
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 22
Como a IA está mudando o jogo nas consultorias
Uma conversa franca sobre como a inteligência artificial está transformando o mercado de consultoria – da estratégia aos bastidores da operação.

CONVIDADO
Flávio Pies
Mondoré
Transcrição do episódio
Olá, nós somos o AI First Cast, um podcast dedicado a transformar inteligência artificial em algo que você pode usar e melhorar a sua vida. Eu sou Filipe Xavier, co-host desse podcast, e tenho aqui do meu lado o meu grande co-host também, que é o Fred Pericini.
Olá, espero que vocês se divirtam, aprendam em mais uma entrevista. Nosso podcast tem a pegada de trazer C-level e diretores de grandes empresas para a gente aprender sobre a adoção de inteligência artificial no mundo dos negócios. Nós somos patrocinados pelo SoftBank, o banco de investimento que mais entende de inteligência artificial E isso é uma grande honra para nós. Hoje estamos com um amigo, um colega de trabalho. Se apresente.
Boa noite, obrigado pelo convite, super prazer bater um papo com vocês. Tema de AI é um tema que eu adoro conversar, ouvir, e ter duas pessoas como vocês, super sêniores, capazes aí para discutir, vai ser super bacana. Eu sou Flávio, Flávio Pies, sou É um dos sócios fundadores da Mondoré. Nós somos uma consultoria, eu fundei junto com os meus dois sócios, o Beninho e o Chico. A gente vem do background de consultoria estratégica, meus sócios são ex-BCG, a gente trabalhou junto numa boutique de egressos da McKinsey e, bem, desde 2020 a gente começou nossa própria empresa. Até tentamos fugir um pouquinho de consultoria, o mercado não deixou, jogou a gente de volta, mas acho que é legal que a gente acabou tendo experiências bem diferentes. A gente sempre trabalhou muito com grande empresa, mas teve um período bem legal de trabalhar com muito pequeno negócio, A gente atende pequenas empresas e médias empresas e grandes empresas, então a gente tem uma leitura interessante quando a gente fala de adoção de AI, é muito diferente quando a gente fala de cada um desses ambientes, né? Talvez só complementando dois outros pontos, eu sempre sou de negócios, sou engenheiro de produção, trabalhei com consultoria a minha vida inteira e dentro desse mercado eu acho que eu sempre fui para as pessoas de business uma pessoa de tecnologia e para o pessoal de tecnologia uma pessoa de business.
Então não só AI, AI para todo mundo que gosta de tecnologia hoje em dia é a grande febre, mas tenho trabalhado, programado, mexido com tecnologia já há um bom tempo. E até nesse sentido também do interesse, eu recentemente também estou fazendo um mestrado profissional em administração, do qual o tema que eu escolhi foi exatamente qual o impacto da AI na consultoria, tentando também entender as implicações nas competências, no modelo de negócio, nos times, nas operações e assim por diante.
É um cara que vai mover a agulha da inteligência artificial aqui no Brasil, Fredão.
Olha, a minha primeira pergunta é sobre sua tese. Eu já estava com ela aqui na manga. Eu sinto que o mercado de serviços profissionais serão altamente impactados por inteligência artificial. E a consultoria também. Qual é a sua visão? Qual é o impacto de inteligência artificial para atividade de consultoria?
Legal, vai ser legal responder agora e daqui a 2 anos quando entregar a dissertação a gente compara, né? Mas eu acho que já tá mudando, já mudou muito, né? Então a gente já tá incorporando, eu diria que bastante, mas acho que daqui a um tempo a gente vai achar que era pouco. Então o tema de fato de trabalhar com professional workers, né, que a parte de serviços profissionais nós somos, a gente tem uma parte muito de trabalhar de fato com informações que agora a gente tem a capacidade das LLMs como um todo de trabalhar junto com a gente, né. Então, quando a gente fala de implicações na consultoria, eu acho que vai ser global, de fato, de como os times são organizados, desde quais atividades serão automatizadas, quais serão copilotadas, quais de fato seres humanos continuam fazendo, Isso também conversa com design org. A capacidade de você entregar em formatos diferentes. Então, consultoria é famosa pelo PowerPoint, né? Por que não agora entregar com vídeos, entregar em sistemas e não em PowerPoints? Enfim, um campo bem vasto aí para a gente estudar.
