
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 10
Redução de custos, produtividade e o futuro das empresas
Mostra que a IA não é sobre tendência, mas sobre resultado.

CONVIDADO
Marcelo Ciasca
Stefanini Brasil
Transcrição do episódio
Olá, bem-vindos ao AI Firstcast. Meu nome é Fred Pericini, sou sócio fundador da agência F2F e gaspers.ai. Estamos para mais um episódio, esse é um episódio de peso, tenho certeza que você vai gostar. Mais uma vez com o co-host parceiro, Fih. Tudo bem, Fih?
Maravilha, Fred, obrigado. Pessoal, aqui nossa ideia é tirar o máximo de insights possível para que todo mundo consiga usar AI e transformar suas rotinas de trabalho. Então, sem mais delongas, vamos lá conhecer um pouco mais o nosso convidado, entender quem é o Marcelo. Conta para gente, Marcelo por Marcelo, o que que você tá fazendo hoje?
É isso aí. Legal, Felipe, Fred, prazer estar com vocês aqui. Bom, eu sou Marcelo Siasca, eu sou CEO da Stefanini Brasil, tenho 24 anos de empresa, comecei em 2001 praticamente numa operação da Stefanini aqui no interior de São Paulo, passei por um período aí entre São Paulo, México, América Latina, fiquei 16 anos nessa operação da América Latina, fui CEO da América Latina e voltei para assumir o Brasil, que o Brasil para nós é uma região importante, é a maior região da empresa, por ser uma empresa de origem brasileira, onde a base está aqui no Brasil. E falando um pouquinho da empresa, a Stefanini é uma empresa global, uma empresa de origem brasileira, mas é uma empresa global, com presença em mais de 41 países, são 36 mil colaboradores distribuídos por esses 40 e poucos países. É uma global tech, uma empresa que usa a tecnologia como forma de solucionar problemas de negócio dos nossos clientes. Nós atuamos em algumas frentes importantes, na verdade são 8 frentes diferentes, através de um grande ecossistema que nós criamos de soluções, empresas. Nós trouxemos para o grupo aí, através de processo de M&A, mais de 40 empresas também que hoje fazem parte do Grupo Stefanini.
E nós atuamos em soluções que ajudam os nossos clientes tanto na parte de marketing, com martech, com todo um trabalho relacionado com CRM, com pesquisa, engajamento de clientes, etc., e o marketing tradicional, também através de algumas agências importantes, soluções de cibersegurança, soluções de indústria de manufatura usando inteligência artificial, IoT, machine learning para solucionar problemas da indústria em geral. Temos uma atuação muito forte também como dados e analytics, uma das torres importantes. Soluções de operações, né, usando atendimento, processos de negócios também para solucionar back office de clientes e a parte de contact center digital, usando a digitalização e também IA para esse tipo de atendimento, e soluções de tecnologia em geral, que é uma das frentes importantes aí, com todos os serviços tradicionais de tecnologia, que é a origem da empresa. Aí veio Aí vem o DNA da companhia, com desenvolvimento de aplicações, com infraestrutura, com toda a parte de digital workplace, infraestrutura híbrida, cloud, tudo que está relacionado com implementação de grandes ERPs e consultoria e sustentação de aplicações. Então essas são as grandes, de uma forma muito macro, as grandes abordagens e atuações da Stefanini, do Grupo Stefanini.
Agora você mencionou, Marcelo, paralelo já o que a gente busca. Inteligência artificial já tá no negócio de vocês, é cross para gente. Como começou essa jornada e onde vocês estão hoje?
Legal. Bom, inteligência artificial é uma coisa que não veio de agora na Stefanini, né? Desde a primeira empresa que a gente, uma das primeiras empresas que a gente adquiriu há uns 15 anos atrás, né, a gente já começou a realizar serviços e projetos usando o IA. Obviamente, a IA mais tradicional que a gente conhece, para solucionar problemas de negócio dos clientes. Então, principalmente na área de indústria, com também digital workplace, com soluções de atendimento. Então, há 15 anos a gente já vem trabalhando com IA, então não é uma coisa nova para nós. Há uns 3 anos mais ou menos, com o advento da IA generativa, de uma forma mais estruturada, A Estefanini encontrou um momento importante, ela se encontrou num momento importante. Então, era uma época onde nós vimos que nós estávamos saindo de um modelo de transformação digital onde a própria empresa vinha se transformando através dessa criação desse grande ecossistema de inovação e de empresas que fazem parte desse grande grupo. E com a IA generativa a gente começou a estruturar, porque para nós naquele momento aí a generativa ela podia ser muito e podia beneficiar muito a empresa, né, ou podia prejudicar muito a empresa se a gente não acompanhasse esse movimento.
