EP 16

IA e o futuro da educação e dos negócios

Uma conversa sobre como a inteligência artificial está transformando a educação, desde o apoio a professores e alunos, passando pela experiência de aprendizagem.

08 set 2025
Léo Queiroz

CONVIDADO

Léo Queiroz

Grupo Cruzeiro do Sul

Transcrição do episódio

[00:00:10.13] – Fred Pericini

Olá, eu sou Frederico Pericini, sócio fundador da agência F2F e gaspers.ai, e tô muito feliz em retomar as nossas gravações. Bora para mais uma! Estou com meu co-host, parceiro, fiel escudeiro de Aventuras e Podcasts. E aí, Fih, como que você está?

[00:00:33.29] – Filipe Xavier

Só alegria, Fred. Vamos para mais um. Lembrando que a nossa segunda temporada tem o patrocínio de SoftBank, o fundo que mais entende de inteligência artificial na América Latina.

[00:00:43.18] – Fred Pericini

Que chique, hein?

[00:00:44.15] – Filipe Xavier

É, estamos ficando gente grande. E hoje temos um convidado que vai desbravar um universo que nos encanta. Já já a gente vai entender por quê. Conta para a gente quem é você e o que você faz, por favor.

[00:00:57.12] – Léo Queiroz

Olha, é um prazer estar aqui com vocês. Eu sou Léo Queiroz, pai de 4 filhos, né, que agora estão, já estão aprendendo inteligência artificial. Eu tenho como propósito de vida ajudar as pessoas acharem o potencial que elas têm. Então, para isso, eu uso muito de educação. Hoje sou vice-presidente de crescimento, marketing e vendas do Grupo Cruzeiro do Sul e construí minha carreira toda em tecnologia e inovação, empresas como GVT, TIM, Apple e agora Cruzeiro do Sul.

[00:01:28.15] – Filipe Xavier

Olha, vai ser bom isso aqui, Fred.

[00:01:30.11] – Fred Pericini

Cara, antes de tudo, eu já preciso dizer, nós temos um herói na mesa.

[00:01:33.17] – Filipe Xavier

4 filhos. Não tem inteligência artificial que ajude nessa.

[00:01:39.15] – Léo Queiroz

Mas isso é uma coisa muito boa, isso é o que faz a gente continuar aprendendo. Quando você tem só um e ele se forma, você entra na zona de conforto. Eu vou demorar muito para entrar na minha zona de conforto.

[00:01:48.22] – Filipe Xavier

Você não vai entrar nunca na zona de conforto.

[00:01:50.22] – Léo Queiroz

Então, por isso que o meu cérebro está sempre se movimentando. Eu tenho que construir um legado muito mais potente, né? Olha só, então a forma de enxergar é diferente.

[00:01:59.22] – Filipe Xavier

Muito bom, Fred. Eu vou arrancar aqui porque, Léo, me corrija se você achar que não faz sentido o que eu vou te dizer, né? Mas a educação, ela tá efervescente, né, do ponto de vista de qualidade. A gente tem visto muitas frentes relacionadas à educação, mas priorizando qualidade. Isso eu acho que é um momento muito único no Brasil. E aí a gente vai trazer inteligência artificial para essa conversa. Então, se você concordar com isso que eu estou te falando, por que educação está tão na moda?

[00:02:32.14] – Léo Queiroz

Uma coisa, dois pontos importantes. Primeiro, que qualidade depende. O que é qualidade para você? Então, qualidade é você aprender algo que vai te agregar valor. Então, uma diferença muito grande de dois conceitos que a gente precisa ter isso muito em mente, que é estudar e aprender. Quando a gente vai para escola, a gente vai estudar um monte de conteúdo. Tô estudando um monte de coisa e as pessoas veem naquilo uma coisa chata, o tanto que todo mundo vê estudo como dor. Aprender é diferente. E aprender é você receber algum conhecimento, colocar ele em prática e ter resultados superiores ao que você teve. Aí você tá vendo o valor naquilo e não tá conectado com dor. Então, na minha opinião, qualidade é você sair do estudo e ir para o aprendizado. Né, então quando a gente leva o aprendizado para qualquer fase da vida, isso faz com que a pessoa continue crescendo e queira crescer sempre. E aí entra no seu segundo ponto: por que que as pessoas querem continuar aprendendo e por que elas precisam? O mundo andava muito rápido, mas não tão rápido como hoje, né? Tudo que se aprende agora, daqui a alguns meses já vai estar obsoleto.

