EP 21

Os desafios das pequenas empresas na era da IA

Uma conversa sobre os desafios reais da adoção de inteligência artificial em pequenas e médias empresas, o impacto da IA em marketing, retenção e novos negócios.

17 nov 2025
Tiago Lippi

CONVIDADO

Tiago Lippi

Conta Azul

Transcrição do episódio

[00:00:10.04] – Fred Pericini

Bem-vindos a mais um episódio do AI Firstcast, o podcast destinado à discussão estruturada sobre adoção de inteligência artificial no mundo dos negócios. A gente traz aqui C-level, diretores de grandes empresas que estão pondo a mão na massa para adoção de inteligência artificial fluir nos negócios deles. E o nosso objetivo é inspirar, é aprender para essa nova era fluir no Brasil. Eu sou Fred Pericini, sócio fundador da agência F2F e Gaspers.ai, e hoje nós estamos aqui com um convidado muito especial.

[00:00:54.03] – Filipe Xavier

É isso aí, Fred. Eu sou orgulhosamente o co-host desse podcast com você e hoje a gente vai trazer para ouvidos, olhos, cérebros mais uma conversa de inteligência artificial de alguém que tem uma bagagem com startups e muita coisa para dividir com a gente. Então, antes da gente começar esse papo, fala para a gente quem é você.

[00:01:15.23] – Tiago Lippi

Obrigado, gente. Meu nome é Tiago, eu sou aqui diretor da Conta Azul da parte de Analytics e AI. Eu tô aqui na empresa há 4 meses, então dentro da Conta Azul eu tenho uma bagagenzinha pequena, mas eu tenho um histórico aí de Itaú, HSBC, Loft e algumas outras startups aí no meio, onde AI, apesar de ser um assunto novo, ele tá longe de ser novo para quem tá aqui no meio, né? Acho que os brandings do nome vai mudando, mas as soluções já estão, algumas coisas estão aí há muito tempo e quem tá aqui no mercado há algum tempo já tá cansado de ver algumas dessas coisas. E não só surfar a hype. Essa que é a parte importante, trazer resultados de verdade.

[00:01:54.21] – Fred Pericini

Dá um panorama para a gente, o que que é o Conta Azul? Quantos funcionários? Quantos clientes?

[00:02:01.14] – Tiago Lippi

Boa! A Conta Azul, ela é um sistema de ERP, é um sistema de gestão financeira para pequenas e médias empresas. Então, a gente atende majoritariamente pequenas empresas e também os nossos parceiros, que são os contadores, os BPOs financeiros. Hoje em dia, a Conta Azul, ela A gente tem aproximadamente 100 mil clientes aí de PMEs direto, alguma coisa perto de 8 a 9 mil aí escritórios de contabilidade, BPOs financeiros que atuam através da gente, conseguindo alavancar valor aí para o cliente final deles. E a Contas U está aí no mercado há 13 anos, então a gente saiu de um momento ali de startup e conseguiu passar por toda essa pandemia, passar tudo, e hoje em dia é um ecossistema bastante sólido. A gente tem 600 funcionários, 600 e alguns, 650, acho que a última vez que eu olhei, funcionários. Nossa sede está em Joinville, mas a gente tem um escritório aqui em São Paulo também, ali na Berrine, onde tem muita coisa de marketing, mas hoje em dia nosso pessoal trabalha bastante remoto. Então a gente tem gente espalhada aí pelo Brasil. A Conta Azul, ela foi adquirida pela Visma, então a gente teve uma grande notícia aí recentemente, há 3 meses, um pouquinho depois da minha chegada, que é uma empresa norueguesa que exatamente foca em pequenos e médios negócios, focado no ERP.

[00:03:12.14] – Tiago Lippi

Então a gente tá agora com não só a nossa bagagem de 13 anos, mas uma bagagem também de 200 outras empresas para a gente aprender junto e conseguir trazer aqui para o Brasil. E a Contas Azul foi a maior aquisição feita da história da Visma. Então a gente vai aprender com eles, mas acho que eles vão aprender bastante aqui com a gente também.

[00:03:30.27] – Fred Pericini

Muito bom. Me conta, com o advento da IA generativa, o que que mudou na gestão financeira das pequenas empresas?

[00:03:41.25] – Tiago Lippi

Boa. A princípio, eu acho que as pessoas ainda estão absorvendo, né? Eu acho que tem muita coisa potencial para ser feito, mas ainda não muita coisa realizada. Tem o lado que a maior parte das empresas hoje em dia, das pequenas empresas, elas são geridas através de planilhas de Excel, planilhas de Google Sheets. Então isso faz com que seja muito difícil. Certamente as pessoas conseguem usar o ChatGPT para tirar uma dúvida, conseguir olhar, tipo, nossa, o que que eu tenho que fazer aqui? E os contadores conseguem fazer, mas você ainda tem muito trabalho operacional. Dado o nosso pequeno manicômio tributário no Brasil, isso acaba virando sempre um ônus muito difícil de você tirar, porque você tem que tirar de um lugar, emitir uma DARF em outro lugar, fazer alguma coisa, pagar um imposto aqui, condições, casos. Então, existe uma dificuldade até de plataforma de você conseguir alavancar isso quando você está num ambiente tipo uma planilha. Quando você vai para ecossistema de… ERP, um sistema já gerenciado, a gente aqui na Conta Azul já começou a lançar produtos como, por exemplo, o Captura, que ele facilita muito todo o lançamento de contas, todos os lançamentos possíveis, desde contas a pagar até ajudar na reconciliação de alguns gastos.

