
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 04
Campanha de marketing 100% feita com IA
Uma conversa sobre o impacto da inteligência artificial no marketing digital, criatividade exponencial e automação inteligente.

CONVIDADO
Loana Esteves
Alares
Transcrição do episódio
Olá, tudo bem, pessoal? Somos o AI First Cast, o primeiro podcast de discussão de aplicação, adoção de inteligência artificial no mundo dos negócios. Eu sou Frederico Pericini, sócio fundador da agência F2F e Gaspers.ai. Tô aqui com o Filipe Xavier, co-host e parceiro dessa aventura. E aí, Felipão, tá animado para hoje?
Demais, Fred! É isso aí, mais um papo descontraído buscando ideias efervescentes para fazer você e muitas outras pessoas pensar AI first. Hoje temos aqui a Loana Esteves e ela vai falar dela e contar para a gente o que que ela tá aprontando.
Oi, gente, tudo bom? Eu me chamo Loana, Sou a gerente de marketing digital e branding da Alares. Tô super feliz de estar aqui com vocês, obrigada pelo convite. Bater esse papo que tenho certeza que vai ser super produtivo e vai agregar muito tanto pra gente quanto pra quem tá assistindo.
Boa! Também conta pra gente o que faz a Alares, pra também a gente começar balizando o papo.
A Alares é uma empresa de telecomunicações onde o principal produto é a internet banda larga fixa. A gente tá presente hoje em 7 estados, em quase 200 cidades. São praticamente 800 mil clientes atendidos, Sudeste, Nordeste do Brasil. E eu cuido de toda a parte de marketing digital e branding da empresa.
Boa! Lô, uma empresa grande como a Lares e você olhando para o marketing dessa empresa para se posicionar com os consumidores, como foi que você cruzou o caminho da AI? Como que isso apareceu na sua frente? Como foi 2024 nesse assunto para você?
Olha, não tinha muito como fugir, né? Não tinha muito para onde correr. Ela veio atropelando todo mundo, todos nós. E aí, assim, o início dessa adoção, ela partiu muito de uma provocação que nós, junto com F2F, tivemos sobre produzir uma campanha que usasse a inteligência artificial, mas não usar inteligência artificial de forma, ah, queremos entrar num hype. Só para poder usar, sabe? Então a ideia aqui de fato era que a gente conseguisse ganhar, primeiro de tudo, despertar atenção do consumidor. Era super importante, era um fator crítico para gente. Como se diferenciar da concorrência, onde a gente vê uma comunicação que ela é muito similar entre si, tanto grandes quanto pequenos trabalham de forma muito similar na comunicação, e a gente queria trazer algo mais disruptivo. Então veio a provocação de vamos usar inteligência artificial para conseguir trazer algo muito diferente, que você bata o olho e realmente desperte atenção. E foi um trabalho muito bacana, construído a muitas mãos, né, onde a inteligência artificial ela veio para trazer esse chamariz para comunicação E conseguir fazer com que a gente tivesse dois ganhos muito importantes também. Primeiro ganho de agilidade. Quem trabalha em telecomunicações ou em algum setor similar sabe que o dinamismo é muito grande do segmento.
Então a inteligência artificial, a gente entendeu que poderia trazer um ganho muito legal de tempo pra gente, conseguir fazer com que as entregas, até por parte de criação da agência, viessem num período mais curto. E um segundo fator é eficiência em custos. Então, quando a gente usa inteligência artificial e não tem todo aquele tempo e aquele, aquele, aquela produção de uma campanha padrão, uma campanha tradicional, a gente consegue reduzir custos. Então, para a gente eram dois pontos importantes: era a agilidade e o fator eficiência de custos. Então, a eficiência operacional como um todo Foi algo que realmente despertou aquela viradinha de chave que precisava num primeiro momento. E sem dúvida, daqui para frente a gente nem consegue imaginar mais um trabalho de produção, de criação, que não envolva inteligência artificial de algum jeito.
