EP 31

Humanização e Cuidado em Saúde com IA

Compreender as dores específicas de cada paciente, suas necessidades e todo o seu processo de tratamento é possível ao combinar tecnologia, ciência e humanidade.

04 maio 2026
Marina Viana

CONVIDADO

Marina Viana

Transcrição do episódio

[00:00:10.20] – Fred Pericini

Olá, bem-vindos a mais um episódio do AI First Cast. Eu sou Fred Pericini, sócio fundador da agência F2F e Gaspers.ai, de novo com meu parceirão.

[00:00:22.05] – Filipe Xavier

Opa, tudo bem, pessoal? Sou Filipe Xavier, entusiasta de inteligência artificial, de comunicação e marketing, e tenho orgulho de falar para vocês que essa temporada do AI O Firstcast tem o patrocínio do SoftBank, o banco que mais entende de inteligência artificial na América Latina, Fred.

[00:00:38.06] – Fred Pericini

É uma grande honra. A gente já passou aí de 30 episódios gravados. Vamos lançar uma pesquisa quentinha. Entrevistamos mais de 500 pessoas entre líderes e liderados comparando as visões e as perspectivas sobre inteligência artificial. Hoje a gente tá aqui com mais uma mulher. Isso é muito legal, nós estamos no mês da mulher e é um prazer te receber. A gente tem uma tradição, a gente não apresenta as pessoas para não errar nome, cargo, nome da empresa. Então eu gostaria que você se apresentasse. Seja muito bem-vinda.

[00:01:23.27] – Marina Viana

Obrigada. Boa noite, Fred. Boa noite, Fi. É um prazer estar aqui com vocês. Meu nome é Marina Viana, sou fundadora da NHJ, a Nova Health Journey, que é uma empresa que faz monitoramento de desfecho, evolução clínica e coordenação de cuidados de pacientes que utilizam medicamentos de alto custo. Então, depois de 20 anos no mundo corporativo, há quase um ano estou empreendendo na NHJ e me divertindo bastante, construindo uma história muito bacana.

[00:01:54.29] – Filipe Xavier

A Marina tem uma trajetória muito bem-sucedida no universo corporativo, né? De trainee a CEO, uma história bonita que bastante gente conhece. E agora você está num novo momento de empreender. Inteligência artificial entrou na tua visão de empreendedorismo do momento zero? Como foi essa transição, Marina?

[00:02:14.25] – Marina Viana

Eu te diria que um pouquinho antes até. Eu comecei a utilizar muito inteligência artificial no meu dia a dia. E hoje, no mundo de empreendedorismo, eu não me vejo atuando sem inteligência artificial, tanto na nossa entrega de serviço quanto nas minhas tomadas de decisão. Obviamente que eu uso todo o meu senso crítico e minha experiência, o meu legado, mas eu quase tenho um grupo de consultores para trocar uma ideia comigo de algum tema que eu preciso de uma análise naquele momento. E quando a gente empreende, eu não tenho 100 pessoas para fazerem aquela análise para mim de cada vírgula do que eu necessito. Então, a inteligência artificial me auxilia no meu dia a dia de uma forma muito intensa.

[00:03:04.08] – Fred Pericini

Isso é legal que você tocou, porque é um caso de uso, eu vou pôr muitas aspas, é um caso de uso bobo que todo mundo poderia implementar. E usar, né? Você tem um mini Einstein no seu bolso. É. E você pode ter configurações diferentes, agentes, contextos, para você ter um thought partner para tomada de decisão e muitas vezes também para trazer eficiência para as suas decisões, para as suas análises. Então, pessoal que nos segue, né? Isso é uma adoção pessoal. Que todos nós que estamos no corporativo ou empreendendo temos essa maquininha para nos potencializar.

[00:03:56.29] – Marina Viana

Exato.

[00:03:57.16] – Fred Pericini

Agora, trazendo para o mundo mais dos processos, das integrações, do uso com o seu modelo de negócio.

[00:04:09.05] – Marina Viana

Sim.

[00:04:09.27] – Fred Pericini

Dá exemplos para a gente de aplicação de AI nesse monitoramento da jornada do paciente com doenças complexas ou raras. Como é que fala?

