
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 26
Como a IA Está Reduzindo o Custo da Fluência em Inglês
Uma conversa direta sobre como a Inteligência Artificial está transformando a aprendizagem conversacional de idiomas.

CONVIDADO
Robson Amorim
BeConfident
Transcrição do episódio
Olá, nós somos o AI First Cast, o primeiro podcast brasileiro destinado à discussão estruturada sobre adoção de inteligência artificial nos negócios. Eu tô muito feliz, Ano Novo! Retornando às gravações, e hoje a gente tem um presente para nós mesmos aqui na mesa e para vocês aí também. A gente veio ao longo do ano passado entrevistando sobre empresas grandes, C-Level, e a gente vem a partir de agora dando espaço a empresas que serão essas novas grandes, e que estão em ascendência e disruptando o mercado. A gente tem aqui uma oportunidade tremenda de aprender com gente nova que tá trazendo oxigênio e mudando a forma de fazer as coisas com inteligência artificial. Lembrando, se você conhece alguém que, assim como nós, acredita que essa onda não é passageira, que é uma transformação no mundo dos negócios e que precisa se inspirar e capacitar, compartilha esse vídeo, compartilha outros episódios, porque quanto mais a gente reverberar conteúdo, mais valor a gente vai gerar para o Brasil.
Esse aqui é o Fred Pericini, o melhor co-host que existe por aí, tá? Eu atesto isso. E eu sou Filipe Xavier. E nessa temporada a gente abre inclusive fazendo uma coisa muito interessante, Fred. A gente vai falar com uma pessoa que é um dos 4 fundadores de uma empresa AI First. Então a gente vai entender um pouco dessa história, aprofundar, trazer insights para todo mundo. Mas antes da gente começar, conta para a gente quem é o Robson.
Fala, pessoal, prazer. Primeiro, muito obrigado pela grande oportunidade. Prazer estar conversando com vocês sobre IA. Acho que eu sou muito apaixonado pelo assunto. Sou Robson Mourim, eu sou CEO e cofundador da Be Confident. Hoje eu moro em São Francisco, na Califórnia, no Vale do Silício. Há 3 anos atrás eu fundei a Be Confident junto com um grupo de amigos de Olimpíada de Robótica. É uma solução aí que já está em mais de 100 países, é mais de 200 mil alunos pagantes usando a plataforma. A gente está redesenhando a maneira com que as pessoas estão aprendendo na era da IA. A gente está seguindo bastante também um caminho de VC, então chegamos a levantar mais de R$100 milhões em venture capital com muitos fundos globais também. Prazerzaço estar aí com vocês.
Uma pausa. R$100 milhões em quantos anos de empresa?
É 2 anos e meio, quase 3 desde a sua fundação.
2 anos e meio, rodada de R$100 milhões, o negócio avaliado num meio unicórnio brasileiro, sim, revolucionando a educação Primeiramente, através de línguas, do ensinamento de línguas. E eu vou te fazer uma pergunta que eu fiz aqui nos bastidores, que quando a gente fala em aprender línguas, vem à cabeça o Duolingo. Compara para nós, explica os diferenciais que vocês têm e por que que ele tá sendo tão adotado por profissionais de alto nível.
Bom, acho que essa é uma ótima pergunta até, acho que ela modelou bastante as nossas decisões de produto. Mas até o meu último ano do ensino médio eu não sabia falar inglês. E aí eu decidi que eu gostaria de fazer faculdade fora. Bom, não tinha dinheiro para fazer isso, não sabia falar o idioma. Eu falei, pô, vou na internet ver o que existe lá de solução. E usei muito todas as soluções que tinham gratuitas. Então, desde Duolingo, Babbel, vários outros apps. E comecei a praticar, interagir. E o que eu percebi é que por mais que eu aprendia um vocabulário aqui, uma palavra lá, eu não aprendia o que era mais importante, que era interagir com pessoas, que era conversar. E aí, eu, bom, era muito autodidata, né? Olimpíada robótica, um monte de coisa, acabei dando a cara a tapa, consegui aprender o inglês na marra, pelo menos o básico, fui pra fora e quando cheguei lá fora eu percebi que em 6 meses era como se fosse uma mágica tivesse acontecido na minha cabeça, eu aprendi o idioma muito mais rápido. Isso aconteceu também com meus co-founders também e a gente começou a se questionar, pô, o que acontece quando uma pessoa viaja pra fora, que ela vai morar fora e todo mundo que faz um intercâmbio sempre volta e fala, nossa, eu aprendi em 6 meses mais do que 10 anos numa escola de idiomas.
