EP 06

IA na Estrutura Organizacional, Finanças e Crescimento

Como a inteligência artificial está revolucionando a gestão organizacional, a análise de fluxo de caixa preditivo e a segurança da informação.

14 abr 2025
Vítor Amendola

CONVIDADO

Vítor Amendola

AVVALE

Transcrição do episódio

[00:00:10.11] – Fred Pericini

Olá pessoal, bem-vindos a mais um episódio no AI First Cast, o primeiro podcast destinado à discussão de inteligência artificial e aplicação em negócios. Eu sou Fred Pericini, sou fundador da agência F2F e Gaspers.ai, Tô aqui com meu parceiro de jornada, Filipe Xavier.

[00:00:32.11] – Filipe Xavier

É isso aí, obrigado Fredão. Vamos para mais um. Hoje convidado ultra especial aqui para discutir com a gente como a AI tá revolucionando a vida, não só dos negócios. E como a gente sempre faz aqui, quem se apresenta é ele. Então, Vítor, a bola tá com você. Conta para a gente quem é você e o que você faz na empresa que você trabalha.

[00:00:53.16] – Vítor Amendola

Vamos lá, obrigado, obrigado Fred, obrigado Felipe pelo convite. Obrigado, pessoal, aqui pela ótima recepção, infraestrutura aqui. Bem, eu sou CEO da Avvale aqui no Brasil. Eu venho de uma formação de tecnologia, meu background, eu fiz graduação, bacharelado em informática, né? Então, nasci ali nos primórdios com tecnologia, me especializei em gestão de negócios, sou super entusiasta de tecnologia, naturalmente, Mas principalmente a tecnologia como ferramental para apoiar a expansão e crescimento dos negócios. Então, acho que o tema AI mais do que cabe nisso aí, eu acho que é a grande revolução que a gente tem discutido e já vem gerando impactos muito positivos para os negócios, tanto os nossos internos quanto dos nossos clientes.

[00:01:49.27] – Fred Pericini

Legal, bem-vindo, Vitão. Um C-level, então uma oportunidade da gente ter uma visão organizacional do top management sobre a adoção de AI. Você tava me explicando aqui antes da gente começar, Vítor, sobre a estrutura organizacional da Avvale e o como AI até impulsionou a modificação dessa estrutura. Gostaria que você explicasse para turma entender e e ver como até em reformulação da estrutura a AI está impactando.

[00:02:26.03] – Vítor Amendola

Vamos lá, vamos lá. Bem, primeiro, a Avale é uma empresa integradora de sistemas, a gente nasceu lá em 2004 em Milão como uma empresa de tecnologia SAP e ao longo do tempo a gente veio evoluindo como organização, obviamente seguindo muito a trilha dos nossos clientes, mas evoluindo também para suportar outras áreas de negócio. Então hoje, o que a gente vem fazendo hoje, desde 2024, quando a gente começou a reorganizar em função desse papo que a gente estava tendo aqui nos bastidores, o que a gente tem feito é segmentar um pouco as áreas de negócio para poder atender distintas demandas do cliente. Então naturalmente a gente nasce como integrador de sistemas, ao longo do tempo a gente evoluiu para evolução de processo, automatização, hiperpersonalização, etc. E aí, por conta da chegada do AI, vamos dizer assim, da democratização do AI, não vamos falar chegada porque senão a gente tem que voltar lá em 1900 e bolinha, o que a gente acabou fazendo é segmentar de uma forma um pouco diferente. Então eu tenho hoje um segmento de negócio que olha a parte mais transacional, eu tenho um segmento de negócio que olha informações não estruturadas E eu tenho um novo segmento que esse nasceu muito em função do AI e nas capacidades que a gente pode trazer, tanto internas, principalmente para os nossos clientes, que é hiperpersonalização e hipercustomização, que vem de mão dada também com toda a parte de Big Data, de Analytics, etc.

[00:04:06.23] – Vítor Amendola

E aí acho que ao longo aqui a gente vai conseguir cobrir um pouquinho melhor. Mas o que a gente fez foi sim reorganizar um pouco o nosso time interno, as áreas de negócio, para poder tirar mais proveito, vamos dizer assim, entregar de forma melhor para o mercado tecnologias como as de inteligência artificial, principalmente AI generativo, que tem um outro perfil, não é tão transacional, eu preciso de perfis diferentes. Então, já impactou o nosso negócio interno para que a gente também possa ajudar o negócio dos nossos clientes.

