EP 01

IA e Investimentos: Oportunidades na América Latina

Sobre startups com IA no core, os critérios do fundo para investimentos em tecnologia e marketing, e o futuro da estratégia de IA na América Latina.

03 fev 2025
Eduardo Vieira

CONVIDADO

Eduardo Vieira

Magazine Luiza

Transcrição do episódio

[00:00:10.08] – Fred Pericini

Boa! Meu nome é Fred Pericini, eu estou muito feliz de estar aqui hoje. Hoje, a gente está iniciando, dando o pontapé inicial a um projeto que eu acredito muito, AI First Cast, o primeiro podcast voltado para discussão de implementação de inteligência artificial nos negócios. Tô aqui com Filipe Xavier, passo a bola para ele se apresentar.

[00:00:35.28] – Filipe Xavier

Valeu, Fred, tudo bom? Eu sou Filipe Xavier, me divirto no universo de comunicação e marketing há duas décadas e fiz essa provocação para o Fred, que é fundador de uma agência que eu admiro e também fundou o Gaspers, que é um dos patrocinadores desse podcast. E eu falei para ele, por que não ter algo voltado a discutir inteligência artificial? E ele topou o desafio. E aí, a gente tem com a gente aqui o Eduardo Vieira. Melhor do que eu explicar quem é ele, ele vai fazer isso. Edu, conta para a gente quem é você.

[00:01:06.01] – Eduardo Vieira

Pessoal, tudo bem? É um prazer estar aqui. Bom te rever, Felipe, Fred. Prazer.

[00:01:10.09] – Fred Pericini

Prazer.

[00:01:11.04] – Eduardo Vieira

Bom, eu sou o Edu Vieira. Eu atualmente sou sócio do SoftBank na América Latina, cuido das áreas de marketing, comunicação e corporate affairs. Já fui jornalista de tech, meio dinossauro, começando a cobrir os primórdios da internet lá no final da década de 90. Depois fui dono de agência também. Também fui dono de empresa de public affairs. E hoje em dia estamos aprendendo com a inteligência artificial, como todo mundo.

[00:01:37.12] – Fred Pericini

Boa, legal. Eu quero começar com uma pergunta aberta, porque nós temos aqui na nossa primeira alguém de peso, um protagonista no segmento de tecnologia, que é o investidor relevante SoftBank. Para quem não conhece, é um fundo de origem japonesa e que tem grandes cases de sucesso.

[00:02:02.03] – Filipe Xavier

Calma. Quanto o SoftBank investe na América Latina?

[00:02:05.29] – Eduardo Vieira

Olha, América Latina é um pequeno pedaço do nosso investimento. A gente tem mais ou menos 8 bilhões de dólares alocados aqui em 77 empresas. E no mundo inteiro, o SoftBank é o maior fundo de tecnologia do mundo, a gente tem mais ou menos 150 bilhões de dólares investidos no mundo inteiro.

[00:02:21.05] – Filipe Xavier

Acho que eu te ajudei, Fred.

[00:02:23.17] – Fred Pericini

Boa! Fala uns 2 cases de investidas aqui na América Latina.

[00:02:28.08] – Eduardo Vieira

Olha, a gente tem algumas empresas interessantes no portfólio. A gente tem o Nubank, o Inter, o Wellhub, o antigo GenPass, Quinto Andar, Rappi, Kavak, Loft, Loggi e mais recentemente 2 investimentos que a gente anunciou agora recentemente, a Asas, que é de tecnologia para pequenas e médias empresas, E a Blip, que é uma plataforma conversacional totalmente baseada em AI, que nasceu no Brasil e está ganhando o mundo.

[00:02:55.02] – Fred Pericini

Boa, boa. Players de peso.

[00:02:57.05] – Filipe Xavier

Totalmente. E qual é o peso que AI tem para vocês olharem uma empresa?

[00:03:02.23] – Eduardo Vieira

Felipe, o negócio é o seguinte, o nosso fundador, que é o Masa, o Masa Yoshison, que é uma lenda viva do mercado de investimento, ele é um cara que fala de AI há pelo menos 20 anos. E ele sempre foi um cara meio megalomaníaco, sempre foi um pouco muito, vamos dizer assim, à frente do seu tempo. Mais recentemente, o Masa meio que baixou uma diretriz que não é oficial, mas é uma recomendação, vamos dizer assim, que praticamente todos os negócios têm que ter AI no centro, vamos dizer assim. A gente sabe que na América Latina isso é muito desafiador, como a gente vai discutir aqui, mas a gente olha e vou te falar que hoje se não tem nem um pouquinho de AI, a gente dá uma viradinha de rosto.

[00:03:43.27] – Fred Pericini

Está fora.

[00:03:44.19] – Eduardo Vieira

Está fora.

[00:03:45.15] – Fred Pericini

E onde está o valor em AI?

[00:03:49.11] – Eduardo Vieira

Fred, eu acho o seguinte, acho que AI é uma tecnologia que veio para transformar e na verdade a palavra certa é revolucionar o mercado. Eu acho que vai ser mais forte do que o impacto que a internet teve nas nossas vidas, para você ter uma ideia. Eu tive o privilégio de acompanhar a criação da internet ali trabalhando nessa cobertura jornalística, na época como jornalista. Escrevi um livrozinho também sobre a história da internet no Brasil. E eu via naquela época a euforia que existia com a criação da internet comercial, que está aí para fazer 30 anos daqui a pouco. O que eu enxergo hoje com AI é muito mais grave, vamos dizer assim. Eu acredito que as possibilidades que a AI traz de transformar os negócios e a vida das pessoas, eu acho que vai ser sem precedentes na história da humanidade. Então, simples assim o tamanho do impacto. Eu acho que a transformação já acontece hoje em dia de uma maneira mais marginal, ainda pontual, mas acho que vai ser uma coisa, a gente só está vendo a ponta do iceberg.