A gente viu que existiam 3 elementos fundamentais que faziam as pessoas aprenderem muito mais rápido. O primeiro delas é quando elas estão morando fora, elas estão em constante contato com nativos. No café da manhã, de tarde, de noite, no trabalho, na escola, em todos os momentos ela tá interagindo com nativos. O segundo ponto é, existe um coeficiente muito grande de necessidade. Então você precisa usar aquele idioma, ele tá integrado na sua rotina, no seu cotidiano. Então não apenas você tá falando com nativos, mas você também tá falando com nativos de uma maneira muito mais intencional, muito mais profunda. E também eu acho que o terceiro ponto era em diferentes contextos. Então não era aquele inglês da escola, o inglês do trabalho, o inglês da universidade, você tá aprendendo inglês em diferentes contextos diferentes. E a gente começou a perceber que era literalmente impossível você conseguir replicar essa mesma experiência do seu intercâmbio dos sonhos no mundo atual. E quando a gente viu o IA surgindo, a gente percebeu que a gente conseguiria criar toda essa experiência imersiva de você falar com nativo, essa experiência imersiva de colocar você em diferentes ambientes, tudo com GenAI. E aí a gente literalmente funda a BeConfident naquele momento com a grande— com grande objetivo de redesenhar a maneira com que as pessoas aprendiam, começando com idiomas ali.
Aí foi o nascimento da Be Confident.
O V0 de vocês deu certo, né? Posso dizer isso, certo? Como é que foi para vocês verem isso acontecer e o potencial da inteligência artificial para mudar a forma como as pessoas se relacionam com uma plataforma de ensino?
Boa! A gente teve a oportunidade de testar a Big Conferência, testar o ChatGPT antes do ChatGPT, né? Aqui minha cabeça dá uma bugada.
Ele tá vivendo fora, ele está há vários anos fora, então a gente tem que ter paciência, senão ele vai soltar 2, 3 línguas aqui com a gente.
Tá tudo certo, tá tudo certo.
Vamos lá, vamos lá.
Minha cabeça dá uma bugada, foi mal. É… Mas a gente teve a oportunidade de testar o ChatGPT antes dele ser lançado. E logo quando a gente viu, a gente testou pela primeira vez, a gente viu que dava pra fazer um negócio simples, que é o processo de aprender um idioma, que é conversar. E esse aprendizado, você conseguia conversar com uma máquina. E era muito mais barato, era muito mais efetivo, no sentido que a pessoa conseguia personalizar muito aquilo. E a gente via várias plataformas no mercado que as pessoas poderiam conversar com nativos. Então… Existiam ali umas 3, 4 grandes plataformas de mercado. Só que quando você via o preço disso, era simplesmente inacessível até pra uma pessoa de classe média no Brasil. Então, às vezes custa $20, $30 por hora pra você conversar com nativo, você coloca uma hora por semana, você tá falando de, sei lá, R$600, R$700 por mês. Agora a gente conseguira criar um sistema onde as pessoas conseguiriam conversar com nativo através de inteligência artificial por R$30 por mês. Então, você meio que acaba arbitrando bastante custo, né? E aí a gente lança a Be Confident, o primeiro MVP foi simplesmente, cara, como a gente consegue replicar a experiência conversacional que você teria conversando com nativo ou viajando pra fora, mas dentro do WhatsApp, que é uma ferramenta que você já pratica, quer dizer, já pratica não, né, que você já conversa todo dia.