E a gente até conversou com pessoas que já estão mostrando que a receita na consultoria está crescendo com inteligência artificial. E no começo da sua fala você falou uma coisa que é bacana estressar um pouquinho mais. Essa diversidade de clientes que você teve ao longo do tempo, como tá a conversa hoje com pequeno, médio e grande em relação à inteligência artificial que você mencionou? Isso desperta um pouco meu interesse aqui.
Não, bacana. Eu confesso que eu ainda não tenho feito trabalhos de tecnologia e trabalhos de implementação de AI nas empresas. Isso até é uma coisa que eu tô de olho com minha dissertação. Eu quero criar um método de implementação testando primeiro, até na academia hoje em dia você tem um método de pesquisação, né? Então vou implementar na minha empresa através de um frame que eu vou criar, testar, aprender, refletir e depois eu quero ter até uma abordagem que eu consiga ajudar várias empresas. Então o que a gente tem feito muito de fato é na própria atividade da consultoria mesmo. E aí sim, isso é bem diferente quando se fala de pequeno, grande e médio cliente. É uma questão de compliance super importante, você tem uma questão um pouco mais cautelosa por parte das grandes empresas, as pequenas empresas são mais tranquilas, a gente consegue ter mais agilidade mesmo. Existe uma questão do escopo do trabalho como um todo, da variedade, que aí nesse sentido até acho que as grandes empresas têm benefício. Tem alguns temas que são de certa forma específicos, só que são tão grandes que a gente consegue criar até usos, né? A gente, eu e o Fred, a gente trabalha junto num cliente que a gente teve um caso recente, né?
A gente estava numa reunião, nas vésperas de uma reunião, literais, acho que 30 minutos faltando para reunião, e a gente teve uma ideia de tentar fazer um mapeamento de mercado específico para o tipo de cliente que o nosso cliente tinha. E a gente conseguiu fazer um mini app que pesquisava com dados do Google Maps médicos e conseguia estimar qual que era a receita daquela clínica usando simplesmente Google AI Studio, 2, 3 prompts, né, Fred? A gente conseguiu fazer uma coisinha ali. Então, esses são alguns desses formatos que a gente consegue entregar também. E o próprio cliente, o feedback que ele teve até foi: tá aí uma forma de usar AI que não seria só ficar trocando ideia com chatbot, né? Então, acho que é uma das coisas aí.
Esse é um exemplo que eu acho que eu ainda não tinha escutado, né? De você estar 30 minutos antes de uma reunião, duas mentes pensando em coisas completamente diferentes e a inteligência artificial se plugar ali em vocês e vocês trazerem um resultado muito diferente do que seria se vocês não tivessem usado. Justo. E acho que esse exemplo, como é que chegou até o Flávio? Como é que você tá bebendo inteligência artificial?
Essa pergunta é boa. Eu acho que a gente tem que ter muita curiosidade, mas também criar a forma da informação chegar na gente. A gente tem muito corrido dia a dia, né? A gente trabalha o tempo todo. Então o que eu faço muito é assinar muita newsletter. E treinar meus algoritmos. Meu YouTube, pessoal, começou a olhar para tudo quanto é canto. E eu criei o hábito de fato, hoje em dia, em vez de estar no streaming de noite, eu costumo primeiro entrar no YouTube. E aí tem as notícias que vão aparecendo, as newsletters já vão me falando um pouco. E uma das coisas que eu desde muito cedo, confesso, não sei muito por que que eu peguei, mas foi uma curiosidade de sempre saber o que cada serviço fazia. Então, quando, por exemplo, Saiu o Nano Banana Pro. Cara, o que é isso? Deixa eu gastar um minutinho aqui para saber o que é isso, é uma novidade. E o Google AI Studio foi um caso desses, né? Eu conheci o Google AI Studio 2 anos atrás para você pegar a chave do Gemini ali e mexer. Mas quando você tem numa newsletter, breaking news, Google AI Studio tentando competir com o Lovable, você tem que fuçar um pouquinho, né?
A gente tinha um estagiário lá na empresa que cunhou um termo super legal assim, capacidade fuçativa. Pega, fuça um pouquinho, 2 minutos, aí você fica marinando na sua cabeça, fica ali no pano de fundo. Eu acho que foi mais ou menos isso que eu e Fred a gente teve, né? Fred é um cara super curioso, né? Então quando eu falo uma coisa, o Fred já fica com um olhinho meio sorrateiro assim, mas o que que é isso, Flávio? O que que tem? Então acho que é dessa forma, né? A gente criar sistemas, fluxos e ter muita curiosidade para poder entender o que é possível. Aí depois os casos se apresentam.