Sua primeira resposta, e você já falou uma das palavras-chave aqui, que é tempo. Eu vou tentar tangibilizar o que você falou, porque eu imagino que as campanhas em telecom envolvam pessoas nas peças e tudo mais. E do que você tá me falando, e eu não conheço a campanha, mas eu imagino que vocês trouxeram elementos que são gráficos visuais que foram construídos com modelos de AI.
Exato.
Eu tô correto?
Correto.
Como foi a receptividade do público quando vocês trouxeram essa disrupção total?
Num primeiro momento, a O que mais impactou foi o público interno, né? Então quando a gente traz uma, sai de uma campanha, de um tipo de campanha que a própria Alares usava até então, né? Com pessoas, notebooks, tablets, aquela realmente um padrão do segmento e traz um monte de bicho, que era isso, um monte de animais produzidos com inteligência artificial em situações inusitadas, situações essas que a gente não conseguiria colocar um humano para fazer. Então a gente trouxe um cachorro que voava na velocidade da luz, um gato que tinha 7 vidas em uma pela velocidade que ele conseguia fazer atividades de parkour. Então a gente saiu muito da caixa, né? O principal convencimento ali, principal público que a gente precisava que comprasse a ideia era o público interno. Então não só eu, o diretor de marketing, o CEO, mas os colaboradores como um todo, né, eles entendessem que aquilo ali fazia super sentido. Se a gente queria se destacar, queria que o público externo, os consumidores, passassem por uma comunicação nossa na rua, no digital, e realmente falassem: nossa, que que é isso? A gente precisava trazer alguma coisa diferente. Então, se a gente fosse na linha das pessoas usando o computador e do jeito que a gente já vinha se comunicando e como todo mundo faz, a gente não conseguiria trazer esse fator atenção, conseguir despertar essa atenção dos consumidores.
Então o público interno também comprou muito essa ideia. Então foi muito legal porque começou por mim, pelo diretor, pelo CEO, e a gente conseguiu que os colaboradores da empresa como um todo eles também vissem valor naquilo e falassem: nossa, que legal, que diferente! Claro que ainda sem saber muito aonde aquilo ia chegar, né, os resultados que aquilo poderia trazer, mas foi, foi super legal como foi a receptividade da empresa como um todo quando viu uma campanha nova como foi a que a gente produziu.
Case só é case quando mexe o ponteiro.
Sim.
Mexeu o ponteiro?
Mexeu o ponteiro. A gente viu aí, segmento de telecom ele tem uma questão de sazonalidade também. Então normalmente no início do ano a gente vê uma demanda muito maior e essa demanda ela vai reduzindo ao longo do ano. E o que a gente conseguiu também com a campanha que foi utilizada por inteligência artificial foi conseguir manter custos equilibrados. Todo mundo sabe que se a demanda reduz, a gente também tem uma questão de aumentar custos. E a gente conseguiu equalizar esses custos ao longo do ano, conseguiu aumentar a volumetria de leads qualificados para o comercial trabalhar. Então assim, foi super positivo porque a gente conseguiu equilibrar a demanda, oferta e procura com uma campanha que realmente despertasse atenção. É uma métrica que é muito de performance, mas acho que vale trazer aqui, é o CTR, que é basicamente a correlação, a taxa entre pessoas que são impactadas com pessoas que clicam nos anúncios. E o nosso CTR subiu e veio crescendo, né, ao longo do ano de 2024, à medida que a gente conseguiu colocar a campanha no ar. Então a gente percebeu que os anúncios que a gente rodava antes versus os anúncios que a gente passou a rodar com essa comunicação diferente realmente despertou um volume maior de cliques.
Então a gente aumentou essa métrica que é super importante pra gente e naturalmente mais acessos ao site, mais leads qualificados pro comercial, mais pedidos, venda e instalação, mais receita pra empresa, né, que é o que importa.
