tal? A partir do momento que ela tem um desejo do que ela quer, aí ela vai programar o agente dela. Então, para mim, o futuro do marketing vai ser dividido em dois: um é o storytelling, que gera desejo no consumidor, e o outro é a programação e a linguagem que você vai chegar nos agentes.
Então, como é que eu vou fazer com que O agente, ao procurar aquele determinado produto que eu despertei o desejo no dono do agente, o agente vai achar o meu produto mais fácil. Então hoje a gente trabalha focado só na pessoa, né? Desejar, despertar o desejo de compra daquela pessoa. Mas a gente não trabalha tanto para que o agente entregue o melhor produto para ela. Então para mim o futuro, o marketing vai ter dividido em dois. O que é emoção, o que é programação.
E o futuro do marketing tem pessoas?
Tem. Eu acho que sempre vai ter pessoas. Essa ideia de que a inteligência artificial vai ser só robô— e a humanidade viveu assim, né? Então, Revolução Industrial, máquinas, nossa, ninguém mais vai poder trabalhar. Não, internet, acabou todo mundo e tal. Não é assim, sempre vão ter pessoas. Só que o jeito de trabalhar vai ser diferente. Quantas pessoas você tinha numa fábrica? Quantas pessoas você tem hoje? Mas quantas pessoas estão ali na parte de programação, desenvolvimento, capacitação, trabalhando com inteligência artificial? Então, a maneira do trabalho vai ser diferente, mas sempre vão ter pessoas. E quanto melhor hoje os prompts e a tecnologia, melhor a performance dessas pessoas. E a gente tem uma outra tecnologia que vai demorar um pouco mais para chegar pela complexidade com ela, mas que daí eu acho que vai ser game changer total, que são os computadores quânticos. Eles têm uma dificuldade ainda por conta de como eles processam, eles precisam estar muito refrigerados e tal, mas eles têm uma capacidade de mudar realmente a maneira que as pessoas vão se relacionar, desde quebra de criptografia, que vai ter que mudar todo o racional de como é hoje, e para resolver questões que a humanidade precisa fortemente.
Hoje a gente tem questões muito difíceis que a gente não resolve e que eu acredito muito que o computador quântico e a inteligência artificial vão conseguir resolver.
E para você que está nos ouvindo ou nos escutando, vale uma lição de casa nesse tema. Primeira entrevistada que menciona a computação quântica. Ana, eu vou um pouquinho a fundo no que você falou, esse despertar da consciência, de como a gente faz o Menos touchscreen e mais touch skin. Como é que você transporta isso para o seu time? Qual vai ser a responsabilidade de você como uma líder olhar e falar, gente, o uso responsável vai exigir determinados comportamentos nossos? Como é que é para você como líder isso?
Sabe o que é interessante? Uma coisa, uma outra coisa que eu vi no SX também, que teve um tema muito legal, que é trabalhar a incerteza. A incerteza é uma coisa que você foge dela, né? Quando se fala de incerteza dá medo, dá vulnerabilidade e tal. Você trazer para mesa a incerteza é assim: e se acontecer alguma coisa? Então, quando as pessoas vêm com muito dado, com muita informação, então sim, use inteligência artificial, use toda a tecnologia, mas não esqueça que existe o fator humano, o fator emocional. Então, sempre você ter essa provocação da incerteza: e se fosse diferente? Se a gente olhasse por um outro ângulo? E se a gente não fosse por esse caminho que tá todo mundo indo? Porque lembre, Que a inteligência artificial nada mais é do que o resumo de tudo que foi disponibilizado para ela. Só que nem tudo que existe no mundo já foi disponibilizado para a inteligência artificial. Ela ainda é muito elitizada. Quantos países no mundo que são bem mais subdesenvolvidos não têm nada ali dentro? Então, quando você pede, você faz um prompt de uma imagem, um dos exemplos que a gente viu agora também, o CEO de uma grande empresa e tal, vem um homem de terno e gravata, ainda um homem branco, de terno e gravata.
E aí a Amy Webb, ela fez uma provocação: um CEO e tal de uma empresa de absorvente íntimo. Veio um homem com imagem de absorvente íntimo atrás. Nem assim veio uma mulher. Por quê? Porque na maioria do input da inteligência artificial, CEO são homens de uma faixa etária X, que tem o cabelo um pouquinho grisalho e tal, é aquele perfil. Ainda ela tem um bias muito grande, inteligência artificial tem um bias, então tem que tomar muito cuidado também, ela não é a verdade absoluta, o que sai ali não representa 100% do que a humanidade pensa naquele assunto ou de todas as informações que tem naquele assunto, por isso que eu acho que sempre vai ter o fator humano como o analista crítico daquilo que saiu como resultado.
Não é pegar e pôr no ar, né? Tem o quality, tem o seu pensamento crítico em cima do output que da inteligência dela.
