EP 17

Inteligência Artificial no LinkedIn

Uma conversa reveladora sobre o impacto da Inteligência Artificial na maior rede profissional do mundo.

18 set 2025
Milton Beck

CONVIDADO

Milton Beck

LinkedIn

Transcrição do episódio

[00:00:10.15] – Fred Pericini

Olá, bem-vindos e bem-vindas! Eu sou Frederico Pericini, sócio fundador da Agência F2F e Gaspers.ai, e estamos para mais uma entrevista de maneira super empolgado porque hoje Hoje é big, hein?

[00:00:28.25] – Filipe Xavier

Hoje a coisa é interessante aqui, Fred. Confesso que vamos falar com uma pessoa que me fez colocar um limitador no meu aplicativo do celular, porque senão eu ia entrar ali e eu não paro. Então tem um limitador, saiba você, tá? Que para não ser consumido mais do que eu deveria na empresa onde você trabalha.

[00:00:49.11] – Milton Beck

Muito bem.

[00:00:49.28] – Filipe Xavier

E para a gente falar um pouquinho do seu universo, conta para a gente quem é você, Milton.

[00:00:54.07] – Milton Beck

Bom, sou Milton Beck, eu sou diretor do LinkedIn para América Latina e para África, sou santista roxo, tô um pouco triste com o meu time nesse instante. Sou engenheiro mecânico de formação e tô muito contente de estar aqui. Obrigado pelo convite.

[00:01:11.00] – Filipe Xavier

Obrigado você, obrigado você. Então eu brinquei, né, realmente o LinkedIn tem um limitador de tempo no meu celular, isso é verdade. O LinkedIn hoje é a maior rede social profissional do mundo. O que mudou no negócio do LinkedIn quando ele começou para hoje com inteligência artificial?

[00:01:30.17] – Milton Beck

O interessante, porque o LinkedIn surgiu em 2003 na Califórnia para conectar profissionais daquela, do Vale do Silício principalmente, e era uma plataforma para fazer networking, não tinha uma, não estava definida a forma de monetização E começou a ter essas conexões, começou a crescer a rede, começou a viralizar. Em algum momento, as empresas de tecnologia do Vale do Silício começaram a falar ao LinkedIn, será que não dá para usar isso aí para encontrar profissionais? E aí começou a crescer. Então, só para te dar um pouco de, para quem está assistindo aqui ter uma ideia dos números do LinkedIn, a gente tem hoje 1,2 bilhões de usuários na plataforma. Aqui no Brasil são 85 milhões. A gente cresce em torno de 10 mil novos usuários todos os dias aqui. Além dos usuários, além dos perfis dos usuários, nós temos os perfis das empresas. São 68 milhões de empresas que estão presentes no LinkedIn. Essas empresas postam vagas, são 14 milhões de vagas de trabalho. Os profissionais são mapeados também pelas suas habilidades, são mais de 70 mil habilidades. Essa habilidade pode ser saber Excel, saber programar em Java ou saber espanhol. São 70 mil habilidades e temos uma infinidade de cursos e conteúdo.

[00:02:49.05] – Milton Beck

Então, em termos de cursos, a gente tem mais de 20 mil cursos na plataforma e conteúdo, todo mundo posta, todo mundo tem áreas de expertise e assim por diante. A sua pergunta com relação à inteligência artificial é interessante porque a gente usa inteligência artificial desde o começo da plataforma. Então, quando você lembrar, quando você vê na plataforma pessoas que podem ser do seu interesse, Porque ele está entendendo quem você é e em qual ambiente você está navegando. Vagas que podem ser do seu interesse. Tem muita coisa que já vem de inteligência artificial desde 2003. O nosso CPO, Chief Product Officer, que é o número 1 de produto do LinkedIn, professor de inteligência artificial em Stanford. Então é interessante porque isso aqui está embedded no produto, está embutido no produto já há muitos anos. E a inteligência artificial vem se desenvolvendo A gente teve esse grande passo que foi, principalmente com o lançamento do ChatGPT e com as outras linguagens, mas o que aconteceu foi que houve uma popularização da inteligência artificial generativa e a gente incorporou muito disso na nossa plataforma também. Eu posso comentar um pouco mais sobre isso também.

[00:04:01.03] – Fred Pericini

Boa. É um bom ponto, porque a generativa é um pedaço da inteligência artificial. Existem outras inteligências artificiais e que a gente já está acostumado a lidar no dia a dia. Quando um Uber, por uma geolocalização, encontra um carro mais próximo, aquilo lá tem uma inteligência artificial por trás. Inclusive, a definição de inteligência artificial é de 1950 e alguma coisa e é bem nessa linha de uma ação inteligente que poderia ter sido feita por um humano. Ela é bem ampla, né? Conta para nós essa nova era da generativa, como que isso está influenciando o LinkedIn no seu produto?

[00:04:54.29] – Milton Beck

Eu acho que assim, muita gente acha que é um hype, né? Então não é o que a gente acha, tá? Inclusive, quando a gente compara a adoção de inteligência artificial com outras tecnologias que vieram, eu acho que, não sei se vocês lembram, vão lembrar, mas internet demorou 84 meses para atingir 100 milhões de usuários, mais de 7 anos, né? O ChatGPT demorou 2 meses para atingir 100 milhões de usuários. Então, a característica dessa tecnologia é que ela está sendo, tem uma adoção muito rápida, as pessoas se sentem familiarizadas rapidamente com a tecnologia Isso aí está entrando muito facilmente no dia a dia das pessoas, é muito comum você encontrar gente que não tem um perfil tecnológico que fala, eu uso inteligência artificial para fazer minha mala para viajar ou para fazer meu roteiro de viagem ou o que seja. A gente está incorporando muito dessa tecnologia dentro da nossa plataforma. A gente tem uma grande, a gente tem algumas vantagens competitivas, eu diria. Uma delas começa pelos dados que a gente tem. Então, a inteligência artificial depende dos algoritmos, do software, mas depende de dados de qualidade. Quando eu falei para vocês do número de usuários, 1,2 bilhões, 14 milhões de vagas, etc., o que acontece?