Eu tenho algumas histórias recentes com o Flávio que foram para mim assim Abertura de olhos. Conta uma. Pela simplicidade da solução, tá? Porque muitas vezes a gente pensa em tecnologia, você pensa em coisas muito complexas. Uma é essa da reunião. A gente estava a 30 minutos de ter uma reunião importante sobre segmentação de cliente com uma multinacional. E um dos eixos da matriz, a gente tinha definido ali o potencial do cliente. Só que era uma informação que não tá no CRM hoje, e a gente tava debatendo como obter a informação de potencial do cliente. E o Flávio abriu o— para quem não entrou ainda, o Google AI Studio é uma ferramenta de criação de aplicativos E que é, o Google usa as suas informações, as suas APIs, API do Google Search, API do Nano Banana, API do Google Maps, que você consegue dar, eles usam o termo de supercharge, você consegue elevar o potencial do aplicativo e você constrói um aplicativo ali com prompt, uma conversa, um pedido, uma linguagem natural. Então isso sai ali dos, do if-then-else, a programação, a linguagem de programação, para uma linguagem natural. E numa linguagem natural, ele usou a API do Google Maps e pediu para criar um app em que a gente daria o nome da clínica e o app devolveria o potencial dela com base em ratings do Google, em reviews, né, feedback das pessoas ali dentro do Google, analisando a localização, o bairro, o tamanho da clínica.
E aquilo Ficou pronto em, sei lá, 5 minutos. A gente fez uns quality checks e realmente ele dava feedbacks assertivos sobre o potencial da clínica. E aí o que eu senti como consultoria, que era o serviço ali, é muito isso que você disse, de sair do PPT e eventualmente dar uma ferramenta implementável para o cliente, sair da teoria das sugestões e ir para perto da execução dando uma ferramenta implementável para o cliente de: Olha, a segmentação que eu sugiro é essa e para mapear esse eixo do potencial está aqui um app. Eu sei que era um protótipo e tal. Essa foi uma bem interessante. Que inclusive, estou triste que o Google AI Studio tirou a API de Google Maps. Senhor Google, estou de olho em você. Não pode, não pode. Tiraram a API de Google Maps e eu achava aquilo muito, muito, muito bom. Outra que foi muito interessante para mim, Flávio, a primeira reunião nossa no cliente, ele chegou sabendo tudo de estética.
Você vê aqui, né?
O mercado brasileiro, que não sei o quê. Falei, cara, pera, onde você estudou o assunto? Não, eu fui no ChatGPT, fiz um Deep Research. Deep Research é uma funcionalidade no ChatGPT em que ele faz uma análise profunda, como o próprio nome diz. Ele varre a internet, pega diferentes fontes de informação para te fazer um estudo avançado. Então ele fez um estudo avançado sobre o mercado de estética no Brasil. Aí ele pegou esse estudo, que normalmente volta umas 20 páginas de Word, ele usou outra inteligência artificial chamada NotebookLM, colocou esse estudo e pediu para fazer um vídeo resumo e veio no táxi ouvindo o vídeo resumo. E chegou lá sabendo, com conhecimento. Eu falei, caramba, bicho, isso foi para mim também. Simples, mas um uso preciso, efetivo.
Isso é muito legal, né? Você transforma o seu objeto de estudo em uma aula.
Exato, né?
Com muita coisa que tá disponível. É um uso inteligente da inteligência artificial, né? Acho que Nessas conversas que a gente tem aqui sempre, os exemplos mais relevantes para mim assim como ouvinte, não pensando como quem tá aqui na mesa, mas como ouvinte, são essas pequenas coisas que você consegue trazer para o seu dia a dia e ela vai te tornar mais eficiente. Porque isso vocês acabaram de contar aqui, tá claro que você foi muito eficiente na jornada de autoconhecimento sobre um tema, né? Imagina para quantos temas você pode fazer isso.
Exatamente.
Porque tá aí, né? Muito legal. Você tem uma história diferente dessas que o Fred acabou de contar que traria um outro, um outro quick win para gente com inteligência artificial, Flávio?
Talvez falar que apresentação de kickoff foi feito no Gama. Também foi feito no táxi, mas a culpa não foi minha. Acho que me ligaram no dia anterior pedindo ajuda, então não tive tempo para me preparar. Mas, pessoal, acho que— Desculpa, Felipe.