[00:04:22.06] – Marina Viana

De alta complexidade. A gente atua tanto com raras, neurodegenerativas, oncológicas, imunoterapias, mas elas em geral são de alta complexidade, é onde tem medicamentos de alto custo que endereçam ali uma boa parte da jornada terapêutica daquele paciente. Até trazendo um pouquinho mais de contexto, né, de como a NHJ atua e como trazer a IA nesse contexto de jornada do paciente. Nós fazemos todo o monitoramento da jornada toda do paciente, desde o momento que ele recebe uma prescrição de medicamento de alto custo e todos os eventos ao longo dessa jornada, todos os marcos, né? Seja um marco do momento que ele precisa tomar aquele medicamento ou receber, ser infusionado aquele medicamento, seja as terapias multidisciplinares que ele precisa vivenciar, uma fisioterapia, uma terapia ocupacional, um psicólogo, enfim, ao longo dessa jornada, seja ali uma interação de medições de evento de grandes marcos. O que que é isso? Quando eu tomo algum tipo de medicamento, vou pegar um exemplo de alguma doença rara, tem os marcos de escala. Então, se eu tenho uma escala de evolução do tratamento, se é uma neuromuscular, se o paciente não levanta o braço, agora ele passa a levantar até X graus. Se ele não conseguia fazer xixi de pé, agora ele consegue fazer.

[00:05:56.20] – Marina Viana

Então, são marcos importantes que são medidos por escalas e que elas têm os seus determinados momentos que devem ser medidas. E isso entra em dados de vida real, a gente acompanhar esses momentos de evolução e é o nosso grande core é conseguir acompanhar essa evolução ao longo da jornada de cuidado do paciente. E aí alguns exemplos muito importantes que a gente tem na jornada em si, tem um tratamento específico que a gente cuida, E ele, sem o tratamento em si, a doença em si, já gera muita internação, bastante hospitalização. E com o uso do medicamento, isso diminui de forma exponencial. E inclusive, uma das coisas que a gente mede ao longo da jornada é redução de internação, redução de gastos que ocorrem com essas internações, mas continua sendo uma realidade para essa doença. E se o paciente não me disse, eu fui internado, como que eu vou saber, né? É um dos momentos de como que eu vou medir de forma adequada. Só que eu criei marcos de interação daquele paciente conosco todos os dias, mesmo que ele não tenha que tomar o medicamento todo dia. E são perfis e perfis. Eu tenho o que adota a tecnologia e o que não adota.

[00:07:20.17] – Marina Viana

O que não adota, eu realmente de fato ligo. Pro paciente, tá? Mas o que adota a tecnologia, e eu falo isso porque eu cuido de pacientes de todas as classes sociais e que estão em qualquer lugar do país, às vezes ele não tem internet, né? A gente tem que se adaptar à realidade, mesmo a tecnologia estando no nível que está. Mas a gente colocou essa interação diária com o paciente, e o paciente sempre interagia com a gente. Ele ficou um dia sem interagir, a gente já mandou um alerta para o paciente. O segundo dia ele não interagiu, aí entrou em contato com o responsável dele, ele tem um contato e a gente, 80% dos nossos pacientes são crianças e principalmente as doenças raras elas acometem na infância em sua grande maioria. Então a gente entrou em contato com o familiar para entender o que que tá acontecendo. Aí entrou em contato, ele falou, eu quero um contato de um humano. A gente entrou em contato com o humano, o que que tá acontecendo? Ah, o meu filho foi internado, aconteceu isso, contou todo o histórico que tava acontecendo. E a gente inclusive identificou que aquela mãe necessitava de um apoio psicológico naquele momento.