[00:03:44.23] – Léo Queiroz

Então você tem que estar aprendendo e tá conectado o tempo todo. Então todo mundo tem que buscar novas informações. Então inteligência artificial é um grande exemplo. Eu tava estudando ChatGPT 3.5 há 3 meses atrás. Puxa, eu tava lá na SXSW em novembro de 2023, como estavam falando de AI. Agora já são agentes. Puxa, em menos de 2 anos, um salto enorme. Eu tive que me reinventar. Todo mundo vai ter que se reinventar o tempo todo. E aí, qual que é o segredo disso? É o aprendizado. É ter o conceito de aprender aquilo que vai me fazer melhorar. Não adianta nada ficar estudando AI, tudo que sai do AI, eu não vou aplicar. Eu só preciso saber aquilo que eu vou aplicar e aquilo que eu vou usar. É aí que você entra a qualidade, na minha opinião.

[00:04:36.09] – Fred Pericini

Boa. Duas perguntinhas. A primeira, que você dê um breve resumo da Universidade Cruzeiro do Sul, do grupo. Para que os nossos ouvintes entendam, tenham uma perspectiva de tamanho. E segundo, já entrando na conversa de AI, como que AI ajuda a Universidade Cruzeiro do Sul a potencializar a aprendizagem?

[00:05:01.20] – Léo Queiroz

Duas perguntas boas. Na Cruzeiro hoje nós temos, é um grupo que tem ensino superior e ensino básico, são 26 campi próprios com 600 mil alunos. Então temos 600 mil alunos fazendo graduação conosco em 26 campi e 1.600 parceiros que são como se fosse uma franquia, e algumas escolas do ensino básico. Então esse é o tamanho da organização hoje. Então a gente movimenta a vida de muitas pessoas. Inteligência artificial, ela tá mudando muito a forma que a gente entrega o aprendizado. Isso inclusive tá no nosso propósito. Se vocês pensarem, a educação é— muita coisa mudou, mudou sistema de transporte, sistema de comida, bancos. Educação é a mesma coisa de sempre. Eu entrei na faculdade em 1993, eu tinha que ir para escola no horário fixo para aprender aquilo que o professor queria, né? Sair no horário fixo, e às vezes eu tinha até que usar uniforme, a roupa que o professor queria. Então quer dizer, é um produto que é feito, não é cliente, não é baseado no cliente, é baseado em quem quer ensinar. Então isso ficou muito ultrapassado, as pessoas pararam de estudar, o volume de pessoas que estavam no ensino básico para o ensino médio começou a cair, que estavam, que iam para o ensino superior também começou a cair.

[00:06:26.28] – Léo Queiroz

A gente tem que mudar essa forma, e a inteligência artificial vem para poder ajudar isso. A fazer esse tipo de coisa. Porque quando você fala disso, de estudo, que é o que a gente aprendeu e vem e remete lá na era industrial, é você captar o máximo, aprender o máximo de coisas possíveis para ver se um dia você vai aplicar aquilo. Mas isso não faz muito sentido, né? Para que que eu preciso aprender um monte de coisa se eu não vou aplicar? A inteligência artificial ajuda muito nisso, porque o conhecimento que eu tô adquirindo técnico ele já tá disponível para mim agora, a qualquer momento. Ele me sumariza tudo a qualquer momento. O grande desafio da educação do futuro é como é que eu utilizo esse conhecimento da melhor forma possível. Por isso todo mundo fala que a gente tá desenvolvendo soft skills, porque são com soft skills e esse conhecimento técnico que eu posso agregar valor em tudo aquilo que eu faço, que tá muito conectado com o que eu falo do meu propósito. Todos nós, a gente é bom em alguma coisa. Todo mundo tem uma coisa ímpar. Fala assim, aquela pessoa é ruim em tudo.

[00:07:36.08] – Léo Queiroz

Não existe isso. Ela é boa em alguma coisa. A gente só tem que descobrir o que ela é boa. Se a gente pega o conhecimento técnico naquilo que ela é boa e junta, ela pode agregar muito valor em tudo aquilo que ela faz. Então, olha como isso muda a perspectiva. Quando a gente olha para o passado, a gente vê muita gente que estuda um monte de coisa sem saber naquilo que ela é boa. Trabalha num monte de coisa que a gente não gosta, porque a gente não tem nem a técnica e a gente não sabe aquilo que a gente gosta. Se a gente juntar essas duas coisas, a gente pode construir um mundo muito mais bacana, com pessoas felizes utilizando tecnologia e construindo valor o tempo todo.

[00:08:17.08] – Filipe Xavier

Isso é muito bom que você fala, né, de esse casamento entre as coisas alavancando o conhecimento e a aprendizagem. Na prática, Onde a inteligência artificial te ajuda a fazer isso? E aí a gente separa essa pergunta em duas frentes: seu corpo docente e o aluno.