Não, e isso é uma coisa boa, que para grandes desafios que antes a gente talvez perdesse o sono ou ficasse ansioso, hoje a gente consegue conectar desafios, falta de tempo com ajudas dentro de inteligência artificial e o resultado ser satisfatório, às vezes muito satisfatório.
Exato, e crescente, né? Acho que o que tem animado muito— Vamos lá, sou consultor, pessoal. Eu tenho 10 mil horas de PowerPoint nas courses fácil, fácil. E desde o começo do ano eu tenho buscado uma solução para isso. Eu tô buscando, já fui para N8n, depois fui para LangChain, aí de fato programação um pouco maior, o Gama. Pessoal, para consultoria agora, o Gemini com Nano Banana tá fazendo apresentação de 20 páginas. Eu fiz um teste, eu peguei uma apresentação minha, eu pedi para ele sumarizar. Então peguei uma proposta, tinha 45 páginas, falei, pessoal, preciso fazer isso aqui em 15. Mandei por lá. Ainda não é client ready pelo nosso nível de qualidade de design, mas é bem perto. Eu posso pegar esse documento agora e pedir para um estagiário, aí sim estagiário humano mesmo, para organizar. E isso de fato era muito tempo que a gente gastava. Acho que como outros casos, uma aplicação que eu tenho gostado muito agora é de também dentro do AI Studio fazer mini apps, não só do ponto de vista de consultar APIs, mas até de consultar dados que o cliente já tem. Então a gente tá até continuando nesse mesmo cliente agora para o Project Pricing.
Existem metodologias que eu já uso há um tempo, de alguns livros que eu consulto, que eu costumo fazer análises similares para analisar uma base de dados, que é basicamente você analisar como que você sai de um preço lista para um preço de fato executado. Eu tenho artigos e livros sobre esse conceito. No próprio Google AI Studio eu subi esse livro, subi o artigo e pedi para ele criar o front-end que eu precisava ali, enquanto no back-end de fato a gente tinha um trabalhinho um pouco mais avançado subindo BigQuery para poder fazer um back-end e fornecer ali uma API simples. Tem um sistema pronto, pessoal, em 2, 3 dias assim. É muito ganho, sem exagero. Eu demorava 2, 3 meses antigamente para poder fazer isso com uma equipe, com analistas muito bem treinados, capazes. Então, de fato, a gente tem cada vez mais um salto para ficar no pensamento, na criação de valor mesmo, né? Tanto do ponto de vista de eu focar no que que é o problema mesmo, conversar bem com o cliente, alinhar, entender onde gera valor. E também acho que você falou muito bem, Fred, sair do modelo de só entregar um conselho, né?
A consultoria hoje, pessoal, não é mais aquela consultoria tradicional de você— tradicional até no sentido um pouco pejorativo, que que a gente fala, né? Vou entregar aquele PowerPoint aquilo. Consultor que tá fazendo isso já não tá mais no mercado. A gente tem que implementar, a gente tem que gerar valor, tem que trazer algo actionable para o cliente. Então esses são alguns pequenos usos que de verdade muda muito a percepção do nosso trabalho. Eu acho que até o da geração de valor mesmo, né?
Dados são um ponto de muita tensão para as empresas, né? A gente sempre fala aqui de a capacidade de se usar os dados com inteligência artificial, só que a gente ainda vê que existe um descompasso na organização desses dados nas empresas. As consultorias estão ficando mais capazes de limpar a base de dados dos clientes?
Com certeza. Vou te responder de duas formas. Mais objetivamente, a primeira forma, você pode gerar scripts em Python com a própria inteligência artificial pedindo para ele fazer a limpeza para você. Você tem que entender a base, você tem que entender o problema, isso você não consegue delegar. Mas eu não preciso saber Python hoje em dia para poder fazer a limpeza. Então, isso já é um ganho extremo. Consigo criar novas colunas, criar novas quebras, cruzar base de dados. Eu tenho que entender o problema em si. Eu acho que outro ponto que ainda é pouco explorado, mas que para mim talvez seja uma das principais disrupções, é que a gente tem dois movimentos. Na verdade, a AI ataca não só os dados estruturados, que é o que a gente já sabe fazer há algum tempo. Se você pegar 10 anos atrás, já conseguia fazer sistemas legais, bons front-ends com um dado que estava estruturado num processo lógico em bases SQL. Agora, a capacidade de trabalhar com dados não estruturados para mim é disruptivo. Então, um exemplo, quando você fala de trabalhar bem com dados, comecei dois projetos agora na semana passada. Eu mandei um email instruindo toda a equipe em como tomar nota das entrevistas, que eu estou estruturando um dado que já é meio não estruturado, você fala de um arquivo TXT, um doc, Mas em cima disso agora toda a equipe tem um notebook LM que a gente está rodando em cima.
