
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 13
A IA como motor de eficiência e liderança
Uma conversa direta sobre a aplicação real da inteligência artificial na operação e gestão de um grupo multissetorial.

CONVIDADO
Denis Ferreira
Alares
Transcrição do episódio
Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do AI Firstcast, o primeiro podcast destinado à discussão estruturada sobre adoção de inteligência artificial nos negócios. Eu sou Fred Pericini, sócio fundador da agência F2F, Tô aqui com meu parceiro sempre, com meu co-host Fih. Bem-vindo, Fih!
É isso aí! Valeu, Fredão! Filipe Xavier aqui para a segunda temporada do AI First Cast, que começa com uma novidade muito boa, né, Fred? Rufem os tambores! Essa segunda temporada do AI First Cast é levada para vocês pelo patrocínio do SoftBank. É isso mesmo, o banco de investimento que mais investe em inteligência artificial acredita que você merece se atualizar e entender como isso pode mudar também também a sua vida.
Então, muito honrado por anunciar isso. É uma ajuda de peso para o nosso podcast existir e também nos motiva a ir adiante e trazer mais CEOs e diretores e diretoras para essa mesa para conversar com a gente sobre inteligência artificial.
Histórias que movam a barra. No nosso país.
É isso.
Boa. Então aqui a gente mantém a tradição na segunda temporada, a gente não faz nenhuma apresentação do nosso convidado, a gente deixa isso a cargo dele. Então, Denis Ferreira, o microfone é seu. Conta para a gente quem é você.
Vamos lá. Obrigado aí, obrigado Fred pelo convite, obrigado Felipe também pelo convite. Para mim é um prazer estar aqui e um prazer maior ainda tá vindo falar sobre inteligência artificial, que é um tema que eu sou apaixonado e E que nós, dentro da nossa empresa, nós estamos colocando isso aí como uma das prioridades. Quem é o Denis? O Denis é o presidente da Alaris, uma ISP, uma provedora de internet competitiva, né, que tá presente em 7 estados do Brasil, começando aqui em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba. Temos aí 800 mil assinantes em todos esses Espalhados por esses estados. Temos um acionista que é um fundo americano, um private equity americano que chama Grain Management, que tem nos suportado aqui fortemente ao longo dos últimos 3 anos e meio para construir o que é a Lares, que é uma operadora que foca principalmente em cidades de pequeno e médio porte no interior do Brasil, tirando basicamente 3 capitais do Nordeste, mas todas as nossas cidades a gente cobre 228 cidades no Brasil e essas cidades estão concentradas em cidades de pequeno e médio porte, que é onde a internet era negligenciada antigamente e através das empresas que nós fomos adquirindo ao longo do tempo, levamos a fibra óptica de uma forma pioneira, de uma forma bastante expressiva, né, para fazer com que essas populações tivessem a capacidade de fazer suas inovações, ter acesso a uma internet de altíssima qualidade e levar a evolução digital e a digitalização para o interior do nosso país.
Então, para mim é um prazer estar aqui hoje.
Para nós também te receber, mais um CEO na nossa mesa. E ouvir como é que tá a adoção de inteligência artificial na Lares.
Bom, eu posso dizer que a adoção ela passou por 3 grandes momentos, O momento que foi basicamente top-down, no sentido de que precisamos fazer inteligência artificial. E aqui acho que tem um ponto relevante, né, que fazer inteligência artificial dentro da Lares não é para fazer uma propaganda sobre inteligência artificial. O conceito sempre foi de criarmos uma inteligência artificial que de verdade impacte o nosso negócio ou impacte na qualidade de serviço do cliente, no entendimento do nosso cliente, na eficiência da nossa empresa. Então, foi top-down no sentido de precisamos elencar projetos de IA que façam a diferença no nosso dia a dia, que alavanquem a nossa receita ou o nosso relacionamento com o cliente ou a nossa margem. Então, esse foi um primeiro momento de criar projetos corporativos, né? Mas claramente, ao longo desse processo, né, apareceu a necessidade de que a gente tinha que afrontar um tema que acho que ainda é um dilema para inteligência artificial, que é a gente assumir que nós não sabemos o que não sabemos. E inteligência artificial tem muito isso. Isso quer dizer que nós tivemos que descobrir a potencialidade do que inteligência artificial poderia trazer para nós. Então, o que que nós fizemos no segundo momento?