[00:04:55.09] – Filipe Xavier

Boa!

[00:04:55.26] – Fred Pericini

E olhando para a implementação de AI, a gente percebe que dados é muito importante. E os players incumbents, os players já dominantes, têm mais dados. Portanto, a gente chega a uma primeira conclusão de que os incumbents tendem a extrair valor mais rápido de AI. Você concorda com isso? Sim ou não? Como que você enxerga?

[00:05:23.29] – Eduardo Vieira

Eu acho que a gente tem um jeito de enxergar que é de uma maneira em camadas, é uma coisa mais fundacional. Então, imagina que para nós a AI tem 4 grandes camadas. Você tem uma camada que é de infraestrutura, que é onde estão os chips, as placas, o processamento. É onde empresas como NVIDIA, ARM nadam de braçada, porque tem todo ali o processamento que está nas placas e que é a capacidade de processamento e consumo de energia que vem crescendo exponencialmente.

[00:05:53.26] – Fred Pericini

E é um game de poucos players.

[00:05:56.02] – Eduardo Vieira

Pouquíssimos players. Pouquíssimos players. Recentemente, semana passada, a gente viu um ícone americano, a Intel, Demitindo o CEO, tendo o valor de mercado baixado pela metade nos últimos 3 anos, justamente porque não soube acompanhar a velocidade dessa história. Então, é muito concentrado. Daí você tem um layer, uma camada acima dessa, que é a camada dos modelos de linguagem, dos LLMs que todo mundo fala hoje em dia. Esse também é um jogo para pouquíssimos players, está na mão das big techs. Amazon, Google, ChatGPT, OpenAI… Que são aí os principais arquitetos, vamos dizer assim, dessa história. Daí você tem uma terceira camada, que é uma camada mais ou menos de infraestrutura barra, vamos dizer assim, entrega desse potencial todo, que é dos provedores de serviço. Daí você entra Google, Amazon e outros players, também super restrito. Então, essas três primeiras camadas Eu te diria que para surgir hoje em dia um player que vá desafiar os atuais atores dessa história, vai requerer muito investimento e vai requerer muito esforço. E daí, o que tem aí na camada superior, que seria a quarta camada, que é das aplicações, aí nem começamos.

[00:07:17.08] – Filipe Xavier

Esse é o oceano.

[00:07:18.04] – Eduardo Vieira

Esse é o oceano, esse é o oceano. A gente nem começou. Então, o que a gente vê as possibilidades nos mercados verticais, todos os lugares do mundo, uma corrida por desenvolvedores, corrida por desenvolvimento tecnológico e aplicações, aí é que a brincadeira vai acontecer e a gente não está nem arranhando ainda a superfície.

[00:07:36.26] – Fred Pericini

É, eu concordo com tudo e acredito que é aí que está o game para a América Latina, que é a aplicação. Não está na infra, não está no modelo, está na aplicação. Em pegar a dor real de negócio, E através dos modelos trazer eficiência, trazer velocidade, criatividade, o que for ali o problema para ser resolvido.

[00:08:03.00] – Eduardo Vieira

Sem dúvida. É o que a gente enxerga, é o que a gente aposta e o mais legal é o que a gente tem visto acontecer.

[00:08:10.02] – Filipe Xavier

E personificando um pouco, trazendo para você assim, você aposta como uma revolução sem precedentes na história da humanidade. Quando você viu inteligência artificial e o que ela faz por você, como é que você está usando isso?

[00:08:25.05] – Eduardo Vieira

Hoje, eu uso muito menos do que eu gostaria, mas é engraçado que quanto mais eu uso, mais dependente eu fico. Então, parece meio coisa, papo de drug dealer mesmo, é uma loucura. Eu comecei usando a coisa básica ali, ChatGPT, escreve um resumo para mim, escreve um email. Me ajuda num cálculo, me ajuda num modelo. Eu tenho usado muito para fazer due diligence, diligências de imagem, de reputação, porque traz realmente uma base de dados muito forte que ajuda, facilita muito, acelera muito o trabalho e aumenta a produtividade. Mas tenho usado também para fazer muita pesquisa, não uso mais os buscadores tradicionais, uso só AI. Tenho desafiado um pouquinho o robô para que ele escreva coisas para mim, que para mim, que sou um cara que adora escrever, sou jornalista, escritor e tal, para mim é uma coisa meio… Achava meio absurdo assim no começo, mas ele… Assim, os robôs estão trazendo coisas cada vez mais legais e ficando cada vez melhores. E estou… Recentemente, eu… Desenvolvi uma— eu precisava fazer uma apresentação muito técnica, que tinha uma série de parâmetros que eu precisava seguir, e eu resolvi botar a análise no ChatGPT. E o resultado foi absurdo.

[00:09:50.24] – Eduardo Vieira

Absurdo. Eu precisava, para vocês terem uma ideia, fazer uma comparação de 10 empresas de plataforma de comunicação conversacional. Que são empresas de capital aberto e eu precisava ter um comparativo dessas finanças com base nos dados que são públicos. E o robô me trouxe uma análise que, sei lá, eu acho que eu precisaria, antes disso, eu precisaria de 3 analistas, uma semana de Excel pelo menos e 15 dias de prazo no básico. E trouxe em minutos.