E aí a gente fez esse primeiro MVP, a gente não queria fazer o aplicativo, nada do gênero, queria estar onde o cliente tava. E a gente lança a Be Confident ali no MVP no WhatsApp, onde as pessoas poderiam conversar principalmente por áudio. E como se fosse um tutor te dando feedback em tempo real. Só que assim, era um timing absurdo e nesse momento você não conseguia mandar nem áudio pro ChatGPT, não existia Meta AI, não existia… Todas as AIs tirando o ChatGPT não existiam. Então, literalmente a gente lança uma solução simples, mas que tinha um poder muito grande. Aí quando a gente lança a BeConf dentro do mercado, em 2 dias a gente já tinha mais de 50 clientes pagantes. E a gente falou, putz, acho que a gente acertou em alguma coisa. E a gente começou a ir muito profundo nisso, e aí foi onde a gente começou a escalar.
Eu gostaria que você explorasse como estão no mundo de educação, por enquanto línguas, mas com a possibilidade de aprendizagem de tudo e qualquer coisa, pela escalabilidade da inteligência artificial. Queria que você contasse mais para nós sobre isso.
É, o grande objetivo de longo prazo quando a gente fundou o Be Confident era a gente meio que redesenhar a maneira com que a educação era feita no mundo e criar o que a gente chama de The School of Everything. Então, tipo a escola de tudo. Você tem a Amazon, que é The Store of Everything. Uma loja onde você pode comprar qualquer coisa. Com o AI a gente percebeu que a gente poderia construir uma plataforma onde a pessoa poderia aprender o inglês muito bem, mas quem sabe futuramente ela poderia aprender sobre finanças, talvez ela pode aprender até sobre medicina, talvez ela possa inclusive se formar em medicina, em uma área muito técnica, porque a gente consegue ir muito profundo em várias áreas. Obviamente tem regulação, um monte de coisa, mas dá pra integrar também com sistemas. Então faculdades, escolas e etc. E a gente nasce com esse grande objetivo, só que a gente tinha que começar de um lugar, né? Então toda solução precisa às vezes de um MVP, às vezes você precisa narrow down ali o seu público, onde você vai ter que começar. E a gente começou a estudar muito o mercado e a gente leu um artigo, a gente descobriu que o Brasil era o país com o maior número de escolas de inglês no planeta.
E a gente ficou, putz, como assim o Brasil é o país com o maior número de escolas no planeta? E a gente foi ver os dados de pessoas fluentes.
1%, né?
Era 1% da população que era fluente de verdade. Tem 5%, que é o número de pessoas que sabem pelo menos o inglês conversacional, mas que é fluente mesmo é 1%. A gente falou, cara, como o país com o maior número de escolas de inglês no planeta, apenas 1% é realmente fluente? E a gente descobriu, pô, tem mercado, porque as pessoas estão comprando, cada esquina tem uma escola de idiomas, mas pelo jeito não necessariamente está funcionando em escala. Então a gente falou, vamos começar por esse mercado, porque existe demanda, vamos construir um produto grande, vamos faturar muito, vamos investir em tecnologia, vamos contratar um grande time de engenharia, um time de TI, etc. E a partir daqui a gente começa a resolver várias edge cases e ir migrando para outras áreas e realmente construir uma plataforma global que a gente consiga no futuro ensinar qualquer coisa.
Eu realmente fiquei fascinado com o case de vocês. A história da empresa é muito bacana, né? E ela mostra uma verdade de que a inteligência artificial, e agora generativa, de fato revoluciona o mercado, né? Vocês têm pouquíssimo tempo, mas olha como vocês já começam grande. Vocês olham para o que é a empresa de vocês e vocês têm a ambição de ser a school of everything. Isso é genial. E o nome da empresa de vocês me permite fazer uma pergunta que ela é bem relevante para essa conversação. Confiança sempre foi um tema muito humano. Como é trazer inteligência artificial para dentro dessa conversação? Como você enxerga a relação entre confiança e inteligência artificial?