Foi um processo grande de educação dentro da nossa empresa, não só nos níveis de liderança, mas principalmente para baixo, para mostrar a importância da inteligência artificial, os riscos, as oportunidades, como que nós podemos criar valor para empresa e para os nossos clientes e para os próprios colaboradores utilizando a inteligência artificial. Então foi um segundo momento, já depois de você ter cases de sucesso acontecendo internamente, usarmos isso como uma propaganda e incentivarmos que as pessoas tivessem essa curiosidade de descobrir o que era inteligência artificial e como que a inteligência artificial poderia fazer uma Laris diferente, uma Laris cada vez melhor. E o terceiro ponto foi já consolidado nesses projetos corporativos que passam eles por um por um processo, como outros projetos dentro da empresa, que ele tem que ter um escopo bem definido, quais são os ganhos que nós esperamos, e aí parte para uma implementação de inteligência artificial para trazer o resultado, né? Investimos muito nessa questão do education, de treinar e capacitar os nossos colaboradores, principalmente de liderança, como que poderia trazer a IA para o nosso dia a dia. E entramos numa terceira fase que foi fazer com que as pessoas utilizassem a IA de uma forma natural, Não só para projetos corporativos, mas para pequenas tarefas que alavancam a produtividade, a capacidade de entendimento do nosso negócio no dia a dia.
E isso gerou uma profusão de iniciativas em todas as áreas da empresa, em praticamente em todos os níveis gerenciais que nós temos e de todos, across the board, né, na organização. De coisas novas surgindo que a cada dia a gente consegue enxergar quais são os benefícios que elas estão trazendo. Coisas bastante simples, de muito relacionado a como você otimiza processos e com inteligência artificial, até entendimento de necessidade de clientes utilizando tecnologia que tá disponível no mercado, o básico da tecnologia. Então eu dividiria nessas 3 fases a nossa abordagem e como que nós crescemos com a inteligência artificial dentro da Lares.
E eu te escutando, vou assumir, tá, quando você fala o movimento top-down, que você puxou isso, tá? O que que tava acontecendo com o Denis dentro desse turbilhão de inteligência artificial para você vir com essa demanda para dentro da empresa?
Esse é um ponto importante, né, porque Acho que o principal papel do CEO é olhar para frente, olhar o que está vindo, qual é a próxima onda, como que nós temos que mudar o nosso negócio para se posicionar e surfar a próxima onda que está vindo. Isso foi mais ou menos a partir de um ano e meio atrás, onde já deixou de ser uma discussão mais utópica e passou a ser realidade. Ficou muito claro que tinha que ser feito alguma coisa dentro da Lares para pensar inteligência artificial, né? E tem várias coisas que inclusive nós fazemos aqui junto com o Fred. Fred é a nossa agência aqui de publicidade, né? E criamos esse conceito de buscar uma agência que tivesse inteligência, essa inteligência artificial ali como, como a principal característica deles, né, para fazer diferente. Então tava claro que As empresas que soubessem utilizar a inteligência artificial de uma maneira estruturada, de uma maneira a gerar valor para o negócio, a fazer o negócio diferente sobre a ótica do cliente, do colaborador, do acionista, aspectos financeiros, aspectos organizacionais, vai criar vantagem competitiva no médio e longo prazo.
Por que que você se convenceu disso?
Porque eu acho que isso é uma evolução tecnológica. Toda vez que nós observamos uma onda tecnológica vindo, as empresas que enxergaram como oportunidade e se prepararam para fazer, para surfar essas ondas, elas tiveram sucesso. Aquelas que esperaram o melhor momento para subir dentro do bonde acabaram fracassando. Então, na minha visão como CEO da Lares, era trazer essa necessidade de negócio e essa, vamos dizer assim, a veemência de que a inteligência artificial tinha que fazer parte do nosso dia a dia. E aí sim foi top-down.