[00:06:17.25] – Milton Beck

Essas pessoas interagem na rede. Então, eu aplico para uma vaga, eu sigo uma empresa, eu me conecto com uma pessoa, eu posto um conteúdo novo, alguém desenvolve uma habilidade, eu faço um curso. Então tem coisas acontecendo o tempo todo na rede. São 5 milhões de pontos de dados que o LinkedIn tem por minuto. Então assim, a quantidade de dados é muito grande e você precisa de dados de qualidade para fazer uma inteligência artificial que funcione, né? Dentro dos limites éticos, dentro das prescrições que devem ser seguidas, né? De equidade e assim por diante, mas você precisa de dados de qualidade e a gente tem esses dados de qualidade. Então, Esses dados permitem, por exemplo, vou te dar alguns exemplos da tecnologia, como ela está sendo usada hoje. Então, imagine que tem empresas buscando um tipo de desenvolvedor de software com alguma característica específica, e ela posta essas vagas e essas vagas não são preenchidas, porque as pessoas não têm essas habilidades. Esses são dados importantes para a gente, porque a gente começa a ver que tem uma demanda, mas não tem oferta de profissionais. Então, são cursos a serem desenvolvidos para suprir aquela necessidade. A gente vê também, por exemplo, demandas de profissionais numa região que faltam profissionais e um excesso em outras.

[00:07:38.13] – Milton Beck

Então a gente pode ajudar governos a também estabelecer suas políticas. Então hoje, quando você olha a plataforma do LinkedIn, ela tem inteligência artificial em quase tudo. Vou dar alguns exemplos, se você me permitir. Quando a gente pensa na plataforma linkedin.com, que é a plataforma que todo mundo usa, eu tenho meu perfil lá, você tem seu perfil, Eu quero ter um perfil melhor, eu quero que a plataforma me ajude a me escrever quem eu sou baseado na minha experiência, inteligência artificial. A inteligência artificial ajuda a conectar pessoas, a saber quais habilidades você tem, que interesses você tem, quais conteúdos você pode preferir. Então assim, é muito útil para o usuário que quer se desenvolver profissionalmente. Mas a nossa monetização, a forma como o LinkedIn monetiza, Não é exatamente através do usuário, a gente vende soluções B2B. Então, dentro das soluções que a gente vende para as empresas, e a gente tem talvez 3 grandes áreas, o LinkedIn está, a inteligência artificial está embutida. Então, se você quiser, depois eu te falo um pouquinho como está em cada uma das 3 áreas, mas não quero dar uma resposta tão longa para vocês.

[00:08:46.08] – Filipe Xavier

Não tem problema nenhum. Eu vejo o LinkedIn como uma plataforma que ela tem uma capacidade muito singular em relação às outras de se autorregular, né? Que eu quero dizer por isso? As pessoas que estão ali, elas cuidam do LinkedIn, elas fazem a gestão do LinkedIn como se fosse uma coisa, um job description delas, né? Então, se um conteúdo não performa como esperado, a própria rede vai dizendo, olha, né, não poste. Tem isso, né? Quando a gente viu naqueles momentos de pandemia assim que tem no Mais Frente Política, aquilo desapareceu sem esforço do LinkedIn, aparente, né, por dizer. Como é o valor do conteúdo hoje e qual a preocupação que vocês têm em relação a mais utilização de inteligência artificial generativa para garantir que esse conteúdo continue relevante?

[00:09:40.00] – Milton Beck

Então assim, a pergunta talvez que me perguntam muito é: tem uma geração, tem gente gerando conteúdo com ChatGPT ou com Claude ou com outros com outras inteligências? Eu acredito que tenha, mas o ponto importante é que na hora que o usuário ele posta, ele é o responsável pelo que ele está postando. Então assim, é importante ter senso crítico, é importante ter— você está assinando com seu nome aquele post, né? Depende do tipo de conteúdo que está lá, ele pode ter engajamento ou pode não ter, pode não ser natural. Então assim, o fato de ter uma inteligência artificial te ajudando a escrever um post, eu não vejo como problema. Eu acho que o problema é o conteúdo em si. Então, eu escrevo um texto e tem erros de português, eu passo inteligência artificial para corrigi-lo, eu acho legal. Às vezes eu não sei fazer a concordância correta. Eu não acho isso um desmerecimento da pessoa. O problema é se o post não tem um conteúdo relevante, que não seja pessoal, que seja genérico total, ninguém vai ter interesse. Então eu acho que a preocupação com conteúdos, isso acho que vale para tudo, vale para texto, vale para foto, vale para vídeo.

[00:10:51.16] – Milton Beck

O problema não é se ele foi feito ou não com inteligência artificial, mas quanto tem de pessoal e quanto aquilo lá reflete o que você pensa de algo, né?

[00:11:00.01] – Fred Pericini

Então eu penso, a inteligência artificial tem um potencial de inundar as redes, ficou mais fácil, né, produzir conteúdo. Como que você pensa sobre isso?