E claramente para nós aí a generativa ela traz um movimento, apesar de nós termos passado aí em algumas ocasiões como o advento da internet, com grandes mudanças e disrupções tecnológicas importantes, na nossa opinião essa é uma das mudanças que vai trazer grandes— vai ser muito ágil, vai ser muito rápida, e a gente percebe que isso já está acontecendo. Então, para nós era importante entrar rápido nisso e trazer isso para dentro das nossas soluções. E a generativa, principalmente. Então, nós fizemos um movimento, só para explicar um pouquinho como é que isso foi feito dentro do grupo, né? Naquele momento, nós tínhamos mais ou menos 36 a 38 mil colaboradores, né, distribuídos pelo mundo, e existia uma grande ânsia de todos quererem usar o GPT, usar tudo que estava disponível naquele momento, Isso para nós era importante, mas ao mesmo tempo era um risco de segurança, né? Porque como é que você começa a lançar esse tipo de informação no mercado, na rede, né? Porque isso tudo ia para rede, porque era aberto, né? E não adiantava pagar algumas coisas para ter um ambiente mais fechado sem estruturar. Então nós criamos um grande ambiente seguro, né, da Stefanini, e disponibilizamos para 38 mil colaboradores no mundo inteiro, para que todos pudessem usar da forma como eles entendessem que fosse interessante naquele momento.
Aí começou a surgir tradução, desenho, criação de imagem, criação de PPT, criação de tudo, desenvolvimento. Alguns começaram a criar rotinas e prompts de desenvolvimento para acelerar processos internos, outros dentro da companhia mesmo para acelerar back-office, processos de back-office. Mais transacionais. E o primeiro ano foi realmente esse momento que a gente chamava de experimentação, né? E nós começamos a utilizar. No segundo ano começou a vir um momento onde nós começamos a realmente fazer testes e estruturando muito mais tudo que foi sendo criado. Alguns a gente foi abrindo mão, outros a gente foi estruturando melhor dentro de uma plataforma. Criamos o que nós chamamos de plataforma Stefanini de Inteligência Artificial, que é o SAI, que é Stefanini Artificial Intelligence, e definimos que esse SAI, essa grande plataforma, seria utilizada como uma forma de acelerar as nossas soluções e não para vender para o mercado como o IA. Então, nós criamos para 5 grandes frentes, então, para a parte de cyber, nós hoje utilizamos IA generativa para os nossos SOC, para os serviços de cyber que a gente leva para cliente, de forma muito mais ágil para entender problemas de ataques em geral. Nós usamos para marketing de forma muito— hoje marketing é uma das áreas que mais está utilizando isso dentro da empresa.
Nós utilizamos para atendimento, para digital workplace, para infraestrutura híbrida. Nós utilizamos muito hoje para a manufatura, né, que a gente já vinha utilizando. E tem uma que talvez vem linkada ao nosso grande core, basicamente, que veio ao longo desse tempo todo, que é aplicações, né, que é o que a gente chama de SciApp, que é o nosso, a nossa plataforma, que hoje são mais de 8 mil prompts criados para essa grande plataforma, e que a gente acelera muito os processos de desenvolvimento que a gente leva para para os nossos clientes, desde modernização de aplicações, conversão de código, aceleração de processo de desenvolvimento, história de usuários, etc., testes unitários. Para cada caso nós temos casos concretos e exemplos concretos de ganhos de produtividade, em alguns 10%, 15%, 20%, em outros chega até 80%. Caso, por exemplo, de testes unitários, o ganho de produtividade é muito alto, né? Então isso acaba levando benefício para o meu cliente, para o nosso cliente, sem vender. Eu não vendo plataforma, não vendo acesso, não vendo licença, não vendo nada, mas eu acelero os processos que eu faço com ele. Então eu levo qualidade, eu levo velocidade, agilidade e tô mais dentro do negócio do cliente também, ajudando na solução dos problemas deles, desafios deles.
