
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 12
Inteligência Artificial e o Futuro da Publicidade
Com dados, IA e jornalismo de qualidade, a Abril vem ampliando a performance de campanhas e entregando experiências mais relevantes para o público.

CONVIDADO
Ciro Hashimoto
Abril
Transcrição do episódio
Mais um episódio do AI Firstcast, o único podcast no Brasil dedicado à discussão de adoção de inteligência artificial no mundo dos negócios. Meu nome é Fred Pericini, sou fundador da agência F2F e de gaspers.ai. Estou com duas pessoas muito bacanas hoje. Tenho certeza que o Fih vai falar que a entrevista de hoje é especial, mas é mesmo.
Ela é, é isso aí, é isso aí. Chegamos, mais um AI First Cast na área. Hoje a gente vai conversar e desbravar um universo ainda que não exploramos aqui, Fred. É por isso que a conversa vai ser bacana. Temos conosco Ciro Hashimoto. Ciro, aqui a gente tem uma tradição, a gente não te apresenta, a gente vai deixar você fazer isso. Então conta quem é o Ciro.
Poxa, obrigado, Fih. Obrigado, Fred, pelo convite. É uma honra estar falando com a audiência de vocês aqui. Bom, eu sou Ciro Hashimoto, como vocês bem disseram. Sou jornalista de formação, 100% corrompido. Já lá atrás já virei para a área dos negócios, não deu certo a carreira jornalística. Contando rapidamente por uma passagem de 15 anos de Grupo Globo, Depois, um período pelo Mercado Livre, né, aprendendo um pouco mais sobre dados, sobre inteligência artificial, no que hoje é a maior empresa da América Latina, mais valiosa da América Latina, que é o Mercado Livre. Quando recebi o convite da Abril, que é onde estou hoje, no Grupo Abril, para liderar a área de publicidade, para realmente alavancar os negócios usando toda a capacidade tecnológica que adquiri durante toda a minha carreira, com todo esse entusiasmo que me cabe, que daqui a pouco, por enquanto, tô um pouco contido, mas daqui a pouco eu já vou bater na mesa. Falaram para não bater, mas não tem jeito, né? Sou um cara que fala assim. Enfim, mas é isso, resumidamente, acho que Esse sou eu, é um resumido, resumindo aqui a minha carreira, sou um grande vendedor, né, que gosto de dizer assim.
É importante a gente sempre se colocar que a gente vende soluções para o mercado e hoje em dia cada vez mais consultivo, né. Espero que a gente possa bater um papo gostoso aí hoje sobre AI nos negócios.
Que legal! Eu fiz a brincadeira, né, que o Fih fala que as entrevistas são especiais e todas são, de fato.
Sem dúvida.
Mas essa tem um diferencial. É o primeiro veículo que nós estamos entrevistando, um grupo super tradicional na mídia brasileira, o Grupo Abril. E a pergunta número 1 é: o que tem a ver uma empresa tão tradicional com AI? Qual é a relação?
É interessante. Bem que você falou tradicional. Abril tá fazendo, completando esse ano 75 anos de existência. Eu, uma introdução, se vocês permitirem.
Claro.
Vocês têm ideia qual é a primeira publicação da Abril? Não, não chutaria alguma.
Eu ia errar no chute porque eu ia falar a óbvia, que é a Veja.
Mas a primeira foi o gibizinho do Pato Donald.
Uau!
Foi a primeira. Abril nasceu para isso. Porém, a primeira publicação que está viva até hoje é a Capricho. A revista Capricho, as mulheres aí que estão escutando o podcast com certeza adoraram saber que a Capricho tem 75 anos. Nasceu para ser uma revista de telenovelas, né, para contar ali as histórias de uma novela lida na época. Enfim, é uma empresa super tradicional que escreveu o seu nome na vida da maioria dos brasileiros que estão nos ouvindo, nos assistindo, né, que permeia na nossa vida dos brasileiros e que tá no momento de transformação. Abriu nos últimos anos, passou por um momento momentos financeiros difíceis, né? Mas quando a gente chegou no fundo do poço, próximo dele, tinha uma mola, e a gente bateu nessa mola e voltou. Já é o terceiro ano que a gente planeja crescimento de dois dígitos, né? Uma das empresas do grupo é a maior empresa de logística de toda América Latina. É a empresa que hoje representa 90%, todo o faturamento do grupo, e que nasceu para entregar revista, né? E hoje é a maior last mile de toda a América Latina. E a Abril ganhou eficiência, começou a olhar muito para onde os brasileiros estão consumindo conteúdo, né?