E esse talvez seja um insight muito bom, né? A fronteira que a inteligência artificial consegue transpor quando ela brinca com situações que a mente humana e a nossa limitação não chega é muito boa. Só que você vai ter a resistência interna e você precisa fazer esse trabalho de educação. Então acho que o que você tá trazendo para gente é que vale esse investimento de romper o público interno e falar, olha, pera aí, que a gente tem um potencial aqui, mas vale a pena. Entendam o valor por trás disso aqui, acreditem que vale a pena. Então acho que esse insight é muito bom, né, Fred?
É isso aí. Eu vivi essa história também do outro lado da mesa, né, como agência. E caralho, era a nossa única saída naquele momento, porque imagina que o diretor veio à mesa e falou assim, olha, eu quero em uma semana um planejamento de campanha para o ano que vocês fujam do tradicional. Eu quero que vocês tirem aquele conceito visual da família feliz usando computador que a Alô falou, porque eu não aguento mais ver esse padrão visual de telecom oferecendo família feliz. Eu quero que vocês mostrem que a nossa internet, a Alares, quando chega no lar, ela traz o impossível, ela traz a possibilidade de você fazer o que você quiser com ela e tornar o impossível impossível, né?
E aí veio o nome, né, também Desperte Seu Potencial Ilimitado, não à toa.
É, e aí vem o insight, né? Desperte Seu Potencial Ilimitado. E a criação do conceito visual, ela só podia ser com o IA, porque para despertar o potencial ilimitado a gente teria que antigamente ir para lado de ilustração. E aí tem um risco da ilustração ficar um pouco infantilizada, né? E de você ter dificuldade de replicar quando você chegar num personagem, num personagem, quando chegar num personagem, você tem dificuldade de replicar aquele personagem em posições e movimento, como você movimenta um personagem. Então a inteligência artificial Para nós, naquela situação, era a única saída. Tipo, não foi algo que a gente falou assim, não, vamos inovar com IA, é vamos adotar IA para não morrer.
Só tem tempo para fazer com inteligência artificial. Esse era um ponto, né? O tempo era muito curto e precisava sair do óbvio, né?
E então esse caso, pessoal que tá ouvindo a gente, é É um caso de aplicação de inteligência artificial para criação de visual de campanha de marketing, em que a gente mudou completamente o padrão visual de uma marca, que é a Lares, saindo do tradicional com pessoas felizes e indo para personagens criados com IA e depois até animados e feito comercial de TV. Né? Eu queria que você me falasse um pouco sobre o comercial de TV, porque é uma peça um pouco mais sofisticada e que tem um investimento alto para ela reverberar, né? Como foi a sua surpresa quando você viu um vídeo de comercial de TV feito por IA? E que você comentasse um pouco também sobre os custos de produção desse tipo de vídeo.
Acho que o primeiro ponto é que até a gente chegar nessa versão final era uma novidade para todo mundo, tanto para nós quanto para quem tava criando. Porque uma coisa você fazer essa comunicação estática, outra coisa você levar ela para uma versão animada. E a gente teve várias idas e vindas porque, apesar da inteligência artificial estar caminhando com uma velocidade absurda, A animação não era algo que naquele momento, lá no início de 2024, né, não era algo que tava super avançada. Então a gente tinha ilustrações, imagens super legais e filmes que não necessariamente num primeiro momento eles vinham redondos, né. Então a gente teve várias idas e vindas, novidade pra gente, novidade pro time de criação da agência. E no final enxergar o resultado daquilo que foi produzido sem ter todo um trabalho e um custo e um tempo de designer, de produção, de tudo que a gente sabe que tá envolvido numa produção de campanha. E a velocidade que a gente conseguiu ter com essa versão animada foi muito legal assim, porque eu acho que no fim das contas ninguém esperava que a gente fosse conseguir chegar num nível de produzir um filme, esse filme rodar na TV, sendo esse um filme que basicamente foi feito por inteligência artificial.
Refinos óbvios dos profissionais, né, quando a gente olha para um copy, quando a gente olha para um detalhe, um acabamento no visual importante, não só na parte estática quanto na parte de vídeo. Mas é muito legal quando a gente vê um resultado final e fala, nossa, isso Não precisa nem longe, né? Isso há um ano atrás era impossível.