Eu acho muito interessante, você passou por alguns conceitos da adoção de tecnologia e da inteligência artificial. Um primeiro conceito é: a sua empresa desenvolveu uma tecnologia. Então, para a adoção do motor generativo, você visualizou, visualizaram a necessidade de ter uma camada, um ambiente seguro. Para quê? Para poder ter uma disponibilização em massa para 36, 38 mil pessoas. Você acredita que hoje toda empresa é uma empresa de tecnologia, no sentido de que para ela adotar IA ela precisa desenvolver tecnologia?
Não, não acho. Você diz empresa em geral?
Em geral.
Não, não acho. Eu acredito que cada um com a sua frente, com o seu negócio. Para nós isso era muito importante porque o nosso negócio é tecnologia. Então, era uma questão de sobrevivência. Ou você entra e, como isso é muito rápido, as mudanças acontecem muito rápidas, a gente tinha que ser rápido também nesse momento. Essa terceira fase, que eu falei de duas fases, a primeira experimentação, a segunda testes e os ajustes internos e a criação da plataforma, e agora a gente está na fase de escalar, onde talvez seja a fase mais difícil, Que é o que a maioria das empresas tem sentido dificuldade, que pelo que eu tenho percebido, né, a grande dificuldade não é você usar uma IA generativa, algum tipo de motor de LLM, etc. O nosso, ele é agnóstico, então ele funciona com qualquer motor de LLM, e para cada caso tem uma melhor que outra, e dependendo do momento também isso pode ir variando, né. Mas as empresas em geral, para cada tipo de coisa, para cada tipo de negócio, elas têm a sua necessidade. Eu não acho que precisa ser uma empresa de tecnologia. Claro que alguns negócios, alguns business sim, por exemplo, banco é um negócio de tecnologia.
Banco, além de ser de dinheiro, de financeiro, ele leva muita tecnologia embarcada. Se não tiver isso daí, se não tiver a sua própria plataforma ou criado alguma coisa muito estruturada, ele vai acabar ficando para trás, que é o que está acontecendo em alguns casos. Os bancos digitais são muito mais ágeis, muito mais rápidos, e agora os grandes bancos estão se adaptando e estão fazendo esse movimento também. Já indústrias, manufatura, grandes indústrias, metalurgia, etc., é mais difícil na prática você ter uma estrutura tão intensiva de IA generativa, com IA sim usando machine learning, IoT, etc., para logística, para uma série de coisas, mas não necessariamente precisa ser o core do cara e ele ter isso daí como principal negócio.
Agora, uma coisa você falando também e no comentário do Fred, O seu público-alvo, as empresas com as quais você se relaciona, elas já têm um entendimento de tecnologia que tá em um outro estágio. Como é que é a conversa sobre inteligência artificial com esse tipo de cliente, que é o seu? E além disso, que conselho você daria para as pessoas que ainda não conseguem entender o benefício da inteligência artificial?
É, vou corrigir um pouquinho. Não necessariamente os meus clientes já adotaram a IA ou a tecnologia como uma— muitas vezes eu tenho, e na maioria das vezes eu tenho que levar isso daí de uma forma muito fazendo a catequese também do cliente.
Excelente.
Porque na verdade assim, nós trabalhamos com vários segmentos, nós não somos uma empresa, por sorte, muito concentrada em um determinado segmento. Nós somos muito distribuídos, isso é uma grande vantagem da empresa, tanto geograficamente falando, às vezes um mercado está ruim, outro mercado está bom e assim sucessivamente, como do ponto de vista de verticais, de segmentos. Então, nós temos forte penetração no mercado financeiro, mas também nós temos forte penetração na indústria automotiva, farmacêutica, varejo, nós atuamos em governo também, em alguns órgãos públicos. Então, para cada caso é um caso diferente, né? Tem segmentos muito mais, com uma adoção muito mais massiva, vamos dizer assim, de tecnologia mais forte e outros muito menos, né? Então, em todos os casos a gente tem que trabalhar. Os que já adotam muito fortemente, É até mais difícil, né, porque o cara entende tudo, ele acha que sabe tudo. Então é mais difícil também conseguir essa atuação. O que tem menos consciência, talvez assim, de, ah, ou aquele que tem uma dificuldade maior porque não é parte do dia a dia dele, talvez ele não enxergue tanto a necessidade nesse momento, mas tá mais disposto a aprender e sabe É o que a gente estava conversando aqui um pouquinho antes, né?
Existe uma pressão muito grande das empresas em geral, porque a inteligência artificial generativa está aí, está vindo muito rápido, está muito forte essa— não é uma tendência, mas essa realidade, né?
Tem uma promessa de geração de valor, de eficiência operacional.