Esse é um caso muito interessante. Acho que ele define bastante até um pouco da profundidade que o produto consegue chegar. Quando as pessoas, os primeiros alunos começaram a vir pra Be Confident, um dos principais feedbacks que a gente recebia era que eles falavam, cara, eu sinto muita vergonha de falar em público, então vou pra uma escola de inglês, tem 10 pessoas numa sala, eu vejo às vezes, às vezes tem um aluno obviamente que sempre se destaca muito, inglês muito bom, e quem tem um inglês meio que ruim, as pessoas não falam. Só que pra você aprender você precisa interagir, você precisa cometer erro. E aí, o que acontece é cunhar. Quando você cria um sistema conversacional cunhar, é que aí ela não te julga. O ChatGPT provavelmente nunca te julgou. A não ser que você peça pra ele, me julgue, sei lá o quê, blá blá blá. Ele vai ser o mais…
Você tem que definir o nível de julgamento que você quer.
Por default ele puxa saco.
É, por default ele puxa saco.
Ele faz carinho por default.
Só que pro processo de aprendizado isso é muito bom. Entende? Porque a pessoa se sente confortável pra se expressar, ela se sente confortável pra conversar. Pra se expor. Então o que acontece com a Be Confident? As pessoas na nossa plataforma, elas desabafam sobre a vida, elas jogam xadrez, elas falam sobre um problema que teve no dia a dia, elas brainstormam uma ideia nova que ela teve do trabalho, ela, putz, quero implementar um projeto X na minha empresa, e ela explica pra Be Confident aquilo, começa a trocar uma ideia, a Be Confident começa a meio que dar ideias sobre aquilo, e a pessoa começa a engajar, e ela vai sentindo mais confiança. Então, de certa maneira, o que a gente acredita é que agora com a IA conversacional a gente tem uma nova layer de treinamento, entende? Então qual a melhor maneira de você ser um bom apresentador? É você apresentando. Mas se você não tem a oportunidade de apresentar, ou pelo menos sentir confortável apresentando, você nunca vai conseguir ser um bom apresentador. E agora a gente tem uma layer ali que as pessoas conseguem interagir, conversar sem julgamento nenhum, e ela vai criando confiança, ela vai ganhando vocabulário, ela vai entendendo diferentes padrões que ela pode utilizar e etc.
E aí com isso ela vai ganhando confiança e depois quando ela vai falar com um humano ela já passou por aquela situação várias vezes e aí realmente ela fica mais feliz e tudo mais. Então acredito muito que IA nesse momento ela ajuda as pessoas a serem mais confiantes nesse sentido porque elas não precisam ter necessariamente medo de serem julgadas.
Muito legal. Quanto aprendizado, me vem aqui à cabeça alguns aprendizados de startup mesmo que você tá narrando, né? É muito interessante. Por exemplo, a gente tá falando em conseguir narrow down, escolhe uma dor. É línguas, pô, tem uma ineficiência, é um segmento antigo com uma ineficiência e você cruzou a ineficiência de uma maneira muito clara, né? Tem escola em toda esquina, só 1% é fluente. Então assim, tá pagando e não levando. Então tem uma oportunidade clara de alta margem e disrupção pela ineficiência que se tem. Tem o need, mas não tem a entrega. Então, me parece um banquete para a disrupção de inteligência artificial e tecnologia em geral. É assim que você enxerga?