[00:11:11.22] – Milton Beck

Eu acho assim, a rede se autorregula, tá? Então se o conteúdo é interessante para mim, se aquele conteúdo foi relevante. Eu fiz um, inclusive eu fiz um post um tempo atrás, eu fiz dois, eu fiz um texto e depois peguei aqueles tópicos sobre o que eu falei, escrevi e para pedir para inteligência artificial me gerar um post também, né? E falei qual dos dois é o feito por inteligência artificial e qual que eu fiz, né? E a maioria das pessoas acertou. Então assim, dá para saber. E é interessante, você tá falando da inteligência artificial, mas eu vejo isso muito, eu sou muito contatado por executivos de empresas que querem ter uma uma presença maior no LinkedIn. Isso é interessante porque quando eu entrei, eu entrei no começo do LinkedIn em 2012, e eu ia falar com executivos, executivo falava, eu não vou colocar meu perfil no LinkedIn, eu sou CEO da empresa, vão pensar que eu tô procurando emprego, né? E hoje não, hoje os CEOs são os primeiros que querem colocar o seu perfil, eles querem se comunicar internamente, querem se comunicar externamente, né, com seus funcionários e com o mundo de fora, né?

[00:12:12.13] – Milton Beck

E às vezes eles falam assim, chega, e fala assim, ah, não tive muito engajamento, mas aí ele faz uma produção de um vídeo Que vídeo está bem na moda, né? Fazer uma produção de vídeo hiperproduzida, com script, com teleprompter, e as pessoas não gostam muito.

[00:12:24.17] – Filipe Xavier

Porque não é ele.

[00:12:25.15] – Milton Beck

Porque não é ele, porque as pessoas às vezes não querem ouvir um press release gravado em vídeo, eles querem natureza, né? Eu mesmo faço muito, eu posto relativamente bastante, e às vezes eu faço um post que é super bem feitinho, que é sobre uma tendência ou algo que eu quero compartilhar com a rede, e não tem um grande engajamento. Hoje mesmo, em particular, eu fiz um post sobre um amigo que eu vi 20 anos atrás e que hoje eu revi, e as duas fotos e o comentário, o que ele aprendeu comigo, assim, muito pessoal o post. E esse engaja, entendeu? Então assim, as redes sociais têm características que não é uma matemática, né? Às vezes você não sabe por que algo funciona e algo não funciona. Então eu acho que tem que testar. Se a pessoa testa, faz com inteligência artificial e funciona muito bem, Parabéns para ela, mas eu acho que tem uma tendência das coisas naturais funcionarem melhor.

[00:13:15.09] – Filipe Xavier

E agora, quando você pensa nessa sua base, ela te dá um diferencial competitivo maravilhoso. Como é que você mede como está a sua base, o usuário ou as próprias empresas em relação à inteligência artificial? Tem algum estudo que vocês estão conduzindo nesse sentido?

[00:13:31.14] – Milton Beck

A gente conduz bastante estudos. Inclusive, eu tenho aqui, as pessoas devem ter olhado por que ele está com um papelzinho aqui. Porque muitos números eu sei, muitos números eu não lembro de cabeça, né? Então eu falei, de vez eu vou passar para vocês, para quem tá assistindo aqui, números aproximados. Colocar minha colinha, não tô em prova, não tô fazendo prova, deixa eu passar os números perfeitos, né? Então a gente perguntou, a gente fez uma pesquisa com 19 mil profissionais, tá? 14 países: Arábia Saudita, Emirados Árabes, Austrália. Eu não vou listar todos, tá? Mas inclusive o Brasil tá nessa pesquisa, né? E o que a gente viu é que tem um entusiasmo muito grande dos brasileiros com inteligência artificial. E brasileiro gosta de novidades, né? A gente sabe que brasileiro gosta de rede social, brasileiro gosta de novidades, tecnologias, celulares, e gostou também de inteligência artificial, tá? E aqui a nossa, os destaques que a gente tem é que 83% dos brasileiros acreditam que inteligência artificial vai melhorar a rotina de trabalho, maior índice dentre todos os países. Um otimismo comparado com países como Austrália, Espanha, Suécia, Reino Unido, Singapura, França. Então assim, dentro deste universo, os brasileiros são aqueles que mais acham que a IA vai melhorar a rotina de trabalho deles.

[00:14:45.05] – Milton Beck

42% usam inteligência artificial diariamente, 84% acham divertido, que revela uma cultura de curiosidade, abertura e inovação, tá? Em termos de preparação para o futuro, 46% se sentem preparados para o que a IA pode trazer nos próximos anos, 42% confiam na IA para decisões de carreira. Então assim, os números de Brasil são muito promissores, são muito interessantes em termos de futuro. E assim, talvez isso seja um dos motivos, esse conforto seja porque os brasileiros também estão usando muito para aplicações pessoais. Então quando você usa, você vê que aquilo lá talvez não seja um bicho de 7 cabeças, talvez não tenham, os brasileiros em geral não tenham toda a visão de como a IA pode ajudar em coisas mais complexas. Mas já dá para entender um pouco de que aquilo lá vai mudar a vida. Agora, o interessante é quando você pergunta, você tem todos esses dados positivos das pessoas, mas quando você vai para as empresas, muitas das empresas não estão ajudando os seus profissionais a se desenvolverem em IA. Então aí tem um gap.

[00:15:57.18] – Fred Pericini

E algumas das empresas também indicando que não estão ainda capturando valor com IA, investindo, apostando, mas ainda não vendo o ponteiro mexer. Teve um dado que você disse que me chamou muito a atenção: 46% se sente pronto para IA, o que significa que 54% não se sente. Ou seja, mais da metade dos entrevistados não se sentem prontos para essa nova tecnologia. Nós temos uma missão aqui no podcast de ajudar as pessoas a se inspirar e mover na direção de adaptação para essa nova era. A que se deve, na sua opinião, mais da metade não se sentir pronto?