Hoje a mídia impressa, além de ainda imprimirmos muita revista, 10, 12 milhões de revistas por ano que a gente imprime, ou seja, ainda tem muita gente que gosta de ler, o brasileiro não tá somente ali, não tá mais ali exclusivamente. O brasileiro hoje tá na internet, tá no digital, tá consumindo conteúdo em forma de vídeo, vídeo curto, e é ali que a gente tem que estar. A gente tem que estar onde o brasileiro tá. Então a gente tá investindo muito em tecnologia, tá investindo muito em inovação, e principalmente em audiovisual, né? O nosso novo, nova sede tem dois grandes estúdios para gravação que comporta ali em cada estúdio uns 5, 6 programas simultâneos para serem gravados, né, com mesa de podcasts. Enfim, um ambiente bem interessante que realmente tá nos ajudando a utilização da AI para produção de conteúdo, para reverberar conteúdo, sempre com aquele tom personificado que a Abril acho que jamais vai abrir mão, né, pessoal?
E se eu entendi bem a sua resposta, vou traduzir ela aqui para quem nos ouve e já com um insight de inteligência artificial. Então, plugando inteligência artificial em um grupo tradicional como a Abril, Vocês vão mudar uma experiência tanto para o leitor quanto para o anunciante.
É isso aí.
Como é que vocês vão fazer isso?
Acho que esse é o caminho, né? Hoje a AI, ela, a gente enxerga a AI como uma ferramenta, mais uma ferramenta de trabalho. A gente tá aprendendo, assim como o machine learning aprende com a gente, a gente tá aprendendo como usar a ferramenta de inteligência artificial. Para o olhar do leitor, a gente tem usado muito para conseguir identificar caminhos para produzir conteúdo que seja mais palatável para ele, como por exemplo o vídeo. Então, se eu tenho uma reportagem muito densa produzida em texto para mídia impressa, Eu uso a AI para roteirizar vídeos curtos para rodar nas redes sociais. Então é uma forma da gente poder, usando a capacidade jornalística de conteúdo profundo, investigativo, né, de qualidade da Abril, para produzir, usando a AI para produzir vídeos curtos onde você consegue atingir um público muitas vezes 10, 15, 20 vezes mais impacto do que seria somente na mídia impressa. Então esse é um caminho para o público leitor, para o consumidor de conteúdo. Para o anunciante, acho que a gente consegue usar como a gente vem usando hoje, mas obviamente que estou super aberto para dicas, quem quiser me ajudar. Mas o que a gente usa hoje é como eu consigo ganhar escala, como eu faço uma proposta usando uma linha, uma narrativa que a gente pretende usar para mais empresas possíveis, para conseguir ganhar escala, ganhar velocidade, ganhar eficiência, ganhar eficácia, obviamente conseguir falar com o maior número de empresas possíveis, anunciantes possíveis, para conseguir obviamente ter o maior número de retornos positivos.
Não é sempre que dá certo, não é para todo mundo que dá, mas quando você tem uma base de clientes que você não tem uma relação tão próxima e que é um produto meio que commodity, então você consegue ganhar escala para você poder reverberar isso, essa comunicação, e a gente tem usado para isso.
Muito legal e interessante. Eu queria enfatizar e ficar um pouco no uso para o conteúdo.
Legal, né?
Conteúdo é a alma da Abreu.
É isso aí.