É, eu enxergo bastante assim. Existe uma frase no mundo das startups, é que a sua margem é a minha oportunidade, né? Então, se você tem escola de inglês, ela tem uma margem alta ali, pô, você pode disruptar ela tendo uma solução que é mais eficiente. E eu acho que tem um outro fator além disso também, que é a velocidade de adaptação. Então, você pega uma equipe técnica, então a gente vem de Olimpíada de Robótica, sou docente da computação, somos engenheiros de formação, trabalhamos com isso há muito tempo. A capacidade de você construir uma solução, lançar no mercado e interagir com o público é muito mais veloz que muitas vezes uma escola de idiomas que é igualzinha há 50 anos e que simplesmente muitas vezes se financia através de vendas de livros. Que os alunos nem estudam. E aí eles cobram, sei lá, R$400, R$500 por mês, aí você tem às vezes uma solução mais efetiva, melhor, e agora custa R$50 por mês. E você começa a dar acesso em massa pra um monte de gente que na verdade não tinha nem oportunidade de ir pra uma escola de idiomas. Então você ajuda a pessoa que poderia ir, porque ela consegue aprender de maneira mais rápida e mais efetiva, mas você tá ajudando uma camada muito maior, às vezes é um público 20 vezes maior.
Então falando talvez de 70% de toda a população brasileira a ter acesso a uma tecnologia que o que que não existia. E isso é muito comum com, acho que, vários tipos de tecnologia, né? Então você pega, por exemplo, o próprio computador. Quando ele foi inventado, era um negócio gigantesco, eram instituições que poderiam adquirir aquilo. Aí depois inventaram, por exemplo, o computador lá físico em casa, muito menor. Aí mais pessoas poderiam acessar. Aí depois inventaram o laptop, aí depois o celular. Agora tá todo mundo conectado porque tecnologias foram sendo criadas e uma massa que não tinha acesso a uma que era muito mais cara, agora pode ter acesso de maneira muito facilitada. E a mesma coisa da maneira com que eu vejo, ah, poucas pessoas, por exemplo, têm acesso a escolas internacionais, algumas outras conseguem ter acesso a escolas bilíngues, um pouco mais têm acesso a escola de idiomas, mas o resto não consegue. E agora você consegue construir uma solução que consegue abraçar todo mundo em massa. E aí você consegue criar uma solução que é realmente disruptiva.
A velocidade e a escala são impressionantes no case de vocês. Em menos de 3 anos, mais de 100 países vocês já estão atuando. Quais são os entraves para entrar em cada um dos novos mercados? Como vocês adressam isso com inteligência artificial?
Boa. Historicamente, sempre quando você ia expandir um novo produto para um novo país, existem várias barreiras, né? Mas depende muito do que você faz. Se você é um banco, existe uma questão regulatória, né, em cada uma das regiões. Se você é parte de médica, também existe toda uma regulação, existem sistemas diferentes e tudo mais. A BeConfident, eu acho que a gente teve o grande benefício de a gente não tá trabalhando no mercado regulado. Então, as pessoas podem aprender qualquer coisa, ninguém vai definir como você tem que aprender ou não, a não ser que seja na faculdade, na escola. Então, nossa barreira era menos regulatória, menos estrutural, E ela era mais sobre o produto em si. Como eu crio um produto que ele se adapta automaticamente a um brasileiro, mas quando ele vai pra um, sei lá, pra Alemanha, um alemão que às vezes interage de maneira diferente, conversa de maneira diferente, ele consegue sentir o mesmo nível de personalização pra ele do que um brasileiro. Como eu construo uma solução que se comunica com ele em diferentes formatos, né, o branding, a marca e tudo mais. Então essa foi as nossas principais camadas ali de dificuldade.
O lado bom da GenAI agora é que você consegue literalmente traduzir tudo em tempo real e você consegue criar versões diferentes do seu produto pra vários idiomas de uma maneira muito mais rápida. Então, ao invés de você precisar às vezes de 20 pessoas pra traduzir todo um aplicativo, agora eu consigo traduzir tudo automaticamente, eu contrato uma pessoa que na verdade é nativa também, que ela vai revisar aquilo. E ela vai revisar o erro da IA, ver o que a IA fez bem, o que não fez bem, e aí isso faz com que você consiga lançar os produtos de maneira muito mais rápida. Em outros lugares. Então, por exemplo, quando a gente lança a Be Confident no Brasil, obviamente que a gente era brasileiro, entendia muito mais do mercado. Quando a gente decide lançar a Be Confident na América Latina, pro espanhol, a gente lança a Be Confident em 30 dias, de ponta a ponta. Ponta a ponta foi o tempo que a gente levou pra literalmente traduzir todo o nosso app, pra fazer adaptações culturais não extremamente profundas, novamente MVP pra lançar no mercado e tudo mais. Mas usando todo o aprendizado que a gente já tinha tido no mercado brasileiro.