Me conta alguns casos de uso. Você contou essas 3 fases e me pareceu que vocês olharam para o negócio inteiro para ver potenciais de adoção de inteligência artificial. Conta para nossa audiência alguns casos de uso prático mesmo.
Legal. Tem um basicamente muito simples que nós implementamos isso bem rápido, que é jogar toda a nossa base de conhecimento sobre perguntas que os nossos clientes fazem do dia a dia da operação de uma internet por fibra óptica. Nós colocamos isso dentro de um repositório e acho que, fazendo um parênteses aqui, tá, Fred, que acho que é importante, uma das características que eu acho que é chave na capacidade hoje da Alaris entregar o que ela entrega sobre inteligência artificial é como nós organizamos a nossa arquitetura de sistemas e de de dados. Então nós temos sistemas integrados e unificados, uma organização de dados muito clara, muito organizada, fácil de você encontrar o que você precisa. Então com isso você consegue gerar rapidamente soluções de negócio. Então começamos a observar como que a gente poderia utilizar determinadas situações, e essa era uma delas. A gente tinha uma base de dados muito bem organizada, só que não tinha uma capacidade de responsividade sobre a lógica de inteligência, né, para você criar um prompt para o nosso atendente lá na ponta fazer perguntas que o próprio cliente tava fazendo e que a resposta daquela pergunta era muito mais completa do que às vezes estava no melhor dos nossos atendentes.
Então isso ajudou a gente dar respostas muito mais rápidas, muito mais consistentes, e ao mesmo tempo o que nós percebemos é que o nível de maturidade dos nossos atendentes, ele foi crescendo, porque ele foi aprendendo com a inteligência artificial também. Isso é um aspecto que eu acho que é importante, né? Acho que muitas empresas olham inteligência artificial só sobre a ótica de tecnologia, e dentro da Lares nós enxergamos sobre 3 frames: tecnologia, que é super importante, Pessoas, que é hiper importante, e processos. Porque se você implementa uma IA, provavelmente você vai ter que mudar seus processos. Então essa, tivemos que inclusive mudar a forma com que nós treinávamos o nosso pessoal de call center para adotar essa nova tecnologia. Esse é um exemplo. O outro, nós fazemos milhares de instalações por dia de internet. Como que era feito o processo de homologação? O nosso técnico ia lá, subia no poste, colocava a fibra lá dentro do poste, tinha lá um power meter na mão dele medindo lá o sinal, né? E lá no poste ele ligava uma central e falava, olha, por favor, veja se eu posso homologar e dar como instalação fechada aqui que tá funcionando.
E aí tinha uma interação com Mas não necessariamente aquilo lá dava o nível de qualidade que a gente queria levar para uma instalação. As nossas instalações são uma das poucas áreas que nós temos terceirizados, todas as outras nós temos internalizado. A parte de manutenção, de reparo, é tudo feito com pessoal interno. A parte de instalação é terceirizada. Nós vimos ali uma mega oportunidade para aumentar a satisfação do cliente e reduzir problemas de primeira instalação. Então nós criamos uma inteligência artificial baseado em inúmeras fotos que nós tínhamos de quais eram as melhores instalações em termos de organização lá na CTO. CTO é aquela caixinha que fica no poste onde você tem as fibras e você, cada cliente que você coloca, você pluga a fibra dele ali, né? E o Power Meter que mede, né, os sinais que estão chegando ali daquela conexão para ver se tá chegando a velocidade de up, de down, de latência. Que tem que chegar. E todos os nossos técnicos, eles têm um workforce management no smartphone deles. De novo, a tecnologia suportando a inteligência artificial, né? E com isso, qual foi a IA que nós criamos? Criamos uma IA que ela tira foto da CTO, tira foto do power meter, automaticamente entende se aquilo lá tá homologado e já dá resposta imediata para ele, sem a ligação, com nível de qualidade que subiu mais de 20% e gerando benefício para nós em termos de produtividade e gerando benefício para o cliente em termos de satisfação.