Imagino que devem ter tido discussões grandes sobre adotar ou não adotar AI para produção de conteúdo. Conta um pouco esses bastidores.
Olha, a gente resolveu não usar AI para produzir conteúdo que a gente é especialista. Né, então foi uma decisão super estratégica de, olha, eu vou produzir o conteúdo no tom que eu tô acostumado a falar com a minha audiência. Porque diferentemente dos de outros publishers, a gente não tem um grande portal digital, a gente não tem uma grande marca que incorpora todas as outras marcas embaixo de um guarda-chuva. A gente tem o tom da Cláudia. Que fala com a audiência da Cláudia há quase 60 anos naquele tom, a capricho, a quatro rodas, né? Fala com a audiência naquele tom e acabou. Eu não posso usar inteligência artificial para mudar esse tom ou correr o risco de ter essa mudança. O que a gente tem sim que usar e tem utilizado com um pouco de parcimônia, com um pouco de resistência, a gente incentiva os times a usarem, mas a gente ainda encontra resistência, porque é natural, uma empresa tradicional, né, é em como ganhar escala na escalabilidade, como foi o exemplo que eu dei agora há pouco, em checagens de informações, em revisão de erros ortográficos, né. Então tudo isso a gente consegue usar de forma pontual e, ó, de novo, ganhando eficiência.
Importante é que os editores, os os editores-chefes consigam ficar numa posição muito mais de supervisão e incentivando talentos a extrair temas importantes no qual a produção em si ele consiga terceirizar para AI, né? Mas o toque final, o refinamento, como a gente escreve, detalha, Esse cuidado todo abriu, ainda faz e eu acredito que vai continuar fazendo aí pessoalmente. Acho que tem um caminho de evolução de ambos os lados, do profissional que usa a ferramenta e da ferramenta em si, que venhamos e convenhamos aqui ainda tem muita coisa para evoluir.
E te escutando, Ciro, vê se você concorda comigo aqui, Fred, mas você reforça a tendência que a gente tem observado muito da adoção da inteligência artificial. Ganho de escala, eficiência e produtividade, você tá utilizando e mantém o humano até para valorar o ganho que você tá tendo com a inteligência artificial. Então a tua experiência ela tá muito confirmando essa tendência, independente do nível onde as pessoas estejam em inteligência artificial.
É, pensa na prática, eu avalio os carros, né, indo para o mundo da quatro rodas, eu avalio os carros nos detalhes, na experimentação, no barulho, na conversa que eu tenho com os revendedores daquela determinada montadora, daquele determinado veículo, né? Então tudo isso eu preciso fazer várias apurações, mas na hora de juntar essas apurações eu posso usar, o repórter, jornalista pode, deve usar a tecnologia para poder unificar isso, gerar uma narrativa. Agora, a finalização disso tem que estar no tom, tem que estar no tom de quem lidera aquela marca, do líder daquela reportagem, de quem ouviu a fonte, de quem apurou na fonte. Aí sim tem essa linha fina, que é o que você falou, né, Fih? É usar a tecnologia para produtividade, mas o toque final sempre personalizado.
Precisa do humano.
Precisa.
E o que eu enfatizo como interessante na fala é: a qualidade do conteúdo é o core da Editora Abril. E às vezes a gente ouve objeção de output genérico das AIs e tal. Vocês conseguiram contornar e achar soluções em como AI não me ameaça a qualidade do conteúdo, pelo contrário, ela me ajuda na qualidade do conteúdo. Então você disse que estão relacionados à qualidade, a checagem, que está relacionado com produtividade, é a transformação de conteúdo em um formato para outro formato. O conteúdo, a qualidade do denso da matéria original tá ali. Aí ela vai fazer divisões desse conteúdo em episódios, né? Mas ela não vai mexer na essência do conteúdo.
E eu, se você me permitir, eu vou um pouco além, porque além disso a gente distribui conteúdo de forma onde a AI nos ajuda hoje.
Como?
Então pensa numa coisa, Se você— nós estamos avançando em estudos no qual uma home ela pode ser, ela pode ser como um feed, né? Ela pode ser para você.