Então, por exemplo, no Brasil, a gente lança a Be Confident no mercado, demora 6 meses pra gente ir de 0 a R$1 milhão de faturamento. 6 meses. Quando a gente lança na América Latina, demorou 20 dias pra gente ir de 0 a R$1 milhão de faturamento. Muito usando esses aprendizados.
E uma… Provavelmente o que acontece é depois que você lança, você vai buscar esse nível de maturidade e essas nuances culturais. Brasil, as nossas divisas geográficas estão consideradas? Você tem variação de sotaque, gíria, para quem quer aprender alguma coisa diferente, falar diferente? E como é na América Latina também? Porque você tem o espanhol do México, que é uma coisa, o da Argentina é outro, o da Colômbia é outra.
Boa, essa é uma ótima pergunta. Quando a gente construiu o Be Confident, a gente construiu o Be Confident sobre algumas premissas. Uma delas que a plataforma precisaria ser agnóstica à língua, ela precisaria ser agnóstica à personalidade, ao perfil, e ela precisaria necessariamente se adaptar daquilo. Então, quando a gente constrói a arquitetura do produto em si, a gente constrói ela de uma maneira extremamente modular, aonde as decisões das interações, elas vão sendo construídas baseado na memória daquele usuário. Então, a gente cria um memory model dentro da Be Confident, que a gente vai feeding, literalmente pegando todas as informações daquele usuário. E aí, então era como se fosse o algoritmo do TikTok mesmo. Então, a ideia do produto ser extremamente modular e a experiência sendo meio que recomendada pela própria Be Confident. E aí com isso a gente conseguiria resolver tanto problema dentro do Brasil, no sentido tipo uma pessoa no sul que tem um interesse Y e tem a carreira Z, ela teria uma experiência personalizada da mesma maneira que uma pessoa no norte com outra experiência, outro background, outro contexto de vida. Só que a partir do momento que eu consigo resolver pra sul, pra norte, eu também consigo resolver Brasil pra Espanha, Espanha pra China, China pra Japão e etc.
Então a gente criou o Be Confident com base nessas premissas. E aí isso meio que ajudou bastante a gente quando decidiu começar a lançar realmente a experiência global de outros países, meio que o produto ser autoadaptável, né? Então se a gente tivesse que criar uma versão de Be Confident para 100 países diferentes, lascou, seria quase impossível, ou não extremamente possível, demoraria anos. Mas aí com esse sistema, essas premissas, a gente conseguiria criar uma solução muito mais rápida e claro, tendo esse boost da IA também, a gente conseguir produzir as coisas muito mais rápido. Boa!
Eu queria explorar um pouco sobre priorização de produto. Vamos dar uma recapitulada. Eles lançaram o MVP e aí em 2 dias tinha 50 pessoas assinando. O produto tem 2 anos e meio que vocês vêm melhorando. Os caras são ninja, 4 caras olímpicos de robótica. Conta pra mim, como é a priorização com tanta possibilidade na mesa e um produto tão novo já escalando? É tranquilo? É simples? Conta os bastidores pra gente.
Essa é uma ótima pergunta também, que ela envolve muitos elementos, né? E quando a gente funda a Be Confident, a gente tinha zero dinheiro, não tinha nada. E literalmente a gente tinha uma visão, uma ideia, nada de capital e a gente tinha que tomar algumas decisões ali de produto. Inicialmente, a gente queria resolver um problema latente que as pessoas já estavam acostumadas a pagar alguma coisa por isso e que a gente conseguia resolver esse mesmo problema de maneira muito mais barata. Então, nesse caso, era falar com nativos era muito caro, as pessoas não têm acesso a isso, vamos fazer as pessoas conversarem com nativos agora com IA. Então, se o nativo custa $10 por hora, Então, fazer a Be Comforting custar menos de $1 por hora. E então, aí a gente tentou fazer literalmente o mínimo produto viável pra simular essa experiência de conversar com o nativo através dessa conversação. E aí, uma vez que a gente lança o produto no mercado, aí vem o segundo ponto, a gente não tem dinheiro, então a gente precisa capitalizar muito isso. E a gente começou a priorizar muito o produto pra gente conseguir se autofinanciar, né? Então, como eu consigo estruturar isso daqui?