Então aí já moveu o ponteiro completamente.
É o que eu te falei, esses projetos eles são analisados sobre a ótica de qualquer projeto. Tem que ter um racional de que aquela IA vai gerar um benefício. Não é fazer IA para simplesmente ir lá no jornal, numa rádio e falar assim: fazemos IA. Não, aqui a IA é de verdade, é para fazer a diferença no negócio. Outro exemplo que eu posso te dar foi uma inteligência artificial que nós implementamos dentro do nosso call center, que também impacta produtividade e qualidade do serviço prestado para o cliente. O que que ela faz? Ela pega e transforma toda ligação falada em texto, mas não só o que é falado, é entonação, é o tom de voz, é tudo aquilo que traz aquela conversa. E em cima dessa base de dados que nós temos vem prompts de IA, onde você consegue fazer perguntas. Então, exemplo, olha, estamos hoje vendo que em determinado horário teve um pico de chamada aqui no nosso call center. Na nossa IA, nós vamos lá e perguntamos: o que que aconteceu neste momento entre 2 da tarde e 3:30 da tarde que teve um pico de chamada? E aí vai lá ler todas as chamadas que entraram naquele momento e faz já um resumo do que aconteceu.
Olha, neste momento aqui, a região XYZ teve um problema assim, assim, assado, que foi resolvido através de um chamado que referenciava um problema de cabo rompido por uma árvore que caiu. Então isso dá uma responsividade e uma agilidade para a gente saber: é uma coisa que eu posso melhorar a rapidez? É uma coisa que eu tenho que estar mais preparado para poder responder? E eu consigo fazer infinitas perguntas ali para minha base de informação, que é o meu cliente. O que que o meu cliente está reportando? O que que ele tá sentindo? O que que ele tá reclamando, né? Então a gente consegue melhorar muito a nossa qualidade de serviço e também a produtividade dos nossos atendentes através dessa IA.
E você é um líder que acompanha e tá vendo ali o dia a dia da AI na operação da sua empresa. A gestão tá ficando mais fácil para você com inteligência artificial?
Sim, principalmente, Felipe, por aquele aspecto que eu te falei, que foi a terceira onda. Da implementação da IA dentro da nossa empresa, que foi quando o nível gerencial entendeu que não era só propor para a diretoria projetos corporativos. Foi depois que fizemos o corporativo, passou pelo education e falamos: usem inteligência artificial com responsabilidade, com regra, sabendo quais são os riscos, usem. A partir dali, eles foram criando os cases deles de uso de IA para solucionar o dia a dia deles. Então, como fazer melhor uma gestão da minha carteira de cliente? Como segmentar melhor o segmento B2B? Então, eles foram criando soluções de negócio que começou a ebulir essas iniciativas. Então, hoje a empresa ela tem um nível de assertividade no entendimento do que que tá acontecendo muito grande, pela IA também, mas pela disponibilidade de dados. Porque se você não tiver dados disponíveis e com qualidade, não vai funcionar nada de IA, não adianta. Então nós temos essas duas coisas: dados bem organizados, fácil de você ir lá e buscar, e uma capacidade de entender como que esses dados podem gerar valor através de uma IA.
Sem dados não tem IA.
Não tem IA.
Isso todo mundo fala. Agora, quando a gente entra nas empresas, vai ver se o dado está organizado. Nem sempre. O que vocês fizeram para ter uma boa gestão de dados na Alaris?
Legal, essa é uma boa pergunta, Fred. Quando nós Quando esse novo management que assumiu a Lares em 2022 chegou, com o novo acionista que tinha acabado de adquirir a empresa, nós criamos um plano de geração de valor onde uma das premissas era que nós tivéssemos uma arquitetura de sistemas unificada e sistemas integrados, 100% integrados. Então, a partir daquele momento, nós definimos Qual que ia ser a plataforma de billing, de CRM, de call center, de gestão de rede, de gestão de vendas, de gestão de facilidade de engenharia. Cada um tem o seu sistema, não é nem 2 nem 3, é 1. Então definimos, esses são os sistemas. Depois disso daqui, nós começamos a organizar, depois não, em paralelo começamos a organizar como que ia ser o nosso data lake. Porque todos esses sistemas, eles geram informações. Então, como é que nós queremos que essas informações desse sistema, dessa arquitetura que nós criamos de sistemas de negócio, né? Em telecom chama BSS, OSS, né? Para quem é de telecom vai entender rapidamente, mas quem não é, sistemas de business, sistemas de operações, né? BSS, OSS. Então quais são esses sistemas e as informações que eles geram, como que elas vão ser organizadas.