[00:08:37.29] – Marina Viana

Então isso tanto poderia ter interrompido o tratamento, porque a mãe tava entrando num nível de estresse e colapso muito importante, quanto eu registrei o que tava acontecendo, eu entendi o que tava acontecendo e eu trouxe o dado de vida real e o registro dos custos associados a tudo isso, é para ter um melhor acompanhamento daquela doença também, né, o perfil de reação do paciente, os seus intervalos. E isso sem AI eu teria com muito mais dificuldade. Como eu te falei, quem não interage, eu ligo todo dia, mas eu precisaria de um esquadrão para fazer todo esse volume de ligações. E talvez não seria tão rápido e tão eficiente, né? Isso é um dos casos. Um outro caso é para o próprio cliente nosso, que o cliente principal nosso é a indústria farmacêutica, e ela tem a necessidade, até para entender a efetividade do medicamento dela, de entender como estão evoluindo os pacientes. Por uma questão de código de ética, Ela não pode ter acesso aos pacientes, quem são os pacientes, o nome deles, mas ela pode ter informação agregada daqueles pacientes. E ela sempre quer saber como que tá a evolução do uso do medicamento versus a evolução de desfecho clínico.

[00:09:59.28] – Marina Viana

É uma recorrência que ela sempre pede esse tipo de informação. Ao invés de eu pedir que ela me traga essa demanda, eu entrego a ferramenta para ela. Então hoje ela tem um portal onde ela vê somente o front-end, não os dados sensíveis de paciente, da nossa plataforma, e ela pergunta como se fosse um ChatGPT, mas é a Selma AI, que é nomeada Selma em homenagem à minha avó, que faz parte da nossa plataforma, e a Selma AI dá as respostas para ela: quantos pacientes ingressaram no programa, quantos pacientes tiveram desfecho mais positivo, qual é o perfil de paciente que tem uma evolução não tão favorável e quantos eventos adversos eu tive, apesar que evento adverso, que é farmacovigilância, já é um outro processo, a gente precisa reportar com prazo adequado, tem regras específicas da Anvisa, mas ele tem todas as outras informações ali disponíveis para poder de forma rápida ter algum tipo de tomada de decisão, que inclusive pode ser Por que tem pacientes que não estão acompanhando a jornada? Ah, porque são para crianças e as mães estão entrando em depressão. Ah, então eu quero patrocinar psicólogo. Ela pode tomar essa decisão e aí nos avisar: eu quero patrocinar psicólogo para esse grupo de pacientes.

[00:11:19.26] – Marina Viana

E isso trazer um melhor desfecho e evolução daquele tratamento.

[00:11:24.06] – Fred Pericini

Eu perguntei sobre AI, mas eu fiquei aqui emocionado sobre o propósito da empresa. É muito lindo ajudar pacientes, ajudar a indústria farmacêutica a entender se o produto está sendo efetivo, se está tendo evolução, como que eles melhoram esse cuidado durante a jornada e ajudar também eventualmente nos gastos públicos com o SUS ali gerenciando melhor o dinheiro, como ele investe. É bom para todo mundo, né?

[00:11:58.18] – Marina Viana

Sem dúvida, sem dúvida. E você tocou num assunto importante, essa parte de saúde pública, né? Hoje tem um valor muito elevado que o sistema brasileiro tem hoje de custos, de gastos relacionados à judicialização. E para a gente, a judicialização não é um caminho Ele é um caminho hoje, mas não é o melhor caminho. Ele é uma alternativa que se encontra porque não tem o acesso de uma forma estruturada. E aí muitas vezes se judicializa algo que não deveria ser judicializado e pacientes que deveriam ter acesso a determinado medicamento não têm, porque às vezes ele nem sabe judicializar ou a decisão daquele caso não foi favorável ao paciente. Então a gente atuando dessa forma, eu paro de agir com achismos ou porque não tem orçamento público e falo, vamos trabalhar com o orçamento que existe de maneira inteligente. Com dados a gente pode tomar uma decisão muito melhor se deve ser incorporado aquele tipo de medicamento, qual não deve, qual o perfil de paciente que se enquadra naquele contexto de incorporação. É de uma forma muito mais inteligente a gente utilizar a verba pública de uma maneira mais efetiva para todos nós.

[00:13:24.19] – Fred Pericini

A judicialização me soa muito falta de processos, né?

[00:13:28.10] – Marina Viana

É.

[00:13:29.09] – Fred Pericini

E aí o caso a caso e também tem todos os custos jurídicos envolvidos, é uma ineficiência pura, né?

[00:13:36.13] – Marina Viana

Totalmente, totalmente. É muito maior do que se estivesse incorporado, mas não dá para incorporar tudo, né? O dinheiro é finito. Então a gente precisa ter essa inteligência por trás.