Quais são as decisões que vão ajudar a gente a Provavelmente aumentar o ticket médio sem aumentar muito engenharia, a gente consiga vender mais e mais rápido. E aí a gente foi indo assim. E aí a partir disso, a gente começou a entender literalmente qual era muitas vezes a próxima feature, a próxima decisão que ia deixar a gente mais perto na verdade da visão total do produto. E aí a gente foi sempre decidindo a próxima feature meio que on demand, meio no caminho que tava seguindo.
E é um processo pacífico na empresa?
Não, qual o nome? Nada pacífico não. Cada pessoa tem uma ideia diferente, visões diferentes. Então, por exemplo, esse ano a gente lançou um marketplace de AI Digital Twins. Então, por exemplo, hoje a gente tá ali com quase 200 mil clientes pagantes. 7% da nossa base são médicos, eles conversam obviamente sobre medicina. E só que o que eles conversam sobre medicina é tipo assunto extremamente específico de um oncologista, de um pediatra e tudo mais. A gente se perguntou, porra, e se as pessoas ao invés de conversar com uma IA genérica, e se elas conversassem na verdade com o maior especialista de medicina no planeta em Oncologia? E a gente criou esse marketplace de AI Digital Twins. Então, por exemplo, a gente começou a pegar alguns investidores nossos. Então, área de finanças, sei lá, a gente trouxe o Doug, ele foi ex-CEO do Nubank. Aí tem o Doug, que é o Carlos, que foi ex-CEO global do Banco do Brasil. Pô, imagina se você é da área de finanças, você aprender diretamente com essas pessoas. E aí a gente fez, criou o Digital Twins, lançou dentro da plataforma e um monte de coisa. Só que como lançar isso?
Quem trazer primeiro? Como fazer o sistema de monetização? Eu cobro separado? Eu cobro dentro do produto? E aí você tem várias pessoas com ideias totalmente diferentes. O marketing pensa, putz, a gente precisa cobrar o Digital Twins separado, porque dessa maneira a gente consegue fazer mais dinheiro. Produto, não, se a gente cobrar separado vai ser muito difícil construir a integração entre tudo e ter uma experiência coesa. Aí, pô, mas a gente tem que fazer dinheiro. Não, mas a gente tem que criar um produto que as pessoas amam. E aí o pau come. E aí é um longo processo, normalmente a gente gasta bastante tempo entendendo, tentar balancear capitalizar e crescer, financiar, porque de certa maneira a gente é uma empresa, a gente precisa sobreviver, a gente tem folha de pagamento. Hoje tem 90 pessoas trabalhando na Be Confident, ao mesmo tempo que a gente entende… Quantas pessoas? 90.
90. E essa discussão onde o pau come, ela é 100% humana ou ela é humana e com inteligência artificial?
Não, o pessoal procura no ChatGPT, coloca o ChatGPT pra… Ó, segundo a minha análise aqui, fiz um deep research, descobri tal coisa, YZ, esse é o caminho que a gente tem que seguir. Falo, não, ChatGPT não sabe o que tá falando, biased. E aí o pau come.
Excelente. Você tá num ecossistema que é muito favorável, né? Empresa de tecnologia, no berço de tecnologia, AI first total na veia. Eu vou te fazer uma provocação, provavelmente minha pergunta final para você, tá? A inteligência artificial, ela potencializa as nossas versões. Então todo mundo é uma versão melhor de si mesmo se usar inteligência artificial. A gente acredita nisso. O que que a Be Confident e a sua visão disso, of the future, e tudo que você acredita, onde inteligência artificial vai ajudar a separar pessoas extraordinárias de pessoas medianas? Como é que é o futuro para quem quiser ser extraordinário? Extraordinário.