É, e eu queria enfatizar também sobre a produção audiovisual, né? O antes e depois da IA. O antes é casting, direito de imagem, essa burocracia e custo versus hoje que você não tem direito de imagem, o que você produzia, as pessoas que você produzia ali com não tem, né, esse tipo de custo, não tem casting. Então assim, é gritante em termos de tempo, em termos de custo. E o mais legal também, que é o que essa campanha mostrou, né, em termos de possibilidades criativas, é uma campanha que gerou resultado de negócios. E olhando para trás, era meio claro assim que que ela poderia mesmo gerar. Porque imagina um ônibus adesivado numa cidade do interior ou numa cidade que não é capital, com uma família feliz oferecendo um plano. Nosso cérebro já não enxerga mais, né?
Virou paisagem já, né?
É, estamos cegos para enxergar isso. Agora, pô, ônibus envelopado com personagens coloridos te oferecendo o impossível, no mínimo bateu o olho e: que isso?
Né, te chama atenção, é uma outra, uma outra coisa junto a um copy criativo também que faz, fez total diferença. E o que é legal dessa campanha é que assim, não era uma campanha que a gente imaginava como uma campanha guarda-chuva para o ano. A gente precisava criar uma campanha para o trimestre, foi esse o ponto. A campanha deu tão certo e permitia tantas possibilidades que ela se tornou, a gente conseguiu fazer novos desdobramentos para o Q3, para o Q4. E agora a gente inclusive está discutindo campanha para 2025 também utilizando muito da base do que a gente construiu em 2024. Então é muito legal ver o quanto que ela conseguiu trazer caminhos, né, caminhos diferentes, e que a gente vai seguir por mais tempo do que que tava planejado inicialmente, né.
E qual você acha que foi o ganho mais transformador de usar AI em 2024 para a Alares?
Eu acho que sair desse caminho tradicional, da gente mostrar que de fato existem possibilidades novas que a gente pode explorar, que vão permitir o que a gente comentou sobre fazer as coisas de uma forma mais rápida, porque o tempo é um fator crucial, e reduzir custos para que a gente consiga usar, investir esse capital, esse potencial dinheiro em algo que realmente traga performance na veia, né, que a gente sabe o quanto que faz diferença. Então é realocar investimentos de forma que a gente consiga ter resultados mais rápidos também.
Menos produção, mais mídia.
Menos produção, mais resultado.
Boa! Gostaria que você trouxesse para nós uma visão de um gerente, uma gerente numa empresa grande, tem um dia a dia super corrido com as metas, com fazer a empresa rodar. Como nesse contexto fazer a empresa adotar AI? Como conciliar esse dia a dia corrido com aprender e mudar os processos da empresa e adotar AI?
Eu acho que o primeiro de tudo é a gente se provocar a ir para caminhos diferentes do que a gente está habituado, sair da nossa zona de conforto e conseguir priorizar de alguma forma isso nas nossas agendas. Não é fácil, né, a gente sabe, mas é, seja num conteúdo que você consome num podcast, seja num conteúdo que você separa para ler no final do dia, Seja trazendo fornecedores que já adotam a inteligência artificial e que podem fazer novas provocações para que a gente saia do caminho comum. Acho que tem algumas possibilidades, mas o principal é a gente querer sair do óbvio, querer ir para um caminho que traga novos potenciais e a gente conseguir de alguma forma priorizar um pouco disso no nosso dia a dia também. Seja trazendo campanhas novas, seja entendendo onde a inteligência artificial pode resolver uma dor que já existe, né, dentro da área, mas trazendo fornecedores, trazendo prioridades de agenda. Ponto de partida acho que é o querer, e quando a gente quer, a gente vai atrás e consegue. Cada um no seu tempo, né, cada um no seu tempo, cada um no seu, trazendo para sua realidade, mas de algum jeito adotando, que eu acho que é começar fazendo e a gente vai aperfeiçoando isso ao longo do tempo.