Então isso nos permitiu criar um Data Lake que ele é riquíssimo, tem um histórico gigante desde lá de 2022, super organizado. E numa implantação de uma IA você consegue fazer referência, porque muitas vezes você precisa ter um histórico para fazer estatísticas, porque no final das contas eu tô falando de algoritmos, de estatísticas, de matemática por detrás da IA. Então você ter esses dados organizados e de forma fácil de você acessar é uma coisa imprescindível para as empresas pensarem. Se você não tem isso, não adianta você achar que vai ter a melhor IA, porque vai estar falhando, não vai ser específica o suficiente para o seu problema. Exatamente.
Vocês são parte de um fundo de private equity que é o Grain Management.
Isso.
Eles têm várias empresas investidas. Como eles avaliam a adoção de AI da Alaris em relação a outras empresas irmãs?
Primeiro, eles dão uma autonomia muito grande para a gente propor coisas aqui, testar coisas, obviamente com essas características que eu te falei, e aí enxergado é vista dentro da empresa como um outro investimento, ou seja, tem que ter uma rentabilidade, porque senão a gente não investe. Se a gente tiver dúvida, é melhor gastar mais tempo em entender, né? Vou voltar de novo o que eu falei no começo, né? A gente não sabe o que a gente não sabe. Então vamos procurar saber melhor para entender qual que é o potencial de benefício. Então eles estimulam muito a utilização de ar, mas de uma maneira obviamente que traga valor para o negócio, é inerente do acionista. E nós temos uma troca muito grande das nossas experiências que são feitas aqui com as experiências que têm nas outras investidas do fundo. Então, eles também têm os cases de sucesso e a gente consegue trocar entre as empresas os best practices que nós estamos fazendo. Então, a gente ajuda outras empresas E eles também, da mesma maneira, trazem, aportam conhecimento de fora que eles têm aqui para a Lares. Então é um cross-fertilization aqui de inteligência artificial.
E pensando, vocês fizeram um salto gigantesco do ponto de vista de crescimento da empresa nos últimos anos. Pensando para o futuro, inteligência artificial é capaz de alavancar muito mais esse crescimento? Está na rota de vocês de prioridade? Como está isso?
Está assim, hoje IA ela faz parte inerente do nosso dia a dia. Posso te dizer que inclusive hoje de manhã é o dia que tem uma reunião de acompanhamento de todos os projetos de IA. Então faz parte do dia a dia nosso, é inerente, assim como qualquer outro projeto que você tenha de geração de eficiência ou de melhora da percepção de qualidade do cliente, ou de incremento de receita. Ou seja, IA não pode ser encarado como mais uma tecnologia. IA tem que ser encarado sobre aquelas 3 vertentes que eu te falei: tecnologia super importante, mas pessoas e processos. E você mudar os processos para maior agilidade, maior produtividade, maior inteligência em como tratar os seus clientes e antecipar muitas vezes problemas e já tratar esses problemas é fator crítico de sucesso. A gente sabe hoje o quanto que uma internet é importante na vida das pessoas e das empresas e o quanto que impacta se a gente fica 5 minutos sem ter a internet na nossa casa, na nossa empresa. Então, a qualidade de serviço, a qualidade do entendimento da necessidade dos seus clientes, A nossa capacidade de fazer eficiência onde o cliente não vê valor e colocar investimento onde o cliente vê valor, é nisso que inteligência artificial vai suportar o nosso crescimento ainda maior.
E para todos terem uma dimensão de o quanto esse discurso é ação, a Alaris cresceu 100% em 2 anos, certo?