[00:04:52.13] – Tiago Lippi

Você vai ter uma fatura de um cartão de crédito corporativo, em vez de ter que lançar linha por linha lá, você vai mandar para o WhatsApp, ele vai ler do WhatsApp e vai jogar, você só vai ter que confirmar e validar que aquilo está funcionando. Afinal de contas, inteligência artificial ainda é estatística, então a gente quer estar mais certo do que errado, mas a gente tem que dar a possibilidade das pessoas falarem, olha, tem aqui algum probleminha ainda, mas ela tem funcionado muito bem. Então a gente tem conseguido qualquer tipo de fonte, né, de papel, digitalização, documentos, tem sido muito tranquilo e muito bem aceito pelas pessoas. Esse é só o primeiro produto que a gente tá planejando aí de lançar dentro de uma suíte. E a ideia é que a gente comece a mover cada vez mais o nosso SaaS para um ambiente onde deixe de ser um ônus ter que usar ele, para ser uma coisa cada vez mais intuitiva e conseguir trazer inteligência e principalmente eficiência operacional, né? Que no final do dia é para isso que a IA está lá, não é para substituir, é para aumentar o que a gente consegue fazer durante o dia.

[00:05:53.23] – Filipe Xavier

E o que te motivou a vir para esse ambiente? Agora você falou que você tem 4 meses, qual foi o grande fator decisivo para você vir para cá e o que fazer com inteligência artificial na Conta Azul?

[00:06:06.29] – Tiago Lippi

Muito boa pergunta. Acho que foram algumas coisas. Um, esse trabalhar nesse ambiente, acho que para quem gosta do ambiente de startup, estar do outro lado da mesa como quem ajuda as empresas, por mais que a gente fale que a maior parte das PMEs no Brasil não são startups, são empresas que estão ajudando a mover a economia do Brasil. Então, quer queira quer não, é uma das grandes formas de você afetar o ecossistema de empreendedores e como a gente E esse é o principal valor direcional ali da Conta Azul e isso acho que é muito caro para mim, é uma coisa que ressoa muito forte esse lado. E a outra é o potencial ilimitado de simplificar a vida num lugar com manicômio tributário que a gente tem. Então tem toda uma parte de, ah, a gente não faz a parte fiscal? Tá bom, a gente não faz a parte fiscal porque nem é o foco, não é um produto fiscal, é um produto de gestão financeira. Mas Com toda a oportunidade agora da reforma tributária, com todos esses ambientes, a nossa capacidade de destravar valor junto com essa jornada é muito grande. Não só a vida dos contadores, que é o nosso principal parceiro aqui, como das pequenas empresas e até mesmo interno dentro da empresa.

[00:07:15.20] – Tiago Lippi

É uma empresa que está há 13 anos no mercado, você começa a falar, será que tem coisas que a gente pode fazer de formas mais eficientes dentro de casa? Como que a gente consegue? E aqui não é o papo de, nossa, vamos substituir todos os DEVs porque não vamos Para mim isso não funciona, mas como que a gente consegue garantir que todo mundo está entregando 20%, 30%, 40% mais de produtividade e conseguir usar isso em favor da empresa conseguir entregar produto para mais gente e entrar ali num ciclo positivo? E minha decisão foi até antes da Visma, então não estava no meu radar, mas vem com tudo isso toda uma capacidade, uma possibilidade de aprender com empresas da Europa que estão desenvolvendo, passando pelo mesmo momento, passando por todo esse desenvolvimento. Então é um ecossistema muito rico. Para poder vender, uma fonte de dados muito grande também.

[00:07:59.10] – Fred Pericini

Você comentou sobre uma funcionalidade de produto de capturar lançamentos. A gente aprofunda depois o produto Conta Azul e a IA generativa, como que ela tá ajudando a evoluir o produto. Mas na empresa em si, conta para a gente como que tá sendo a adoção dessa tecnologia no dia a dia da empresa Conta Azul.

[00:08:27.02] – Tiago Lippi

Perfeito. Muito antes até de eu entrar na Conta Azul, acho que todos os founders ali já eram muito sensíveis ao quanto essa tecnologia é disruptiva, principalmente do ponto de vista de produtividade. E aí a gente como empresa fez alguns workshops, a gente fez imersões com C-Level e toda a liderança sênior, a gente colocou todo mundo numa sala 3 dias, vamos garantir que todo mundo tenha educação, todos os nossos funcionários, os Azuis, tem acesso a treinamentos de inteligência artificial para entender o básico de prompt engineering, de como usar workflows, orquestração, N8N. Então todas as ferramentas aí que a gente pode imaginar estão não só possibilitadas para ser treinadas, como estão possibilitadas para todo mundo acessar. Então a gente tem praticamente zero restrição a esse acesso. Obviamente você vai falar, nossa, mas você vai colocar sua automação colocando para o Salesforce. Não, beleza, tem informação privada, né? Então a gente tem ali uns borderlines de até onde a Lei Geral de Proteção de Dados permite, mas tudo que a gente pode fazer para permitir o acesso a essas ferramentas e educar as pessoas para a gente começar a formar cultura, porque cultura é uma coisa que a tecnologia anda muito rápido, mas mudar a forma que as pessoas trabalham vai um pouco mais devagar.