Muito grande, cara, muito grande. Então, tem uma promessa e os conselhos das empresas Querem ver isso aí na prática, porque eles começam a pressionar todo esse level da empresa para trazer algum benefício que está se falando e que todo mundo está falando, daquela redução de 20%, 30%, 40% que todo mundo fala, ou aquele ganho de produtividade de 30%, que é o que todo mundo fala, mas na prática isso não é tão simples. Então, a gente vê muitos executivos de tecnologia, executivos de negócio batendo cabeça porque não sabem exatamente para onde ir. Então, não é fácil, não existe uma receita de bolo, seria meio hipocrisia da minha parte aqui falar, vai por aqui, se eu soubesse o caminho das pedras, a gente… Mas nós estamos trabalhando, eu acho que entender bem onde está situado, não escutar só, não ir na conversa, que tem muita gente falando besteira também no mercado, Tem muita gente falando de tudo e é falar, você pode falar o que você quiser, mas na prática aterrissar? Vejam cases, vejam realidades, vejam o que as empresas estão na prática fazendo, busquem apoio com empresas sólidas, empresas que conhecem do assunto, seja para uma consultoria, seja para um trabalho mais efetivo.
Nós buscamos, por ser uma empresa de tecnologia e uma empresa parceira de clientes, a gente busca sempre estar junto com o cara para solucionar o problema dele. Então, o nosso objetivo aqui não é vender a consultoria e sair e ele que se vire, né? A gente procura sempre estar junto em todos os negócios que nós fazemos. É isso, é uma relação de longo prazo. Nós temos clientes que, desde que a empresa foi fundada, são clientes nossos até hoje, há 38 anos que ela foi fundada e são clientes nossos até hoje. Então, o nosso objetivo é sempre trabalhar a longo prazo, mesmo que para isso a gente precise começar pequeno e vai ganhando a confiança e vai aumentando. Então, se eu posso dar alguma recomendação, não conselho, é essa, é entender, conhecer as empresas, ver cases reais que estão sendo adotados, lembrando que cases de adoção em massa de IA generativa ainda não são muito comuns, né? E assim, nós, por exemplo, temos mais de 250 cases comprovados, né? Até fizemos campanha recentemente, né? Cases de indústria de tintas, cases de indústria do mercado financeiro, cases de diversos cases usando IA para solucionar uma dor do cliente, um desafio que o cliente tinha.
Pera aí, Fred, que ele me deu aqui, levantou a bola, eu vou precisar cortar. Como é que uma indústria de tintas está usando inteligência artificial com a ajuda de vocês?
Indústria de tinta, por exemplo, nós trabalhamos para descobrir, usando o IA, para identificar falhas no processo, para acelerar o processo deles de produção, acelerar logística. Tem várias coisas, é o que eu falei, não é de agora que a gente usa IA.
E não é necessariamente IA generativa.
Exato, até indústria de sucata usando IA para solucionar problemas do negócio que eles tinham como forma de, muitas vezes na logística, muitas vezes na produção, mas por exemplo, um grande banco aqui que nós solucionamos um problema que eles tinham de atendimento jurídico, muitos processos jurídicos, muitos processos legais dentro do banco e através de IA, e aí sim também IA generativa, para acelerar a leitura de documentos, para acelerar, identificar e fazer comparações do que estava sendo feito, predições de possíveis jurisprudências de determinados juízes e áreas para poder identificar e dar um melhor direcionamento e um ganho de produtividade que chegou até 75%, acelerando processos mais transacionais que eram manuais, foram usando o IA que a gente chegou a essas soluções.
Espetacular. Então a gente soma o seu comentário anterior para virar um insight mais completo para quem nos ouve, também pode fazer um diagnóstico mais preciso e entender qual modalidade de AI que você vai precisar no seu negócio.
Exatamente.
E é mais comum ter casos de adoção estruturada, escalável, das outras IAs que não a generativa. Por quê? Porque a generativa ainda é nova.
Claro, exatamente.
A gente, como sociedade, como humanidade, a gente comete dois erros sistemáticos com adoção de tecnologia disruptiva. O primeiro erro é a gente superestima a velocidade de adoção da tecnologia quando ela surge, qualquer que seja. E tá rolando isso com IA também. Então o conselho, os executivos, os influencers, tá todo mundo falando assim, cara, dá para fazer tudo com IA, só usa IA. É, agora tem o segundo erro sistemático que a gente subestima a amplitude do impacto daquela tecnologia.