[00:08:36.25] – Léo Queiroz

Não, duas perguntas boas também. Vamos, vamos ver o corpo docente hoje então. Então a gente tem lá vários professores, e professores, ó, eu tenho uns 7 mil professores. Então imagina que a minha aula em São Paulo, vamos colocar marketing digital, eu tenho um professor que vai dar aula marketing digital aqui e um professor que vai dar aula de marketing digital em Brasília. Eles têm que fazer a mesma aula, né? Então eles estão lá o tempo todo pesquisando o que que eu aprendi no passado, o que que eu vou colocar, pesquisar o que que eu vou colocar de novo na minha aula. Eu tô gastando energia de todos os meus professores no Brasil inteiro para construir aulas distintas. O que que inteligência artificial pode me fazer hoje? Eu tenho conhecimento desses professores todos numa base de dados, Então todas as aulas que eles deram eu já fui lá e já internalizei para o meu banco de dados e eu vou lá e faço um prompt. Todos os professores do Brasil inteiro podem ir lá e fazer um prompt. Quero fazer uma aula de 45 minutos para alunos do segundo ano de marketing sobre marketing digital com foco em inteligência artificial.

[00:09:42.14] – Léo Queiroz

Eu quero que tenha uma aula explanativa e por favor faça já o PowerPoint para mim. Quero vídeos de TEDx que falem sobre o assunto e talvez um trabalho em grupo. Em 3 minutos já vem aquele conteúdo. E não só com aquilo que eu sei, vem conteúdo com que todos os professores sabem. Olha que eu não preciso mais gastar tempo para poder ver o que eu fiz e nem para aprender coisa nova, porque ele já vai vir ali e eu vou poder me atualizar. Então, para o professor, o tempo de preparação de aula foi muito melhor. E aí muda o papel do professor. Ao invés dele pegar aquele conhecimento dele e ir lá para o quadro e ficar escrevendo, aquilo lá já tá pronto. Qual que vai ser o grande trabalho dele? Mentorar as pessoas que estão recebendo aquele conteúdo. Então vou mentorar: puxa, para que que serve o marketing digital? Quais são os cases de sucesso? Quem que tá fazendo isso bem? Então muda o papel dele. O professor ganha, na minha opinião, uma potência. Conteúdo é conteúdo, você tem qualquer lugar, qualquer professor pode dar. Agora, transferir a sua experiência para aquele conteúdo já dado, isso é muito mais potente, né?

[00:10:57.26] – Léo Queiroz

Então, tanto que na Cruzeiro, o nosso grande propósito é ter tecnologia no ensino, mas o professor sendo o ponto-chave da aprendizagem, porque é ele que faz essa essa, toda essa diferença. E para o aluno, vamos supor que nós temos ali uma turma de marketing digital, 30 pessoas na sala, só que o que eu quero aprender de marketing digital é diferente do meu coleguinha, né? Porque eu trabalho já numa agência e tô trabalhando com redes sociais, o outro ali tá trabalhando numa área de marketing tradicional. Então o viés do que eu quero aprender é distinto. Eu tô recebendo aquele conteúdo e aquela experiência, mas eu quero me aprofundar. Eu posso me aprofundar naquilo que o meu trabalho me exige naquele momento. E com inteligência artificial eu posso fazer isso, né? Então fala assim, eu tô trabalhando com rede social, vou no meu trabalho, no meu grupo de estudo, fala assim, ó, quais são os cases de redes sociais que estão usando inteligência artificial e estão tendo maior conversão no Brasil? Já vem um case aqui. O outro do marketing mais tradicional quer perguntar uma outra coisa. Então, numa mesma sala, no mesmo momento, eu posso ter a profundidade de aprendizagem de uma forma separada e de uma forma muito mais bacana, porque eu tô aprendendo algo que eu vou colocar em prática, né?

[00:12:20.03] – Léo Queiroz

Diferente do passado. Pô, eu estudo um monte de coisa, vou fazer administração, vou estudar Henry Ford. O que que eu vou fazer com Henry Ford, né? Então isso dá chato. Eu não quero aquilo, eu só quero o diploma. Agora, quando eu trago para o meu dia a dia, aí não, aí passa a ser legal, né? Passa a ser uma coisa muito mais divertida e vou entrando numa espiral virtuosa positiva. Quero sempre aprender alguma coisa porque a cada dia eu sou melhor do que o dia anterior.

[00:12:48.15] – Fred Pericini

Nos bastidores aqui você deu uma perspectiva sobre a prova ser um diagnóstico que permite aí aprofundar com o aluno naquilo que falta para ele. Conta um pouco para nós sobre essa aplicação interação de ir com os alunos?