[00:10:25.28] – Filipe Xavier

Versão paga ou gratuita?

[00:10:27.29] – Eduardo Vieira

Paga.

[00:10:28.17] – Filipe Xavier

Desde quando você usa?

[00:10:30.27] – Eduardo Vieira

Eu uso, eu comecei a pagar… Bom, eu sou geek, então eu comecei a pagar desde o começo.

[00:10:35.26] – Filipe Xavier

Dica para vocês, galera, versão paga.

[00:10:38.08] – Eduardo Vieira

É, versão paga, eu comecei a usar a versão paga. E o que me dava angústia é que eu usava o ChatGPT pago e quando o Gemini era Bard ainda, ele me trazia dados muito mais atualizados porque era da base do Google. E eu ficava, cara, não é possível. E assim, não batia, não batia, não batia. Eu falava, vou pagar esse negócio, porque daí melhorou.

[00:11:01.04] – Fred Pericini

O pago é outro nível. E assim, o pago tem a possibilidade de você criar agentes, que é você treinar o modelo para uma função específica. Você define um comportamento específico, sobe uma base de dados ou um Word, uma explicação do contexto. E aí aquele agente, ele tem uma capacidade de output de outro patamar, cara. É outro patamar. Usar o GPT ali direto, para mim é igual fazer mais e menos no Excel, entendeu? É legal, fica organizadinho, mas cara, não é 10% do que o Excel faz, é outro nível.

[00:11:45.18] – Filipe Xavier

Você começou a brincar quando?

[00:11:47.15] – Fred Pericini

Eu comecei a brincar mais feroz mesmo em novembro do ano retrasado, e aí teve o boom mais ali para janeiro, né? E agora é como investidor e empreendendo com AI desde fevereiro de 2022. 2023, desculpa. E aí eu ia dizer isso assim, uma das formas é a versão paga, né? Você tem mais coisas ali dentro e um modelo mais avançado, porque a gente fala em GPT, mas assim, dentro do GPT tem vários modelos. Tem o modelo mini, tem o ó, tem cada um com as suas particularidades, né? A outra maneira também de você fazer um uso adequado é você comprando ferramentas que constroem processos em volta do modelo e que estão plugadas na API do modelo, que elas também estão plugadas no melhor modelo e você, com os processos, você consegue resolver sua dor de negócio. Então, por exemplo, o Gaspers é uma ferramenta que compra através da API o GPT para os clientes. E tem os processos do briefing à aprovação, o nosso segmento é o marketing, com a IA integrada nas microtarefas. Eu queria voltar um pouco para aproveitar o lado SoftBank de ser investimentos. E cara, eu estive no Web Summit no primeiro semestre desse ano e eu dei uma passeada nas startups.

[00:13:31.24] – Fred Pericini

Não tinha uma startup que não tinha AI ou data naquela frase que explica ela. Como é que você vê essa questão meio over? É quase que se não é AI, não tem um business. Como que o SoftBank enxerga isso? Como separar o joio do trigo num contexto em que todo mundo é AI? Ou se posiciona como?

[00:14:00.14] – Eduardo Vieira

Olha, vou te dar… A gente está posicionado em um segmento que é investimento em late stage, ou seja, quando a empresa já passou pelo início, já passou a sua Série A. Então, o nosso ponto legal de entrada é final da Série B, Série C, quando a empresa já está mais madura. E para você ter uma ideia, esse ano a gente avaliou no nosso comitê de investimentos acho que 58 empresas. A gente investiu em 2. Então, o funil é muito complicado. Então, a gente sabe, todo mundo vai colocar AI na apresentação e é quase um paradoxo. Se não tem AI na apresentação, provavelmente o investidor nem vai prestar atenção. Mas quando tem o AI, ele vai prestar atenção, mas ele vai dar uma cavadinha e ele vai tentar entender o que tem ali por trás. E acho que a grande diferença é isso. Quando a empresa está utilizando AI como usuária de uma maneira incremental, vamos dizer assim, e daí fica ali numa maneira que vai trazer uma melhoria interessante de produtividade, mas vai ser meio marginal, ou está começando a mudar um pouquinho algumas coisas, ou quando ela começa a mover AI para o core.

[00:15:12.24] – Eduardo Vieira

Quando ela começa a colocar AI no core, aí o negócio começa a ficar engraçado.

[00:15:17.23] – Fred Pericini

Me dá um exemplo de uma investida que que tem AI no core?

[00:15:21.26] – Eduardo Vieira

Por exemplo, a Blip, que a gente acabou de investir. A Blip é uma empresa que nasceu há um tempo atrás, há quase duas décadas, fazendo SMS, mensageria. E a Blip cresceu bastante com a ascensão do WhatsApp, que no Brasil a gente sabe que é um fenômeno. Não é todo lugar do mundo que é como o Brasil. O Brasil está entre os 2, 3 maiores mercados do mundo para o WhatsApp. E a Blip criou uma camada de inteligência de conversa dentro da Meta, que tem dados que nem a Meta tem, dos usuários e de todo o histórico. E o que ela está começando a colocar agora é a AI para analisar toda essa história. Então, imagina ela processar, ela processa dezenas de bilhões de mensagens por mês. Se ela colocasse aí uma capacidade humana para fazer isso, ela não conseguiria, seria impossível. Então, ela colocou a AI no centro dessa história para se tornar uma plataforma conversacional que tem AI no core. A gente tem visto outros exemplos também. A gente teve uma… No primeiro semestre, a gente foi para a Califórnia e levou alguns founders e CEOs das nossas empresas investidas. E a gente conseguiu…