Que coisa interessante! Desculpa te interromper, mas uma coisa interessante: todo mundo que você fala tá usando IA de alguma forma. Se eu perguntar para você, está usando? Se perguntar para elas, estão usando?
Todo mundo.
Agora faça uma reflexão de como você tá usando IA para reduzir o custo que você tem no final do mês, como você tá usando IA para efetivamente trazer um ganho na sua performance como um profissional ou como família ou seja lá o que for? É a mesma coisa com as empresas. Na verdade, todo mundo usa e aí tem de tudo. O cara usa para fazer tradução, mas o que isso está trazendo de retorno para a empresa? O que isso está efetivamente melhorando a rentabilidade da empresa, melhorando o EBITDA, melhorando o faturamento, aumentando o share dele no mercado? Esse é o grande problema. Então, quando você fala em uso de IA, não é simplesmente você usar IA porque é fashion, porque é uma coisa que está na moda, porque é cool. Você está usando IA porque tem que ter um objetivo de ganho de produtividade, de aumento de rentabilidade, de redução de custo, porque senão não faz sentido.
E aí eu te retorno à pergunta com esse gancho. Moveu o ponteiro da Stefanini?
Estamos nesse processo, é o momento que a gente tá vivendo agora. Na verdade, até agora não, até agora a gente vem num processo de experimentação quando falando de IA generativa. E IA em geral é outro, é outra, é outra, vamos dizer assim, outra mentalidade nossa. Por quê? Porque aí sim eu posso falar que moveu o ponteiro quando a gente ganha um negócio E a gente soluciona o negócio da melhor maneira possível para aquele cliente. E se vai IA ou se vai RPA ou se vai o que for, vai solucionar o problema do meu cliente. Então, eu ganhei aquele cliente, o cliente saiu satisfeito e a gente conseguiu atender. Do ponto de vista de aumento de produtividade e redução de custo, onde é a generativa vem, nós estamos nessa fase, que é a parte de experimentação, testes e formação da nossa grande plataforma. E agora a escala, que é agora que a gente precisa realmente fazer o negócio alavancar. E alavancando é onde a gente começa a ver resultado. Então esse é o momento importante, porque tem duas formas: ou você faz mais com a mesma coisa ou você diminui o custo da sua empresa.
Sim, e eu acho muito legal essa franqueza aqui, porque muitos executivos que passam por aqui já dizem que moveu, está movendo o ponteiro X%, da minha receita já tá ligada com IA. E de verdade, essa implementação estruturada, escalável, com assertividade, ela ainda está em jogo, né? Nós estamos todos aprendendo. Eu tava até comentando com você que a documentação da API da OpenAI não é uma documentação já super estruturada que sana todas as suas dúvidas. No caso de adoção dessa LLM. Eu queria pegar um ponto mais em termos de cultura organizacional e gestão da mudança. É uma empresa enorme, 38 mil cabeças e toda uma cultura já sendo trabalhada. E aí vocês, há 2, 3 anos atrás, viram a inteligência artificial generativa e decidiram mudar o posicionamento da empresa para AI first. Mesmo isso ainda não tendo gerado tanto resultado, existe uma crença e uma busca. E como é isso em termos de mobilização, motivação das pessoas?
É uma boa pergunta, é uma dificuldade gigantesca. É uma dificuldade muito grande, ela só acontece quando existe o empenho e a dedicação da alta liderança da empresa, não dá para acontecer na base. Você falou bem, é uma empresa grande, é uma empresa de 38 mil cabeças e cabeças que já trabalham com tecnologia, não é— nós não estamos falando de operacionais assim, sem menosprezar ninguém, mas mais de produção contínua. Nós estamos falando de gente que tem uma habilidade tecnológica importante. Então, fazer essa mudança não é tão simples, mesmo nesse nível de pessoas. Ao contrário, a grande dificuldade que a gente enfrenta nesse momento é a resistência, às vezes interna. Né, de gerente do projeto que tá acostumado a fazer de um jeito que ele, por mais que você fale, olha, nós temos isso, tá aqui, você já sabe, só que na hora de usar o cara não usa, na hora de fazer o cara não faz do jeito que deveria ter feito. Então essa resistência acaba dificultando escalar o que a gente precisa fazer. Nós passamos por várias fases, a empresa ela é uma empresa muito, eu Como eu falei no início, eu estou há 24 anos na empresa, então eu acompanhei muito essa evolução da empresa.