[00:09:40.19] – Tiago Lippi

A gente tem crescido pegando aí indicadores de ChatGPT, que é o que eu tenho de cabeça aqui. Se você olhar os últimos 3 meses, a gente consistentemente tem aumentado o engajamento das pessoas, Não até em quantidade de pessoas usando, porque isso, tipo, das 300 licenças a gente tem acho que 270 pessoas alocadas, 270 pessoas usando todo mês, mas a quantidade de mensagens mesmo enviadas lá dentro muito consistentemente. Então, isso tudo é uma coisa que é difícil de calcular o ROI, né, que eu acho que é uma grande preocupação. Todo mundo na hype fala, vou jogar dinheiro aqui porque vai vir retorno. Aí depois fala, tá, Agão, cadê o retorno? Parece festa junina. Mas no final do dia isso é uma mudança de cultura que no dia a dia a gente consegue trazer incrementos. Isso não deveria ser o todo, né? A gente tem casos focados internos onde, como que a gente faz para alavancar, potencializar nossos agentes de venda para garantir que a gente está fazendo uma boa avaliação da ligação dele, que os coordenadores não tenham que escutar tudo e a gente consiga dar os feedbacks de, cara, consegue mais para cá, consegue mais para lá.

[00:10:38.29] – Tiago Lippi

A gente consegue alavancar nosso atendimento de N1, o primeiro nível ali, como que a gente faz uma triagem melhor, a pessoa que está procurando só informação a gente conseguir atender. Então são tudo ainda projetos em andamento, acho que a gente tá longe de estar no endgame, até porque isso tudo entra junto em uma prioridade para a gente conseguir adequar os sistemas para poder trabalhar com isso, mas são os grandes pontos que a gente vem alavancando e a cultura ela tem que ser uma coisa perene, né, senão ela vai morrer, tipo, não vai mudar a cultura de um mês para o outro. Então a gente vem mantendo isso, agora com a chegada da Visma a gente ganha um, acho que a gente já tinha muitos treinamentos em casa, a gente ganha mais uma biblioteca corporativa com um monte de coisa já feita que a gente consegue alavancar alguns outros, uma outra biblioteca de casos que a gente pode começar a trazer também, sem ter que fazer um puta esforço. Mas na prática a gente já está começando a colocar essa cultura. E assim, o nosso time de dev já está fazendo 100%, não vibecoding, mas assisted code usando alguma das ferramentas.

[00:11:39.18] – Tiago Lippi

Eu não vou ter os números de cabeça, mas a última vez que eu conversei com o pessoal de engenharia direto, as DORA metrics que a gente estava usando como referência para ter uma noção se tinha algum aumento de produtividade, estavam entre 20% e 30% de aumento. Então é relevante você pensar em 20%, 30% a mais de headcount para fazer aquilo. Tem suas condições de contorno, de novo, não acredito na substituição das pessoas, mas sim no empoderamento aí.

[00:12:03.24] – Filipe Xavier

E você falou, são 200 empresas que agora compõem esse grupo, né? Existe um intercâmbio também do ponto de vista de inteligência artificial, de capacidades instaladas?

[00:12:12.02] – Tiago Lippi

Sim.

[00:12:12.13] – Filipe Xavier

Como é que vocês estão fazendo isso?

[00:12:14.03] – Tiago Lippi

A gente ainda está num momento ali até de onboarding, então eu brinco que até a gente está até ansioso para conseguir entrar nesse momento.

[00:12:18.22] – Filipe Xavier

Quero mais, né?

[00:12:19.15] – Tiago Lippi

É assim, putz, tá bom, vamos para a parte boa, né? Mas a gente já está ali nos finalmentes de como que funciona a parte financeira, tudo, tem a parte mais burocrática ali que tem que acontecer, mas a Visma tem um time dedicado de 80 data scientists ali no headquarters na Noruega que fica principalmente desenvolvendo esses casos. Até mesmo o próprio GPT, eles têm um GPT próprio que sai super low cost. Então, imagina que a maior parte das empresas do grupo são empresas menores e que estão crescendo. Às vezes tem empresa na América Latina, no Brasil a gente foi a primeira, mas tem na Argentina, Mas são empresas pequenas, então como você ajuda essas empresas a começar a usar ferramental mais simples, né? Então todas essas ferramentas estão no hall, eles têm muitos treinamentos e têm muito benchmark. A gente tem um esforço todo agora que a gente está começando a fazer de como que a gente potencializa nosso voice of customer e aí a gente já está usando benchmarks deles, como que a gente categoriza todas as fontes de dados diferentes para a gente conseguir entender o que que nosso cliente realmente está reclamando, o que que ele quer de feature novo.

[00:13:18.18] – Tiago Lippi

Onde que a gente tá errando. E a gente consegue alavancar muito esse formato, entender os benchmarks, né? Vai ter coisa que vai funcionar no Brasil, vai ter coisa que não vai. Mas a gente tem casos da Espanha, casos de Portugal, casos de tudo quanto é país diferente, para a gente conseguir aprender um pouquinho dos erros dos outros, né? Não só dos nossos.

[00:13:36.07] – Filipe Xavier

Eu já imagino para onde vai ser a próxima viagem corporativa do Tiago.