[00:16:32.16] – Eduardo Vieira

O SoftBank nem era investidor ainda da OpenAI, mas a gente conseguiu uma reunião na OpenAI. Foi em abril e a gente levou 15 founders. E foi muito legal, porque eles tinham acabado de mudar de sede e parecia que a gente estava entrando no Pentágono. Segurança paisana, tinha um funcionário para cada duas pessoas visitantes, você não podia tirar foto, tinha que ter uma série de credenciamentos ali, foi muito legal esse ponto. Mas chegando na reunião, surpreendentemente para nós, os nossos founders já estavam super maduros nas perguntas para a OpenAI, a ponto que um diretor lá que estava fazendo a reunião falou assim: Não, espera aí, gente. Eu pensei que só que ia ser uma reuniãozinha para falar de América Latina, de futebol, não sei o quê. Vocês estão muito avançados. Daí ele colocou um cara na mesa, que era um cara de suporte, vamos dizer assim, de negócio, para abrir um canal e falar assim: O que vocês precisam que a gente desenvolva para isso? E saíram dois cases ali de empresas nossas que começaram a colocar no core. Uma até posso falar, que é a Pet Love. Encontrei com a Talita Lacerda, que é a CEO, outro dia e ela falou assim, Edu, foi sensacional a visita.

[00:17:46.14] – Eduardo Vieira

Depois daquilo, a gente percebeu que a gente usava de uma maneira marginal e a gente está colocando cada vez mais no core, inclusive para nossa oferta de plano de saúde animal, que é uma das coisas que é o nosso carro-chefe hoje em dia. Então, acho que, sei lá, Fred, cada vez mais a gente vai ter exemplos desses. Da AI migrando para o centro das empresas.

[00:18:10.12] – Fred Pericini

Muito bom.

[00:18:11.04] – Filipe Xavier

E essa relação do dado, da velocidade e da eficiência, ela se potencializa em todos os setores. Tem algum que o SoftBank olha com um potencial maior que é inexplorado?

[00:18:25.22] – Eduardo Vieira

Olha, acho que assim, a gente é agnóstico de setor, então a gente investe em todos os setores. Agora, tem um que a gente olha, tem dois que a gente olha com carinho. Um porque está no Brasil, que é o agro. Então, a gente acredita que agro ainda é um segmento que pode ter um salto absurdo em termos de uso de tecnologia. Já é muito avançado, mas a GenAI acho que ela tem capacidade de entrar e transformar. E tem outro que a gente sempre olha, mas é sempre difícil, que é justamente saúde. E aí é muito mais só praia, né, Felipe? Mas assim, a gente brinca ali que não é possível, dadas as condições do mercado brasileiro, que não venha alguém para, usando um clichê, disruptar esse mercado. Porque quando você vê hospital, plano de saúde, todas essas coisas todas, é uma bola quicando na América Latina para ser desenvolvida.

[00:19:18.19] – Filipe Xavier

Acho que talvez no mundo. É um setor que tem muitos desafios, muitos entraves, E se você pega o elo, pode ser que seja a AI faltando, realmente. Bom saber que o SoftBank está de olho para vir com o motor.

[00:19:35.03] – Eduardo Vieira

Faça um apelo, quem tiver coisa de healthcare, bate na porta que a gente vai olhar com carinho.

[00:19:41.19] – Filipe Xavier

Boa, show de bola.

[00:19:43.02] – Fred Pericini

Healthcare realmente é um segmento desafiador. Acho que vale até dar uma aprofundada nele. Tem um desalinhamento de incentivo muito grande entre seguradora e hospital, as tecnologias evoluindo, tentando incluir AI ali.

[00:20:04.13] – Filipe Xavier

Mas olha, Fred, eu te diria o seguinte: é um setor complicado, né? Você tem muitas coisas que parecem simples a um primeiro olhar, mas são complexas. Então você tem uma população que às vezes não toma uma decisão de fazer exames, então ela posterga o exame, isso onera a cadeia como um todo. Você tem uma quantidade de exames solicitados que às vezes é desnecessário. Então são muitos elementos, né? E você multiplica isso por 200 milhões de pessoas, quando você tem um sistema que tenta apoiar 60%, 70% da população. Então são muitos elementos. É difícil quando a gente olha para o Brasil e a gente ainda tem um sistema que ele é muito bom, se você pensa. Mas eu concordo com vocês, saúde é uma bola quicando assim. E quando você pluga uma coisinha simples, a empresa onde eu trabalho desenvolveu um software que plugado numa ressonância magnética, ele consegue reduzir em 70% o tempo de um exame em ressonância magnética. A gente levou isso para o norte do país, reduziu uma fila que era de 2 meses para nada. Hoje as pessoas fazem ressonância lá, é só chegar e fazer, porque a gente conseguiu em um dia fazer 90 exames de ressonância.

[00:21:35.29] – Filipe Xavier

Então é isso, AI resolvendo uma solução. Só que eu tenho que levar isso para o país inteiro. Aí é uma outra conversa.

[00:21:44.00] – Fred Pericini

E aí, conectando o seu ponto, que você vê que o setor da saúde é uma bola quicando e ele diz que só investe se tem AI no core. Como que vocês enxergam AI no core do segmento da saúde? Tangibiliza isso, traz algumas ideias para a prática.