[00:13:04.26] – Léo Queiroz

Então, hoje, no modelo antigo de educação, ele é um modelo de modelo mesmo industrial, né, que eu tô treinando pessoas para indústria. Toma aqui o conteúdo, eu testo se você, se você aprendeu aquilo ou não. Se você não aprendeu, eu te reprovo. Mas isso não é aprendizagem, isso é estudo. No modelo de aprendizagem, a pessoa, se ela não aprendeu aquele aquele item, por que que eu tenho que reprovar? Não, eu tenho que simplesmente melhorar o conhecimento dela naquilo para que ela passe. Então, tô fazendo uma prova de cálculo, que é algo complexo. Então, eu tenho lá derivada, integral e derivada dupla, e eu só não consegui fazer derivada dupla, mas a integral e a derivada eu consegui fazer. Por que que eu tenho que reprovar em cálculo? Não, basta eu ir lá naquele item que eu não aprendi e e trazer conteúdos para que eu possa realmente aprender aquilo. Às vezes o professor, ele foi textual e passou o conteúdo, mas puxa, eu aprendo muito melhor fazendo exercício. A inteligência artificial percebe isso, sabe qual a minha melhor forma de aprender, e ela mesmo propõe: puxa, você não foi bem aqui nessas questões de derivada, toma aqui mais 4 exercícios que vão te ajudar a construir essa linha de raciocínio.

[00:14:22.08] – Léo Queiroz

Esse é o foco da aprendizagem. Eu vou aprender aquilo, eu já vou passar de ir para o próximo nível, ao invés de eu ter que fazer tudo de novo, que é algo frustrante, consome tempo. Então olha como inteligência artificial ajuda no modelo da prova. Então a prova, ela não serve para te testar, ela serve para entender qual que são os seus gaps e te propor coisas diferentes para você aprender de forma diferente. Olha como é mais produtivo, muito mais positivo, né?

[00:14:52.04] – Filipe Xavier

E na prática, como isso acontece numa sala de aula, por exemplo? O aluno vai receber interação por um aplicativo? Como é que é isso na prática?

[00:15:03.16] – Léo Queiroz

Então, a prova é exatamente dessa forma. Tô fazendo uma prova, fiz uma prova, puxa, não passei naquela prova. Beleza, vamos entender por que que você não passou, quais foram as questões que você não fez, Como que você quer se aprofundar nesse item? Poxa, eu quero ler um capítulo inteiro, ou então quero ver um vídeo de um, eu quero assistir uma outra aula de um professor, de um outro professor, quero fazer exercício. E aí você vai se aprofundando mais naquele para poder refazer aquelas questões de novo e continuar progredindo. Porque a missão não é ver se a pessoa sabe ou não sabe, a missão é ajudá-lo a aprender aquele assunto, né? Então tem uma coisa muito interessante que eu sempre falo: todo mundo sempre fica preocupado se a pessoa começa a estudar. Tá errado. A gente tem que, a gente tem que ficar preocupado se a pessoa aprende e se ela termina de estudar. Essa é a nossa missão como professor, não é ver se você passa ou se você reprova, é se você aprende, né? Quando eu mudo esse modelo mental, a forma que eu atuo, ela muda. Essa é a educação do futuro.

[00:16:11.18] – Filipe Xavier

E você é um, claramente conversando com você aqui, a gente percebe que você é uma pessoa que defende inteligência artificial e vê os benefícios. A liderança faz diferença nessa adoção de inteligência artificial? Quando você conversa na faculdade, é mais fácil trazer professores para esse universo porque você é alguém que vê valor, ou você acha que isso não tem relevância?

[00:16:37.07] – Léo Queiroz

Tem toda relevância, assim como tudo na vida, né? Então tudo que você traz de novidade é de difícil aplicação. Mas assim como a gente ensina os alunos de uma forma moderna, a gente tem que treinar todo mundo também de uma forma moderna. Quando a gente vê inteligência artificial, todo mundo vê inteligência artificial como uma tecnologia, né? Então vou te dar o exemplo: puxa, professor, você tem que usar inteligência artificial. O que que ele vai fazer? Ele vai entrar no ChatGPT e vai fazer pesquisa lá. Como todo mundo faz, mas essa não é a forma correta. O que que ele tá agregando valor, né? Então inteligência artificial é o meio, ele é o meio, ele não é uma tecnologia, ele é o meio para ajudar o aluno a aprender. Então quando a gente tá lá ensinando os professores, falando o seguinte: poxa, como é que o seu aluno aprenderia melhor? E se tivesse esse conteúdo aqui mais em detalhe? E se fizesse a prova desse jeito, que nem eu tô contando para vocês? E ele começa, a gente começa a mostrar o valor que o professor tem em passar a experiência dele com aquele conteúdo. Ele começa assim: ah, é a experiência que eu tenho, ele não vai ter nunca, só vai ter o conteúdo.