A gente tava aqui conversando antes de começar a gravar e você nos contou alguns outros casos onde a Lari está implementando inteligência artificial. Queria que você trouxesse aqui para gente, explicasse, além do marketing, além da parte criativa, Onde mais a Alari está explorando AI?
Algo que é importante antes de falar das áreas em si é a gente realmente ter um CEO, no nosso caso, que olha para inteligência artificial e provoca as áreas. E isso a gente, desde o início do ano, foi bem claro para a gente que era um caminho que o próprio CEO queria que cada área buscasse cada área entendesse onde estavam suas dores, onde a inteligência artificial poderia entrar. Então ele fez uma provocação geral. Então foi realmente um top-down nesse sentido de, pessoal, vamos se movimentar, tem caminhos aqui que a gente pode explorar e que a gente às vezes nem sabe que tem uma outra forma de resolver.
Sabe o que é isso? É um CEO AI first.
Ele é um CEO AI first, porque de fato a provocação partiu dele E as outras, cada área foi entendendo, né, as suas particularidades ali, suas dores. E aí inclusive tem uma gerência específica que olha para o projeto de inteligência artificial e puxa de fato das áreas o que que a inteligência artificial pode resolver, quais são as suas dores principais hoje. E ele começa a trazer caminhos, começa a trazer opções, começa a trazer possibilidades. Então cada área já começou a adotar. A gente tem área de atendimento que já começa a adotar ferramentas, por exemplo, de speech analytics, que já usa inteligência artificial para trazer insights muito importantes do que o cliente fala para gente. Tem outras áreas que já começaram a usar também, cada uma em um grau de maturidade, mas acho que todos ainda muito iniciantes, querendo realmente fazer, querendo trazer soluções ali. E a gente tem de fato essa área que tá puxando, que tá apoiando. Isso é muito legal. Então cada área no seu momento ali, mas todos tentando não usar inteligência artificial por hype, mas de fato para resolver uma dor do negócio.
Você já tá com um case é de sucesso de utilização de AI. Eu vou te fazer uma pergunta um pouco mais profunda, quase uma provocação. A gente estressou um pouquinho outro dia AI em educação, e no seu caso eu queria ver o que você acha de AI e se existe alguma barreira da utilização do ponto de vista ético, né? O Fred mencionou personagens e não ter— como é que você vê essa questão, né? Se AI Vai existir alguma limitação de uso ético, qualquer coisa nesse sentido?
Eu acho que por estar no início ainda tem muita coisa que ainda precisa ser regulamentada, vista com atenção, com carinho, para que isso não se torne de fato um problema para as marcas, para as empresas lá na frente. Então sim, tem, imagino que vai existir algumas barreiras e a gente vai se adaptar a elas para conseguir utilizar sem problemas futuros. Acho que é um caminho natural.
É, eu até acredito que o mercado deva se movimentar antes, né? Eu acho que a gente deve buscar se fortalecer nesse sentido e tá atento, puxar discussões para justamente fortalecer e tá pronto, né?
A gente já tem hipóteses, né, que podem vir e já se precaver.
Com certeza seria interessante.
A tecnologia, ela caminha muito mais rápido, né, do que a regulamentação. Você vê que a gente está discutindo regulamentação das big techs, das redes sociais agora, né?
Depois que já está todo mundo usando, adotando.
Eu acho que precisamos discutir regulamentação com questão à parte de inteligência artificial responsável, né? Então, que os modelos sejam claros, transparentes, E eu também vejo uma questão de discussão para regulamentação da parte de copywriting, né? Super difícil essa discussão.
Total.
Mas algo em mim me diz que a internet e a tecnologia, ela vem para ficar. E quando entra essas discussões que são muito grandes, muito difíceis, isso leva tempo na regulamentação. Então, cabe a nós gerentes, líderes no dia a dia, escolher alguns riscos para correr, né? Você tomar uma postura como organização de eu vou esperar regulamentação para daí eu ver como eu faço, eu acredito que é um erro estratégico, porque na hora que você for se mover pode ser tarde demais.