Isso ainda é a versão 2025. Para 2026, nosso plano é usar o SharePoint como ambiente de digitalização, sim desestruturado, mas hiper digital e com muitos gatilhos. Então existe uma certa facilidade agora de você criar um agente dentro do seu SharePoint para que eu analise a qualidade de um material PowerPoint que eu tô indo levar para o cliente, faça um fact-check dessas informações, veja se tem alguma incoerência na apresentação, veja se os action titles estão escritos da forma correta, dá uma olhada no design. Pessoal, isso para escalabilidade de uma consultoria e até para a gente poder acessar o que eu tava falando sobre pequenos e médios clientes, eu começo a ter uma capacidade de atender vários negócios que o modelo piramidal de consultoria normalmente não atende. Então, até voltando para a pergunta de como é que impacta a consultoria, pessoal, estou super animado, a gente tem muita coisa para fazer.
Você vê o futuro da consultoria em deter esses agentes?
Boa pergunta. Vocês conhecem o Andrew Karpathy? Desculpa a pronúncia, mas ele era uma das pessoas de tecnologia da Tesla, assim como do OpenAI, né? Eu vi uma palestra recente dele no Y Combinator que ele estava descrevendo através dos dados do GitHub qual que é a linguagem de programação mais predominante. E ele mostra 3 movimentos, inclusive o último no Hugging Face, né, que ele fala que, se eu não me engano, tinha fase 1.0, que eu acho que Python, JavaScript eram os mais populares. A segunda, ele descreve, isso é dado mesmo daqueles mapas de análise em cima do GitHub, começou a ter um volume muito grande de bases numéricas, que eram as redes neurais. E o terceiro agora é o inglês. A quantidade de código que tem prompts gigantescos está aumentando, cada vez mais o inglês, português e assim por diante estão tomando espaço da linguagem de programação. Uma volta meio longa. Os agentes nada mais são do que uma hipótese, um conhecimento que você colocou ali dentro. O prompt importa muito mesmo. Atrás do prompt está o seu conhecimento. O que que nesse exemplo, né, por que o PowerPoint? PowerPoint para a gente na consultoria acaba sendo não só o entregável, mas também a organização do trabalho, né?
Então daqui a um mês eu vou ter uma reunião com o Felipe, eu tenho plano de fazer isso aqui, eu abro o documento e vou rodar. Eu saber o que perguntar para o meu agente para ele fazer, eu acho que é muito proprietário, é de fato uma propriedade intelectual. Então acho que sim, eu acho que como você vai organizar seus agentes, quais agentes, como você orquestra eles, qual você dá mais importância, como é que os fluxos são montados. Mas não só isso, né? Como é que o seu time tá capaz de colaborar? O que que você de fato vai delegar de fato para um agente ser autônomo? O que você não consegue? O que você fala assim, pelo amor de Deus, nem mexe com AI aqui. Então eu acho que essa composição como um todo vai ser muito rica. E eu acho que sim, a gente pode ser uma propriedade intelectual.
Isso é um ponto importante: como proteger o prompt como propriedade intelectual? Porque daqui a pouco as pessoas vão buscar prompts, né? Eu já vejo hoje uma movimentação dentro de algumas redes sociais, 10 prompts que você precisa para tal coisa, né? São os posts que acredito que estão performando muito bem, pessoas te ajudando a ser melhor com inteligência artificial.
Isso vai ser um ponto de atenção para vocês, como proteger É uma ótima pergunta, Felipe. Eu sei que eu já tenho minha pastinha no desktop com my prompts.
Eu já tenho ali os meus prompts principais, os que eu repito e tal, e eu tô feliz com o resultado e vai refinando, né? Você vai refinando.
E eu compartilho com a minha equipe, que só reforça o ponto que vocês estão falando mesmo, né? Eu confesso, eu não sei, eu não sei muito bem como vai ser isso do ponto de vista de proteção mesmo, até porque nós somos uma consultoria relativamente pequena, temos 30 pessoas no time. Tomara que eu tenha um problema desse de ter competido dessa forma. Eu acho que é um tema de importância mesmo. A princípio, a gente ainda confia, pelo menos nos provedores dos modelos, de que se o prompt é nosso, é nosso. Mas aí tem que avançar um pouco, cenas dos próximos capítulos para a gente ver.