[00:17:53.29] – Léo Queiroz

Aí o professor fala: cara, inteligência artificial é muito legal porque eu vou facilitar o trabalho, o meu trabalho, o trabalho do aluno, e ele precisa de mim porque Não adianta dar o conteúdo, como é que ele vai usar isso daqui? Quando a gente mostra que ele é um meio e como ele agrega valor, aí tudo fica muito mais fácil. Só que quando a gente quer colocar alguma coisa, a gente não faz isso. Tem vários exemplos. Hoje a gente tá falando de inteligência artificial, mas há 30 anos atrás foi o tempo do ERP, né? Então vamos colocar aqui Salesforce, vamos colocar aqui SAP. Sempre dava errado, ninguém colocava, ninguém funcionava. Que todo mundo via aquilo como uma tecnologia e não como meio. Aquilo é um meio para te entregar mais produtividade, para te entregar uma forma diferente de trabalhar. Então, quando você muda o modelo mental, as coisas funcionam de uma forma diferente.

[00:18:49.04] – Fred Pericini

E quando trata como meio, você entende que na adoção organizacional precisa ter dados para poder treinar, E precisa estar dentro de um passo a passo, de um processo que o professor ou o aluno estejam inseridos, né? Não é jogar o motor para pessoa.

[00:19:08.15] – Léo Queiroz

Exato, você tem que fazer isso, né? Aquele triângulo de sempre, né? Que é a tecnologia, o processo e a pessoa. E aí tem uma coisa muito interessante que as pessoas sempre falam assim para mim: ah, porque isso aqui vai acabar com os empregos. Não vai. Isso vai mudar os empregos assim como tem sido mudado nos últimos anos. Gente, eu não sei se vocês conhecem uma estatística, mas foi feito um trabalho pelo Fórum Mundial de Trabalho. 80% dos empregos que existiam em 1990, que tá aqui, não existem mais. Em 1990 eles já mudaram, a gente não percebeu. Vai mudar agora de novo e vai continuar mudando. A gente tá evoluindo em tudo que a gente faz, né? E aí as pessoas não percebem isso, elas ficam com medo porque é da nossa índole querer nos preservar. Mas se a gente continuar aprendendo, mais uma vez saindo do estudo para aprendizagem, se a gente continuar aprendendo, a gente vai estar evoluindo junto, né? E até tem uma coisa sempre que eu gosto de falar, que é o que que é aprender, porque todo mundo fica com medo. Estudar, ele é muito conectado com conteúdo. Recebo um monte de conteúdo, decoro.

[00:20:19.22] – Léo Queiroz

E eu sempre falo o seguinte, pô, o que que é estudar? Eu leio um livro há 5 anos atrás, você lembra daquele livro? Não lembra, você estudou. O que que é aprender? Puxa, li um livro, coloquei em prática, cara, aquilo entrou no meu dia a dia, eu aprendi. Então aprendizagem não é só conteúdo, ele pode ser um bate-papo de podcast, né, aqui com vocês, ele pode ser em networking, ele pode ser uma leitura, ele pode ser um vídeo, é tudo aquilo que eu absorvo, coloco em prática e melhoro. Por isso que todo mundo fala o seguinte: poxa, e agora tá bombando, ah, eu vou fazer um curso de inteligência artificial. Você não vai usar 2% que você tá fazendo do curso de inteligência artificial. Aí você fala assim: poxa, eu fiz o curso, não aprendi nada, esse negócio não vai voar. É porque você estudou, você não aprendeu. Geralmente eu falo o seguinte: aonde você vai agregar valor? Você vai usar inteligência artificial para quê? Aí a pessoa fica pensando: ah, eu não sei para quê. Fala assim: escolhe duas coisas. E ali você aprofunda em como faz. Porque aí quando você começar a usar no seu dia a dia, você vai ter aprendido.

[00:21:22.21] – Léo Queiroz

Aí você vai ver o valor que aquilo agregou para você. Aí você vai falar assim, cara, inteligência artificial é demais. Sim, sim, sim.

[00:21:29.05] – Fred Pericini

Existem vários estudos que mostram que o nível de aprendizado, quando você interage com o conteúdo de uma maneira diferente que somente a recepção, você fixa melhor e realmente aquilo é incorporado.

[00:21:43.14] – Léo Queiroz

E quando você coloca na prática.

[00:21:45.28] – Fred Pericini

Sim, sim, cara. Eu fiquei, não sei se eu deveria, mas eu fiquei um pouco surpreso porque a gente tá conversando com alguém da área de marketing e ele trouxe casos de uso de estar ali mexendo no produto da universidade, seja para ajudar o professor, seja para ajudar o aluno. E no marketing?