[00:04:38.25] – Filipe Xavier

Eu estou curioso de uma coisa, porque eu ainda não tive a oportunidade de fazer essa pergunta. Que você tenha conversas com líderes de outras empresas, que são seus clientes. Como é que está esse papo de inteligência artificial com eles? Já é uma conversa madura ou você ainda precisa voltar, explicar essa democratização e o benefício de ganho e escala com AI?

[00:04:59.16] – Vítor Amendola

Eu diria que é uma conversa que ela sempre existe, sempre aparece. Então, quando a gente vai conversar, eu preciso tratar do tema, seja porque a gente está trazendo como consultoria ou porque os clientes estão demandando. Mas a grande realidade é que a gente já tem AI rodando embarcada, de certa forma, há algum tempo. E aí, sei lá, a gente soltou, acho que tem umas 3, 4 semanas, a gente publicou um case com um dos nossos parceiros de tecnologia, que foi o primeiro case América Latina, por exemplo, usando AI para implementação de uma solução de fluxo de caixa preditivo usando inteligência artificial. Então, na verdade, a inteligência artificial vem para ampliar as funcionalidades, as capacidades que a gente já tinha ou para, de certa forma, aumentar a capacidade de catalisar a implementação de algumas soluções. E aí cada player, a gente trabalha com os maiores players de mercado, estamos falando de SAP, de Oracle, de AWS, de Google e Microsoft, cada um tem a sua plataforma, tem o seu AI embarcado e dependendo do que a gente tem de problemática no cliente, isso quero dizer, estou falando com uma área de marketing, é uma coisa, estou falando com uma área de finanças, é outra coisa, cada um, uma área comercial é outra coisa.

[00:06:20.17] – Vítor Amendola

Então, a gente vai plugando inteligências um pouco diferentes, mas eu já tenho alguns cases rodando e trazendo valor muito mais rápido e fazendo projetos que demorariam 1, 2 anos acontecerem em 2 meses. É um negócio impressionante.

[00:06:38.08] – Fred Pericini

Todas as áreas, né?

[00:06:39.26] – Vítor Amendola

Todas, todas, todas.

[00:06:41.10] – Fred Pericini

Finanças, marketing. Eu gostaria que você aprofundasse um pouco mais nesse case de análise de fluxo de caixa preditivo. Qual foi o ganho para o seu cliente?

[00:06:55.17] – Vítor Amendola

Vamos pensar, né? E finanças sempre é uma área que, primeiro, é muito crítica nas empresas, né? Independente de qual seja o negócio, finanças tem que estar rapidinho. Eu trabalho normalmente com muita informação, né, e o fluxo de caixa, principalmente Brasil e América Latina, as empresas dão uma atenção maior porque o dinheiro custa muito caro aqui, né. Então eventualmente o que muda o ponteiro do teu negócio mais do que a operação é a tua eficiência financeira, né. Então você ter a capacidade de ter um fluxo de caixa às vezes diário sem eu precisar ter um exército de pessoas trabalhando de forma às vezes até desumana, porque isso faz com que durante alguns dias do mês eu precise trabalhar numa jornada super extensa, né? Então quando eu automatizo ou quando eu trago inteligência artificial para processar essa quantidade de informações num tempo super hiper curto, eu posso gerar fluxo de caixa diário, eu posso fazer muitas simulações usando multivariável sem eu ter que alocar ou redimensionar o meu time a toque de caixa, que não é possível. A gente trabalha com times, com pessoas, eu não consigo sair de uma equipe de às vezes de 15, 20 pessoas para uma equipe de 40 pessoas durante uma semana e depois voltar para 20 pessoas.

[00:08:26.21] – Vítor Amendola

Então, quando a gente começa a usar sistemas e principalmente a parte de AI, eu consigo ter esse pulmão para trabalhar com muita informação em muito pouco tempo. Óbvio que isso também tem embarcado com GPT, com plataformas generativas dos últimos poucos anos. Eu tenho também uma capacidade computacional que hoje em dia é milhares de vezes maior do que há décadas atrás. Então, isso viabiliza também todo o cenário de simulação, etc. Então, respondendo ao teu ponto, o que isso traz de ganho? Traz a capacidade de eu de fato fazer projeções em pouco tempo, fazer projeções de mais longo prazo com multivariável, com grau de assertividade enorme, sem depender do bom e velho Excel para criar modelos na hora, etc., que trazem junto com isso um risco também.