[00:13:40.01] – Tiago Lippi

Fred, já tá fácil aqui de capturar. Noruega é aquele país que tá sempre na lista de países legais, mas nunca no top 10. Então isso ia ser muito bacana.

[00:13:51.11] – Fred Pericini

A desculpa perfeita para ir.

[00:13:54.10] – Tiago Lippi

Exatamente.

[00:13:54.29] – Fred Pericini

Muito bom. E me fala, você contou alguns casos de uso, né? Você falou do atendimento nível 1, você falou também do processo de análise do pitch de vendas. E no marketing? Como que você vê a adoção de inteligência artificial?

[00:14:17.16] – Tiago Lippi

Eu acho que a gente já tem alguns passos, algumas coisas mais básicas, como geração de criativo, que são coisas até mais imediatas, que você não precisa de um grande desenvolvimento de processo, você na prática consegue fazer uma substituição de ferramenta, alguém que sabe fazer ali e consegue sair fazendo. Mas mesmo coisas até mais processuais, tipo qual é o melhor horário para eu entrar em contato com a pessoa e mandar uma mensagem super customizada? Isso está no caminho de implementação, a gente está fazendo uma troca de ferramentas, uma reorganização ali das nossas instâncias de Salesforce e afins. Então a gente teve que segurar um pouquinho a mão porque tinha um pouco de arroz e feijão lá para fazer antes, mas tem na linha muitas dessas coisas. Então hoje a gente vem alavancando muito a parte de criativo, muito forte, mas outras partes que a gente ainda tem potencial está no pipeline para sair. Mas ainda não. E toda a parte também, obviamente, de atribuição de marketing, que a gente começa a cair muito mais no AI tradicional, não no GenAI. Mas ali ainda tem bastante potencial para a gente melhorar atribuição e outras coisas.

[00:15:22.20] – Filipe Xavier

Com 100 mil clientes e quase 10 mil contadores, AI vai te ajudar mais em retenção ou novos negócios?

[00:15:32.20] – Tiago Lippi

Isso é difícil de escolher um dos dois. Eu acho que vai ajudar bastante nos dois.

[00:15:35.29] – Filipe Xavier

Então melhor ainda, né?

[00:15:37.11] – Tiago Lippi

Exato. Hoje em dia, isso no final do dia é o grande foco, né? Acho que para complementar isso daí, acho que a AI também vai ajudar a gente muito em melhorar a nossa funcionalidade e aí a retenção vai vir tanto por ter uma ferramenta melhor, conseguir desenvolver os features mais rápido, ter um pool de funcionalidades mais fáceis de usar para que o empreendedor consiga usar isso, que o contador consiga ganhar produtividade e principalmente que a gente consiga potencializar os contadores para que eles consigam entrar, né? Então essa é muito uma das nossas hipóteses estratégicas ali, que é o contador conseguir retomar o espaço dele de apoio, tomar decisão, porque assim, no final do dia, se o contador entende que a gente é a melhor ferramenta para empresa, a empresa não vai falar, nossa, não vou contratar a Conta Azul. E aí, como que a gente faz isso? A gente faz isso ajudando muito a vida do contador e ajudando muito a vida da empresa, onde vira um no-brainer, né? O custo disso começa a virar um custo, o custo do SaaS vira quase que um investimento. É um pitch bonito, mas muito longe de acontecer num país onde 80% ainda tá nas planilhas, né?

[00:16:39.27] – Tiago Lippi

Então tem uma jornada longa, ao mesmo tempo um potencial gigantesco da gente conseguir fazer isso. E do outro lado, do ponto de vista de venda, tem a parte humana, né, de como a gente potencializa mais as pessoas que estão lá e como que a gente entende melhor o nosso cliente que tá chegando. Quais são os segmentos que esse cliente tá fazendo? É comércio, é indústria? Qual que tem o melhor fit? Como que a gente consegue alavancar isso? O que que tá faltando no nosso produto que é realmente o mais crítico? Como que a gente faz uma análise de 50 mil tickets para a gente entender qual que é a dor que tá realmente incomodando mais? O que que é a melhor wishlist, né? Então a gente tem pipeline de pedido de feature? Tem. Como que a gente faz o que que vai fazer mais impacto? Como que a gente acha quais são os maiores mercados, dado que uma boa parte do mercado tá na planilha? Então, putz, não tem um benchmark claro de um competidor que eu falo, nossa, ele é o número 1, eu tenho que perseguir. Cara, a gente é praticamente, eu acho que a gente ainda é o maior de PME do Brasil.

[00:17:35.17] – Tiago Lippi

Tem outros competidores, mas estão muito parecidos os tipos de solução. Então é difícil de sair um aprendizado super grande. Então o acesso a essa informação de venda vai ajudar a gente muito a conseguir direcionar o produto certo para o cliente certo e conseguir ter realmente, aí você vai ter um attachment super forte com o cliente. E fica mais fácil de reter na outra ponta também. Então acho que os dois lados são muito fortes. Acho que funil de vendas todas as empresas devem estar, nossa, como que eu faço para transformar meu vendedor no supervendedor? E para a gente não é tão diferente. Mas como que você faz isso? Você precisa também dar munição ali de dados para aquela ferramenta. Tá bom, quais são as informações que precisa? Aí tem o caso engraçado, né? Tipo, a gente tem um monte de FAQ super bacana do os nossos features de produto na parte de atendimento. E era super bacana para os nossos parceiros usar, só que quase todos os nossos FAQ usam GIFs para poder fazer. E aí, como que você treina AI com GIF? Você não treina. Pô, legal, como que a gente faz para desenvolver, garantir que a gente faz isso de uma forma mais escalável da próxima vez?