[00:16:46.00] – Milton Beck

Eu acho assim, é interessante, né, porque às vezes você pergunta para alguém que sabe bem pouquinho, se sente pronto, e alguém que sabe muito fala assim, cara, eu nem— porque às vezes você nem sabe que você não sabe, né. Então assim, o fato da— eu acho que demonstra mais otimismo do que realmente uma grande preparação. Então, muita gente talvez use uma ferramenta, fez 10 perguntas no ChatGPT e se sente pronto. E aí você vai ter outro que mexe com 10 inteligências artificiais diferentes e começa a ver o tamanho do negócio e fala assim, nossa, eu estou muito no começo da minha jornada. Então, eu acho que tem uma coisa importante, que eu acho que tem dois lados. Tem o lado dos usuários em si, que vão ter ganhos de produtividade, vou conseguir, eu uso bastante como usuário também, vou conseguir escrever e-mails melhores, vou resumir reuniões, vou fazer um monte de coisa, né? Assim, o lado das empresas, eu vi uma palestra do presidente do LinkedIn, Ryan Rolandsky, ele usou um exemplo que me pegou um pouco, que foi uma analogia com o que aconteceu com a indústria com a revolução da revolução industrial e quando vem tudo da eletricidade no século 19, tá?

[00:18:00.12] – Milton Beck

Então assim, se você pensar, se vocês me permitirem comentar um pouco, porque eu acho que tem muita analogia, tá? Quando em 1880 já tinha eletricidade disponível nos Estados Unidos, já era usado nas casas, já tinha as lâmpadas, etc., mas as empresas elas tinham uma outra, elas eram baseadas em máquinas que estavam ligadas num eixo que era movido a vapor. Então tinha lá a sua máquina de gerar vapor, que girava um eixo, e todas as máquinas estavam ligadas nesse eixo. E aí quando veio a eletricidade, as empresas falaram assim, mas como eu vou mudar toda a minha estrutura aqui, né? Tem muita coisa já feita aqui, né, para eu mudar todos os meus processos. E aí algumas o que fizeram? Falaram assim, olha, eu vou trocar esse eixo central aqui, em vez de ser movido por vapor, vou mover ele por uma máquina elétrica, um motor elétrico. E aí que eles fizeram? Colocaram o motor elétrico que girava o mesmo eixo central e as máquinas continuavam ligadas a essa polia, né, esse eixo central, e as máquinas operavam, mas não houve uma mudança, não teve ganho de produtividade. Quando o ganho de produtividade ocorreu? Quando criaram os motores individuais e as empresas, cada máquina tinha o seu motor, e aí criaram as células de manufatura, criaram formas diferentes de trabalhar, juntaram grupos, etc.

[00:19:19.25] – Milton Beck

Então eu acho que tem uma analogia muito grande com inteligência artificial, porque se você pegar hoje que muitos dos processos que as empresas têm estão baseados em processos tradicionais. E aí você coloca a inteligência artificial para fazer, vou fazer uma apresentação PowerPoint, em vez desse jeito, daquele jeito. Tem um ganho, mas esse ganho não é o ganho que vai fazer com que a empresa mude seu patamar de ganhos, tá certo? Então os ganhos começam na hora que você tem mudanças de processos de verdade. Então, por exemplo, depois não sei se vocês querem falar disso, mas assim, na área de recrutamento que eu cuido em particular, de soluções de talento do LinkedIn, os ganhos de produtividade são relevantes se muda os processos. E aí você começa a ver ganhos reais nas empresas também.

[00:20:07.04] – Filipe Xavier

A gente quer, já quero inclusive que você conte um deles para a gente entender como é essa mudança.

[00:20:13.12] – Fred Pericini

E a gente, complementando, a gente acredita nisso, o AI first. É o nosso nome, é um pouco na analogia do mobile first, que quando surgiu isso, o que exigiu era que a gente revisse os produtos web para pensar primeiro celular, né? E agora é pensar os problemas de negócio primeiro com AI, né? E remodelar os processos e as formas como a gente faz as coisas. Mas nós estamos muito interessados em saber sim.

[00:20:49.01] – Milton Beck

Então deixa eu falar para vocês o que que eu tô, que que a gente vê hoje que tá acontecendo, né? Então a gente vê que, por exemplo, nas áreas, as empresas elas vão ter que ter baseado, eu não sei se já ouviram esse termo, os americanos usam muito, que é a estratégia de pessoas baseada nos 3 Bs, vamos dizer assim, né? Para tarefas muito rotineiras você vai ter um bot, tá? Então assim, tarefa simples que acontece muito na empresa, eu vou ter um B de bot. Tarefas que vão ser esporádicas, que não são core da empresa, eu vou ter um borrow, eu vou alugar uma empresa que vai me emprestar um serviço, alguma coisa. Para as funções que são muito importantes, eu vou buy, esse é o B do buy. Então buy, borrow e bot. Então eu vou ter os meus funcionários, eu vou desenvolvê-los, então assim, eu vou ter 3 grandes áreas de busca, de duas grandes áreas de busca de profissionais e uma busca por aplicativos ou por bots que vão fazer o trabalho, né? Então o que a gente vai ver com inteligência artificial, eu acredito, são que muitas das tarefas rotineiras, que são as tarefas menos relacionadas com criatividade, com comunicação, com empatia, com pensamento estratégico, etc., essas vão ser, essas tarefas vão ser substituídas por inteligência artificial.