[00:13:48.17] – Filipe Xavier

E olha, o Fred mencionou o propósito, que é muito claro e muito nobre, mas empreender em um setor tão regulado, com muitas dores, custos altíssimos, ainda mais num ponto muito específico, porque vocês nascem como uma empresa única e especializada no que vocês estão fazendo. Não deu frio na barriga?

[00:14:12.19] – Marina Viana

Todo dia, tenho todo dia. E te falo, toda vez, desde o início, a gente vai completar um ano de vida, mas desde o conceito da empresa eu escutava, né, eu trazia para as pessoas o que que era o nosso propósito, qual era o caminho da empresa. Mas isso é muito difícil, vocês não vão conseguir fazer isso. E era a hora que eu falava, é aí que a gente tem que ir, porque justamente por ser difícil ninguém fez. Porque a gente tem um problema, a gente tem a necessidade, a gente precisa encontrar a solução. Se fosse fácil, alguém já tinha feito. Mas justamente por ser muito um mercado muito regulado, você tem que ter os cuidados necessários. E muitas vezes o cuidado nos nos puxa para trás, né? Aí não dá, aqui não pode, é que eu não vou. Não, aqui não pode, mas como que pode de uma maneira correta, que a gente tá dentro da legislação, que a gente respeita as regras regulatórias, mas que traga o acesso de forma estruturada? Então isso me motiva todos os dias a fazer diferente. Agora tem barreiras que eu não tinha ideia. Que eu ia trombar. Então eu fui leviana em alguns momentos, inclusive.

[00:15:34.16] – Marina Viana

Nossa, por que não fizeram isso até agora? Essa era a minha visão. Por que as empresas não fazem? E aí, à medida que eu fui, né, a cada machadada é uma nova minhoca, umas 10 que saem. E são novos problemas que se identificam, são novas atenções que precisam ser endereçadas. E que nessa hora que mais me dá frio na barriga, eu falo, meu Deus, Meu Deus, onde que eu me meti? E à medida que a gente vai conseguindo encontrar as alternativas para cada um daqueles novos problemas que foram surgindo, é o que também gera o gás. E quando eu vejo situações como a do paciente que eu mencionei, é a gente poder cuidar dele de uma forma muito diferenciada, isso também alimenta a cada dia. Motivação vem daí, é, vem daí. E a gente tem uma situação, a gente tem um time muito forte, isso é muito importante, ainda mais estando no início. Se a gente não tem um time, o que a gente tem? A gente tem uma tecnologia, um framework, mas o time é muito importante. E aí eu lembro um dia a gente conversando, a gente falou, não, mas empresas tradicionais, elas têm um horário de funcionamento.

[00:16:51.12] – Marina Viana

Falei, mas a inteligência artificial existe para a gente trabalhar 24 horas. Eu não quero a gente trabalhar 3 turnos de pessoas, eu não quero ninguém trabalhando 24 horas, mas eu preciso que a nossa empresa funcione 24 horas, porque se uma mãe com uma criança de 5 anos com câncer ligar para cá e ela não tiver uma resposta, a gente está falhando. Eu não posso ter uma mãe com uma criança de 5 anos desesperada, precisando de uma resposta, não ter resposta porque está fora do horário comercial. Social. Então isso me gera, né, e o time entende, todos nós entendemos que esse é o nosso propósito. Sempre que surge algum desafio ou alguma regra de processo interno, a gente fala: e se uma mãe de um filho com câncer de 5 anos ligar, a gente tem a resposta para ela? Se a resposta é não, a gente ainda não encontrou a solução. Então isso nos move. Todos os dias.

[00:17:48.19] – Filipe Xavier

E te ouvindo dá para ver muito bem que a inteligência artificial tem sido desatoura de nós, né? Cada vez que você vai achando um problema novo, e para muitos dele a inteligência artificial tem suportado também vocês transpor isso, que é ótimo para a gente ouvir essa história, né, Fred? Agora, Marina, uma outra coisa: desde que vocês começaram há quase um ano, o modelo de negócio evoluiu ou mudou? Porque é muito diferente do que você imaginava no dia 1.