[00:22:07.10] – Filipe Xavier

Olha, Fred, eu te diria o seguinte: 200— vamos pegar o Brasil, 200 milhões de pessoas fazendo exames, você tem potencialmente 200 bilhões de exames. É uma base impressionante. Qualquer coisa que possa sintetizar isso e transformar isso em laudos mais rápidos para médicos lerem em qualquer lugar, a qualquer momento, beleza, já é uma solução para você levar a decisão clínica para um lugar mais rápido, por exemplo. A gente tem coisas acontecendo nesse sentido, mas ainda não numa escala nacional.

[00:22:47.19] – Eduardo Vieira

Semana passada, não vou me lembrar a universidade, mas uma universidade grande americana fez um estudo comparando a precisão de análise de exames de imagem de radiologia de médicos conceituados nos Estados Unidos com as plataformas de AI. Os médicos chegam aí 74%, 76% de precisão, aí já tá em 92%, né? É impressionante, é impressionante. E eu acho assim, não só em saúde, mas uma das coisas que me anima é que a América Latina ela tem, e o Brasil obviamente, mas América Latina como como um todo tem uma carência, uma necessidade de tecnologia tão grande que pode ser transformacional. Então assim, quando você está lá no Vale do Silício, em Israel, outros lugares, você está discutindo o que vai ser a tecnologia para mudar a nossa vida a partir de um patamar que já está muito elevado. Aqui a gente está discutindo como a tecnologia, a aplicação da tecnologia pode resolver problemas essenciais.

[00:23:47.17] – Fred Pericini

Fechar alguns gaps, como por exemplo uma fila de atendimento.

[00:23:51.14] – Eduardo Vieira

Exato, saúde. Transporte, logística, acesso. Vê o que foi a revolução das fintechs. Então, as oportunidades são muito grandes aqui.

[00:24:03.19] – Fred Pericini

Boa. E trazendo para o nosso mundo do marketing, porque o Edu está ali na área de comunicação do SoftBank. Como que a área de comunicação do SoftBank utiliza AI? E quais benefícios? O que vocês já estão percebendo aí de desafios e benefícios?

[00:24:24.20] – Eduardo Vieira

Olha, acho que comunicação, assim como todos os segmentos, vai ser muito impactada. A gente vê muito nas nossas agências, nos fornecedores utilizando muito a inteligência artificial para melhorar processos, para ganhar velocidade, para diminuir tempo de resposta e para realizar tarefas que antes eram feitas de uma maneira mais artesanal, vamos dizer assim. E que com base de dados você pode fazer de uma maneira muito mais rápida e pode ser muito transformacional para as empresas. Então, olho muito nesse sentido de como que a gente ganha produtividade no primeiro momento, como que a gente libera trabalho braçal e tarefas repetitivas da equipe para que a equipe possa realmente dar o seu melhor e usar a inteligência para trazer insights, pensar em estratégia, pensar em ser mais criativa. E acho que a indústria toda está se movendo nesse setor. A gente teve recentemente, hoje, o anúncio da fusão de dois grupos internacionais muito grandes, a Omnicom e a Interpublic. E a gente sabe que isso é muito motivado por inteligência artificial e adoção de tecnologia. O business de marketing, de comunicação, até outro dia, como você mesmo diz, era um business de RH. Né, Fred? Mas acho que está se transformando em um business de tecnologia aplicado ao negócio.

[00:25:49.19] – Filipe Xavier

Já tem categoria de prêmio analisando AI. Então, a gente está vendo essa transformação mesmo. Quando é que você começou a confiar em AI?

[00:26:00.15] – Eduardo Vieira

Olha, eu desde sempre, eu vou te dizer, mas eu sempre fui um cara meio early adopter das coisas. Então, sempre olhei como usuário, obviamente, eu não tenho um conhecimento técnico muito grande, Mas eu sempre achei que se você tinha players interessantes por trás e era uma tecnologia nova, eu sempre meio fiz vista grossa aos probleminhas que você tinha de implementação. Nunca fui muito catastrofista no sentido de, ah, agora o sistema alucinou, então não serve para nada. Mas também não fui do outro lado, meu Deus, vamos perder todo mundo o emprego e daqui 10 anos seremos substituídos por agentes. Não acho que a tecnologia é muito isso, eu acho que ela é meio do caminho. Tem uma curva de adoção que é muito complexa, o sistema erra, não tem jeito dele acertar de cara. Pensa, você estava falando, Fred, o ChatGPT surgiu nas nossas vidas no fim de 2022. Então, vai dar 2 anos agora. 2 anos é muito pouco tempo.

[00:27:03.18] – Fred Pericini

Não, sempre que eu faço essa reflexão eu me assusto, porque assim, a gente tá vendo o movimento de uma placa tectônica, só que, cara, parece que nós estamos há 10 anos, né? E não, pô, faz 1 ano e meio, 2 anos, entendeu? Isso é para a gente também pôr em perspectiva a velocidade com que isso vai se mover daqui para frente, né?

[00:27:31.14] – Eduardo Vieira

E eu acho que esses erros, não só as alucinações, mas erros gerais, confiabilidade, banco de dados, essas coisas, acho que está tudo ainda dentro da licença poética de uma tecnologia que tem 2 anos. Então, óbvio que a indústria tem que trabalhar para isso, os players precisam trabalhar para isso, você precisa ter regulação, você precisa ter um uso mais responsável, mas tudo isso para mim é uma rota de construção Que é isso, de novo comparando com a internet, a gente está discutindo regulação de big tech hoje em dia para uma tecnologia que surgiu há 30 anos atrás comercialmente. Então, acho que tem muita lenha para queimar.