[00:22:08.28] – Léo Queiroz

Ah, no marketing tem muita coisa, né? Então a hiperpersonalização, ela tá tomando corpo. Há 3 anos atrás era eram poucos casos, mas hoje a gente já vê bastante caso. Mas imagina, o marketing evoluiu absurdamente com toda a inteligência que você pode colocar hoje para poder entender quem que é a sua persona, conversar com essa sua pessoa na hora certa, com a personalização do conteúdo que você tá passando. Isso muda todo o contexto de como a gente faz, do custo e também dos meios. Então, até 3 anos atrás, a gente ia nos anos 80, imagina, você ia para o marketing, você fazia um produto, colocava na TV e divulgava para todo mundo. Agora você não tem como fazer isso de uma forma tão ampla. Eu tenho que conhecer você no seu detalhe, o que você quer, o que agrega valor para você, entregar isso individualmente. Esse é o grande desafio. E a inteligência artificial permite isso, fazer isso no marketing hoje.

[00:23:15.19] – Fred Pericini

A eterna promessa, né? A mensagem certa na hora certa para a pessoa certa.

[00:23:21.17] – Léo Queiroz

Isso é uma realidade para muitas empresas, né? Então muitas empresas já conseguem fazer isso. Então você tá lá no meu site pesquisando lá, quero estudar marketing. Você entrou lá, marketing, caiu no nosso site, já descobri quem é você, já enriqueci seus dados, E aí depois você tá navegando no Instagram, você vai ver uma mídia minha já falando marketing digital e dizendo, mostrando alguma coisa que chame sua atenção. Poxa, o que que eu quero? Eu sou uma pessoa mais voltada para qualidade do curso, para nota, é para oferta? Eu já vou customizando e personalizando aquilo que você vai receber. Aí você deu mais um passo e você me deu o seu telefone, vou, e seu email. Como é que eu vou entrar em contato com você? Grande parte das empresas ficam mandando email todo dia, né? Então mandando email todo dia sobre qualquer assunto para ver se você cai. É uma coisa muito louca, eu não consigo entender isso, porque 2% das pessoas tomam a decisão e você lá gastando tempo, dinheiro, e mais importante, sua imagem e reputação. Com inteligência artificial consiga entender qual que é o seu canal que você mais, que você prefere receber.

[00:24:32.04] – Léo Queiroz

É email, é SMS, é WhatsApp? Que horário você prefere receber? Com qual personalização você prefere receber? É um vídeo? É um áudio? É uma leitura? Tudo isso tem disponível porque tem os dados e tem informação aí. A gente só tem que saber utilizar ela e, claro, ter uma ferramenta que ajude nesse processo como um todo, né?

[00:24:54.11] – Filipe Xavier

E esse teu modelo de personalização tá se refletindo em uma maior taxa de alunos sendo matriculados?

[00:25:03.23] – Léo Queiroz

Bastante, sobe absurdamente a conversão. Então eu vou dizer uma coisa aí, por exemplo, uma mudança que foi feita, que é uma coisa simples, que aumentou nossa conversão vários pontos. Alguém entrou em contato comigo. Muitas das vezes você entra no site de uma empresa, ninguém entra em contato com você depois, fica lá totalmente perdido. Uma mudança simples, Você entrou em contato e deixou seus dados. Em menos de 7 minutos, você recebe um— Vou entender qual é o seu melhor meio. Você vai receber um comunicado por esse meio falando: Puxa, muito obrigado por você ter pesquisado, a gente está super feliz com isso. Você tem interesse que alguém entre em contato com você para te dar mais informação? Uma coisa simples. Não tem nenhuma rocket science aqui. Explodiu a conversão. Porque a gente, no modelo de marketing, primeiro que a gente não media nada. Quando você não mede, você não sabe se está sendo efetivo ou não. A partir de agora, a gente começa a medir. Se eu estou medindo e dou a chance de você falar comigo, puxa, o que a gente quer mais? Aí o resto é floreio. Aí com o tempo, nós vamos criando processos e processos que vai deixando mais complicado.

[00:26:16.19] – Léo Queiroz

Mas só o simples fato de eu ter acesso para conversar com alguém, de uma forma fácil já ajuda bastante na conversão.

[00:26:25.00] – Fred Pericini

E é legal que vocês arrumaram uma maneira perguntando se quer que entre em contato e não empurrando um produto, uma matrícula ou algo.

[00:26:37.18] – Léo Queiroz

Esse é outro erro. O que adianta você empurrar?

[00:26:41.28] – Fred Pericini

Tá tentando adivinhar o que o cara quer? Melhor você perguntar.

[00:26:45.14] – Filipe Xavier

Ouvir.