[00:09:19.17] – Filipe Xavier

Muito provavelmente os profissionais de finanças envolvidos em fechamentos agora adoraram o que você falou, porque com certeza isso traz aí uma facilidade para eles. Então fica a dica aí para quem quiser procurar vocês para esse tipo de conversa.

[00:09:32.17] – Fred Pericini

É verdade, é verdade.

[00:09:34.21] – Filipe Xavier

Agora, o Fred mencionou isso de que é uma aplicação que vale para eventualmente todos os setores. Vamos olhar para dentro da tua empresa. Como foi jogar AI lá dentro? Como foi a resposta dos seus colaboradores? Tem desafios com o seu próprio time? Como é que você vê essa questão?

[00:09:54.21] – Vítor Amendola

Eu posso falar da minha reunião de hoje cedo. Olha só, é tão atual quanto isso. É tão quente que é assim. Tão atual quanto isso. Na verdade, depende. Então, a gente pode e deve olhar área a área. Então, sei lá, eu posso olhar recursos humanos como uma área onde eu posso aplicar também algoritmos e tenho aplicações que me ajudam nisso. Eu, inclusive, tive que fazer um recrutamento executivo há pouco tempo atrás e usei AI para, por exemplo, filtrar, subir um montão de currículos e falar, olha, me ajuda a gerar um comparativo, algumas análises. Óbvio que a gente tem que fazer isso com bastante critério, mas cara, ele te tira da inércia muito rápido.

[00:10:44.07] – Fred Pericini

É uma V1.

[00:10:45.14] – Vítor Amendola

É uma V1.

[00:10:46.17] – Fred Pericini

Você precisa analisar, você precisa…

[00:10:49.06] – Vítor Amendola

Se eu tiver que tabular um monte de informações rapidamente, como é que você fazia há 5 anos atrás? Não vou muito longe não. Lê um monte de currículo, Ctrl+C, Ctrl+V, vê se todos têm a mesma informação, etc., avalia aderência e tudo mais. Eu falei, olha, era uma posição bastante estratégica, eu falei, olha, vamos usar o AI, até porque também eu faço questão da gente usar internamente, porque eu não posso sugerir, eu não posso defender ou pregar uma coisa que a gente não usa de fato e não tem a confiança. E a gente ainda tem uma questão adicional que é segurança de informação. Então, para os nossos clientes eu tenho uma limitação muito grande. Eu não posso subir informação de cliente numa AI pública, por exemplo. Para o nosso processo interno, aqui eu posso exercitar bastante porque são informações públicas que eu usei, etc. Então, dentro desse processo eu já acelero muito. Aí depois a gente desce para fazer as análises todas, eu preciso de um ser humano, de um profissional, porque Eu ainda não tenho a inteligência emocional, isso já está fora e tem algumas nuances que eu preciso avaliar, mas dentro de RH eu uso.

[00:12:01.09] – Vítor Amendola

E aí voltando no caso de hoje cedo, por exemplo, toda segunda-feira eu tenho uma reunião de forecast, onde eu tenho o time de marketing, o time de insight sales, que é a geração de demanda e o time de vendas juntos. Eu falei: Olha, a gente precisa fazer algumas atividades que são primeiro extremamente repetitivas, muito mecânicas e que eu não preciso ter alguém fazendo aquele trabalho. Primeiro que é super chato, eu digo que ele é pouco inteligente, porque ficar fazendo procura, vendo o CAP de um lado para o outro, cara, não preciso de alguém que estudou, que se especializou para ficar fazendo isso. Vamos botar isso para máquina fazer de uma forma inteligente, né, fazendo os critérios todos, e eu parto de um ponto muito mais lá na frente, né? Isso primeiro me dá capacidade dentro do nosso processo interno, isso é o que a gente escala para os nossos clientes também, de trabalhar com muito mais volume de informação em muito menos tempo. É o exemplo do fluxo de caixa que a gente acabou de falar aqui. Além disso, se a gente pega os profissionais de hoje, ninguém quer fazer o trabalho de apertar parafuso, de antigamente.