[00:18:37.21] – Tiago Lippi

Então tem um aprendizado até de processo para a gente conseguir alavancar isso de forma mais contínua. Eu vi até uma Tem um amigo meu que é um dos fundadores da Cloud Humans, não sei se já trouxeram eles aqui, mas também acho que é um papo bacana. Eles são focados 100% em atendimento a gente hoje em dia. E ele fez uma provocação no LinkedIn esses dias que eu achei super bacana. Ele falou, gente, hoje em dia a gente quer diminuir a quantidade de ligações pela empresa, porque eu quero first call resolution, quero reduzir o tempo de atendimento, porque para o cliente é um problema. Será que é um problema ou será que eu estou reduzindo um custo para mim como empresa? E na verdade eu queria escutar até mais o que o cliente tem que fazer, só que Hoje em dia é muito caro. Quando a gente começa a ter agentes, essa barreira do custo deixa de ser um problema e talvez eu consiga começar a ter conversas mais genuínas até. Então achei a provocação ótima, a chance de conseguir comprovar isso no futuro recente, futuro próximo, é nula, mas faz todo sentido. Assim, tiveram outros casos de uso onde quando a tecnologia entrou, o que era um problema de escassez passou a ser o outro lado, passou a ser uma oportunidade de e de abundância, né?

[00:19:43.05] – Tiago Lippi

Então acho que a gente aí como mercado ainda tá, não Brasil, né, o mundo ainda tá aprendendo muito, né? Acho que a disrupção da AI, não acredito na nossa, todo mundo vai perder o emprego nos próximos 5 anos, claramente não faz sentido, mas acredito muito que tá sendo mais rápida que outras revoluções, né? Você pensar em Revolução Industrial, vapor, depois energia elétrica, todas essas aconteceram, disruptaram Só que ao longo de 10 anos. Cara, inteligência artificial, se é uma bolha ou não, não sabemos ainda, mas com certeza veio para ficar muita coisa.

[00:20:18.27] – Fred Pericini

É nisso que a gente acredita também.

[00:20:21.12] – Tiago Lippi

Exato.

[00:20:22.11] – Fred Pericini

Eu queria enfatizar um ponto. Ele disse a estatística aí de 80% das pequenas e médias empresas utilizam Excel planilhas para fazer a gestão financeira de seus negócios. E o Conta Azul é o principal software, principal player para ajudar as empresas a ser mais profissional, mais organizada e evitar a gestão somente nas planilhas. Qual é o produto do futuro? Qual é o software do futuro na sua visão para gestão de finanças de pequenas e médias empresas?

[00:21:09.03] – Tiago Lippi

Hoje em dia, até trazendo a visão que a gente levou, a Conta Azul tem a maior conferência de contadores do Brasil, acontece todo ano aqui no meio do ano aqui em São Paulo, é da Conta Azul. Esse ano o evento trouxe, talvez eu erre números, 5 mil pessoas. E uma das coisas que a gente levou lá foi muito a nossa visão de futuro. Tipo, a nossa visão de futuro é que os sistemas de ERP deveriam ser tão simples quanto um prompt de ChatGPT, mas que ali por trás tá todas as informações, que você não vai falar, nossa, olha, eu quero fazer um pagamento dessa conta. Legal, feito. Aí eu preciso, quais são os meus clientes que estão em atraso? Putz, tá aqui. Ou até mais ir para o lado mais agêntico da coisa, né? Falando tipo, olha, hoje você tem aqui 50 clientes que estão te devendo um pagamento. Mas desses, quase todos pagam nos primeiros 2 dias, mas tem 2 aqui que estão atrasados há mais tempo. Você quer que eu cobre? Putz, por que que a gente não começa? Ah, mas aí vai entrar, tipo, ah, mas onde fica o contador nesse mercado?

[00:22:07.21] – Tiago Lippi

O contador não tá no tático, o contador deveria estar no estratégico, cara. Qual é o tipo de produto? Como que eu mudo minha linha de receita? Como que eu cresço? Só que para eu fazer isso, eu preciso liberar o espaço contador exatamente nessas coisas pequenas, né? Então a gente entende que O ERP como um todo vai virar um assistente financeiro das empresas para garantir que as empresas, que os contadores tenham mais tempo para garantir o crescimento de longo prazo. Então, o tático fica muito na nossa mão e a gente junto vai conseguir chegar lá, mas a gente libera o tempo também dos contadores para conseguir fazer essa consultoria. Então, esses são os dois grandes pilares que a gente acredita muito de longo prazo e tem todo o potencial para isso acontecer. Obviamente, a gente tem uma reforma tributária aqui nesse meio que ajuda a gente em alguns ângulos e atrapalha, né, porque a gente vai ter dois sistemas tributários convivendo aí até 2033, alguns desafios aí de como que a gente faz para isso. Em compensação, o lado fiscal vai ficar muito mais fácil do que é hoje. Então a gente tem milhões de regras tributárias hoje em dia que você pega qualquer sistema fiscal, é quase impossível recriar do zero porque você tem tanta regra embutida ali no código que é possível, e isso vai começar de uma folha em branco, né?