Eu vejo uma coisa, o Ciro vê outra, o Fred outra.
A gente tá avançando com isso de acordo com o seu conteúdo consumido. A gente tem falado com tecnologias, né? Hoje, como eu já disse, a gente consegue entender 100% da nossa audiência first party, te entregar publicidade de uma forma extremamente personificada, né? Mas indo para o lado leitor que você quer explorar mais, tem uma zona hierárquica ali que a redação não abriria mão, que é, pô, qual é a primeira matéria, matéria principal ali, ela fica fixa, não tem jeito. Mas tem outros espaços que eu poderia modular de acordo com cada leitor, né? Se o cara gosta mais de entretenimento, por que não ver mais notícias de entretenimento para aquela pessoa que gosta daquilo, né? De novo, a hierarquia jornalística tá ali. A matéria sobre o IOF, sobre o que o Ministério da Fazenda tá fazendo, sobre tomadas de decisões estão impactando aqui no país, sobre COP30, que era um assunto que a gente tava falando aqui antes de começar a gravação, tá ali fixa. Porém, os outros assuntos adjacentes são totalmente customizados um a um através da inteligência artificial. Ainda não tá valendo isso, a gente ainda não aplica, mas a gente olha com muito carinho para isso, para personificar cada vez mais a experiência de navegar nos conteúdos da Abril, que como você falou, é o core do negócio, né?
E você mencionou que você veio com a proposta de transformar um pouco a publicidade dentro do grupo. Esse exemplo acho que é um exemplo muito bacana, mas se a gente olha também para o outro lado disso, como é que você tá olhando inteligência artificial para gerar uma experiência diferente para o seu anunciante? Vocês estão nessa jornada também?
Acho que o mais legal é que o anunciante também tem aprendido a trabalhar, porque tem uma onda de influenciadores e de um movimento nas mídias sociais e tal, e que esse movimento tem crescido bastante, mas está faltando um pouco de identidade, que a Abril tem de sobra. Essa credibilidade que a Abril emprega aos leitores há 75 anos. E o que a gente tem ouvido muito do mercado anunciante é que a gente precisaria criar segmentações específicas para cada tipo de campanha, com dados específicos, com uma muito minuciosa, aquele público-alvo. Por quê? Cada vez mais. O anunciante quer fazer mais com menos, quer otimizar mais a verba. E aí, quando você faz uma campanha meio que aberta, você desperdiça muito recurso. Pensando nisso, a gente tá usando uma ferramenta que consegue clusterizar audiência e a gente digita em um campo qual é o tipo de persona que aquela campanha deve impactar. E aí inteligência artificial, que já aprendeu muito e vem aprendendo, não para de aprender 24 horas por dia sobre a nossa audiência, encontra essa persona. Eu vou dar um exemplo, tá? Imagina que você quer falar com investidores, né? Chega a um banco e quer falar com investidores.
Você só segmenta investidores, aquele que investe high level, aquele que investe mais de R$100 mil, R$200 mil, R$300 mil, num banco de investimentos e aquele que investe na poupança, ele tá no mesmo polo, né? Ele tá na mesma, na mesma subsegmentação. O cara tem interesse em finanças, tem interesse em investimento, é investidor, tá naquela subsegmentação. No nosso caso, quando a gente identifica esse cara que é um investidor entre 100, 200, 300 mil, esse investidor ele sai desse bolo. Eu diminuo o volume de impactos, mas eu sou certeiro. Eu não acerto na mosca, eu acerto no olho da mosca, né? E dessa forma você consegue dar uma mensagem muito mais importante, muito mais dirigida para esse cara. E o melhor para mim como publisher, que é o que você falou, O meu core é conteúdo, é gerar conteúdo para minha audiência. Eu gero um conteúdo confortável junto com um anúncio, um anunciante passando uma mensagem confortável direcionada para aquele cara. Então vamos lá, ele vai ter uma home que é 100% focada para ele, ele vai ter um anunciante mandando uma mensagem direta, diretamente para ele. A probabilidade desse cara se manter no meu ambiente é muito maior.