Quando eu entrei em 2001, a empresa talvez tinha 1.000 pessoas, hoje tem 38.000. Então, o movimento e a evolução foi muito grande. Nós passamos por várias fases. Para você ter uma ideia, o Marco Stefanini, que é o CEO global, fundador e CEO global da empresa, é o meu chefe direto, O Marco, ele tem um livro que foi feito por um, é uma biografia autorizada feita por um jornalista, né, chamado O Filho da Crise, né, porque de tanto que o Marco passou, a Stefanini, né, como empresa passou por todas as crises que o Brasil teve de 38 anos para cá, e não foram poucas, né, por ser uma empresa brasileira de dono, né, uma empresa que não é uma empresa de capital privado, capital fechado, por ser uma empresa que está no mercado de tecnologia que, por mais que o Brasil, por exemplo, tenha tecnologia bancária muito evoluída, etc., mas sempre que se fala em tecnologia, se olha para os Estados Unidos, se olha para a Europa. Então, você se destacar num movimento como esse daí, num mercado como esse, Não é tão simples. Então, a resiliência dessa empresa foi muito, muito forte ao longo de todo esse período.
E as crises todas, como é uma empresa conservadora do ponto de vista financeiro, é uma empresa muito sólida financeiramente falando, é uma empresa que vem se estruturando e que a gente dá passos de acordo com a perna, mas sempre com uma visão de futuro muito grande e uma visão de proximidade com os nossos clientes também é muito muito grande, sem fazer muito marketing à toa, né? A gente faz de uma forma muito estruturada. A gente vem evoluindo e essa gestão de mudanças que você comentou é a maior dificuldade que tem, não só na Stefanini, mas em todas as empresas. Você fazer uma mudança tão forte como essa interna, e primeiro interna, porque nós não somos nativos digitais. A Stefanini, por característica, ela foi criada para ser uma empresa de serviço de TI há 38 anos atrás. Aliás, ela começou com treinamento, né, depois foi evoluindo, desenvolvimento de aplicações. Então nós trabalhamos com muito legado, a gente trabalha com muita coisa infraestrutura. Algumas empresas no mercado hoje começaram como nativos de TI E assim como os bancos digitais, quando você compara um banco digital com um banco tradicional antigo, o banco digital no começo ele foi muito mais ágil.
Hoje tem bancos digitais que não são tão ágeis assim porque já tem um legado, entendeu? Então isso tá acontecendo também no nosso mercado. Então o nosso processo de gestão de mudanças ele tem que ser ainda mais forte porque eu tenho que mudar a cabeça das pessoas. Por exemplo, eu mudar a cabeça de equipe de vendas, eu tenho mais de 70 vendedores só na consultoria distribuídos pelo Brasil aqui, mudar a cabeça do vendedor que estava acostumado a falar sempre com CIO e agora o cara tem que falar com CMO, tem que falar com COO, tem que falar com CEO e tem que ter conteúdo para tudo isso, não é tão simples. Eu não estou falando só na parte técnica, eu estou falando também na parte de conteúdo de negócio. Então é um trabalho de formiguinha, um trabalho árduo, mas que tem que ter a cabeça da organização muito, muito, muito envolvida, muito dedicada. E isso o Marco Stefanini faz muito forte, toda a nossa liderança em todas as regiões também, as empresas que fizeram parte do grupo. Hoje, inclusive, nós estávamos reunidos para para falar dessa integração, desse trabalho que a gente tem que fazer usando IA como forma cross para tudo.
Então, aliás, o podcast, ele tem um termo que nós utilizamos internamente na Stefanini, que é AI Force, né? Então, para nós, isso aí é extremamente importante também como uma forma de adoção de todo esse processo.
E Marcelo, você Brevemente aqui contou como a empresa prosperou. Acho que prosperar é uma palavra forte para vocês, provavelmente, olhando esse histórico de crise e tudo mais. Tem uma coisa que me interessa saber do ponto de vista dessa jornada cultural. Como é que o Marcelo lida com as resistências em relação à AI nos clientes? Qual é a dor que você percebe e como é que você está conduzindo isso como alta liderança para que seu time vença esses desafios?
É assim, a dor é que eu sinto realmente que é o que eu falei já em algum momento aqui, as empresas também estão muito ansiosas, para não falar desesperadas, por adotarem água, mas não sabem como.
Trazer para dentro da porta.
E essa ansiedade é boa ou ruim?