Eu nunca tinha refletido sobre, mas agora eu acho que vai ser algo que, claro, para escalabilidade do negócio e pensando em crescimento sustentável, talvez vai ser algo que alguém vai olhar assim, Vai ser o ouro, né?
Eu acredito que os agentes têm o potencial de ser uma unidade econômica ativa, assim como um funcionário. Ele vai resolver um problema, vai fazer uma automação, vai gerar algum valor e esse valor é capturável, a discutir como precificar, né? Mas é capturável. Então assim, Eu fiz a pergunta e eu acredito que sim, as consultorias terão propriedade de agentes e modelos e eles terão valor monetário, assim como hoje eles têm funcionários que são treinados e que estão trabalhando dentro de uma metodologia e que tem valor monetário. Agora, Essa proteção eu acho que vai além do prompt. O prompt é a camada 1, é o pedir ali, né? Quando a gente fala sobre uma unidade independente econômica, eu imagino uma coisa um pouco mais complexa do que um prompt. Eu imagino uma orquestração, um prompt, multi-agentes, dados proprietários e dados alimentando esse agente, o agente trabalhando dentro de um protocolo de trabalho, de um passo a passo. Muitas vezes o agente combinando inteligência artificial tradicional com inteligência artificial generativa, como por exemplo é o caso de gaspers.ai, que a gente roda análises estatísticas primeiro para depois a generativa ler o resultado e tornar aquilo palatável para um executivo.
Eu acredito que a propriedade intelectual ela é maior do que o prompt, é uma complexidade maior e mais difícil de ser copiada também, porque tem vários elementos aí no meio, como base de dados, processo, multiagentes, tem uma muita coisa embarcada, muita coisa embarcada.
É, e placando no seu tema, No começo do ano, quando eu estava programando em LangChain, na verdade eu comecei pelo CrewAI. Você já conhece essa biblioteca? Sim. A CrewAI já provoca um pouco nesse sentido, que você vai ter uma crew de agentes trabalhando. Então, você talvez vai para o campo lá de organizações. Qual é o design org que eu devia fazer para poder ter esse time mais eficiente? E quando você não está limitado por algum trabalho humano, de fato horas de uma pessoa, A primeira coisa que eu vi quando eu estava programando nesse modelo é que era menos eficiente eu programar no modelo estrutural organizacional da consultoria, né? Eu tenho um sócio, o sócio tem 2, 3 gerentes, cada um tem 2, 3 analistas, é uma pirâmide, e era melhor eu trabalhar com especialistas. Então eu tinha um pesquisador que fazia os deep research para mim, eu tinha um analítico, eu tinha um storyteller, eu tinha um designer. Então eu tive que pensar muito em como meu time podia se organizar, em quais são as atividades que eu tinha que passar para cada um. Então só acho que reforçando, Fred, super concordo, assim, isso tem muita inteligência humana e como você coloca.
Inclusive nesse sentido, um dos textos recentes que eu até trabalhando para tanto pela consultoria, tanto para o mestrado, saiu um texto super interessante da HBR desafiando o modelo piramidal da consultoria, falando que a consultoria já devia trabalhar no modelo de obelisco, segundo eles. Basicamente, é uma estrutura muito mais reta. E a lógica deles é que você devia estar em um time, por exemplo, com um Relationship Manager, que eu preciso de uma pessoa mais sênior que vai estar no cliente, vai saber se relacionar, vai saber ouvir, fazer entrevista. Um Engagement Manager, que está de fato com o problema, o escopo, o objetivo. Aí depois ele tinha o Curator AI. Então, você vai ter os recursos mais novos, Talvez como curadores das AIs, talvez o grande chefe desse time de agentes que você tá colocando, porque a gente ainda precisa fazer a curadoria de AI. O que que desse documento todo que o pessoal passou é útil? Então acho que isso vai ter mudanças organizacionais profundas e vamos conversar muito em como que as empresas vão propor novas estruturas organizacionais, novas competências, que vai ser o diferencial. Óbvio, você tem um índice de adoção de AI Que eu acho que quem conseguir surfar essa onda logo e já abordar esses problemas, que talvez muitas empresas não estejam nem falando ainda, eu acho que parte na frente.
Você falou de 10 horas de PowerPoint nas costas.