Quer dizer que ele vai ficar? Não. Mas a probabilidade disso acontecer é maior. Eu mitigo o churn, o bounce desse cara. Eu deixo, eu tento minimizar a chance dele sair e ir para um outro lugar consumir conteúdo. Dessa forma, eu consigo trazer mais anunciantes para casa, trazer mais resultado para o anunciante, entregar mais retorno para ele e automaticamente isso começa um atrair o outro. Então é dessa forma que a gente tem trabalhado o outro lado do anunciante.
Um player tradicional investindo e resolvendo a dispersão de mídia.
Pois é, a gente ainda não aprendeu a entregar para o anunciante qual é o retorno exato da mídia impressa, né, mas a gente consegue certificá-lo que ele vai estar em um ambiente onde o conteúdo é produzido com seriedade, com verdade, de fato, né. E quando ele for para um ambiente digital, eu consigo entregar para ele a melhor experiência possível, para um leitor que vem, que tá no ambiente confortável. Que é o que para mim é o centro, né? Hoje o usuário, para mim, ele tá no centro para eu conseguir entregar para ele um conteúdo cada vez mais confortável, para que ele fique mais tempo comigo, consuma mais conteúdo, fique mais tempo interagindo não só com as matérias, mas também com os anunciantes.
Tivemos uma atualização sobre o Grupo Abril.
Sim, isso aí.
E aí a gente tem uma mania de trazer o lado pessoal, a pessoa física.
Legal.
Como que você utiliza AI no seu dia a dia?
Olha, eu tenho feito alguns experimentos medicinais, sabe? Poxa, eu tô com alguns sintomas, né? Que que pode ser? Obviamente que Eu não tô dizendo para as pessoas fazerem isso. Tem os profissionais da medicina aí que a gente precisa sempre escutá-los em primeira mão, segunda mão, né? Mas aqueles sintomas bem iniciais e não são graves, né, que você percebe que não são graves, eu tento colocar ali no ChatGPT, que é o mais famoso de todos, que é o que eu uso pessoalmente, né? Acho que eu tenho uma versão que eu ainda pago um pouquinho, né? Eu tenho usado ali para descobrir coisas, enfim, sobre o que que eu posso estar sentindo e o motivo, né? E qual seria o caminho para eu melhorar a sensação. Uma outra coisa também é para estudo. Isso é interessante, é para estudos. De materiais e contratos mais densos que eu tenho que ler, né? Então eu vou perguntando, perguntando, perguntando para conseguir extrair o máximo de informação com ganho de eficiência, né? Então o contrato às vezes tem 20, 30 páginas, né? Eu quero que ele me resuma ali em uma página. Quando chega esse resumo de uma página, quais são os tópicos?
O que me traz mais risco? O que me traz menos risco? O que esse contrato está me dizendo? Então, acho que isso tem me ajudado. Eu não sou da área jurídica, a gente tem um departamento jurídico que é extremamente bom, mas eu tenho que fazer a análise gerencial do negócio para saber se esse negócio vai para frente ou não. Então, tenho usado para isso.
E a verdade é que sempre fez.
A verdade é que—
Mas só gastava um tempo maior antes.
Um tempo maior, exatamente. E uma outra coisa que eu tenho feito é que quando, por exemplo, vocês me mandaram um roteiro, eu fiz questão de colocar esse roteiro e colocar links da Abril para conseguir gerar uma resposta do roteiro. E ficou— eu vou mandar para vocês depois, mas ficou muito legal. Eu quis fazer esse exercício que eu nunca tinha feito Mas eu falei, cara, como eu vou falar sobre AI? Como seria a AI lendo o meu perfil no LinkedIn, tudo que eu posto, né? Como seria ela respondendo aqui? E olha que o resultado foi legal, viu? O resultado foi interessante. Vou mandar para você depois. Show de bola!