[00:18:20.11] – Marina Viana

Evoluiu muito, não mudou. A gente, assim, de 3 em 3 semanas nos 6 primeiros meses, a gente fazia o workout de novo. Não, a gente tá no caminho errado. Aí a gente fazia, aí a gente chegava na mesma rota, mas com a solução muito mais elaborada. É porque a gente começou muito com uma visão de cuidado coordenado, jornada do paciente, do início do tratamento ao longo de toda a jornada, incluindo, conectando todos os atores, e a gente continua fazendo isso, mas isso é quase que uma, algo básico. Da nossa operação e não exatamente o nosso diferencial, porque para a gente coordenar a jornada com altíssima qualidade tem que ser feito. Mas como que a gente se colocou hoje? Não adianta eu coordenar o cuidado se eu não registro os dados, se eu não trago evolução desses dados, a evolução dos pacientes, se eu não tenho, a gente fala muito nesse mercado, né, os dados de vida real, real-world evidence, que são os dados que de fato saíram da pesquisa clínica e estão sendo vivenciados por diferentes perfis de pessoas. Não adianta eu estar num estudo clínico que eu praticamente estou dentro de um laboratório, não estando, onde o paciente tem a hora certinha que vai tomar o medicamento, tem 10 pessoas garantindo que ele tome naquele horário, É que ele tem a equipe multidisciplinar de manhã e de tarde e todo aquele ecossistema favorável para ele.

[00:20:09.14] – Marina Viana

E a gente coloca um paciente que mora na Amazônia, no meio da floresta, que tem alguns, e que ele precisa para chegar num centro de infusão pegar um barco. É outro cenário. Como que isso funciona, né? Então a gente saber se ele vai conseguir chegar, se a gente vai conseguir prover que ele chegue, né? Isso precisa ser patrocinado, mas se é possível ele chegar, de que maneira que ele chega. Se ele é um paciente cadeirante e que ele tá ali esperando chegar a van do SUS e a van chegou, ou ele passou mal e ele perdeu a van, não tem outra. Então, como que são todos esses contextos? É dentro do mundo real. E a gente conseguir medir isso e ver não a eficácia, porque se foi aprovado pela Anvisa, o medicamento é eficaz, não tem dúvida a respeito disso. Mas ele é efetivo no sistema brasileiro e para todo mundo? Pode ser que para o Felipe, que está em São Paulo capital e tem vários recursos, sim, e tem a consciência dos horários que ele tem que tomar os medicamentos, mas em outros contextos, nas zonas rurais ou até mesmo em São Paulo, mas em outro contexto em São Paulo, a realidade é diferente.

[00:21:32.13] – Marina Viana

Então, hoje nós somos muito mais uma empresa que monitora essa evolução através da coordenação de cuidado, utilizando a inteligência e uma plataforma que nos conecta todas essas análises.

[00:21:47.20] – Fred Pericini

Surreal, várias fichas, cara.

[00:21:49.19] – Filipe Xavier

Não dá nem para pensar na quantidade de variáveis.

[00:21:52.19] – Fred Pericini

Me vem um pensamento de, cara, eles estão, vocês estão estruturando dados que não são estruturados.

[00:22:01.14] – Marina Viana

Nem um pouco.

[00:22:03.09] – Fred Pericini

Transformando em dados o que não era dado antigamente. É. E isso em escala tem um valor gigantesco. Tanto para farmacêutica aprender e tomar decisões mais rápidas, quanto para o paciente, para o governo, para todo mundo. E quando a gente pensa em inteligência artificial, sem dados você só tem um modelo, né? Então também eu acredito que uma coisa potencializa a outra. Legal que você tem a cabeça de implementar inteligência artificial, mas os dados que vocês estão estruturando também deve potencializar muito a entrega de vocês.