Eu acho ruim. Eu acho boa por um certo lado, mas na essência, ela não é tão boa porque faz com que as empresas acabem fazendo qualquer coisa, querem desenvolver internamente, querem fazer. Quando você fala em IA, o cara, não, mas eu já uso o Copilot, por exemplo. Tá bom, mas não estou falando de… Eu não quero te vender nada comparado ao Copilot. Copilot vai fazer parte desse processo. E outra vez, eu não vendo IA, mas para nós é importante a gente ter ambiente favorável para poder usar a IA como parte das nossas soluções, que vai trazer o benefício para o cliente no negócio dele. Esse é o ponto, né? Então, para o cliente, isso é meio transparente. Eu não tenho problema com o cliente. Às vezes é uma dificuldade de segurança, porque as empresas se preocupam, ah, mas tem que homologar, tem um ambiente, principalmente as empresas maiores, questão de compliance e tal. Então, isso aí é normal, é um processo natural com os grandes bancos e a gente vem fazendo esse processo sem maiores problemas. A maior dificuldade é internamente, a maior dificuldade é com a equipe interna, seja de vendas, seja de projetos, de operações, de pré-vendas.
São as equipes que, por exemplo, na torre de marketing não tem esse problema, porque a torre de marketing já está acostumada a usar IA. E a generativa também para muita coisa. Na torre de indústria também, que é menos. Cyber, menos também, porque já é uma coisa que a gente está utilizando. Quando a gente vai nas coisas mais tradicionais de tecnologia, como aplicações, digital workplace, infraestrutura, aí a gente precisa trabalhar isso internamente, muito treinamento, muita capacitação, muita formação. Nós temos trilhas aí o tempo inteiro, praticamente 3 vezes por semana nós temos períodos de treinamento com toda a equipe ou de vendas ou de operações para colocar na cabeça do nosso colaborador e principalmente da liderança da importância desse momento que a gente está vivendo. Nós fazemos muito treinamento de cases, né, porque também é importante mostrar o que nós já fizemos para que as pessoas saibam que, pô, se eu estou entrando numa indústria específica, eu tenho cases, muito provavelmente eu tenho cases já que possam, que podem ser utilizados aí como referência. Nós não vamos trazer aquilo lá para colocar aqui, mas são referências que a gente consegue dar. Então a gente faz muito treinamento que a gente chama Jornada do Herói, etc.
Então é bem legal.
Sim, essa adoção dentro da Stefanini soa quase obrigatória, né, para mim, porque os altos executivos estão engajados, Cheque. Tem investimento em desenvolvimento de uma plataforma para ter disponibilização da tecnologia, tem treinamento, tem o cliente dando push porque ele tá ansioso, repertório, tem repertório. Então, para o colaborador que ainda não adotou, é mandatório, é quase um suicídio.
Mas acontece.
É raro, mas acontece muito.
É raro, mas acontece sempre.
Eu entendo, eu entendo. E faz parte do comportamento humano, está tudo certo. Ao longo do processo, a gente com multiplicadores, com um pensamento estruturado como vocês estão fazendo, em algum tempo—
Faz parte da missão da liderança essa tocar o bumbo e fazer as coisas acontecerem de uma forma…
E com a mudança de posicionamento e um posicionamento direcionado muito explícito para isso facilita, porque fica muito clara a visão da empresa de para onde ela quer ir.
É que, Fred, também tem um ponto que o mundo não é tão perfeito assim, quer dizer, você deu só os benefícios, né? Fazendo um termo chulo assim, o pessoal vê as pingas que eu tomo, mas não vê os tombos. Então é mais ou menos isso, quer dizer, tem o cliente, tem a tecnologia, tem o interesse, tem a liderança, só que tem o dia a dia que é matador. Tem aquela loucura de estar trabalhando na operação, na entrega, no delivery, tem questão de impostos, é governo, é tudo que faz as coisas também dificultarem um pouco para que o caminho não seja tão simples e tenha os obstáculos ali que a gente tem que superar. Então, faz parte. Um mercado muito competitivo do ponto de vista de recursos, de mão de obra. Depois da pandemia, a mão de obra e tecnologia teve uma supervalorização e agora está tá aterrissando novamente. Então, concorrência com outros mercados que antes a gente não tinha, que agora a gente tá tendo.