[00:23:17.27] – Tiago Lippi

Então você junta essas duas coisas, você junta esse elemento em cima desses outros dois, vai sobrar tempo para o contador para não se preocupar tanto com isso, ter decisões mais claras, e ao mesmo tempo a gente quer facilitar para conseguir fechar isso tudo e garantir que a gente entrega esse valor junto.

[00:23:35.21] – Filipe Xavier

E qual vai ser o maior desafio do Tiago nisso tudo? Como é que você vai pôr AI para te ajudar?

[00:23:42.15] – Tiago Lippi

Acho que tem vários desafios. Aí você acha que o primeiro é como que a gente contém a nossa ansiedade de querer fazer tudo ao mesmo tempo, onde a gente tá no mundo onde tem muitas hipóteses.

[00:23:51.07] – Filipe Xavier

Esse é um grande insight.

[00:23:53.29] – Tiago Lippi

Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo, então a gente tem que escolher. E aí eu acho que tem o lado da visma, né, que eu trouxe, de que, putz, vai ajudar a gente porque a gente vai poder aprender com os erros dos outros, né. Então não só com o nosso, como nem lembro de quem é a frase, mas tipo, gente inteligente aprende com os erros dos outros, né. Então Cansei de aprender só com os meus. E a gente conseguir errar nos lugares certos, nas coisas que não tem como. Poxa, o que que é o principal? O que que só a gente pode fazer? E como que a gente faz isso virar? Porque por mais que a gente tem hipótese de que vai ser um ChatGPT, vai ser conversacional, cara, será que é por aí que os empreendedores funcionam? Cara, eu tenho certeza que hoje em dia WhatsApp é necessário, porque é o que movimenta metade das coisas no Brasil, é por WhatsApp. Então, pô, legal, consegui fazer uma interface via WhatsApp ali. E aí acho que a gente tem o exemplo aí da Maggi, que começou exatamente com esse push todo. E é muito bacana e ajudou a movimentar Itaú, Bradesco para conseguir fazer isso.

[00:24:49.16] – Tiago Lippi

Então, eu acho que o lado conversacional vai vir. Qual é o grande, o quão pesado a gente vai conseguir entrar? Porque a gente já tem os dados da empresa, o mais secreto da empresa a gente já tem dentro de casa. Puts, como que a gente consegue mostrar que isso daí a pessoa não— a gente pode dar dica, A gente pode começar a fazer coisas de mercado que a gente não faz hoje, tipo, olha, sem quebrar barreiras, né? Falar, olha, de todas as empresas de serviço da região sul de São Paulo que eu tenho aqui, que fazem o tipo de serviço que você faz, hoje em dia você tá no top 10% de lucro. Puts, tem um potencial muito grande. Cara, é isso que é game changer? Cara, isso não muda interface, não muda nada. Puts, mas muda o direcional, então talvez isso ajude mais o contador. Como que a gente vai equilibrar o que é mais para o contador, o que é mais para o PME, como que a gente alavanca isso? Ainda acho que um laboratório a ser aprendido. Então tem muitas hipóteses na mesa, muita necessidade de priorização para a gente não sair fazendo tudo desesperado, e ao mesmo tempo um fomo de não ficar para trás, né?

[00:25:48.01] – Tiago Lippi

Então acho que balancear esses dois é o maior desafio que eu tenho. Como que a gente garante que a gente tá indo para frente sem ficar parado, mas também não tá desperdiçando recurso para ir para frente? E obviamente um pedaço que eu acho que casa de ferreiro, espeto de pau, né? E como que a gente faz os próprios times de dados e de analytics a aumentarem a própria produtividade interna? Então, todo mundo aqui que já trabalhou com time de dados sabe que a quantidade de débitos ali do lado, não entrando nos meandros técnicos, é sempre um ônus, né? Do mesmo jeito que para engenharia, para dados, isso também é super tricky de lidar. E isso é um potencial para a AI conseguir alavancar, mas ainda não tem rails muito claros assim de, putz, vai fazer receitinha de bolo, vou fazer A, B e C, que do outro lado vai sair tudo flores. Ninguém tem essa receita de flor muito claro ainda.

[00:26:38.23] – Fred Pericini

Paradoxo do executivo moderno: de um lado precisa ter calma para priorizar, do outro, e do outro o fear of missing out e o acelerar para não ficar para trás.

[00:26:56.02] – Tiago Lippi

Exato. No final do dia é isso, né? Acho que é saber priorizar e contar com um pouquinho de sorte Para garantir que a gente não está priorizando 100% errado. Não dá para apostar, a gente não vai acertar tudo, mas a gente não precisa. Se acertar 2 ou 3 casos importantes ali no meio, provavelmente é tudo que precisa.

[00:27:13.03] – Filipe Xavier

Eu nunca vi a sorte encontrar despreparados. Exato. Então acho que a inteligência artificial pode ajudar todo mundo a se preparar melhor para quando a sorte chegar. Qual foi a maior mudança que você viu na Conta Azul com inteligência artificial? Pode ter sido antes de você chegar.