[00:22:53.19] – Marina Viana

Sem dúvida, muito. E aí entra num sair dos nossos guardi-reios assim, né, quebrar barreiras, sair de dentro de casa mesmo, porque Hoje a gente tem um esforço muito alto para conseguir fazer isso, porque existem muitas soluções no mercado e muitas linguagens. Então, quando hoje a pauta de interoperabilidade é uma pauta muito forte do mercado, nós somos o primeiro a levantar a bandeira dela, porque hoje uma altíssima ineficiência do sistema é ele não ser interoperável. É os atores não se comunicarem, os sistemas não se cruzarem, e aí o dinheiro finito fica finito mesmo. À medida que a gente consegue integrar informação, a gente passa a ter uma facilidade muito maior de sobrar um pouquinho mais nesse bolso, ser muito mais eficiente, e a gente conseguir alocar para outros locais de acesso à população desse tipo de medicamento. E uma vez que o sistema é interoperável, eu consigo ter muito mais acesso a esses dados. Eu consigo trazer eles e retroalimentar eles de uma forma muito mais rápida. Então hoje, por exemplo, tudo que a gente desenvolveu fala uma mesma linguagem que o Sistema Único de Saúde. Eu sigo a regra da RNDS e não estou fazendo nada demais.

[00:24:22.16] – Marina Viana

Eu estou fazendo o mínimo, né? O mínimo que todo mundo que está desenvolvendo alguma coisa deveria estar fazendo. Porque senão você não está favorecendo a ninguém, você até prejudicando todo o resto do sistema. Então, sim, a gente está estruturando dados que são completamente desestruturados, mas eles poderiam ser muito mais estruturados e espero que cheguem a ser e tem um grupo muito forte de pessoas remando e lutando e construindo em cima dessa pauta. Para que a gente consiga chegar num momento que seja muito mais eficiente, mais ágil esse tipo de estruturação.

[00:25:02.10] – Filipe Xavier

Isso é uma particularidade de Brasil ou é assim em outros lugares do mundo?

[00:25:06.23] – Marina Viana

É assim na maioria do mundo, quase o mundo inteiro é assim. São poucos os sistemas, os locais do mundo que estão mais eficientes nesse sentido e é uma pauta comum. O problema é que o sistema é muito fragmentado, né, mas cada um com a sua diferente particularidade. E aqui no Brasil, a nossa variedade geográfica, nossa variedade de perfis, enfim, ainda torna ainda mais desafiador esse processo. Mas eu acredito muito no caminho que estamos buscando, que talvez vai ser longo, mas que promete trazer um bom resultado para todos nós.

[00:25:50.16] – Filipe Xavier

E aí, Fred, a provocação, né? Talvez inteligência artificial possa ajudar neste problema pontual.

[00:25:56.10] – Fred Pericini

Olha aí, pessoal, com certeza. Eu tô aqui, né, pensando e entendendo o negócio, e eu vou fazer uma pergunta bem de leigo e tentar traduzir também para todo mundo, né? Então é uma empresa focada em mensuração e controle da jornada de um paciente que tem uma doença rara E que você faz check-ins diários com esse paciente, seja via tecnologia ou via telefone, meios tradicionais. Você organiza esses dados e a farmacêutica tem lá a Selma, é Selma, né? Selma, a Selma, para trocar uma ideia e entender dados, entender se tá sendo efetivo, se não tá, que oportunidades que tem e como melhorar a adoção e a cura, ou eventualmente a melhora do paciente.

[00:26:57.24] – Filipe Xavier

Calibrar a rota como um todo, né?

[00:26:59.23] – Fred Pericini

É, beleza, entendi isso. Quantas doenças raras existem hoje catalogadas?

[00:27:07.07] – Marina Viana

Mais de 7 mil.

[00:27:09.01] – Fred Pericini

Cada doença rara é muito específica.

[00:27:11.28] – Marina Viana

Sim.

[00:27:13.14] – Fred Pericini

Hoje você consegue monitorar todas?

[00:27:17.26] – Marina Viana

Não, não. Hoje, das 7 mil doenças raras, existe tratamento para 5% aproximadamente dessas doenças. E quando eu falo tratamento, é existir medicamentos que não significam a cura, São medicamentos que controlam, que mitigam, ou que prolongam, postergam, ou que muitas vezes travam o desenvolvimento da doença. Mas eles não corrigem o que já aconteceu, que são muitas vezes muitas mutações genéticas que não dá para voltar atrás, né? Mas eles conseguem ali tornar, melhorar a qualidade de vida e prolongar a expectativa de vida daquele paciente. Existem estudos que trazem que melhorem até 3 vezes a qualidade de vida do paciente, em até 2 vezes a expectativa de vida em média, é, com esse tipo de tratamento, se vem o medicamento combinado com todo um cuidado multidisciplinar, tá?