[00:13:14.28] – Vítor Amendola

O cara quer fazer um trabalho que seja legal também, que ele fale, pô, eu tô evoluindo, tô aprendendo, e não ficar girando a engrenagem. Então, dentro dessa agenda, o desafio— e obviamente que tem muita coisa que eu acabo fazendo, usando, mas a gente desafia muito o time. Eu falei, olha, o que que a gente consegue dentro desses processos aqui é trazer a tecnologia para ajudar a gente? Usar as diversas aplicações que a gente já tem aí de AI para poder tirar a gente do V0, botar a gente num ponto lá na frente e deixar para as pessoas que a gente tem no time trabalharem no que de fato eu preciso de alguma pessoa avaliando criteriosamente para se comunicar com os nossos clientes, com nossos prospects, etc. Então isso é uma coisa que aconteceu hoje de manhã, né? Eu tenho o caso de recursos humanos, eu tenho esse caso de hoje, eu tenho um caso de finanças que também eventualmente eu uso. O desafio sempre é o que que a gente está subindo ou não de informação, que eu confesso que eu também sou um pouco, eu tento simplificar um pouco porque falar não vamos subir nenhuma informação para o GPT, por exemplo, né, para o Copilot, mas se a gente não sobe informação e a gente quer consumir a informação que tá socializada, Quer o output, mas não quer dar o input.

[00:14:41.16] – Vítor Amendola

É o bom e velho: eu não quero contribuir, mas eu quero o resultado da contribuição dos outros, né? Então é o Wikipedia de anos atrás, né? Então eu também, obviamente que a gente tem um super cuidado por conta de segurança de informação, e o que é mais estratégico a gente não acaba não subindo, mas eu tento, né, compartilhar e de forma que a gente também consiga evoluir os modelos e aprender mais para ter informações cada vez mais ricas, né?

[00:15:08.04] – Fred Pericini

Eu percebi você falar bastante sobre segurança da informação e eu tenho uma dica para vocês que estão assistindo a gente. Se você tiver usando o ChatGPT e você tiver criando um agente, quando na abinha de criação você tem que rolar para baixo e desflegar o compartilhar essa informação, Isso é só a versão paga do GPT. Essa é uma maneira de fazer um agente para o uso mais pessoal, né, porque você tá ali fazendo uso do GPT seu individual. Agora, a maneira mais segura e mais estruturada é via API mesmo, né. E eu queria que você explorasse um pouco como consultoria, como você vê a questão de segurança da informação para os clientes de vocês?

[00:16:01.04] – Vítor Amendola

De novo, a gente tem modelos que acabam sendo privados, eu não uso, não tenho acesso ao mundo exterior, né? Isso obviamente traz a vantagem de eu ter uma garantia maior da segurança de informação. Por outro lado, eu tenho as limitações de não conseguir interagir com uma base muito maior. Que inclusive é o mote da IA generativa. Então, eu preciso ter muito dado aqui atrás, usar isso para alimentar os meus modelos ali e poder gerar informação nova a partir dali. Então, eu diria que a gente como consultoria tem uma preocupação muito grande porque a gente lida com dado sensível e a gente segue, eu diria que 100% das vezes, as políticas do cliente lá. E as grandes empresas hoje já fecharam ali para não poder interagir com o mundo externo, justamente por conta da preocupação com o sigilo de informação. Então é do—

[00:17:01.09] – Fred Pericini

mas dá, né? Dá para contornar?

[00:17:03.12] – Vítor Amendola

Dá para contornar. É porque também depende, então, o que que você quer usar no modelo. Cada área também vai ter. Eu não vou, por exemplo, subir informações de um cliente nosso que não é capital aberto ou que é capital aberto, antes de uma publicação numa plataforma, né, para gerar algum tipo de análise. Mas se eu tô numa empresa, eu sou uma empresa de capital aberto, eu já tenho tudo divulgado, é fácil de eu usar aquilo, aquilo já é público, né. Se é capital fechado, naturalmente a gente tem outras restrições, mas aí tem que avaliar caso a caso. Mas assim, tudo é contornável, como você já deu a dica aqui, Fredão já trouxe. Eu tenho formas também de limitar o acesso às informações e o que que eu quero divulgar ou não. E naturalmente assim, o que que eu quero gerar, né? Porque aí eu acho que por mais que eu tenha um algoritmo ali por trás cruzando informação, gerando análise, gerando o output, depende também muito de quem tá no prompt ali atrás, de que que eu tô entregando para ser processado, né? Então vou subir o arquivo com toda a minha folha de pagamento da empresa.