[00:27:31.18] – Tiago Lippi

Tá fazendo altos meus 4 meses de empresa. Um que tem a ver até com a nossa estratégia de médio e longo prazo, né, acho que todo o approach de tudo que eu vi que mais diferente até hoje que tem a ver com AI dentro da Conta Azul, acho que vem o lado exatamente de mudar a interface, né. Acho que tem toda uma, foi o Sátia que falou, né, nossa, AI vai matar todos os SaaS da vida. Será que vai matar os SaaS? Eu acho que não é uma mudança executada ainda, mas é uma mudança conceitual. Eu acho que tanto o nosso board antigo quanto as nossas founders, quanto essas provocações de mercado, esse momento de ebulição fez a gente questionar muito o: será que a interface que a gente tem é a melhor? Será que esse é o caminho? Como que é o futuro de um ERP? Como que é o futuro de uma gestão financeira? Será que eu preciso explicar o que é RP para as pessoas que nem entendem o que é RP? Será que deveria chamar… Então, acho que teve um grande questionamento sobre como isso se encaixa no mundo do PME ali, da pequena empresa, e como que isso faz para refletir na produtividade.

[00:28:40.09] – Tiago Lippi

Então, eu acho que é uma mudança muito mais comportamental do que já executada. Mas quando você pensa em comportamental, eu acho que não é tão diferente de outras empresas, né? Acho que… Aquelas pequenas tarefas de dia a dia, acho que é o engajamento das pessoas com Gemini, com ChatGPT, acho que foi uma mudança, não acho que exclusiva da Conta Azul, mas que a visão até dos founders de entender que isso é no-brainer para melhorar a produtividade da empresa fez com que isso penetrasse muito rápido dentro do time. Então a gente tem uma taxa de uso muito alta dessas ferramentas. E aí pensando num ponto mais de execução, não sei se é o que dá mais impacto para a gente no longo prazo, mas certamente é um que tiraria performance da gente ali do dia a dia de coisas muito básicas.

[00:29:26.23] – Filipe Xavier

E talvez essa seja uma provocação que quem quer ser percebido como uma referência em inteligência artificial vai precisar se fazer em algum momento, né? Se você revisita toda a sua estrutura, seu negócio é sólido o suficiente para só plugar inteligência artificial, ou você vai ter que fazer uma remodelagem, qualquer coisa nesse sentido. Acho que essa é uma provocação muito válida. Em qual tipo de posicionamento você vai querer ter, não agora, não com ganhos de produtividade e eficiência, mas pensando um pouco mais para frente, como é que você vai querer ver a régua mudar na sua empresa.

[00:30:07.25] – Tiago Lippi

E tem aquela coisa, a gente mistura muito, existe a inteligência artificial como assistente pessoal, existe a inteligência artificial como meio de automação, que já existia antes, a gente já falava ali de Zapier, de tudo aquilo, agora Saiu o Zapier, saiu não, ele tá lá, mas o N8N roubou um pouco a luz dele e entram alguns agentes. Esses casos de uso são muito bonitos, muito legais, eles não necessariamente precisam de AI e não necessariamente quem tá usando ele sabe o que que é uma AI, o que que tá ali por trás, mas tá funcionando para vida, a pessoa não tem que saber, longe de ser ciência de foguete aqui. E aí você tem os outros casos, putz, como que eu faço AI mais tradicional, os modelos de propensão, modelo de risco e como que eu alavanco AI dentro dos nossos produtos. E para mim o mais transformacional é AI dentro do produto, não tem jeito. Nenhum produto vai ser o mesmo daqui a algum tempo. É a mesma coisa que pensar, a gente que está ficando mais velhinho aqui, né, acho que todo mundo tem um cabelinho branco, uma barba branca, então eu posso falar. Se você voltar no tempo, quando eu estava no Itaú em 2008, a maior parte das empresas falava, putz, mas por que eu vou fazer um aplicativo para celular?

[00:31:11.26] – Tiago Lippi

As pessoas vão preferir olhar no computador. Cara, que empresa que hoje em dia não tem um aplicativo de celular? Ah, mas compras grandes as pessoas ainda fazem só no computador. Tá bom, talvez seja, mas ela ainda faz a pesquisa do celular. Então acho que tem esses paradigmas de tecnologia de mudança de curto, médio e longo prazo. E sim, no final das contas é tudo uma ferramenta, é a chave de fenda. Putz, a gente pode melhorar todos os processos que a gente tem, mas se a gente não mudar a nossa ferramenta para incorporar aquilo, não vai adiantar nada, né? A gente vai perder uma janela muito grande de oportunidade, alguém vai fazer.

[00:31:45.19] – Fred Pericini

Interessante essa frase de que os produtos não serão os mesmos. Isso traz também uma reflexão sobre quem serão os futuros vencedores: os incumbents, com suas vantagens de já terem base estabelecida, dados, ou os novos produtos que nascerão AI-first?

[00:32:16.08] – Tiago Lippi

Boa pergunta, mas eu acho difícil de ter uma regra, né? Acho que quando a gente olha, aí talvez escolhendo não os melhores casos, mas se a gente for pensar que o Netflix era um serviço de entrega de DVD, ele fez muito bem essa mudança, ele soube se adaptar muito bem. A Blockbuster nem tanto, né? Então acho que tem alguns cenários aí onde você olha para o passado, as empresas que souberam e que abraçaram a mudança, né? Aí, citando Shackleton, né, destruição criativa. No final do dia, você não tem que ter medo de matar seu próprio negócio se alguém for matar ele antes de você. E acho que é muito nessa vibe que a gente pensa muito em, cara, nosso ERP é outra coisa no futuro. E talvez a gente se autocanibalize, beleza, melhor a gente do que outra pessoa. E aí, qual que é o serviço do futuro? Ah, o serviço futuro é muito mais consultivo, é muito mais produtividade, é menos o burocrático, controle. Isso é legal. Como que a gente garante? Mas lá é hipótese, é hipótese. E como que a gente aprende e chega lá mais rápido, né? Então tem ali a paixão pelo problema que tem que vir nativamente ali de produto, mas acho que a gente tem toda uma discussão muito pesada do ponto de vista de que que a gente quer ser quando crescer ali como produto de AI.