[00:28:09.21] – Filipe Xavier

A internet… Eu fiz aula de informática, a gente começa a entregar a idade, a barba revela, barba branca, essas coisas, mas eu vou possivelmente provocar a minha filha a usar AI muito rápido para ela sair na frente, aquela coisa. O que que você vai fazer com o seu filho em relação a AI?

[00:28:30.02] – Eduardo Vieira

Ah, vou também, mesma coisa, mesma coisa. Eu acho que para mim o grande— como é que eu vou dizer isso? Eu acho que para mim onde o bicho pega é que AI vai transformar a maneira como a gente aprende coisa e como a gente se comporta diante da tecnologia. Então assim, para mim talvez o principal segmento mais impactado é o de educação. Aula expositiva, aula expositiva que você tinha, ia lá, sentava, professor falava, expor um conteúdo, já tinha acabado meio com o Google. Agora com AI não faz mais sentido. Eu tenho uma filha adolescente, Ela usa muito inteligência artificial generativa. E toda vez que ela traz um trabalho… E assim, é meio aberto, todo mundo usa. Só que esse é o ponto. Qual o diferencial que ela vai ter? Então, a primeira coisa que ela tem que aprender a fazer é as perguntas certas. Então, ela tem que se tornar uma geradora de prompts que seja melhor que todos os outros, certo?

[00:29:38.24] – Fred Pericini

Exatamente.

[00:29:39.21] – Eduardo Vieira

Essa é a primeira cobrança que eu vou ter dela. Fazer a pergunta certa, porque a resposta… O robô vai me dar.

[00:29:45.13] – Fred Pericini

Armazenar o conteúdo, decorar o conteúdo não faz mais o menor sentido.

[00:29:51.20] – Eduardo Vieira

Não faz.

[00:29:52.26] – Fred Pericini

Eu tenho até um depoimento sobre educação dos filhos. Eu tenho dois moleques, um de 6 e um de 8. E cara, eu comecei a dar uma mesadinha para eles através do Nubank, investida da SoftBank, e E eles me questionaram, pô, como que eu ganho mais, né? Vai acabar, não vai dar, como que eu ganho mais? Falei, tá bom, pergunta justa, eu vou dar uma solução. Então tá, R$5 a mais para cada lição extra. A lição extra, cara, eu faço no GPT. Então eu tenho 2 diálogos com o GPT, um para o meu filho de 8 anos e o outro para o meu filho de 6 anos, e eu venho evoluindo. E uma hora eu vou para matemática, outra hora eu vou para interpretação de texto, tô aproveitando para ensinar sobre pessoas ilustres brasileiras, Gustavo Kirten, Luiza Helena Trajano, Ayrton Senna, sabe? Que eu, pô, antigamente você achar uma revista que tinha um artigo é trabalhoso demais, né? Então, como pai, cara, é uma ferramenta Tremenda para você estimular a sua criança.

[00:31:05.23] – Eduardo Vieira

Tremenda, tremenda. E eu assim, sou muito favorável, eu acho que obviamente sob supervisão, mas eu sou muito favorável ainda à tecnologia para as crianças. Porque é quase um auto-engano nosso achar que eles vão viver sem tecnologia. Então, quanto mais cedo eles aprenderem a usar direito, de forma responsável e estarem, vamos dizer assim, atentos, alertas e conscientes de todos os perigos que existem, e as restrições e tal, melhores usuários eles serão. E essa revolução de aprendizado para mim é muito grave, é muito séria. Porque é isso, você não precisa… Daqui a pouco você não vai precisar de livro de escola, livro didático.

[00:31:51.09] – Fred Pericini

E você já conversou com a escola dos seus filhos sobre isso?

[00:31:55.15] – Eduardo Vieira

Eu tento, mas é bem difícil. Eu acho que não estou sozinho, eu tenho a sensação que eu não estou sozinho.

[00:32:01.26] – Filipe Xavier

Não, não, não.

[00:32:03.29] – Eduardo Vieira

É isso. E o professor, eu lembro dos meus professores, os meus melhores professores eram aqueles que me provocavam e que iam muito além dos livros e que me ensinavam a ter um comportamento em relação àquele conteúdo. Eu acho que o professor vai ter um papel essencial hoje em dia.

[00:32:21.08] – Filipe Xavier

E ele vai ter que engolir essa pílula também.

[00:32:23.00] – Eduardo Vieira

Vai.

[00:32:23.23] – Filipe Xavier

O professor que engolir essa pílula e começar a mudar a sala de aula, ele vai provocar essa revolução lá dentro. E aí ele vai ajudar os pais, porque a mentalidade da escola vai proteger o modelo e vai durar um tempo ainda. Vai ser mais lenta dentro da escola, mas a gente vai ver, porque vai chegar o professor que vai falar, pô, eu quero isso para mim também. E ele vai ganhar os alunos ali, vai ser interessante.

[00:32:47.25] – Eduardo Vieira

E deveria estar sendo treinado.

[00:32:50.07] – Filipe Xavier

A escola deveria dar o passo. A escola deveria dar o passo, sim, mas a gente vai ver movimentos assim.

[00:32:55.16] – Eduardo Vieira

Espero que sim.

[00:32:56.10] – Filipe Xavier

Exame é um exemplo, comprando instituição de ensino. Então tá tudo convergindo para mudança. A educação vai ser olhada de uma maneira diferente, mas acho que ainda leva um tempinho, leva um tempinho, leva um tempinho.

[00:33:13.09] – Fred Pericini

É como tudo, né? É uma mudança, é uma transformação, tem seu tempo, né? Os primeiros a adotar, depois a multiplicar o conhecimento.