Isso aí.
Então não é um discurso sem resultado, né?
Pelo jeito, impressionante, saindo de uma base de 400 mil assinantes para 800 mil assinantes. Isso aí é extremamente relevante nessa questão de gestão, porque você foi a pessoa que conduziu a empresa para isso. O que que você espera para o Denis daqui 5 anos navegando nesse horizonte de gestão com inteligência artificial? O que que você acha que a inteligência artificial vai mudar em você como líder?
Eu vou fazer a resposta em duas etapas aqui. Primeiro que eu não acredito em one-man show. Eu sou o líder de um time que é um time fantástico, que é um time altamente talentoso, um time comprometido, engajado, que sabe fazer a diferença. Você como CEO, eu como CEO, eu tô ali para ajudá-los a fazer o negócio acontecer, tentar direcionar um pouco mais para cá, um pouco mais para lá, mas de verdade o que faz a diferença é o time que você trabalha, assim, olhando como a organização como um todo. Pensando daqui 5 anos, eu acho que O nível de transformação que nós vamos ver nos nossos dia a dia com a introdução da inteligência artificial vai ser gigantesco. Então eu acho que a gente vai ter muitas vezes rever como que nós vamos fazer o business acontecer, como que a gente vai se divertir, né? A gente já tá vendo aí capacidade de algumas IAs de você criar seu próprio filme, né? Você ser o ator do teu filme, você faz o storyline do teu filme e você produz o teu filme. Então, acho que vai ter uma ruptura da forma com que a gente enxerga os potenciais ou os limites que a gente vê hoje, de uma forma completamente diferente daqui 5 anos.
Eu acho que tem um potencial de mudar as nossas vidas, e aí a gente tem que tomar cuidado, porque sempre tem os riscos e oportunidades, e eu quero acreditar que as oportunidades sejam muito maiores do que os riscos utilizando a inteligência artificial. Então eu vejo um futuro muito promissor, eu acho que todo mundo tem que estar buscando se preparar para ir lá, ser aberto à inteligência artificial. Eu não acredito que inteligência artificial, como tem se propagado, vai ser uma tecnologia que vai ficar matando empregos. Vai matar alguns empregos, mas por outro lado vai abrir muitos outros que a gente ainda nem sabe o que pode acontecer. Como a gente não imaginava há 20 anos atrás a quantidade de novas profissões que surgiram em função da internet, em função das redes sociais, que não precisa nem muito longe, há 10 anos atrás ninguém, ninguém ia imaginar. E acho que a mesma coisa vai acontecer com inteligência artificial. Acho que cada vez mais nós vamos dar passos mais largos, mais rápidos, e essas tecnologias vão mudar a nossa vida. Pessoal, profissional.
Boa. É, o ativo são pessoas que sabem utilizar inteligência artificial. Eu vou só reforçar uma coisa que você falou, porque eu te fiz uma provocação e você trouxe um ponto de gestão que eu admiro bastante, que são pessoas que trocam o eu pelo nós, né? Acho que o sucesso de toda essa transformação e crescimento que vocês fizeram tá pautado nas pessoas que estão lá.
Exatamente isso.
Você pegou a bola levantada e fez bonito. Gostei.
Obrigado.
Eu queria deixar uma última pergunta como colaboração para quem está ouvindo a gente. Nessa jornada de um ano e meio, quase dois, você deve ter aprendido muito, não só tecnicamente, mas de gestão e de introdução desse assunto dentro de uma organização. Imagina que tem do outro lado lá um executivo que está ouvindo a gente, uma executiva, Que dicas você daria?