[00:22:06.17] – Milton Beck

Então não é que o cargo vai ser substituído, mas a tarefa que aquele profissional executa vai ser eventualmente substituída por uma inteligência artificial e ele vai poder dedicar mais tempo para fazer coisas mais sofisticadas. Então quando você vê a busca hoje, inclusive dentro do LinkedIn, a gente mede o tipo de habilidades que são buscadas nos empregos, nas vagas que são postadas, cresceu 5 vezes no último ano o número de vagas que exigem algum tipo de conhecimento em inteligência artificial. Então as indústrias estão querendo isso aqui, elas querem para desenvolver processos, para terem profissionais mais atualizados, mais capacitados, mas a gente também está ajudando as empresas a encontrar esses profissionais, não somente esses, mas profissionais em geral. Então hoje no LinkedIn a gente tem uma plataforma chamada LinkedIn Talent Solutions, de soluções de talentos, no qual a gente ajuda as empresas a usarem o LinkedIn para encontrar seus talentos. Então, quando você lembra como que era antigamente, que você mandava o currículo, depois você começou a aplicar, mandava currículo em papel, depois começou a aplicar na internet e hoje você vê como as empresas fazem, as empresas, a grande maioria das empresas no Brasil usam de uma certa forma o LinkedIn para encontrar seus profissionais.

[00:23:30.23] – Milton Beck

Então, e essa busca às vezes não é tão óbvia. Então às vezes você faz uma busca, fala assim, olha, eu tô procurando um engenheiro mecânico, pensando no meu caso aqui, engenheiro mecânico com especialização em motores na região de Aracaju, que tenha conhecimento em XYZ, tá? Se o perfil tiver no LinkedIn, o LinkedIn vai mostrar quem é essa pessoa muito rapidamente, que facilita muito a vida do computadores, né? Mas imagina que você tá procurando um profissional, você não sabe bem o que você quer, tá? Eu tô procurando alguém que entenda de negócios e que seja uma pessoa organizada e que me ajude a planejar e que tenha boa comunicação, perfil analítico, que possa se relacionar com pessoas diferentes tipos. Que cargo é esse, né? Exatamente, o que que eu escrevo aí, né? Não é um engenheiro mecânico, pode ser sei lá o quê, né? O LinkedIn, ele faz, ele tem as nuances, tá? Então ele entende o que que é, quais são as diversas áreas de atuação de um profissional que pode encaixar nesse perfil, quais são aqueles que têm mais afinidade com a sua empresa, com o tipo de trabalho. Então assim, ele entende o seu perfil mesmo que não esteja escrito alguma coisa lá.

[00:24:42.27] – Milton Beck

Então vou pegar uma área que é muito, muito em evidência, tá, que são desenvolvedores de software, tá? Então às vezes desenvolvedor de software todo mundo quer, né? É um cargo muito desejado, muito buscado hoje, né? Então quando você vai buscar um desenvolvedor de software, você fala, gostaria que ele tivesse essas, soubesse dessas linguagens de programação. Muitos desenvolvedores de software não colocam todas as linguagens de programação que ele sabe, ele coloca algumas, mas o LinkedIn sabe por inferência que ele sabe, que ele sabe. Então assim, se ele soubesse, ele sabe aquela, tá?

[00:25:16.02] – Fred Pericini

Pela descrição do perfil e pelos conteúdos, pelo que ele já sabe da história.

[00:25:19.07] – Milton Beck

Então ele já sabe todos os pelos 1,2 bilhões de usuários que a gente tem, ele sabe que se o cara sabe, ele faz uma correlação entre o que o cara descreveu e o que o cara realmente sabe, porque às vezes a descrição não é completa. Exatamente. Então assim, tem muita inteligência artificial. Então hoje os recrutadores, eles vão escrever emails. O email é a mensagem interna que vai por dentro do LinkedIn. Então imagina que você recebe até um hacker, né? Você recebe uma mensagem falando assim: nossa, Felipe, eu vi seu perfil, você é um comunicador, tem uma vaga aqui de relações públicas na minha empresa, você gostaria de aplicar? Talvez você diga sim, talvez você diga não. Imagina que você recebe uma mensagem do tipo assim: Felipe, vi seu perfil, vi que você trabalhou na GE, vi que você fez projeto A, B, C, D, E, que vai muito alinhado com essa vaga, porque essa vaga precisa dessa característica que você tem, etc. Você fala: nossa, essa vaga foi feita para mim, né? Talvez esse email tenha sido feito por inteligência artificial. Então o aumento do índice de respostas é muito grande. Então você tem um aumento de índice de respostas, o sistema, a inteligência artificial descobre perfis escondidos que você talvez não fosse tão óbvios.

[00:26:29.14] – Milton Beck

Então a gente tá lançando agora no fim de setembro um produto chamado LinkedIn Hiring Assistant, que vai ajudar muito nessas tarefas, as tarefas que não requerem toda essa habilidade pessoal do recrutador. Então, a gente estava com, no piloto que a gente estava implementando, a gente fez com 5 mil recrutadores em 800 empresas e os ganhos foram de duplicar o número de respostas aos emails, diminuiu pela metade o número de perfis que os recrutadores têm que ver até achar o candidato certo. Então, ganhos de produtividade muito grandes. Então, esses ganhos de produtividade, eles são aplicados em todas as áreas. Esse é um exemplo de uma solução que a gente está lançando no mercado, mas existem vários. Então, eu realmente estou muito otimista com o uso dessa tecnologia para fazer com que as pessoas possam usar o seu melhor e não passar uma grande parte do tempo fazendo uma tarefa que a gente pensa assim, não, poderia ter um robô fazendo isso.

[00:27:28.21] – Filipe Xavier

Sim. E meio que já é você trazendo um dos Bs, você está fazendo o boot para o seu próprio negócio transformando isso na vida mais fácil para o recrutador.