[00:28:23.18] – Fred Pericini

Então, de 7.350 tem algum tipo de tratamento em algum nível, só que são muito diferentes entre si, anyway, continua sendo, né?

[00:28:36.01] – Marina Viana

Sem dúvida.

[00:28:36.23] – Fred Pericini

O tratamento, o processo em si, a jornada e essa adaptabilidade do controle da jornada para essas especificidades.

[00:28:49.11] – Marina Viana

É aí que entra a necessidade do humano no antes, no estruturar. Então, algo muito importante no nosso time, no nosso modelo de negócio, é que não é a NHJ, Eu preciso que você coordene a doença de Huntington, ou eu preciso que você coordene neuroblastoma, que é um câncer raro que acomete em geral crianças. Não é simplesmente isso, é: deixa eu entender a doença que você tá me falando e o medicamento que estamos discutindo. Porque cada medicamento tem um marco diferente de evolução da doença. Então, uma vez que é trazida essa demanda, a gente tem um time de saúde dentro da nossa empresa voltado para entender os estudos clínicos, quais são os marcos, como que a gente vai desenhar cada um dos eventos para eles entrarem dentro da plataforma. O entrar na plataforma é assim: Em um segundo, né, ela já tá pronta para isso, ela já tá setada para receber esses inputs. Mas a gente leva um período importante de algumas semanas de desenvolver exatamente qual é a jornada adequada, quais são os estudos que existem, quais são os marcos, fazer essas validações tanto com pacientes, médicos, a própria indústria, para a gente chegar na jornada adequada.

[00:30:19.18] – Marina Viana

E aí sim, Aí eu coloco no sistema e começo a fazer todo o processo de coordenação daquele cuidado.

[00:30:25.04] – Fred Pericini

Então a farmacêutica que te contrata, ela vai te contratar para uma doença específica e vocês vão criar uma jornada específica para cada doença.

[00:30:35.14] – Marina Viana

Exatamente. Cada doença tem uma jornada completamente diferente. Então, e isso acontece tanto para essa estruturação, essa coordenação da jornada e do monitoramento do paciente, E aí a gente tem um modelo já desenvolvido, um framework já desenvolvido, ainda não é implementado pelo tempo de vida de empresa, que é uma vez que eu tenho dados por um período necessário, e cada doença vai depender, tem doença que eu vou ter a resposta em 1 ano, vai ter doença que eu vou precisar de 2 anos ou de 6 meses para eu entender se tá tendo a evolução ou não, de acordo com o uso daquele medicamento. E aí eu ter dados suficientes para eu analisar aqueles dados e qualificar aqueles dados. Se estão dados que fazem sentido buscar um processo de reembolso através de incorporação ou se é um tipo de impacto que não faria sentido ou não justifica um investimento financeiro específico. Da saúde pública ou da saúde suplementar.

[00:31:48.11] – Filipe Xavier

Fred, sabe o que eu acho muito legal desse case? O quão poderoso é o uso que vocês estão fazendo da inteligência artificial para o que ela pode fazer e o quanto já está muito claro para vocês o que é o trabalho humano que não vai dar para substituir num curto espaço de tempo. Então, toda a forma como vocês estão prosperando é extraindo o melhor do humano e combinando isso com o melhor da inteligência artificial. Isso eu gosto muito de te ouvir e ver que isso endereça um ponto muito específico, mas de uma grandeza muito bacana, né? Então a inteligência artificial—