Todo mundo já se moveu antes e já criaram diferenciais competitivos.
A gente falou aqui em eficiência operacional, a gente A gente falou em aumento de criatividade, redução de custo, que é importantíssimo para sustentabilidade do business. Falamos em capacidade analítica. Então, se você como empresa caminha nessa direção, você cria diferencial competitivo da outra organização que ainda tá no momento, entre aspas, negacionista.
É, porém, tá pronto, né?
É, mas como organização, como empresa, é importante ter uma sentar à mesa, né, uma diretoria de compliance, jurídico, junto com o time de tecnologia, de inovação, de marketing, e definir algumas fronteiras da atuação, mas ir para cima, para atuar, para implementar, porque é um caminho sem volta, né. What’s next? Como que vai ser seu 2025? Vamos voltar para o processo de produção de campanha sem AI?
Não, a gente nem parou, né? A gente vai seguir esse caminho naturalmente. Falando de criação, também não imagino mais como seria a nossa vida sem de alguma forma trazer inteligência artificial para criação. Mas eu acho que a gente tem muito caminho pela frente até do ponto de vista analítico. Então, falando aqui pelo lado da Laredge, né, a gente pela capilaridade que a gente tem, né, a quantidade de cidades que a gente está presente, quantidade de clientes que a gente já tem na base. A gente precisa conseguir ter análises mais rápidas, mais precisas, para que a gente tome ações também mais rápidas e assertivas.
Fredão, estamos meio mole aqui, né? Uma empresa desse tamanho, 800 mil clientes no Brasil inteiro, e estamos deixando passar isso, né? Lou, como é que vocês pretendem usar essa riqueza de dados para usar AI e ter insights relevantes para 2025.
É, esse é o nosso próximo passo que a gente tá caminhando agora para conseguir usar essa base de dados que é tão grande, tão rica, de uma forma muito mais assertiva, de uma forma muito mais rápida. Então, fazendo com que a inteligência artificial traga para gente os insights muito mais rápido do que se a gente tivesse fazendo uma análise profunda cidade a cidade ali, num contexto de Quase 200 cidades. Então, é conseguir plugar essas informações, essa base de dados que já existe e transformar isso em informação, que é o importante. Então, a gente está indo num caminho de performance, né? O primeiro passo aqui que a gente, junto com a agência, está desenhando é como trazer inputs em sites de mídia. Então, plugar todas as nossas bases de dados, todas as plataformas que a gente hoje usa cruzar isso com funil de vendas, né, desde a geração do lead até a instalação, e como que isso conversa. Então, que de fato, de forma rápida, para cada cidade, quais são as mídias que estão contribuindo mais no topo, no meio, no fundo de funil, onde faz mais sentido investir, onde faz sentido tirar, tá tendo mais quebra aqui, então vamos direcionar mais para cá.
Então é conseguir cruzar esse funil de vendas com os dados que a gente já tem em mídia e fazer com que a plataforma, o sistema, o painel, o dashboard que a gente quiser criar, ele já traga essas informações de forma mais rápida para que a gente tome as decisões e faça movimentos ao longo do mês de forma muito mais rápida, muito mais assertiva do que com um analista ali que levaria muito mais tempo para conseguir trazer alguma informação mais profunda como a IA traria para gente.
Super corrido, como você faz para se atualizar sobre AI?
Você acredita que é muito mais no podcast? Muito mais. Que legal, todo momento, assim, para mim trânsito é sinônimo de podcast. Eu já tenho vários favoritos ali, é o momento que eu consigo realmente, eu priorizo isso. Então ao invés de ficar ouvindo minha música, eu normalmente tô ouvindo um podcast que vai falar sobre inteligência artificial, que vai trazer exemplos práticos, que é importante, né, de como isso se aplica, como que as outras empresas estão fazendo. Então, para mim, o podcast é o canal de conhecimento que eu aproveito nos momentos de trânsito, que São Paulo a gente sabe que são vários, né.