[00:27:38.19] – Fred Pericini

Para automatizar o que for mais corriqueiro.

[00:27:41.04] – Filipe Xavier

Exatamente, a tendência você já está trazendo para agora. Agora, Milton, quando você pensa no uso mais disruptivo da inteligência artificial generativa que você viu no LinkedIn, e pode ser aqui ou pode ser fora também, porque vocês são uma plataforma global, qual é? Qual seria?

[00:28:00.23] – Milton Beck

Eu já vi, por exemplo, acho que algumas coisas são muito interessantes, Então, um dos objetivos principais das pessoas quando elas entram no LinkedIn é crescer na carreira. Então assim, você fala, por que você está aqui? Eu quero crescer na minha carreira. Crescer na carreira para um significa procurar um novo emprego que pague mais, mais perto de casa, com mais chance de crescimento. Para outro pode ser, eu quero aumentar o meu networking porque eu vou vender mais. Para outro seja o que for.

[00:28:26.25] – Filipe Xavier

Visibilidade.

[00:28:28.00] – Fred Pericini

Aprender.

[00:28:28.17] – Milton Beck

Aprender uma habilidade nova. Mas as pessoas às vezes não sabem como fazer para crescer. Então, suponha, eu entrei numa empresa, eu fiz um curso de uma faculdade de marketing, entrei lá, sou analista de marketing júnior, mas eu quero ser CMO da empresa. Como eu faço? Não é tão óbvio, né? Essa resposta não é uma receita tão óbvia. Nós temos, a gente tem na nossa plataforma A gente tem um coaching virtual e ele fala assim, olha, as carreiras que você pode crescer, acho que pelo nosso histórico de 1,2 bilhões de usuários, a gente está vendo, olha, que para um analista de marketing virar um CMO, normalmente é esse o caminho que ele faz. São essas habilidades que ele tem que desenvolver, são esses os cursos que eu sugiro que você faça, talvez são essas a progressão de carreira que você deve fazer. Mas existem outras chances de crescer que a gente vê. Se você é um analista de marketing, Tem gente que vai para Project Management, tem gente que vai para essas outras áreas que aqui a chance de você ir talvez é 25% e aqui é 75%. Mas ele te traça opções de carreira e você fala com um coach virtual que te ajuda.

[00:29:40.14] – Milton Beck

Então assim, tem outras coisas, por exemplo, que eu achei bastante disruptivas.

[00:29:44.05] – Filipe Xavier

E o coach virtual é inteligência artificial?

[00:29:46.17] – Milton Beck

Inteligência artificial. E assim, tem coisas bastante disruptivas, por exemplo, que eu vi Eu tenho que dar um feedback para um funcionário meu. E feedback ninguém gosta, né? Se fosse bom não tinha curso de dar feedback, né? Então assim, vou dar um feedback de que ele está performando um pouco abaixo do que ele espera. Ele acha que está indo super bem e eu acho que ele está abaixo da expectativa. Então essa conversa vai ser uma conversa difícil, que eu não sei como abordar. Antes de fazer a conversa, eu entro no coach do LinkedIn e falo assim: então, amanhã eu vou ter uma conversa, eu sei esse funcionário, ele é assim. Eu sei que ele vai me contestar deste jeito. E você conversa com o coach, ao final do coaching, como se fosse ele, você simula a conversa. Ele te fala: olha, aqui você foi muito direto, aqui você foi um pouco soft, aqui você poderia ter abordado desta outra forma, tá? Então assim, eu acho que tem muitas áreas que não são óbvias que vão ajudar as pessoas a se desenvolverem. E mesmo antes da inteligência artificial estar tão desenvolvida assim, Eu às vezes ia fazer alguma coisa que eu não sabia muito bem como fazer, e eu tenho bastante experiência, tô mais de 40 anos no mercado, né?

[00:30:54.28] – Milton Beck

Mas às vezes tem alguma coisa que parece óbvia de gerenciamento, fala assim, cara, não sei se eu tô fazendo certo. Eu entrava no LinkedIn Learning e olhava lá, vou ter que fazer uma, vou ter que negar algo que meu chefe está pedindo, como eu faço isso sem parecer que tô me rebelando, né? Tem curso disso. Então assim, tem muitos cursos, tanto de área técnica, eu falei dos 20 mil, a gente tem 1.000 de inteligência artificial, esqueci de falar. A gente tem 1.000 cursos de inteligência artificial, desde o nível mais básico ao mais sofisticado.

[00:31:27.11] – Fred Pericini

Vamos fazer uma pausa.

[00:31:29.05] – Filipe Xavier

Dica aí para todo mundo, 1.000 cursos disponíveis dentro do LinkedIn em inteligência artificial. Usem e abusem.

[00:31:34.23] – Fred Pericini

E a gente faz sempre uma pergunta que nós vamos fazer para você também, que é: deixa uma dica para a nossa audiência, por onde começar? E aí eu acho que já ficou a primeira dica, por onde começar? Pelos cursos de AI que estão lá no LinkedIn Learning.

[00:31:49.23] – Milton Beck

Eu faço cursos do LinkedIn Learning de todos os tipos, desde cursos de soft skills para aprender a me relacionar, comunicar, etc., mas estou fazendo cursos de inteligência artificial também. E aí depende em que nível você está nessa jornada, você pode fazer cursos diferentes. Então tem desde o cara que é muito sofisticado, que está desenvolvendo as linguagens lá, Até o usuário que fala assim, eu não sei fazer um prompt, né? Como eu melhoro o meu prompt, né? Então assim, alguns prompts são mais óbvios, mas se eu for por usar o Midjourney para fazer uma foto, não é tão óbvio fazer o prompt do Midjourney, certo? Não é tão— a gente tem cursos de prompt engineering, tá? Então tem cursos de prompts, tem cursos de— tem gente que quer saber se a inteligência artificial está sendo usada de forma ética, né? Tem curso disso aí, tem cursos mais sofisticados, tem curso de todos os tipos, tá? Agora assim, a dica que eu dou, eu não, quem sou eu para dar dicas assim, mas eu, o que eu penso assim, tem que começar a usar. Se você não começar a usar e não tiver curiosidade, eu às vezes faço coisas assim, eu faço, tem coisa que eu faço porque é profissional, mas tem coisas que eu faço para testar.