10 mil horas de PowerPoint.
10 mil horas, que para mim é uma referência muito clara a um livro, Outliers, do Malcolm Gladwell. E por sinal, uma dica maravilhosa de leitura para todo mundo. Te ouvindo aqui, para mim dá para ver que você é um outlier nessa questão de inteligência artificial. Porque você tá imerso e os seus exemplos mostram que você tá fazendo um uso que ele é diferente do que a gente escuta. E a gente tem escutado bastante coisa. Isso me trouxe uma curiosidade grande: qual foi o uso pessoal que mais te impressionou de inteligência artificial?
Deixa eu ver. De fato, no trabalho tem muito, mas eu fiz um agora para agradar ela em casa, procurando apartamentos. Eu fiz agora uma compra de um novo apartamento, primeiro apartamento meu.
Parabéns!
Minha esposa tá super silenciosa, né? Então o que a gente tinha basicamente é uma série de vídeos do apartamento que a gente comprou. E como a gente ainda vai demorar um mês ou outro para se mudar, para decorar, usando o Google AI Studio, eu trouxe a API. Eu não fiz nada de código, né? Eu trouxe a API para botar no sistema do lado esquerdo o vídeo que eu carregava, e quando eu apertava play ele rodava, apertava pause essa foto vinha para uma segunda tela que eu conseguia editar, decorar aquilo mais, e baixar essa imagem. Então a gente tá decorando nosso apartamento a partir dos vídeos que a gente fez lá dentro. E aí já tem uma pasta inteira aí com essas fotos que a gente conseguiu fazer.
Uau, cara! Eu tive um uso parecido. Eu tava no clube, sou sócio do Clube Alto de Pinheiros. Eu tava lá no clube e não tinha lugar para sentar na lanchonete. Eu pedi um café lá, ele tinha 2, 3 mesas dessas redondas e que uma pessoa senta e já fica meio chato de se sentar junto. E eu não tinha onde sentar com o meu café. Eu tirei uma foto do ambiente, fui no Google, no Gemini, na opção lá do Nano Banana, que é de imagens, e pedi para ele repensar a disposição do lugar, repensar os móveis para que coubesse mais pessoas, inclusive eventualmente trabalhando. E gerou uma imagem tão boa em termos de otimização do volume de pessoas que caberiam ali, que eu mostrei para o presidente do clube e ele pautou essa obra e ela vai acontecer.
Olha aí, olha aí, olha aí. O que não consegui sentar com um café gerou Você vê que a cabeça das pessoas nunca param de pensar sobre AI, né? Mas acho que isso, isso é um despertar da consciência, né? Antes a gente tinha incômodo e às vezes você ficava com incômodo, sei lá, reclamar, ou às vezes se passava um mês você falava, nossa, agora eu vou fazer outra coisa. Mas agora é imediato, é o incômodo, ele encontra uma forma de você provocar coisas que são melhores.
A gente tá muito poderoso agora, né? A gente tem muita coisa de— como é que você pensa uma coisa que era literalmente impensável antigamente, né?
Essa de construir aplicativo que eu aprendi com o Flávio, né? Um caso real, essa semana o time me procurou, o cliente queria monitorar, um dos clientes da agência queria monitorar tendências de estética nos países da América Latina e descobrir novos protocolos. Um protocolo é uma combinação de produtos aplicados de uma maneira específica, peculiar, de quem criou o protocolo. E aquele protocolo, ele tem um nome fantasia normalmente, né? E não é via ferramentas tradicionais, como por exemplo o Google Trends, ou SEMrush, que são… Ali você vai monitorar termos, você tem que descobrir novos termos. E aí, a gente chamou uma pessoa do departamento de social listening para ela averiguar, ela entrar nos sites, de alguns sites importantes de um país específico, a gente elencou o Chile, e fazer um relatório para nós de tendências e protocolos do Chile. Ela pediu 5 dias úteis. E eu fui para minhas coisas pessoais e fiquei com aquilo na cabeça, aquele incômodo. Meu, 5 dias úteis, 2025, nada, nada em 2025 pode demorar 5 dias úteis. Aí eu fui no Google AI Studio, pedi para criar um aplicativo em que eu usei a API do Google Search. Eu falei, então Leia esses termos de busca que um médico provavelmente são esses termos de busca que ele vai digitar no Google quando ele quiser aprender um novo protocolo.