E Ciro, quando você pensa no futuro da publicidade no Grupo Abril, O que você acha que a inteligência artificial ainda vai te ajudar que não te ajuda hoje?
Olha, o que a gente tem olhado, né, é a questão de conteúdos audiovisual, como eu já disse, mas hoje a gente não tem nada que leia num trânsito que permeia as capitais brasileiras São Paulo, por exemplo, é aquela matéria da Veja escutada, né? Então o que a gente, eu tenho ouvido muito, é que existem hoje ferramentas que possam ler aquela matéria no tom do jornalista que a escreveu, que fez a entrevista, e quem responde a entrevista na voz de quem respondeu. É possível. Você imagina a experiência. As Páginas Amarelas são super famosas, né? Entrevistas maravilhosas ali.
Vou te contar uma coisa, já que você falou de Páginas Amarelas.
O quê?
Era objeto de desejo meu colocar uma história nas Páginas Amarelas, porque eu sou jornalista, né? Porque eu sou jornalista.
É verdade, é verdade.
Não, objeto de desejo da minha carreira. Eu tive que dar um check ali, senão eu não ia estar feliz.
É maravilhoso, cara, é algo muito interessante. E é o poder que a mídia tradicional tem, né, por permear na nossa vida, como a gente já falou aqui. Mas acho que o grande lance é como você, Fih, consegue. Imagina que eu sou jornalista, eu te entrevisto, né? Então, pô, a gente tá lá trocando emails, ou às vezes tem uma gravação de vídeo e tal, e depois gera ali as páginas amarelas. Pô, como seria legal a pessoa que tá no carro ouvir eu, jornalista, perguntando para você, Fih, e você respondendo no tom, sabe, daquele escrita e não da entrevista. Porque a entrevista muitas vezes tem 1 hora, 2 horas ali, né, super imersivo, né, super imersivo e tal. Mas seria muito legal, cara, seria uma experiência interessante.
É, te falo que eu consumiria esse conteúdo, já te antecipo, consumiria.
A gente tem identidade com Vozes, né? Tem vozes que marca muito, muito. E você ouvir a voz do entrevistado, de um jornalista que na Editora Abril tem vários que são muito conhecidos, que marcaram nossas vidas, então é uma experiência. Eu fiquei com vontade.
Pois é, cara, você imagina os carros, né? Sim, você leva o áudio É, então acho que, acho que vai um pouco por esse caminho, já que você tá me fazendo vislumbrar de algo que não existe e de algo que eu imagino, né?
Complementariedade da experiência total, total para o leitor. Para o leitor, acho que o desafio vai ser como é que você faz essa pluralidade de conteúdo ela ser relevante no nível máximo.
É isso aí. Porque se você perguntar para as pessoas, quando eu vou falar do assunto carro, né, o 4 rodas, ela tá ao concurso. Ninguém vai discutir num dado que a 4 rodas trouxe. Eu vejo vários podcasts, vários influenciadores, YouTubers falando sobre lançamento de carro, sobre teste de carro, sobre opinião de carro elétrico, carro a combustão, etc. e tal. E aí é uma discussão acalorada. Quando chega um cara e fala assim: olha, não sou eu que tô falando, amigo, saiu na Quatro Rodas. O assunto morre. Ninguém tem coragem de discutir o que a Quatro Rodas falou. Por quê? Porque sabe da seriedade que é o jornalismo dessa marca, né, da Quatro Rodas. Então você transformar isso, né, em uma coisa onde todo mundo consegue ouvir de maneira rápida, sucinta, com cortes, não tem como não ser sucesso. Eu acho que é isso que a gente vislumbra para os próximos anos. Claro que a gente tem conta para pagar, a gente está ali trabalhando com o que a gente consegue entregar hoje, mas a gente adora investir tempo pensando no futuro e eu acredito que seja por esse caminho.
Transformando o leitor em ouvinte, transforma o leitor em ouvinte assistindo.