[00:33:23.25] – Filipe Xavier

E às vezes os early adopters guardam um pouquinho a coisa para si.

[00:33:27.13] – Fred Pericini

E é natural.

[00:33:28.14] – Eduardo Vieira

Lógico. Aproveita e depois faça.

[00:33:32.27] – Fred Pericini

Sim, principalmente o valor inicial capturado. A gente na F2F já diz assim: Cara, não existe agência que não seja um business de tecnologia. Ou não existia. Mas agora tem que ser desenvolvedor de tecnologia, tem que ser adotador de tecnologia, que adota, que implementa. Porque um time de pessoas experientes, que tenham referências, que tenham vivência, trabalhando com um time de agentes, com robôs, agentes autônomos, um para redigir, o outro para revisar, o outro para planejar, o outro para analisar, essas pessoas vão ter a produtividade velocidade dobrada, triplicada. Isso está acontecendo agora, não é uma visão de futuro. E quem consegue atravessar essa ponte mais rápido captura valor.

[00:34:36.11] – Eduardo Vieira

Total.

[00:34:36.26] – Fred Pericini

Essa é a minha visão.

[00:34:37.23] – Eduardo Vieira

Eu concordo. E assim, eu cobro duas coisas das minhas agências. Eu cobro a adoção da tecnologia e eu cobro o espírito crítico. E também não adianta você só adotar a tecnologia e passar para frente. E sem olhar, sem refletir, sem usar a tecnologia a seu favor. Eu gostaria que as horas economizadas com o uso da tecnologia fossem utilizadas para uma reflexão maior.

[00:35:03.15] – Fred Pericini

Exato. Pô, então as respostas tudo meio padronizado, a criatividade vai morrer? Não.

[00:35:11.15] – Eduardo Vieira

Muito pelo contrário.

[00:35:12.14] – Fred Pericini

O oposto é: as pessoas vão ter mais tempo para fazer upgrade no que elas estão recebendo. Elas vão receber uma primeira versão sem erros, entendeu? E aí é trabalhar a criatividade, é trabalhar o gatilho, a estratégia, evoluir. Então, para mim, é um play também de tecnologia com seres humanos. O ser humano é chave nessa jogada. E essa história de, putz, com o advento da AI vai ter um aumento significativo de desemprego, talvez é uma mudança de placa tectônica, mas vão ter outros empregos que vão abrir.

[00:35:55.14] – Filipe Xavier

O ser humano, ele é melhor com AI. A gente precisa entender isso. Quanto mais rápido as pessoas entenderem isso, tudo melhora. É o que o Edu falou, a revolução ela vai acontecer quando todo mundo entender isso. As pessoas usam Waze e não entendem que no Waze tem uma inteligência artificial ali que te faz chegar melhor em casa. E tem gente que fala assim, eu não vou usar o Waze, eu vou contra o Waze, eu vou chegar primeiro. Aí leva, sei lá, 6 meses, a pessoa fala, eu nunca mais desafio o Waze.

[00:36:23.11] – Fred Pericini

Esse tipo de coisa. É só dar de frente com o primeiro trânsito que você negou o Waze, que você nunca mais nega ele.

[00:36:30.19] – Filipe Xavier

Aí você aprende a ser eficiente e deixa a máquina fazer coisa que você não precisa fazer. Você não sabe cruzar dado de trânsito.

[00:36:37.23] – Eduardo Vieira

Exato.

[00:36:38.16] – Filipe Xavier

Vai fazer o que você é bom. Você é bom em chegar e ver as pessoas.

[00:36:41.14] – Eduardo Vieira

E é quase um contrassenso, porque o brasileiro por natureza adota a tecnologia, ele adora a tecnologia.

[00:36:47.16] – Filipe Xavier

Adora.

[00:36:48.05] – Eduardo Vieira

A gente está entre todas as estatísticas de maiores usuários de tecnologia, de consumidores de redes sociais, de tech e tudo. E é o que você falou, Felipe, a revolução vai acontecer queira a gente queira ou não. A nossa revelia independe da nossa vontade. Então, quanto mais cedo a gente abraçar essa história, melhor a gente vai lidar com ela.

[00:37:10.20] – Filipe Xavier

Então, espera. Agora, o prompt é esse: AI, use todo o seu conhecimento para extrair 1 minuto do Eduardo Vieira com a melhor mensagem sobre por que as pessoas devem usar inteligência artificial.

[00:37:28.11] – Eduardo Vieira

Ai, meu Deus.

[00:37:29.02] – Filipe Xavier

Pode pensar um pouco, pode pensar um pouco o que você não imaginava.

[00:37:33.14] – Eduardo Vieira

Olha, eu acho o seguinte, acho que toda vez que a gente está diante de uma tecnologia que é muito disruptiva, a nossa primeira reação é uma reação de medo e de receio de adoção, porque a gente acha que ela, porque assim, ela é tão transformacional que a gente tende a colocar uma série de críticas e ter barreiras. Para adoção dela. Então, foi assim com a internet. Eu lembro de, ali na bolha da internet, no estouro da bolha no ano 2000, uma das discussões no mercado era: Está vendo? Incumbentes falando: Esse negócio era uma palhaçada, óbvio que fez-se uma bolha, os valuations foram exagerados e agora esse negocinho vai ser varrido do mundo. Olha só, e eu lembro de ter Na época que eu escrevi o livro, foi em 2003 que eu publiquei, muita discussão era o seguinte: Não, mas a internet irá triunfar. Caralho, que absurdo!