Leia os sites daquele país escolhido e identifique novos protocolos e novas tendências e me devolva um reporte one page, uma página. E aí eu fui hoje mostrar para o cliente a entrega. Falei, ó, fiz diferente, em vez de te entregar um PowerPoint, eu pensei num aplicativo que você consegue fazer essa análise você mesmo, quando quiser, em qual país você quiser da América Latina, com alguns cliques e alguns segundos que você espera, você vai ter essa análise. E aí na hora ali a gente rodou para o Peru. E o resultado é bola no gol, né, cara? Isso que também tem é uma dica, que entregas que você às vezes gasta meia hora, você só precisou ser criativo, saber o que é possível com as ferramentas atuais e fazer um protótipo. Você faz uma experiência muito positiva, você gera uma impressão muito positiva sobre a sua entrega, sobre o seu trabalho, que no fundo ela não foi nada muito complexo.
Existe— Nossa, é super importante, Fred, porque o Google AI Studio que a gente está tão empolgado, eu acho que ele nomeou bem, ele chama de mini apps, né? São os mini apps. Isso pode ser uma coisa, acho que todo mundo ouvindo aqui exercer o mesmo pensamento que o Fred teve tanto nesse caso quanto na cafeteria, né? Qual é o uso que eu posso que eu faria uma análise, que eu posso criar uma replicabilidade dessa análise agora. E pensa quase como sendo uma caixa de ferramentas sua mesmo. Você no seu trabalho, você na sua casa, quais são os usos que eu quero repetir? Eu posso usar mais de uma vez, né? Imagina um analista de uma empresa multinacional tendo vários desses usos. Aí você começa a ter ali no seu desktop o aplicativo 1, 2, 3. Antigamente a gente fazia muito Excel, né? Aquele modelinho de Excel que você fazia para lá e para cá. Pessoal, faz um mini app agora. Simula, brinca.
Sabe onde eu vejo muita coisa boa acontecendo? Naquela resposta: sempre foi assim.
Sempre foi assim. Eu sempre fui assim é uma oportunidade.
O sempre foi assim é uma oportunidade genial de você exercitar um pouco a criatividade, pensar nisso, porque tudo que sempre foi assim pode mudar.
Aliás, no sempre foi assim, a entrega de hoje Ela me fez uma pergunta que eu fiquei refletindo. Ela falou assim, mas essa ferramenta que você construiu custa quanto? Eu falei, não, é de graça, tá aqui, é do Google. Ela ficou meio sem entender como uma ferramenta de mapeamento de mercado poderia ser de graça, porque as Os competidores de mapeamento de mercado têm custo alto.
Sim.
Só que nunca mais será o mapeamento de mercado será o mesmo após essa evolução do Google AI Studio.
E até o quanto ela valorou o que foi feito.
É, eu deixei dinheiro na mesa.
Sacou?
Tem isso também. Você acabou de perceber.
Você acabou de perceber.
O pricing é importante, bicho.
Porque não é questão de horas, é perder. O que você tem de conhecimento na sua cabeça para poder resolver de forma tão inteligente um problema? Então, você está vendendo PD, você não está vendendo hora. Tem umas coisas aí. Se quiser me ajudar com pricing… Calma lá.
Tem uma consultoria para te indicar.
Muito bom, muito bom. Excelente.
Hoje, acho que a gente saiu muito, Fred, da conversa para exemplos tangíveis e de coisas que as pessoas de fato podem fazer usando inteligência artificial e serem melhores.
E é uma coisa que eu me cobro, porque quando a gente conversa com executivo, muito high level, a conversa às vezes também fica muito high level.
Claro.
E eu cobro da gente trazer conhecimento específico aplicável para vocês também. Então hoje a gente abordou bastante o Google AI Studio, Notebook LM, entre outras ferramentas que eu espero que despertem sua curiosidade para ir lá Futricar, fuçar, capacidade fuçativa. Capacidade desenvolva a sua capacidade fuçativa.
Isso aí, muito obrigado. Eu que agradeço, pessoal, ter vindo aqui, compartilhado bastante coisa com a gente. Foi um papo encantador.
Daqui a 2 anos eu volto para ver como que ficou.
Vamos testar a tese igual aquelas fotos, né, X anos depois, que a gente repete. Vamos repetir esse papo daqui a 2 anos.
Vai estar igual a minha, provavelmente. Que não fique com o cabelo igual o meu, sua barba tá bom, sua barba tá bom. Legal, brigadão, valeu, valeu, pessoal!
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.