[00:32:59.24] – Milton Beck

Então assim, eu vou fazer uma viagem para Europa e fiz um roteiro, Aí eu faço o roteiro e aí jogo no ChatGPT. Aí eu fiz esse roteiro, chegou uma resposta, eu mando no Perplexity para ver. Perplexity, o que que achou do meu roteiro? Eu não falo para ele que foi feito no ChatGPT para ele não se ofender, né? Mas assim, eu jogo na outra inteligência artificial e comparo resultados de inteligência artificial. Eu faço uma foto num lugar, depois faço no outro, uso Copilot, uso ChatGPT, uso Perplexity, uso Gênesis, assim. Vai usando para eu entender o que que— se você não usar, quando você vai conversar, mesmo um executivo que talvez não tenha, pensando aqui na sua audiência, né, CEO, CMO, C-level, etc., ou pessoas que estão crescendo na carreira, se você não usar é muito difícil ter uma narrativa, né? Você não sabe, você nunca teve a experiência, você não viu que o resultado deu tudo errado, você não entende quando alguém te falar Não adianta você olhar, você tem que ter um lado analítico para ver se aquela resposta não é uma alucinação. Então assim, você pode confiar, mas quanto que você pode confiar?

[00:34:05.11] – Milton Beck

Como que você faz um prompt que seja confiável? Então assim, se você não usar, é muito difícil você pedir para outros usarem. É muito difícil para você fazer a sua empresa adotar algo se você não tem um mínimo conhecimento daquilo ali. Então eu acho que depende do nível do executivo, o tipo de conhecimento que ele vai ter de inteligência artificial vai variar, né? Claro que alguém que tá na área de tecnologia vai talvez, mais provavelmente, vai dedicar mais tempo do que alguém que tá na área de agro ou manufatura, se ele não for a pessoa que tá envolvida nesse processo, né? Sem desmerecimento nenhum de agro, manufatura, que seja, eu sou engenheiro mecânico, tanto assim. Mas talvez o pessoal de tecnologia é o que tá mais primeiro olhando para isso aqui, né? Porque acorda atividade, né? Mas assim, se não começar a olhar e trabalhar e mexer e testar um pouco, muito difícil você ter o feeling, né, para saber aonde que vai ser, quais processos eu poderia usar melhor, como eu vou fazer, quem eu tenho que contratar, pessoa que eu contratei sabe usar, fazer essa avaliação, né? Então eu acho que brincar um pouco também faz parte.

[00:35:13.16] – Fred Pericini

E tenha essa curiosidade e entendimento de que é uma mudança de movimento de placa tectônica mesmo, né? Então tem um senso de urgência, de sobrevivência. E puxando o gancho da sobrevivência, como é que isso vai mexer o mercado de trabalho na sua visão?

[00:35:35.02] – Milton Beck

Você sabe que é interessante porque eu tava na Microsoft antes de estar no LinkedIn, né? E eu me lembro que saiu um artigo em 2001 do Wall Street Journal Que foi quando foi lançado o Excel, Lotus 1-2-3. Eu não sou dessa época, eu sou mais novo, mas quando teve o Excel, Lotus, quem conhece Lotus 1-2-3, Excel, VisiCalc, essas planilhas? Saiu um artigo, não me lembro que ano foi, do Wall Street Journal falando sobre o terror dos contadores. Os contadores falaram, agora acabou, porque tudo que eu faço de apontar os dados nos livros, etc., o Excel, o VisiCalc, o Lotus vai fazer. E essa matéria falava sobre o que mudou. E o que aconteceu? Que quem apontava os dados, quem colocava os dados, realmente teve um declínio muito grande no número de vagas. Mas os analistas de dados cresceram. Então assim, não é a primeira vez que surge esse receio de que uma tecnologia vai acabar com vagas, com trabalhos, etc. O que acontece, talvez não na mesma proporção do Excel, Excel afetou muito os contadores, talvez não afetou tanta gente. Eu acho que vai acontecer uma coisa meio parecida. Eu acho que algumas tarefas vão ser substituídas e essas tarefas vão ser, o tempo desses profissionais vão ser absorvidos por tarefas mais sofisticadas.

[00:37:02.09] – Milton Beck

E dependendo do tipo de função que a pessoa tem na empresa, mais ou menos. Então algumas Alguns trabalhos eu realmente acho que vão ser muito afetados. Então a gente já está vendo que em algumas áreas, pega tradução, por exemplo, como um exemplo, hoje é muito mais fácil traduzir do que era um tempo atrás, as traduções saem muito perfeitas. Então eu imagino que uma parte desse trabalho foi prejudicada. Talvez esses tradutores estão fazendo outras coisas diferentes do que eles faziam antes, que é simplesmente traduzir. Estão contextualizando, estão fazendo traduções ao vivo, estão fazendo outras coisas diferentes, né? Mas vai mudar. Você falou uma analogia que você usou da placa tectônica, é uma boa analogia, porque as mudanças são muito profundas realmente, né?