[00:18:10.23] – Vítor Amendola

Talvez não seja a melhor coisa a se fazer, né? Mas naturalmente quem tá por trás já tem que, você tem que se preocupar com isso. Então o que eu quero dizer com isso é que, querendo ou não, eu tenho ainda a questão da pessoa, do profissional que eu tenho atrás, que é fundamental no uso de qualquer tecnologia, não só do AI, mas de qualquer tecnologia, né? O que a gente tá se preocupando hoje do que que eu subo ou não numa plataforma talvez seja a mesma coisa que a gente se preocupou anos atrás quando cria o email, quando eu criei o pen drive, né? Vocês devem lembrar, comecei a poder transportar informação no pen drive, muita empresa foi, ah, desabilita o pen drive, eu não posso copiar, né? Tem um email, não posso mandar um email para o exterior. Aí agora eu tenho WhatsApp, ah, eu não posso printar coisa. Cada nova tecnologia ela traz junto desafios, né, traz um monte de benefícios, né. Então talvez um dos grandes benefícios da inteligência artificial seja devolver tempo para gente, né, que assim, ainda para outra coisa, mas estamos no mundo em que eu preciso e quero precisar de cada vez menos tempo para gerar a produção necessária para nossa subsistência, vamos falar assim.

[00:19:24.17] – Vítor Amendola

Mas ela devolve tempo para gente. Esse é um grande benefício. E junto com isso, bem, preocupações que a gente vai aprender. Eu acho que a gente ainda tá engatinhando muito, para ser muito franco, em relação ao que fazer e ao que não fazer. A gente sabe muito o que fazer, a gente não sabe muito o que não fazer ainda, ou como não fazer, no que tange a AI. Então acho que tem um aprendizado longo pela frente.

[00:19:48.03] – Filipe Xavier

E a gente tem falado isso bastante, dos ganhos, né, e do tempo, da eficiência, como um dos grandes catalisadores aí com AI. Agora, quando a gente pensa na sua operação, é uma empresa, você mencionou, sede em Milão, então uma empresa italiana que opera em mais de 14 países. Quando você traz a sua visão estratégica de crescimento, vocês estão tendo um resultado, uma performance bacana nos últimos anos. Como é que você olha para o seu crescimento futuro e traz AI para dentro disso? A perspectiva, ela é mais positiva com AI? Muda a forma de construir seu plano?

[00:20:21.22] – Vítor Amendola

A gente tem duas formas de olhar isso. Primeiro é onde é que a gente consegue crescer embarcando AI, que novas soluções eu consigo levar para o mercado, que é justamente o que eu comecei comentando aqui, de como é que a gente está se reorganizando para poder levar isso de uma forma mais efetiva e contribuir mais. E não só isso, mas de forma um pouco mais unificada globalmente falando, pelo que você acabou de falar, que a gente está em mais de 14 países. Então, eu não preciso reaprender, reinventar a roda em todo o país que a gente opera. E a outra forma é como é que eu consigo crescer usando as tecnologias? Porque pensa que a gente é fundamentalmente uma empresa de serviço. O que eu brinco com o pessoal é: Eu até vendo tecnologia, mas na verdade nós somos uma empresa de pessoas, né? Uma empresa de RH, se a gente for usar as palavras antigas aqui. Então, para eu entregar R$1, $1 de receita, eu tenho X centavos de custo, que significa que eu tenho gente, horas de profissional trabalhando atrás. Quando a gente precisa crescer, em algumas, dependendo da linha de negócio, eu tenho mais ou menos limitação, disponibilidade de profissional, eu preciso contratar mais gente, eu preciso formar mais gente.