É uma pergunta profunda, viu?
Falei que era a minha última, tem que fechar com estilo, né?
Fazer uma pesquisa em Harvard para responder ela, pegar um cientista lá, fazer um experimento. Assim, eu tenho uma opinião sobre isso, que eu acho que pessoas extraordinárias e medíocres sempre existiram, e as pessoas sempre tiveram ferramentas diferentes para poder se aprimorar. Então, sei lá, 300 anos atrás as pessoas tinham sistemas e oportunidade de aprender. Depois a internet foi inventada e as pessoas tinham acesso à informação. Hoje, antes de, sei lá, 2020, as pessoas tinham toda a informação do mundo para aprender a programar, para aprender qualquer coisa na internet. Umas aprendiam, outras não. Eu acredito que isso não muda. O que acontece é que pessoas que entenderem como se potencializar com IA vai se potencializar ainda mais rápido. E as pessoas que não fizerem isso vão ficar ainda mais para trás, porque o gap de produtividade entre uma e outra vai ser muito maior. Entre uma pessoa que lia, uma pessoa que não lia, uma pessoa que assistiu um vídeo no YouTube, a pessoa que não assistiu um vídeo no YouTube, uma pessoa que é para faculdade, uma pessoa que não ia para faculdade. Agora, literalmente, uma pessoa que ela consegue usar IA para, sei lá, gerir melhor seu calendário, ou para aprender muito mais rápido, ou talvez pra automatizar vários processos do seu dia a dia.
Então, por exemplo, hoje a gente tem 90 pessoas na Be Confident, Be Confident faturou 60 milhões ano passado, a gente tá no caminho de faturar pelo menos 200 milhões esse ano. Tem uma pessoa no nosso financeiro. Como? Automatizando tudo com IA. Literalmente tem ferramentas que ajudam com contabilidade, existem ferramentas que ajudam com fechamento de folha, tem um monte de coisa. Então, o que acontece é que muitas outras, muitas tráfegas conseguem ser automatizadas e conseguem ser aprimoradas. Obviamente que a gente precisa contratar mais gente até que o time tá escalando, mas uma pessoa que consegue entender como ela consegue gerir o seu dia a dia, mas gerir o trabalho que ela realiza, ela vai conseguir na verdade não ser uma vez mais produtiva, 10 vezes mais produtiva, mas talvez ela vai conseguir ser 1000 vezes mais produtiva, talvez 10.000 vezes mais produtiva. E essa diferença entre o outlier e o medíocre eu acho que vai ser muito mais acentuado do que era antes.
E a acentuará a diferença em progressão geométrica.
Excelente!
E qual recado final para os donos de escola de línguas?
Integra o Be Confident nas suas escolas aí para ajudar seus alunos a aprender mais rápido.
Gente, muito obrigado! Quero agradecer a ele para nós assim, né, rios de aprendizados, inspirador, gente jovem brasileira fazendo acontecer lá nos Estados Unidos, criando tecnologia nova e disruptando segmentos que são pilares da nossa sociedade, como por exemplo a educação. Parabéns em nome de todo mundo que tá aqui assistindo, continue, vai lá, vença e E leva o nosso país ao topo, porque a gente tem muita gente muito capaz.
E a história da Be Confident faz parte dessa temporada do AI First Cast, que é um patrocínio de SoftBank, o banco de investimento que mais investe em tecnologia e inteligência artificial da América Latina. Então, obrigado por ter vindo aqui compartilhar essa história sensacional com a gente, Robson. Foi um grande prazer te ouvir.
Obrigadão, galera! É um prazerzasso estar aqui compartilhando um pouco da nossa experiência. E bora pra cima, só o começo!
Isso aí, valeu! Até a próxima!
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.