[00:37:54.03] – Fred Pericini

E quando vem mudanças muito grandes, a humanidade sistematicamente comete um erro. De achar que vai ser adotado mais rápido do que de fato é e underestimated, estima para baixo a profundidade daquela nova tecnologia. Então vamos pensar na internet. Aí a gente se animou e teve a bolha porque a gente achou que aquele negócio ia mudar o mundo amanhã, né? E que se as empresas não estão na internet, eu morrei. As que são de internet iam bombar, prosperar. E aí tivemos uma bolha. Mas naquela época a gente não imaginava que o S&P, 15 anos depois, ia ser predominante de tecnologia e com os produtos que hoje a gente conhece. AI, qual a profundidade que você enxerga?

[00:39:02.17] – Milton Beck

Eu tenho dois quotes que eu acho que são interessantes, tá? Um deles que eu acho que você já deve ter ouvido aqui N vezes, tá? É que você não vai ser substituído por IA, você vai ser substituído por um profissional que sabe usar IA, né? Esse é um, eu realmente acho que isso tem um grande fundo de verdade. Esse é um quote recente. Mas tem um coach antigo da década de 70, acho que é Peter Drucker, tá, que fez, e ele falou assim: o futuro não é daqueles que sabem tudo, mas aqueles que aprendem, desaprendem, aprendem, estão constantemente aprendendo, tá. Então eu acho que para quem assiste, quem tá assistindo aqui, tá, tem gente que tá hiper motivada, que tá hiper achando que isso aqui vai mudar, vai ter a placa tectônica, vai mudar o mundo, e tem gente que é cético e que fala assim, acho que na minha área de trabalho isso aqui talvez não seja tão relevante. Então vai ter o espectro, vai do branco ao preto, né, com vários tons de cinza no meio, né. Mas eu acho que uma das verdades, que eu acho que é quando eu me pergunto muito do que que vai me afetar, o que que vai afetar o profissional do futuro, como eu faço, eu acho que se a pessoa, o profissional que for um pouco arrogante e achar que o que ele sabe, que ele aprendeu há 5, 6, 3, 2 anos atrás é suficiente, esse vai ser o primeiro que vai ser passado para trás, tá?

[00:40:30.29] – Milton Beck

Então eu acho que o mais importante é ter essa humildade de falar: é uma coisa nova, é uma coisa que a gente não sabe tão bem como vai se portar, eu quero entrar nessa onda e quero me desenvolver e tenho que aprender. Não importa se você tem acabou de sair do curso técnico, da faculdade, você é um profissional mais experiente que tá mais sênior, se você não aprender você vai ficar para trás. Eu acho que hoje com a competitividade que existe, a chance de vir uma tecnologia disruptiva e tirar você do mercado, se vocês vieram conforme a área que você tá, é muito grande. Então assim, tem que ficar esperto, tem que aprender, tem que ter uma jornada. Eu acho que é mais importante do que está sabendo alguma coisa, é entender que é uma jornada. Tem gente que vai aprender mais rápido, mais devagar, mas tem que começar, porque isso aqui é uma mudança, como você falou, é uma mudança nos parâmetros da chegada da internet, é uma mudança tipo Revolução Industrial, tipo a mudança do smartphone, não foi uma mudancinha, isso aqui é uma mudança gigante. É só você ver os investimentos que as empresas de tecnologia estão fazendo em data centers.

[00:41:35.24] – Milton Beck

Quando você pega o CAPEX que as empresas estão… Investiram ano passado em data centers para IA foi 5, 6 vezes o que gastaram no ano anterior. Por isso que você vê o preço da NVIDIA, da empresa NVIDIA, tá superando 4 trilhões de dólares, né? Eu lembro da NVIDIA, eu sou na Microsoft, eu cuidava de videogame, NVIDIA era empresa de placa 3D para jogar videogame, né? Você comprava na Santa Ifigênia. Hoje é uma empresa de 4 trilhões de dólares. Então assim, aquelas crenças que a gente tem, né, de uma hora para outra elas mudam, né? Então eu acho que essa característica de quero aprender, não duvido de nada, me ensina como eu posso aprender, como eu posso me desenvolver, eu acho que é o mantra atual, né?

[00:42:26.10] – Filipe Xavier

Essa tem sido talvez a maior das constâncias aqui para a gente: curiosidade, né? Se manter curioso, capacidade de evoluir. Se melhorar um pouquinho todos os dias, acho que é o que a gente mais, transformando em dica para quem nos escuta. Milton, papo profundo, com muitos despertares de consciência de como o LinkedIn está utilizando inteligência artificial de maneiras diferentes. Queria te agradecer muito por estar conosco nessa segunda temporada aqui com a gente. Obrigado pelo papo.

[00:42:58.29] – Milton Beck

Eu que agradeço. Um prazer estar aqui com vocês, gostei também, muito divertido.

[00:43:04.07] – Fred Pericini

Muito obrigado. E eu saio aqui com um quote, já que ele gosta de quotes, que numa mudança de placa tectônica, a melhor defesa é o ataque. É a gente atacar o conhecimento, a curiosidade, aprender. Vai mexer com as diversas plataformas, vai ver qual que é melhor para quê, para que você tenha um conhecimento para hora de abordar os problemas de negócio, saber as limitações, as possibilidades para poder implementar no seu negócio.

[00:43:46.00] – Filipe Xavier

Eu vou trazer um coach então, vou pegar o trend do momento aqui. Comecem, depois vocês melhorem, né? É isso aí, é isso aí. Obrigado a vocês.

[00:43:54.27] – Milton Beck

Valeu, obrigado, valeu.

APRESENTADORES

Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini

Fred Pericini

Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier

Filipe Xavier

Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.