[00:21:50.17] – Vítor Amendola

Então pensa que eu tô aqui em São Paulo e preciso contratar um profissional A. Pode ser que eu não tenha essa disponibilidade, ou porque ele não está em São Paulo, e eu preciso estar no meu cliente, ou porque ele está em São Paulo, mas ele não quer estar no cliente, ou porque ele está no nosso escritório de Belo Horizonte ou de Recife e eu preciso trazer. Mas em algum momento eu tenho restrições para o nosso crescimento que esbarram na disponibilidade de pessoas, de talentos aqui dentro, né? Então pensa que a gente vem crescendo nos últimos anos duplo dígito alto aqui no Brasil. Como é que eu consigo continuar crescendo? Como é que eu consigo— vamos dobrar de tamanho em 2 anos. Como é que eu consigo fazer isso se eu tiver que recrutar, se eu tiver que formar? Será que é possível? Então, num cenário onde eu uso a tecnologia também para o nosso interno, no exemplo que eu dei aqui da operação nossa, eu vou pegar as atividades que são mais mecânicas, que eu posso processar informações automaticamente, né? Sei lá, eu consigo gerar código a partir de AI hoje, né? Por mais que eu tenha que fazer algum refino, de novo, eu faço uns 60%, 70% do trabalho com AI e aí eu pego o cara que é craque para caramba para fazer aquele ajuste final.

[00:23:20.15] – Vítor Amendola

É diferente do camarada ter que ficar lá programando um montão fazendo a mesma coisa 200 vezes para depois eu ter que fazer aquele last mile, mas eu já podia ter adiantado coisa. Eu podia fazer, enquanto eu tô fazendo um projeto, podia estar fazendo 4 projetos. Então é como é que a gente consegue transferir isso para dentro e não é simples, não é simples porque eu tenho as questões de segurança, eu tenho as questões do próprio profissional, porque é uma mudança se a gente for olhar. E à medida que vai se naturalizando, se normalizando, é mais fácil. Mas eu tenho uns caras que são craques demais, mas que o cara está acostumado a rodar num outro modelo, que ele ainda tem uma resistência grande porque ele não testou, porque ele não tem a confiança de usar o output, etc. Então a gente vem tentando e vem trabalhando muito nisso junto inclusive com o time nosso de gestão de talentos para que a gente embarque cada vez mais e consiga desenvolver o time para que use as capacidades no máximo possível, né? Isso traz uma eficiência, isso traz capacidade de escalar o negócio, isso traz padrões que se refletem depois em qualidade de projeto.

[00:24:34.21] – Vítor Amendola

Porque querendo ou não, a gente pode olhar qualquer coisa: acidente de carro, programação, linha de código, peça de marketing. Quando eu trago o fator humano para dentro, tenho riscos envolvidos, né? E a máquina ela me entrega um negócio mais ou menos controlado, óbvio, né? Se eu tenho um modelo mais ou menos ajustado ali. Então, para o nosso negócio é fundamental. E eu vejo dentro da nossa operação Avale, no crescimento, a inteligência artificial como uma das variáveis que vão, já estão ajudando a gente, mas que vão viabilizar o nosso crescimento ainda ainda mais acelerado.

[00:25:14.28] – Fred Pericini

Você vê que interessante, isso aí vale ouro. Uma empresa de serviço, se você tá em qualquer uma, né, pode ser uma empresa de advocacia, uma agência, uma consultoria, ele trouxe duas dicas: um, aumento de portfólio, criação de novos serviços ou enriquecimento de serviços atuais, e a segunda alavanca eficiência operacional, desindexação de mais projetos, mais pessoas, né? Sou uma consultoria, imagina se eu continuar crescendo 20%, 30% ao ano, vai faltar mão de obra para eu treinar, para eu— como que eu desindexo? Como que eu ganho mais projetos e eu coloco mais pessoas, mas num menor nível do que eu estou colocando hoje? Isso vale ouro demais.

[00:26:07.13] – Filipe Xavier

E acho que também volta num outro ponto que o Vítor compartilhou com a gente, que é tornar o trabalho mais legal. Porque quando você tira a pessoa de fazer esse, o tudo ali rodando muito no igual, e ela passa a fazer uma outra coisa, vem uma satisfação no trabalho que eu acho que ela aumenta. E é uma terceira dica que eu coloco nesse comentário do Vítor, que ela tava meio oculta ali. Mas você soma essas três coisas Acho que faz sentido para qualquer operação, não só de serviço.