[00:26:46.17] – Léo Queiroz

Então, porque a pessoa que está comprando, isso é natural de qualquer produto, a pessoa que está comprando em geral ela não sabe o que ela precisa. Então a gente vai, eu sempre contei uma história que era muito interessante, nós vamos num casamento, quero comprar um sapato, homem chega numa loja para comprar um sapato, aí o vendedor fala assim, qual sapato você quer? Eu falo assim, eu vou num casamento, meu terno é preto, E eu gosto de algo confortável, né? Ele tem que me dar solução. É a mesma coisa com educação, né? Então é muito difícil você ter uma pessoa que tá vindo para graduação e fala o seguinte: eu vou estudar administração. Em geral, as pessoas estão inseguras, elas não sabem. É uma mudança de vida muito difícil. Qual que é o mercado de trabalho? Como é que é a carreira? O curso é bom? O curso é ruim? Eu só ouvi falar ao redor. A pessoa, a gente precisa dar segurança para ela. A gente precisa dar um caminho para ela, né? Então isso, em todo o processo comercial, você ouvir e dar e agregar valor, a pessoa vai comprar depois como uma consequência, né?

[00:27:55.17] – Léo Queiroz

E uma coisa importante do curso de graduação: a pessoa tá vindo estudar com você por um período de 4 anos, então é um contrato de longo prazo. Aonde o preço que você paga pode até ser importante, mas o valor que você recebe, na minha opinião, ele é muito mais importante, né? Então a gente pode ver muito pelas faculdades que tem um valor mais elevado. Vou dar um exemplo americano: Harvard. Se eu falo Harvard aqui, todo mundo estudaria em Harvard, só não estuda por causa do preço. Agora, se Harvard tivesse um preço acessível, Todo mundo estudaria, né? O que que ela entrega? Valor. Agora, como é que nós como faculdade aqui no Brasil, falando com pessoas que têm um poder aquisitivo menor, como a gente pode entregar esse mesmo valor para que a pessoa possa querer vir estudar conosco com preços mais atrativos? Esse é o nosso desafio. Então, por isso a gente trabalha muito no nosso produto Para que seja, que o produto possa agregar valor para o aluno. E aí o marketing é simplesmente ouvir, mostrar e não empurrar, né?

[00:29:11.09] – Fred Pericini

Perfeito.

[00:29:12.25] – Filipe Xavier

E na sua fala, educação do futuro, vamos desenhar o modelo de educação do futuro pensando em tudo isso que você disse. Ele é focado em aprendizagem, onde você vai ver o valor e ser uma pessoa melhor ao final da sua graduação. E o que mais, Léo?

[00:29:31.23] – Léo Queiroz

Poxa, então, e ele nunca vai parar, ele é contínuo, né? Então ele não para nunca, ele é microlearning o tempo inteiro, né? Então não adianta eu ter um batalhão de informação agora porque eu vou esquecer. É como um livro, tô lendo o livro, um livro de 2 anos atrás, eu esqueci aquilo que eu li, que que eu aprendi daquilo. Então é muito melhor a pessoa continuar crescendo um pouquinho cada dia do que ter uma, do que ter um pacote grande de informação agora simplesmente para tirar um carimbo e falar, ah, eu aprendi alguma coisa. Isso é uma mudança de modelo mental. Não é só no Brasil, isso é no mundo todo, né? Porque aprendizagem, o estudo no mundo todo ainda é muito focado naqueles tempos antigos, mas está mudando, né? Tem até um modelo muito legal que é o ensino de idiomas, que tem aí o Duolingo, que todo mundo conhece, altamente gamificado, né? Ali é uma aprendizagem do futuro. Eu tenho um dos meus filhos, tem 9 anos, estuda numa escola alemã, e ele aprende alemão através do Duolingo, e ele mesmo pega o tablet dele e todo dia ele faz. Eu não preciso falar nada, ele quer, porque ele tá aprendendo uma coisa nova.

[00:30:50.27] – Léo Queiroz

Não tem professor, não tem nada, porque é um sistema. Você quer coisa mais moderna do que isso, né? Às vezes ele tá com tábua. O que que você tá fazendo? Ah, tô aqui aprendendo, aprendendo alemão, né? Ele não tá estudando alemão, mas que ele tá utilizando, né?

[00:31:08.10] – Fred Pericini

Porque estudar é massivo, é chato. Aí você teria que empurrar ele, né?

[00:31:12.21] – Léo Queiroz

Tá vendo?

[00:31:13.19] – Fred Pericini

O aprendizado é gostoso, é um tesão. Você muda, você vê evolução.

[00:31:19.07] – Filipe Xavier

E já é algo que ele gosta de fazer, ele gosta de jogar, provavelmente. Já está inserido no contexto dele. É genial tudo isso.

[00:31:27.29] – Léo Queiroz

Está vendo? Esse é o futuro da educação. Como você coloca algo novo para ser aprendido de forma que seja bem legal?

[00:31:36.21] – Fred Pericini

Léo, a gente deu check aqui em várias, ouvindo você, em várias boas práticas de um líder maduro em AI. Pô, fala em base de dados e preocupação nos dados estarem organizados, fala em casos de uso real, tangível, entre outras, né? Tem um uso intenso pessoal. Agora, que dica você daria para um líder que tá começando essa jornada? Por onde começar?