[00:33:26.06] – Tiago Lippi

E isso é uma discussão muito ativa todos os dias. A gente sabe que isso não é o que vai fazer nossa meta do ano que vem, a gente sabe que não é o que vai fazer nossa meta provavelmente nem daqui 2 anos. Mas a gente sabe que se a gente não começar agora, a gente não vai aprender até chegar lá, né? Então tem muitas hipóteses. Puts, pode ser que nem eu comentei, a Dexail do Stealth, que é dual entry lá nos Estados Unidos, cara, vai ser um laboratório super bacana. A gente tem alguns casos nos Estados Unidos como a Zero, que são ERPs que funcionam nesse tipo. Mas, putz, o quanto disso é transferível, né? Tipo, as PMEs nos Estados Unidos são muito mais formalizadas, né, no final das contas. Você tem algumas outras restrições ali no meio do caminho, que às vezes você não precisa ter um contador, mas você precisa ter um sistema que faz lançamentos do governo, que mostra que você está no estado XYZ. Então, cada país tem suas bizarrices, então os Estados Unidos têm as deles. O que daquilo funciona no Brasil? O que não funciona? Quais são os casos que estão funcionando mais?

[00:34:23.07] – Tiago Lippi

A gente já fez benchmark de procurar no Brasil quem é que está fazendo AI de contabilidade. Não tem, não existe um benchmark. Putz, às vezes tem uma coisinha muito pequenininha ali que é um agente dentro do ChatGPT que te ajuda com pedaço fiscal, ou não existe um caminho claro. Talvez tenha algum vencedor, não sei se é um mercado que é one winner ou alguns, né? A gente tá falando de um mercado brasileiro aí que deve ter o quê, alguma coisa perto de 20 milhões de PMEs, chutando ali o número. Se a gente, que é um dos maiores, tem 100 mil, tem espaço. Tem. E não sei se vai ter só um caminho para liderança, mas acho que é quem conseguir aprender mais no caminho, né? No final do dia, acho que independente de quem vai começar greenfield ou já com alguma base, legado ou não legado de sistemas, é, cara, quem conseguir iterar mais rápido e alavancar. E tem um pedaço muito importante que a gente tá falando de reputação também, né? Que a gente mexe com dados sensíveis das empresas. Ah, não é PF, né? Então a gente não tem o problema de dado sensível, de nome de uma pessoa, é da empresa.

[00:35:28.18] – Tiago Lippi

Mas, cara, se a gente tiver um vazamento de dados do balanço da conta corrente de alguma empresa, quem contrata a gente depois, né? Então tem uma lógica aí que no mundo startup é meio louca, né? Que é, putz, como que eu sou agressivo e conservador ao mesmo tempo? Mas a gente tem que escolher as coisas para ser agressivo, mas proteção de dados, de segurança, não é uma das coisas que a gente pode brincar. E aí acaba entrando no meio do caminho entre essas duas coisas. Então, na interface a gente consegue brincar mais. Putz, quando que a gente vai usar esses dados aqui por trás? A gente tem que tomar todo um cuidado de segurança para não ter esse problema aí de percepção. É um mercado já fragmentado. Você tem certeza que notícia ruim corre mais rápido que notícia boa, né?

[00:36:11.23] – Filipe Xavier

Então, 10 vezes mais rápido. Se não mais. Eu, quando me lembrar desse papo aqui, que foi muito bom, muito obrigado por tudo que você compartilhou com a gente, muitas coisas deliciosas de se ouvir. Mas eu vou me recordar de uma coisa, que AI First pode nos ajudar a nos preparar para quando a nossa sorte chegar. Eu vou guardar isso comigo agora, Tiago.

[00:36:32.13] – Fred Pericini

Obrigado, muito obrigado pelo seu tempo, um grande papo a gente teve aqui. Parabéns pelas conquistas. Eu sou fã da Conta Azul por utilizar na minha empresa e por achar que os pequenos e médios negócios no Brasil precisam de mais formalização para poderem sobreviver mais e vencermos aquelas estatísticas de 3 a cada 4 empresas morrem no curtíssimo espaço de tempo.

[00:37:07.07] – Tiago Lippi

É, sim, né?

[00:37:08.27] – Fred Pericini

Eu acho que passa um pouco pelo trabalho que vocês estão fazendo no mercado.

[00:37:13.04] – Filipe Xavier

Se você é um dos 80% que usa planilha, faça como o Fred aqui e use Conta Azul, porque ele é um empresário de sucesso e usa. E acho, é, não, é de sucesso, tem uma baita trajetória. Eu sou fã, assim como ele é fã da Conta Azul. E acho que assim a gente se despede por aqui.

[00:37:33.11] – Tiago Lippi

Tiago, muito obrigado, muito obrigado, galera.

APRESENTADORES

Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini

Fred Pericini

Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier

Filipe Xavier

Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.