[00:26:36.09] – Vítor Amendola

É, o Felipe matou ali de fato essa questão de como é que você mantém o pessoal animado, motivado para estar ali e engajado, não só para estar ali, mas para estar ali contente e querendo mais, com apetite e tal. Porque ninguém quer, eu tenho certeza que o Fred não quer, o Felipe não quer, o Vítor não quer, a gente não quer ficar apertando parafuso, não estamos mais nesse mundo. No tempo de apertar parafuso parafuso, talvez o consultor queira estar em casa assistindo Netflix, queira estar com a família, queira estar na praia fazendo alguma coisa legal. Não faz mais sentido com a tecnologia que a gente tem hoje eu ter que ficar apertando parafuso.

[00:27:09.21] – Fred Pericini

Eu costumo dizer que se implementado gera eficiência operacional e o que você vai fazer com essa eficiência é uma decisão futura.

[00:27:18.23] – Vítor Amendola

É verdade.

[00:27:19.17] – Fred Pericini

Se vai melhorar a vida, a qualidade de vida, se vai aumentar produtividade, projetos, pessoas, é uma decisão futura ali organizacional. Muito bom, Vítor. E você, como pessoa física, como que é o seu uso de inteligência artificial para o seu dia a dia?

[00:27:36.18] – Filipe Xavier

Onde é que você tá nessa jornada?

[00:27:38.20] – Vítor Amendola

Vamos lá, vamos lá. Eu tô engatinhando, né? Eu não sei, assim, eu converso com algumas pessoas, mas eu acho que eu tô engatinhando muito ainda. Mas o que eu posso falar é, primeiro, eu já não uso mais o Google. Ele era meu ajudante até pouco tempo atrás, né? Eu uso praticamente para qualquer busca, para coisas profissionais, para coisas pessoais. Tava fazendo setup de uma questão em casa lá, eu falei, me ajuda a comparar benefício e tal. E comecei a dar um monte de input uns meses atrás para montar um setup X, né? Eu tenho um mundo de informações já cruzadas para entregar. Quando eu falo de questões, exemplo, contratos, a gente tem casos, eu inclusive dentro da empresa escutei relato de um cliente nosso que trouxe uma eficiência para área jurídica absurda utilizando AI, né? A gente também usa. O desafio hoje eu diria que não tá em usar o AI, tá em saber quando você tá lidando com uma AI, né? Tem um ChatGPT, o GPT-0, coisas assim, porque a gente também precisa conseguir filtrar o que que é resultado de AI e o que que tá sendo gerado por um humano. Se eu quero avaliar a pessoa, eu não posso pegar o resultado dali, né?

[00:29:01.22] – Vítor Amendola

Apesar de eu falar, pô, se o cara tá usando as ferramentas que ele tem disponíveis, isso é uma boa também, né, para a maioria dos caso. Então eu uso para muitas coisas, principalmente quando eu preciso cruzar muita informação, eu subo dados ali porque já me geram, me tiram do V0, como eu comentei aqui, né? Então usei para um processo de recrutamento, uso para cruzar informações de um lado para o outro, uso quando eu quero ir evoluindo uma pesquisa que é um pouco mais aprofundada. E aí a gente faz os prompts iniciais, aí depois eu vou aprofundando e melhorando aquilo. Então, o jeito que tá no meu dia a dia, eu confesso que eu sou assinante do GPT desde os primórdios, assim. Eu mesmo sou entusiasta, né, e acho que também a gente precisa, já que vamos usar, eu também não quero usar tão superficial. Então já uso há um bom tempo justamente para poder usar modelos um pouquinho melhores e tal, ter as flexibilidades da assinatura. Mas tá no meu dia a dia. Tem um aplicativo no celular, no computador e tal, eu uso para tudo, eu diria, para praticamente tudo. E agora tô usando GPT-0 para também fazer um cross-check ali para algumas coisas que eu acho que são importantes, né?

[00:30:14.27] – Filipe Xavier

Bacana. Você trouxe uma coisa também na nossa conversa aqui, Vítor, que eu particularmente gosto muito, que é o exemplo de liderança servidora, né? Dá para ver você falando e do como você quer ali que que o time seja melhor. E você direciona o caminho, né? Mostra minimamente que, pô, experimenta isso aqui, dá uma olhada aqui, vamos junto, todo mundo para o crescimento. Então, pessoal que tá nos ouvindo, segue o Vítor no LinkedIn, ele sempre posta muito conteúdo que é bacana e traz visões de liderança ali que eu particularmente gosto bastante. Se você tivesse que dar um conselho para alguém, tá bom, independente do nível, sobre AI. Qual seria esse conselho hoje?