Opa, e você experimentou AI em 2024? Você tinha dúvida? Porque aí não chegou em 2024, né, ela já tá aí há um tempinho. Mas você tinha dúvida assim? Você falava, nossa, será que isso veio para vai ficar, era algo que dentro de você você questionava ou você já tava tendenciosa achar que era sucesso total? Como era dentro de você?
Eu acho que no início todos nós, né, falamos assim: nossa, mas será que é isso mesmo? Mas chegou num determinado momento, você falava: cara, não tem como, só tem esse caminho mesmo. Não, vamos ter vários aprendizados, como a gente já comentou aqui sobre ética, sobre regulamentação, mas quem tá fazendo agora é quem realmente vai se destacar. Então eu não via que a gente tinha um caminho muito diferente desse que a gente trouxe para 2024, que a gente segue para 2025. A dúvida foi muito lá atrás, sabe, lá no início. Agora acho que não tem dúvida.
Vamos falar cada um aqui sobre o que que sentiu quando interagiu pela primeira vez. Para mim foi uma sensação uau, né? E para mim foi uma sensação muito parecida de quando eu interagi com Orkut, Facebook, Facebook, que eu olhei para aquilo e falei, cara, isso aqui vai mudar o mundo. Eu tive a mesma sensação. E eu não tive essa sensação quando eu comecei a lidar com o metaverso. Por quê? Porque a IA, ela tem uma aplicabilidade muito grande. Você começa a imaginar, pô, isso aqui serve para contrato no jurídico, isso aqui serve para interação com consumidores, isso aqui serve para planejar post, isso aqui serve para criar. Você começa a ver muita possibilidade de aplicação sem mudar o nosso comportamento de hoje em dia. Vivendo do jeito que a gente vive hoje, tem muita aplicação. O metaverso, eu sentia que precisava ter uma adaptação no nosso jeito de viver como sociedade, né? Querendo ou não, agora estão começando a ter uns óculos mais legais, mas querendo ou não, aqueles óculos gigantescos na cara exigem uma mudança de comportamento. Né, de você andar com aquilo na rua. E uma aplicabilidade para as empresas um pouco não tão fácil de enxergar, né?
Aí, ah não, cara.
E com custos muito altos, né, que você não imaginava aquilo ganhando muita escala, talvez.
Exato.
É que eu acho que o metaverso, talvez, tá, no meu caso, a ideia do Minority Report, que é um filme do Tom Cruise, me transportou para o metaverso, que ele ainda vai demorar muito para chegar. Né? Então não sei, talvez eu fui consumido por isso aí primeiro. Você brincou do Orkut. O Orkut, ele me transportou para um universo que eu não tinha vivido antes, de você se conectar com uma pessoa de qualquer lugar. Porque a internet você conseguia falar com as pessoas, mas não de qualquer lugar, né? Você tinha que saber quem era e beleza. Orkut, ela te dava a possibilidade de você conectar com todo mundo. Isso foi um wow. Foi meu primeiro wow na internet. Quando eu usei AI a primeira vez, eu falei, cara, eu tenho, eu tenho possibilidade de fazer coisas que eu não tinha antes. Eu senti, eu senti isso, né? Eu falei, isso aqui vai me fazer uma pessoa melhor. Eu acho que eu consigo ter um skill potencializado. E eu gostei disso, né? Tanto é que Tudo que eu faço desde que eu usei a primeira vez tem. É muito difícil eu fazer alguma coisa assim. Eu tava até brincando com o Fred hoje que eu fiz uma coisa e eu tava praticamente convicto de que tava bom.
E eu falei, peraí, deixa eu testar isso aqui, deixa eu confirmar isso aqui, deixa eu testar isso aqui porque eu sei que dá para melhorar. E eu fui lá.
Então essa é a droguinha da inteligência artificial, né? Você usa uma vez e a hora que você vê você não vive sem.
Mas você sabe que eu fui meio na contramão disso? Eu, num primeiro, meu primeiro, a primeira reação não foi o ou, foi o será, será mesmo que essa informação aqui que tá me respondendo tá certa? Onde que tá puxando isso? Então foi muito mais crítica de, porque é um mistério assim, como que a gente, como é que ele sabia? Como é que ele sabe aquelas informações que ele tá me trazendo? De que fonte que tá vindo aquilo? Eu posso acreditar, mas aí você testa.