[00:32:10.23] – Léo Queiroz

Então, o mais importante é o que você falou: base de dados. Inteligência artificial é o meio. Se você não tem base de dados, você não tem nada, né? Então, esse é o primeiro ponto: organiza isso, pega isso e põe junto. Segundo modelo mental: não é uma tecnologia, isso é um meio. Então, onde eu vou agregar valor, né? Não adianta virar e falar para o time: olha, agora nós vamos colocar aqui a utilização de inteligência artificial. O time vai sair que nem louco e colocando, mais importante, colocando a empresa em risco. Porque às vezes coloca lá, vamos colocar no caso de uma empresa de educação. Tem uma empresa de educação que está sozinha lá no interior do Brasil, pega toda a base de precificação que ele coloca e coloca lá no ChatGPT. Qual o melhor preço que eu deveria cobrar baseado nessa base de alunos? Está subindo toda aquela informação para a nuvem. Todo mundo vai ter um conhecimento do que está sendo feito. Muito perigoso, né? Então, primeiro organiza esse negócio. Depois, como é que eu trabalho como meio? Como é que eu agrego valor? Tem que ter muito claro isso. Escolhe uma, duas batalhas, né?

[00:33:20.29] – Léo Queiroz

O que que inteligência artificial vai mudar o meu ponteiro? Escolhe uma, duas. Eu, por exemplo, tenho duas batalhas lá, né? Mudei o meu marketing inteiro, como eu falei, hiperpersonalização de tudo aquilo que a gente faz, né? Então faço a comunicação, hiperpersonalização Isso reduziu o meu custo de marketing em mais de 40% e aumentou a minha conversão absurdamente. E o segundo é, a gente está melhorando o nosso modelo acadêmico, colocando inteligência artificial para melhorar a vida do professor e facilitar a vida do aluno. São duas batalhas. Aí tem um monte de outras coisas que podem ser feitas, mas eu falo assim, calma, espera, vamos fazer essas duas coisas que mudam e agregam valor e depois o resto Às vezes muitas, muitas das coisas é cortina de fumaça, né? Então a gente ouve muito falar assim, ah, mas tem conversacional por voz, tem. Onde que isso agrega valor para o seu cliente na ponta? Então para quem tá começando agora, eu acho que vale fazer esse exercício, né, do que que agrega valor, e ver inteligência artificial como meio e não como uma tecnologia.

[00:34:29.28] – Filipe Xavier

Espetacular, hein, Fred? Eu diria que entendemos, nem vimos o tempo passar. Não, mas vimos muito mais que isso, né? Vimos como a educação do futuro tá acontecendo hoje, tá vendo? Isso foi muito mais legal. Obrigado pela generosidade de compartilhar, de estar aqui com a gente. O papo foi fantástico, Léo.

[00:34:49.15] – Léo Queiroz

Eu que agradeço.

[00:34:50.19] – Fred Pericini

Muito obrigado pelo seu tempo e por compartilhar todo esse conhecimento com todo mundo. Tenho certeza que os nossos ouvintes adoraram. Um papo rápido e direto.

[00:35:02.05] – Léo Queiroz

Muito bem, muito bom. E que todo mundo continue pensando em continuar crescendo, né? Até um recado para todo mundo que eu sempre falo é o seguinte: se eu tiver que contratar alguém baseado no conhecimento do passado, a chance de dar errado é muito grande, porque as coisas estão mudando muito rápido. A gente tem que contratar as pessoas em como elas enxergam o futuro e continuar aprendendo um pouquinho todo dia vai colocar cada um lá na frente. Então, se eu puder me despedir aqui dando uma dica, é: aprenda um pouquinho todo dia, ouça um podcast por dia, um pedaço de um podcast, um vídeo do TEDx, leia algumas páginas, saiba o que está rolando, que isso vai te colocar em outro patamar.

[00:35:45.18] – Filipe Xavier

Seja curioso e incomodado.

[00:35:47.21] – Léo Queiroz

Aí, gostei! Curioso e incomodado.

[00:35:50.14] – Filipe Xavier

Show de bola!

[00:35:51.09] – Léo Queiroz

Obrigado.

[00:35:51.26] – Filipe Xavier

Valeu, obrigado. E você fica com a gente, não perca um episódio do AI Firstcast, que a gente te ajuda a ser uma pessoa melhor, como o Léo sugere, a partir de inteligência artificial. É isso, Fredão?

[00:36:03.02] – Fred Pericini

É isso. Até a próxima, muito obrigado.

APRESENTADORES

Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini

Fred Pericini

Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier

Filipe Xavier

Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.