A gente vai lançar um canal de TV agora, mês que vem, na Samsung, na LG, na TCL, um canal de TV que vai ter todas as marcas da Abril dentro da TV, né? Chama Veja Mais, Veja Mais, né? Vai estar em todos os canais de conectados, né, as TVs conectadas. É isso, gerando conteúdo. A gente tem um acervo muito grande, a gente tem 38 mil horas de acervo da MTV. Vocês têm ideia do poder que é isso? Como a gente consegue trazer essa nostalgia, esse sorriso dos dois?
É ideia, não, que eu já, já, pô, eu me empolguei porque é algo que não tá planejado na entrevista, tá, pessoal? Mas tem bastante dado aí, hein? Tem muita informação que aí trabalharia bem, né?
Olha, olha uma outra coisa, a gente usa AI para indexar. Acabou, vocês acabaram de trazer mais um insight. A gente usa AI para indexar acervo. Imagina o que a gente tem de acervo, né? Depois que acabar a entrevista eu conto uma coisa que a gente tem de acervo muito legal, é que eu não posso falar agora, mas o grande lance É que a gente tem muita coisa, muita coisa. E quando a gente parte para um negócio que a gente nunca fez, que é uma TV— a Veja sempre quis ter uma TV, né? A TVA foi uma tentativa, tá no livro do Dr. Roberto Tivita, que ele tentou e não deu certo lançar a TVW. E agora nós vamos conseguir, né, com conteúdo inédito, ao vivo. A gente grava 19 programas diários já, né, com conteúdo da Quatro Rodas, da Capricho, da Super Interessante, aquelas reportagens que fazem a gente sair do lugar pensando. Nós vamos lançar tudo isso na TV. Então, momentos legais aí que a gente tá, estão chegando.
Vai ser empolgante ver a transformação de tudo isso, todo o acervo, todas as marcas. Futuro brilhante aí para quem consumir conteúdo. Vindo da Abril. E foi uma aula aqui que você deu para gente de atualização, tanto da inteligência artificial na publicidade quanto do próprio Grupo Abril e de toda transformação que vocês estão pilotando por lá.
É isso aí, obrigado, porque realmente faz a gente parar e analisar como a tecnologia tem nos ajudado, porque no dia a dia, né, vai fazendo cada área assim. Mas a tecnologia tem nos ajudado muito, a AI tem nos ajudado muito e vai continuar nos ajudando. E tenho certeza que a gente ainda vai ter outras conversas com mais atualizações mais para frente. Ainda eu quero ver essa cara de felicidade de vocês, tipo, que legal que tá isso acontecendo, né, de transformação.
E olha, Fred, eu vou levantar a bola aqui para você cortar, mas hoje a gente ouviu um grupo de 75 anos, sólido, com autoridade no que faz, usando inteligência artificial.
É uma honra ter você aqui, o grupo sendo representado por você. A gente tem tido a felicidade de ter executivos de boas empresas, mas tem um quê de especial, como você diz, essa entrevista aqui, pela atualização, pelo que o grupo representa importante para o Brasil e pela nossa missão. A nossa missão é ajudar o Brasil a gerar valor com AI e ver o Grupo Abril descobrindo maneiras é no mínimo interessante para todo mundo, pelo menos para mim. Muito obrigado.
Eu que agradeço.
Uma entrevista muito boa, tenho certeza que tem muito aprendizado na mesa aqui para todo mundo. Pessoal, não esqueçam, deixem perguntas. As perguntas viram insights que a gente replica nas entrevistas e também a gente, com esses insights, busca entrevistados de peso para estar de encontro ali com o que vocês estão querendo.
Interajam com a gente, curtam, compartilhem e nos alimentem para a evolução do nosso prompt mental aqui, para tornar isso longo e benéfico para todo mundo.
É isso aí, obrigado mais uma vez pelo convite, parabéns pelo podcast, pelo tema, e valeu, gente. Qualquer coisa aí, se o pessoal mandar pergunta, pode mandar para mim que eu respondo para vocês.
Combinado, valeu, gente. Obrigado, obrigado.
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.