Fala de onde vem.
Exato. E aí eu assim, eu num primeiro momento eu falei, será que essa informação é confiável? A gente tá aqui depositando todas as nossas fichas e aí traz, enfim, ideias de planejamento, informações que você pede. Será que a fonte de fato disso aqui tá fazendo sentido? E aí é isso. E aí quando você começa a usar, e aí você testa, você, eu pelo menos eu fazia isso, né? Eu pegava, eu testava E aí me trazia uma informação, eu testava em outras soluções, né? E aí as informações batiam, falava, é, realmente não sei qual é a mágica desse negócio aqui, mas tá funcionando.
E assim, eu tenho um caso engraçado que rolou lá na empresa. Tô eu e o Felipe, né, olhando para o brinquedinho chamado ChatGPT e interagindo com ele e discutindo nossas percepções. E o Felipe é um cara bem incrédulo e ele falou assim, cara, eu vou pegar, eu vou fazer ele errar. E aí ele pegou e perguntou para o ChatGPT, qual é o mamífero que põe o maior ovo? E a partir da— ele errou a resposta, falou que era avestruz. E aí a gente começou a brigar com o ChatGPT do tipo, cara, mas Avestruz não é mamífero, e como assim? E foi muito interessante porque a gente depois aprofundou para entender o algoritmo e o que tá por trás daquela resposta, que é um cálculo matemático de qual é a melhor próxima palavra, e que ele tá se baseando em tudo que ele leu na internet e fazendo um cálculo de probabilidade da melhor próxima palavra. Então ele tem sim um potencial de alucinação, e isso não é Demérito, é uma característica que ele vai—
inicial ainda, né?
Inicial, que vem mudando e melhorando. Ele vai ser menos assertivo quando você quer alguma coisa factual, né? Quando você quer uma coisa, você pede algo mais para ele gerar, aí ele tem uma assertividade muito grande, né? E eu acho que agora deu um salto com os agentes. Porque o agente é uma possibilidade de você treinar o modelo com dados específicos, com contextos específicos.
Então o nível do output fica muito mais elevado, com muito mais informação, mais fácil também dele trazer algo mais factível ali, né, mais correto.
É isso. Queria aproveitar, agradecer seu tempo. Foi um bate-papo super descontraído, muito bom, que passou super rápido. E para finalizar, deixa uma dica para os nossos ouvintes: como acelerar essa adoção de inteligência artificial na empresa onde eles trabalham?
Bom, primeiro de tudo, obrigada, Fred, Felipe, pelo convite. Foi super legal, passou muito rápido. Acho que o primeiro de tudo é a gente se provocar, se autoprovocar, Pra sair do comum, sair do básico, testar, mergulhar. Por um outro lado, também provocar os nossos pares, provocar a nossa organização, a gente adotar de alguma forma como que isso pode solucionar dores ali eventuais de cada área, de cada dia a dia, né, que é natural. E do nosso lado, acho que é super importante a gente também priorizar essa agenda no nosso dia a dia, seja da forma que for, né. Seja trazendo fornecedores que já adotem a inteligência artificial e que podem, de certa forma, contribuir e agregar no conhecimento que a gente já tem. A gente também buscar conhecimento, seja por podcasts como esse, seja livros, artigos, enfim, tudo que está disponível e a gente conseguir realmente priorizar um tempo de qualidade para estudar e isso conseguir agregar no nosso dia a dia, nas nossas dores e no que é preciso para conseguir ganhar escala e trazer resultado para as empresas. Acho que é por aí.
Muito obrigado, foi bom demais ter você conosco. Esperamos que todos vocês que estão com a gente tenham bons insights para o próximo ou quem sabe para o primeiro projeto que use AI First. Obrigado, Fredão, mais um baita episódio. Valeu, é isso aí, gente.
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.