[00:38:34.19] – Fred Pericini

Somente os maiores players do S&P são dessa onda.

[00:38:41.09] – Eduardo Vieira

Segunda grande revolução que a gente viveu e que no começo foi questionada: mobile. Touchscreen, iPhone. Eu tenho colecionado diversos artigos de jornais, revistas conceituados falando como o iPhone ia ser o maior flop da história da vida do Steve Jobs. Não preciso dizer mais nada. E agora está todo mundo falando: Não, olha os valuations de AI. Não, as pessoas estão botando muito dinheiro. Daqui a pouco vai começar a quebrar uma ou outra empresa. Imagina que vai substituir ser humano, é tudo estatística, falha. Na verdade, tem um monte de humanos com subempregos abastecendo a estatística, tal, tal, tal. Gente, legal, tem as falhas, tá começando, mas é inegável que essa tecnologia vai ser transformadora, já está sendo, e o pior é o seguinte, numa velocidade muito maior que as outras duas.

[00:39:41.25] – Fred Pericini

Exatamente.

[00:39:43.26] – Eduardo Vieira

Então, esse negócio de FOMO, esquece. Já perdemos.

[00:39:47.27] – Fred Pericini

Abraça.

[00:39:48.26] – Eduardo Vieira

Abraça. Abraça. Já perdemos.

[00:39:52.21] – Fred Pericini

Edu, tem muita gente que ouve aqui a gente que é executivo, trabalha em grandes empresas, que já tem seus negócios rodando e ganhando lá o seu dinheiro, batendo suas metas sem AI. E você, como com esse olhar do SoftBank de investir já mais para o fim do ciclo da empresa, quando ela tá mais madura, você busca empresas que tenham AI no core. Que dica você daria para um executivo que trabalha numa empresa que o core não é AI? Como fazer essa transformação?

[00:40:30.25] – Eduardo Vieira

Cara, eu acho que a A palavra de ordem é abrir a cabeça e estudar para entender como a tecnologia pode usar, como você pode usar a tecnologia a seu favor no seu segmento. A gente vê muitas empresas tradicionais incumbentes que têm os seus braços de corporate venture capital, que são navios piratas ali, que são células buscando inovação, tentando entender onde estão as startups que podem transformar os negócios de fora para dentro. Cola nesses caras, vá aos centros de startups que tem vários. Hoje o ecossistema de venture capital, de startups no Brasil, de inovação, ele é muito grande, ele é muito bom. Quando a gente chegou em 2019, o mercado era meio tímido, faltava investimento, faltavam atores. Hoje em dia tá muito mais maduro, evoluiu de 2019 para cá, nesses últimos 5 anos assim, Eu não saberia dizer um dado correto, mas eu te diria que quintuplicou em termos de atores, complexidade, investimento, entusiasmo, acesso, troca de conhecimento. Então, o conhecimento está aí. É questão do executivo estar aberto, estar com a mente aberta e entender como essa tecnologia vai transformar o seu negócio, porque de fato vai. Não tem como, é inescapável.

[00:41:51.10] – Filipe Xavier

O insight é como você faz para pensar AI first. Esse é o ponto.

[00:41:57.05] – Fred Pericini

E você sabe de onde surgiu o nome AI first, né?

[00:42:00.14] – Eduardo Vieira

De onde? Conta aí, Fred.

[00:42:02.12] – Fred Pericini

Da onda do celular, né? Quem aqui não viveu o mobile first? É isso aí, mobile first, né? Quando surgiu, cara, putz, era o termo, né?

[00:42:14.16] – Filipe Xavier

Refazer todos os sites, todos os clientes pensavam Mobile First, pensando como ia ser consumido. E agora Fred e eu, a gente acredita que tudo vai ser consumido AI First e tudo precisa ser repensado por essa modalidade.

[00:42:29.02] – Eduardo Vieira

Acho que vocês estão na vanguarda.

[00:42:30.28] – Fred Pericini

É isso aí. E aqui é trazer pessoas como você de mercado que estão pondo a mão na massa, estão tendo os seus desafios na implementação E promover uma conversa descontraída para que essa conversa, no longo prazo, gere conhecimento, gere faíscas de empreendedorismo, quem sabe. Movimento, ação. Eu acredito que a América Latina tem valor a ser capturado com AI.

[00:43:01.24] – Eduardo Vieira

Muito.

[00:43:02.23] – Fred Pericini

E está na aplicação e é um momento super oportuno.

[00:43:07.22] – Eduardo Vieira

Total.

[00:43:08.04] – Fred Pericini

A placa tectônica, quando se move, cara, moveu o jogo. Então, moveu o jogo, tem oportunidade, ameaça mais aflorada, né?

[00:43:18.11] – Eduardo Vieira

Isso aí, assino embaixo.

[00:43:19.28] – Filipe Xavier

Bom demais, Edu, obrigado. Pessoal, acompanha Eduardo Vieira, redes sociais, achem ele, vale a pena demais acompanhar, uma grande mente que a gente tem aqui no Brasil. Meu parceiro Fred, obrigado, foi bom demais. Esse é o nosso primeiro episódio, acompanhem todos da primeira temporada.

[00:43:38.05] – Fred Pericini

Boa, valeu! Tá inaugurado o projeto. Muito obrigado, Edu.

[00:43:42.11] – Eduardo Vieira

Obrigado a vocês, parabéns pela iniciativa e vida longa ao AI First.

APRESENTADORES

Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini

Fred Pericini

Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier

Filipe Xavier

Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.