A primeira e mais importante que eu dou é o seguinte: tem que ser top-down no começo. Ou seja, o top-down não é simplesmente a gente falar, olha, faz acontecer. Não, é você fazendo acontecer, é você colocando o teu esforço de líder para mostrar que inteligência artificial é um assunto prioritário dentro da empresa. E a partir desse momento que um líder coloca isso como prioridade, O resto vem a reboque. E você muitas vezes vai ter que fazer escolhas. Olha, isso daqui eu vou deixar um pouco de lado agora porque eu vou focar nesse tema aqui, porque esse tema é importante. E aí colocar disciplina para que isso aconteça. Como qualquer outra coisa, para ter sucesso na vida, eu acho que você tem que ter disciplina na execução. Inteligência artificial, mesma coisa. Tem que colocar método, tem que colocar visão, tem que colocar case de sucesso, tem que treinar, e o education que eu falo constantemente ali de muitas coisas ainda não foram nem descobertas sobre o que a gente tem que treinar, mas vamos treinar aquilo que a gente já sabe e vamos descobrir aquilo que a gente ainda não sabe. Então, acho que a dica principal é essa, é o seu tempo, é a sua disciplina, e isso depois ele desce naturalmente.
Obviamente com técnica, com disciplina, com acompanhamento, com indicadores, né? Você tem que criar indicadores. Olha, como é que nós vamos medir a inteligência artificial aqui, se tá dando, não tá dando resultado? Como qualquer outro projeto, como que nós vamos medir lá na ponta? Então acho que esses são os aspectos relevantes que eu te diria que são fundamentais aí na implementação da inteligência artificial numa empresa.
Belas dicas.
E vocês mantêm o rigor nessa reunião de acompanhamento que você falou. Você poderia mencionar quantos projetos de inteligência artificial vocês estão olhando atualmente?
Hoje tem mais ou menos uns corporativos, tá?
Porque de novo, né, tem nas áreas tudo acontecendo.
Explica para todo mundo o que que é um projeto corporativo.
É aquele projeto que ele é formalizado, ele tem um business case, ele passa por um comitê de investimento, ele tem um dinheiro alocado para ele acontecer e ele é seguido por um PMO nosso corporativo para ter certeza de que aquele projeto vai ser entregue. Então esse é um projeto corporativo. Então nesses projetos corporativos a gente tem mais de 15 iniciativas que estão já ou finalizando ou começando ou no meio. Obviamente que esse número ele flutua, mas tem os outros que eu te falei, que nós organizamos também estamos nos organizando ainda, acho que esse é um processo contínuo, de possibilitar que as nossas lideranças utilizem a inteligência artificial no seu dia a dia, com tecnologias que são disponíveis no mercado. O que nós fazemos para garantir que isso seja feito de uma forma disciplinada, orientada, minimizando os riscos? A gente tem uma política de gestão sobre isso. O que pode, o que não pode, que tipo de acesso, quem tem acesso, para que tipo de ferramenta tem acesso. Então existe já esse processo definido dentro dessa empresa, dentro da nossa empresa, de quem pode pedir, como pode pedir, que tipo de ferramenta está disponível. E essas ferramentas estão sendo alimentadas ali, estão sendo utilizadas.
E aí são inúmeros, aí eu não consigo te dizer porque já são muitos. Que estão acontecendo e acontecem dia a dia.
Não, Fred, acho que aqui a gente ouviu hoje do Denis uma história de como disciplina, foco e rigor estão fazendo inteligência artificial mover bem a régua dentro do negócio da Lares.
É isso.
Obrigado pela generosidade, foi um episódio delicioso aqui para a gente gravar e te receber.
Obrigado, prazer ter estado aqui com vocês e compartilhar um pouco da nossa experiência na Lares.
Boa. Fred, recados finais aí do seu lado.
Pessoal, muito obrigado por nos assistirem até aqui. Começamos com o pé direito, segunda temporada agora patrocinados pelo SoftBank, uma grande honra. E teremos entrevistas com algumas investidas do SoftBank, então fiquem ligados e continuaremos a trazer C-level, diretoria, para explicar do ponto de vista de negócios, como está sendo essa adoção. Não sei se repararam, a gente não entra nos bits and bytes, no super tecnológico. O nosso propósito é diferente, é sobre a adoção nos negócios por executivos. E espero que vocês tenham gostado. Muito conhecimento aqui na mesa compartilhado pelo Denis. E até a próxima, até a próxima.
Boa noite aí, pessoal.
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.