[00:32:27.25] – Fred Pericini

e eu te complemento, eu gosto da separação e eu não sou a pessoa que acredita que é tudo AI. Aí existem soluções Híbridas, híbridas, ou com humano manual, que funciona e ponto, né? Agora, o que me pega muito no case, me dá um quentinho no coração, é porque hoje a gente ouve muito, muitas possibilidades do uso de tecnologia, e mais específico a inteligência artificial, em guerra, em demissões e não sei o quê, e coisas ruins, né? E calma, não é, né? A tecnologia, ela é o que é. A aplicação dela é que pode ser boa ou ruim. E eu acredito que vocês trazem isso muito forte aqui para o nosso podcast, que é um uso de geração de valor e melhorar a vida das pessoas. Eu torço profundamente para que as farmacêuticas criem tratamento para os outros 95% das doenças e torço para que vocês consigam ter as 350 jornadas dentro aí do sistema de vocês para abranger, ter uma cobertura altíssima do controle da jornada e trazer esse nível de sofisticação de pensamento, de metodologia para quem muitas vezes está completamente vulnerável.

[00:34:18.05] – Marina Viana

Sem dúvida. E a IA, ela está ajudando a trazer mais. Moleculas para as doenças raras, porque hoje a gente tem, não sei se eu cheguei a comentar com vocês, tem mais de 450 moléculas em fase 3 de estudo em pesquisa clínica, o que isso já mais do que duplica as 350, né, e que essas 350 é uma matemática aqui, mas não significa que essas 350 estão disponíveis para tratamento no Brasil, tá, são medicamentos existem mundialmente, mas hoje no Brasil já é um número menor que isso, até pelos timings de chegar a regulamentação, aprovações e tudo mais. Mas hoje existem, está sendo muito utilizado a IA para estudo de moléculas, né, para poder— tem um caso muito interessante que aconteceu recentemente em Londres, que é o caso Mila, Não sei se vocês ouviram falar, é que foi um desenvolvimento de uma molécula, uma personalização de uma molécula desenvolvida para aquela pessoa. Ainda temos um caminho, né? Foi o primeiro caso, enfim. Obviamente que tem custos elevadíssimos associados, mas antigamente a gente levava 10, 12 anos para encontrar uma molécula, para aí poder entrar no período de de ensaio clínico, que isso ainda não diminui com a IA.

[00:35:47.18] – Marina Viana

Precisa, é importantíssimo vivenciar todo esse período com o paciente utilizando o medicamento antes de colocar ele de fato no mercado para um volume maior de pessoas. Mas o ato de desenvolver a molécula em si, já a IA permite muito mais rápido que você identifique as variantes, que você combine elas Para aí os cientistas começarem a estudar ela. Então, tem curtando muito essa jornada e a IA certamente vai nos ajudar a trazer muito mais acesso para essas doenças de alta complexidade. Porque é compreensível, apesar de doer, é compreensível uma doença que tem 15 pacientes no mundo é um investimento da indústria. Porque ela precisa focar onde tem mais pacientes, vai impactar mais pacientes. Mas se fosse seu filho, você não pensaria isso, né? Então é uma dor muito grande. Então no momento que você consiga, espero no futuro não tão distante, ter essas terapias personalizadas, a gente vai conseguir endereçar ainda mais pessoas. Amém, amém!

[00:36:57.09] – Filipe Xavier

Proporcionando precisão e encurtando os caminhos.

[00:37:00.02] – Fred Pericini

É muito bom, muito obrigado pela sua presença.

[00:37:04.01] – Filipe Xavier

Fred vai dormir com o coração quentinho hoje, eu também. E a gente espera que todos vocês que nos assistiram também, né?

[00:37:10.19] – Fred Pericini

É isso. Muito obrigado.

[00:37:12.27] – Filipe Xavier

Obrigado, Marlene.

[00:37:13.19] – Fred Pericini

Obrigado pela sua visita. A gente aprendeu mais um pouco aqui. E parabéns.

[00:37:19.14] – Marina Viana

Obrigada.

[00:37:20.17] – Fred Pericini

Estaremos aqui torcendo para o crescimento de vocês e para uma super jornada de ajuda mesmo das pessoas. Muito obrigada.

[00:37:32.01] – Marina Viana

Obrigada a vocês, um prazer estar aqui.

[00:37:34.09] – Filipe Xavier

Valeu, Marina.

[00:37:35.06] – Marina Viana

Valeu.

[00:37:35.11] – Filipe Xavier

Obrigado.

APRESENTADORES

Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini

Fred Pericini

Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier

Filipe Xavier

Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.