Ela facilita muito e ela cria conexões que às vezes você realmente não pensou e cada vez vai criar mais, mas a criticidade se aquilo tem a ver realmente com o seu produto, com o seu serviço, com a sua empresa é sua, a responsabilidade é sua. Como eu sempre digo, né, uma agência pode criar uma campanha incrível, a visão da agência, você é dono do produto, então por mais, por que você contrata agência? Porque eles têm um potencial de inovação e de criatividade que você não tem dentro da da empresa. Mas na hora que ele chega com uma campanha que é super criativa, mas não entrega o produto, a responsabilidade é sua de aprovar aquilo, né? De aprovar ou não. Então sempre que eu vejo uma campanha estranha, eu falo assim: não é a agência que criou, quem aprovou? Quem briefou e aprovou? Porque o responsável é quem briefa e quem aprova. Porque a agência é paga para criar para além do que você tem capacidade de criar internamente, mas é você que refina, você que é o dono da marca. Mesma coisa que a inteligência artificial. Então você faz um prompt, ela pode ir lá longe e trazer coisas enormes, mas O detentor, o responsável por aquela marca, por aquela empresa é você.
Então quem faz o refinamento final e vê que faz sentido mesmo ou não é sempre o fator humano.
Muito bom. Não, bom demais.
Excelente insight.
Qual é a fonte que você bebe para se aprimorar em inteligência artificial, Ana? Onde você vai buscar conhecimento?
Então, eu nunca fiz um curso específico de inteligência artificial. São muito nessas trocas, acho que acaba sendo um lugar O Rio Innovation Week, que vai ter agora em agosto, é super legal também para isso. Eu faço parte de alguns grupos, eu sou conselheira em algumas entidades, faço parte de alguns grupos de debate, vira e mexe o tema inteligência artificial vem à tona. E eu já li alguns livros, mas poucos, sei lá, 8, 9 livros sobre inteligência artificial, não são muitos. Então é na troca do dia a dia, eu nunca fiz um curso específico para isso.
Learn by doing.
É, é na troca do dia a dia, dentro da Braskem, como esse tema é bem aquecido lá, eu acabo trocando bastante com as pessoas lá dentro. Então é sob demanda mesmo, é no dia a dia. Tô longe de ser uma estudiosa profunda da inteligência artificial.
Muito bom. Eu queria finalizar com uma pergunta sobre uma dica. A gente tem vários executivos que assistem a gente, e aí eu gostaria que você deixasse alguma dica. Se é um executivo que tá começando, a sua jornada na inteligência artificial, por onde começar?
Pela curiosidade. Acho que o fator da inteligência artificial hoje é muito a curiosidade, né? Quando você enquanto pessoa física, como executiva. Então brinque com inteligência artificial, faça isso. Pense que tudo que você for pesquisar em algum lugar, seja no Google, no TikTok e tal, pesquisa na sua inteligência artificial para você ir educando ela e trazendo. Ontem até, por exemplo, eu tava indo para o aeroporto e queria saber qual era o melhor portão de entrada. Eu perguntei para ela e ela me deu o portão certo, qual o melhor portão de entrada para estar mais perto do palco tal. Então, pequenas coisas do dia a dia, tudo que você usava qualquer outra fonte, coloque lá, porque ela vai entender que você no domingo à noite foi assistir tal show em tal lugar e ela já traça um perfil de quem é você. Então, qualquer input que você colocar lá, e no trabalho é a mesma coisa, né? Se você coloca atas de reuniões, se você coloca e pede um resumo, se você escreve um texto e pede resumo, faça perguntas para mim sobre esse texto para se preparar para ir uma entrevista. Tudo isso alimenta. E depois você pode fazer a brincadeira de fazer a pergunta para ela, né?
Aquela pergunta que eu comentei com vocês, que tem uma brincadeira que eu fiz essa semana, que você pergunta para inteligência artificial: com base em tudo que você sabe sobre mim, me zoe sem piedade, manda ver mesmo. E vem um texto incrível, assim, ela resume você de uma maneira que nenhum outro ser humano que você conhece com acidez e com bom humor que ela faz. E ela traz um perfil seu super interessante. Lógico que isso é uma brincadeira, mas você pode até usar isso assim, baseado em tudo que eu coloquei aqui. Como você me define como profissional? Ou quais são os gaps que o CMO de uma empresa comentou que eu nunca pesquisei e que eu deveria pesquisar? O que está faltando dentro de todo o conhecimento que eu uso no meu dia a dia que outros CMOs usam e eu não uso, né? Ou numa situação específica, olha, tem um objetivo, uma meta, o que que eu deveria fazer e que eu não estou fazendo? Se você alimenta mais, ela vai poder te ajudar.
Muito bom. Quanto mais a gente usa, melhor fica.
E aprendemos hoje, Fred, como uma gigante como a Braskem já tá com inteligência artificial incorporada em todas as suas áreas, todas as suas vertentes. Vislumbrando crescimento a partir de inteligência artificial. E a Ana, super generosa em dividir tudo isso conosco. Muito obrigado.
Um prazer enorme, gente. Bate-papo super gostoso.
Papo delicioso.
Muito bom. Pessoal, deixe o seu like, comentem. A gente lê todos os comentários. Os comentários viram insights para perguntas, muitas vezes até para convidar entrevistados. Muito obrigado e até a próxima.
Tchau, tchau.
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.