E eu reforço um ponto que corrobora com o que você tá dizendo. Tem um ponto que é novo, o generativo. Então assim, tem esse ambiente, entre aspas, perfeito, fértil para essa adoção, Mas sendo justo, é um negócio novo. Quando a gente fala em adotar para escrever um email, para fazer uma tradução, é uma coisa.
Quando você fala em treinar um agente com um código que vai transformar aquilo numa rotina diária daquela empresa, é outra. E você não pode fazer sozinho, você não pode deixar o negócio fazer sozinho, você tem que ter gente Validando.
Exato, essa adoção estruturada que passa por organizar o dado que vai ser consumido para ele ficar AI-friendly, aí empurrar o dado para o modelo, o modelo entender, cumprir com o procedimento, te dar respostas 99% assertivas e escalável, cara, quem está pondo a mão na massa sabe que é possível. Tem muitos casos de uso que dá para fazer, é possível, né? Que dá, dá, mas tem um tempo de organização desse processo, dessa, dessa, desse terreno para que ele, que a gente consiga realmente essa adoção estruturada, organizacional, né?
Você bem disse, um retorno quando tiver adoção massiva, senão não traz retorno.
Exato. Eu posso adotar, você pode adotar, o Marco pode adotar. Agora, em escala, melhorando 10% de cada um dos 38 mil funcionários é que eu sinto que é onde está o game.
É isso aí.
Então, um corte aqui nisso aqui que vocês falaram. Onde a Stefanini pode chegar com inteligência artificial? O que você vislumbra para vocês, Marcelo?
Eu vejo a Stefanini evoluindo muito nas soluções que nós temos para o mercado. Eu acho que esse é o nosso grande objetivo. A gente quer estar muito mais próximo do negócio do nosso cliente, a gente quer ser um grande parceiro para os nossos clientes para solucionar a dor que ele tem do negócio. Eu quero deixar de ser, que já está acontecendo isso de uma forma muito… Concreta, né? Deixar de ser aquele cara que é visto como uma empresa que simplesmente vai realizar uma atividade de tecnologia, ou seja lá do que for, para ser aquele parceiro que vai ajudar e contribuir com uma dor, em solucionar uma dor, um desafio do negócio do meu cliente. Como é que eu vou fazer mexer o ponteiro do meu cliente, seja na margem, seja no EBITDA, seja no share que ele tem de mercado, seja para criar um mercado novo, né? Então esse é o meu, nosso grande objetivo. A gente quer realmente estar próximo, ser parceiro do cliente e usando todas as possibilidades que a gente tem disponíveis no mercado para isso. E a generativa é uma delas, não é a única, é a que tá na moda agora, que tá sendo falado muito, mas para nós não é a única e a gente tá realmente está investindo bastante nesse ponto.
Desejo que vocês consigam, vou acompanhar essa jornada.
Isso vai acontecer.
Olha, Fred, um episódio aqui para a gente ouvir e ver quantas vezes puder, salvar nos favoritos, porque tem muita coisa boa aqui.
Muito bom. Eu queria fazer uma finalização dizendo que eu tenho grande admiração pela empresa, De fato, um brasileiro neste ambiente de negócios prosperar no Brasil já é enorme. Prosperar globalmente é maior ainda. Então eu fico muito admirado e casa muito com um propósito que nós temos aqui com esse podcast, que é de trazer conhecimento para o Brasil gerar valor com AI. É trazer pessoas como você que compartilhem esse conhecimento para que a gente como nação consiga gerar valor, consiga participar da festa. Então eu fico muito agradecido por você ter aceitado o nosso convite e realmente um episódio marcante.
Espero que tenham gostado muito. Eu agradeço bastante a oportunidade, acho que é legal esse tipo de trabalho e projeto que vocês estão fazendo. E acreditem, né, o Brasil tem realmente empresas de muita qualidade, tem empresas realmente que são grande referência não só no Brasil, mas no mundo inteiro, de vários setores: aviação, que a gente tem várias, aço, enfim. Nós temos empresas brilhantes que se destacam no seu setor e que têm contribuído muito para o crescimento do Brasil também, que eu acho que é o que faz a diferença nossa aqui. E a Stefanini é uma delas também.
É isso aí, motivo de orgulho.
Legal.
Bom demais.
Pessoal, se você não segue o nosso canal, aproveite. Novos episódios estão aí engatilhados para sair. Deixe seus comentários, os comentários viram perguntas. Acompanhe e espero que tenham gostado.
E pensem AI first. Até a próxima.
Valeu, obrigado.
Valeu, valeu.
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.