[00:30:56.10] – Vítor Amendola

Qual seria o conselho sobre AI? Use como parte do dia a dia, né? Mais uma ferramenta que a gente tem. Explore, seja criterioso e cuidadoso, como tudo, como a gente tem no celular, no email, em qualquer outra ferramenta, mas usa no dia a dia. De fato devolve tempo, né? Eu brinco que eu sou muito preguiçoso, né? No sentido de que eu não consigo fazer uma tarefa repetitiva duas vezes. Se alguma coisa eu vejo que é repetitiva, cara, vamos automatizar isso aqui de alguma forma, porque não é possível que eu tenha que repetir a mesma sequência a segunda vez, né? Mas na verdade eu sou o cara deficiência, Eu sou eficiência em todo o processo, nos que precisam ser melhorados. Tem uns que não precisam existir mesmo, a gente só tira do mundo. Mas dentro da busca pela eficiência é que eu vejo AI como uma ferramenta muito poderosa, muito poderosa. De novo, acho que a gente está engatinhando muito ainda, acho que a gente tem que aprender muito. Acho que todo mundo tem que compartilhar informação. Né, óbvio, não vamos subir a folha de pagamento, a informação financeira da empresa, né, usar com critério. Mas a forma que a gente tem de poder tirar mais proveito disso é compartilhando informação e de fato trazendo isso de uma forma cada vez mais natural, né.

[00:32:30.10] – Vítor Amendola

Se a gente comparar, é uma outra revolução industrial de certa forma, né. Se eu for olhar séculos muitos, muitos anos atrás, eu vou olhar que o ser humano gastava muito tempo para produzir o que precisava para viver. Minto, mais atrás ainda gastava muito pouco, né? Porque eu era nômade, então eu gastava nada, explorava e ia para o próximo. Depois eu falei, olha, vou ficar aqui na agricultura. Então gastava muito tempo. E agora a gente tem a possibilidade de ser eficiente ao ponto de melhorar melhorar nossa própria qualidade de vida, gastar muito menos tempo para gerar de forma inteligente a produção que a gente precisa gerar, né? E isso devolve tempo para as famílias, etc. Temos a mudança obviamente no mercado de trabalho aí acontecendo, então a gente tem que se adaptar também, mas como a gente já teve vários outros. Então minha dica, meu conselho é: use sem medo. É mais uma mudança. O celular já foi um problema email já foi um problema, o computador já foi um problema. E o que a história mostra é que no final do dia isso nunca tirou trabalho de ninguém, nunca diminuiu remuneração de ninguém. Muito pelo contrário, só trouxe mais capacidade produtiva, mais qualidade, mais eficiência.

[00:33:50.22] – Vítor Amendola

Então estamos em mais uma rodada dessa com mais velocidade, né, porque tudo acontece mais rápido cada dia que passa.

[00:33:57.19] – Filipe Xavier

Resposta espetacular, é em linha com o que a gente pensa aqui, né, Fred?

[00:34:01.03] – Vítor Amendola

Vai lá.

[00:34:01.18] – Fred Pericini

É isso, eu sou otimista também. Acho que o PIB per capita tende a aumentar. Foi assim com o advento de outras tecnologias, como na Revolução Industrial. E nós estamos nessa missão de compartilhar informação, de trazer pessoas igual você, que tá com a mão na massa implementando. E com essas informações a gente de gerar valor para o Brasil também participar dessa festa, né? Afinal de contas, a oportunidade só dança com quem tá no salão.

[00:34:35.19] – Filipe Xavier

Vamos lá!

[00:34:37.14] – Fred Pericini

Muito obrigado a todos por mais um episódio. Obrigado, Vítor, pela presença. Curta o nosso canal, deixa o seu comentário, que a gente pode inclusive trazer perguntas que vocês deixarem aí para os próximos convidados. Cuidados.

[00:34:52.18] – Filipe Xavier

É isso aí, muito obrigado, valeu, até o próximo.

[00:34:56.10] – Vítor Amendola

Obrigado, Fred, obrigado, Felipe, um abraço, obrigado pelo convite mais uma vez. Bom demais, espero que tenham curtido aí. Um abraço grande.

APRESENTADORES

Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini

Fred Pericini

Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier

Filipe Xavier

Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.