
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 09
A Experiência do Cliente e o futuro dos agentes inteligentes
Fábio Mori, Chief Digital Marketing Officer na Loja do Mecânico, compartilha como a empresa está integrando inteligência artificial.

CONVIDADO
Fábio Mori
Loja do Mecânico
Transcrição do episódio
Olá pessoal, tudo bom? Nós somos o AI Firstcast, o primeiro podcast dedicado a discutir inteligência artificial e como isso pode tornar a sua vida, a sua empresa melhor. Eu sou Filipe Xavier, tenho o prazer de dividir a produção desse programa com o Fred Pericini, que está aqui do meu lado. Mais um Fred.
Boa! Bora para mais um papo. Meu nome é Fred Pericini, sou sócio fundador da agência F2F e gaspers.ai. Nós temos a missão aqui, nós dois, eu e o Fih, de trazer convidados que estão no mercado, em empresas grandes, metendo a mão na massa e implementando inteligência artificial. E a ideia é que os papos sejam super pragmáticos. A ideia é que você em 30 minutos consiga aprender algo que seja implementável no dia a dia. Hoje nós temos aqui um amigo pessoal, estudou comigo, viemos da mesma cidade. Fábio, gostaria que você se apresentasse.
Bom, é prazer estar aqui, obrigado pelo convite. Eu sou Fábio Mori, Pra começar, eu sou amigo do Fred, mas vou tentar contar minha trajetória em poucos, 2, 3 minutos aqui. Eu venho de uma criação como um millennial, né? E como millennial a gente se virou. Eu acho que isso traz pra mim duas características muito fortes. Eu sou um tomador de decisão desde que eu me conheço por gente. Isso foi parte da minha educação, um pouco liberal demais. Dentre as decisões que eu tomei na vida foi cair nesse mercado. Eu já posso falar um pouco sobre isso depois. E a outra coisa é que eu sou muito intenso nas coisas que eu faço, assim, eu sempre tive um accountability muito alto. Então o senso de responsabilidade meu sempre foi meu, ninguém nunca me impôs o meu senso de responsabilidade. E a minha carreira acho que foi muito em função disso, né? Eu consigo separar ela em alguns blocos. Primeiro bloco, eu fui treinir no começo da era do e-commerce no Brasil, em 2004, fui da segunda turma de treinamento do Submarino, antes de ser B2W. Então eu tô nesse mundo de comércio digital desde que nada existia, nada, nada assim.
Não tinha malha de transporte, não tinha meio de pagamento, ninguém sabia o que que era AdWords. Quando você chegou era tudo mato alto, tudo mato alto, era um monte de jovem se metendo a resolver tudo no Excel, no PowerPoint, no Photoshop. Isso, cara, onde que eu caí? Mas era um mundo que sempre me encantou, que é o de engenhar. Sou engenheiro de formação, eu nunca exerci a engenharia, engenharia mesmo do CREA, sabe, com a carteirinha, mas eu sempre gostei muito de engenhar. O papel em branco, ele é o prazer da minha vida. E de lá eu fiz uma carreira no setor de e-commerce em algumas empresas e fui ganhando amplitude horizontal. Então eu comecei em compras, atuei em marketing, fui cuidar de criação, fui cuidar de produto, fui cuidar de desenvolvimento. Enfim, segui uma trajetória longa e de amplitude horizontal. Eu acho que esse fecha um primeiro bloco da minha vida como executivo de varejo multicanal. Depois eu fui empreender, acho que com todo esse aprendizado que eu tive durante a vida, eu fiz uma rodada de um ciclo olímpico de empreendedorismo numa empresa de full service de e-commerce, que foi a Taticus. A gente fez a saída para a InfraCommerce quando a InfraCommerce fez a abertura do IPO, consolidou o mercado.
Durante essa trajetória minha de empreendedor, eu me aventurei em outros terrenos que eu sou apaixonado, a mentoria de empresários pela Endeavor. Eu tô, sei lá, no meu décimo, acho que oitavo projeto que eu tô lá na Endeavor mentorando. Também aprendi que a paixão da minha vida, de longe, é entrar numa sala de aula e dar aula. Assim, a sala de aula é onde eu me realizo plenamente. E continuo. Agora no fim do ano eu voltei a dar aula na USP, então pô, um negócio que para mim é um enorme prazer. E eu tenho feito muita mentoria de carreira recentemente assim, porque muita gente tem me pedido. Eu tenho conseguido encaixar pouco na minha agenda, mas eu gosto tanto de apoiar carreiras também. E acho que esse intuito de apoiar pessoas é o que eu mais gosto, é por isso que eu gosto de dividir, independente do ambiente que eu esteja, ainda mais estando num ambiente de amigos aqui. Eu fico super feliz de poder colaborar. E eu também tive a experiência de ser conselheiro, e a experiência de ser conselheiro na West Wing pós-entrada do fundo, pré-IPO, também me abriu outra dimensão mental assim. Você começa a se colocar numa outra posição, com uma corresponsabilidade sobre gestão da empresa, mas um papel muito legal, né, que é um papel de apoiar e também de julgar o executivo, né, que tá na outra ponta.
Mas de tocar em assuntos estratégicos mesmo, assim, não é o dia a dia do ROAS da mídia, do desenvolvimento do código, é o que vamos ser, como queremos ser, como vamos nos propor, o que seremos, qual valor teremos. Depois da vida empreendedora, que eu também tive a chance de ter essas experiências além, eu decidi para mim que eu ia ter algumas rodadas de trabalho que iam me engrandecer, Pra lá no final da vida produtiva mesmo eu virar esse cara que apoia pessoas sempre sendo o meu tempo. Uma delas foi passar por uma grande corporação e eu fiz o meu outro ciclo olímpico na Vivo, onde eu aprendi horrores sobre governança, uma empresa que é estruturada de ponta a ponta, que tem papéis muito bem declarados, rituais muito bem orquestrados e, cara, uma empresa hiper sólida. Que vem de necessidade, né? Assim, é água, luz e internet, né? O ser humano não vive sem. E é uma outra realidade também onde uma empresa de 30 mil colaboradores, 15 vice-presidências, mais de 100 diretorias, o teu papel é muito de se colocar no lugar certo, com a palavra certa, na proposição correta, com as alianças bem feitas, porque senão você também não promove nada.
E esse aprendizado de governança para mim foi Riquíssimo, riquíssimo. Eu sou hiper e eternamente grato à empresa. Mas também acabou esse ciclo, né? E eu sou muito movido por aprendizados. E como eu falei, tinha duas experiências que eu queria ter fundamentalmente e eu tô numa próxima agora. Eu assumi o marketing e a cadeira do digital da Loja do Mecânico, que é uma rede de B2B de equipamentos para profissionais. A gente é uma rede de 1 bi e 800 de faturamento ao ano. Temos presença em loja, call center, e-commerce. E agora estamos com um negócio B2B, B2B mesmo estruturado para fazer. Fomos aportados por dois fundos alguns anos atrás e estamos nesse change management de uma empresa que foi familiar, tem uma história riquíssima. Assim, cara, o Gurgel pode ficar aqui horas contando a história dele, é super encantador. E eu estou com a missão lá então de desenvolver o digital e aí o assunto vem à tona que a gente vai falar aqui de mídia que também Aí a AI está presente, de produto que a AI também está presente, de marketing a AI está presente e é a primeira vez que eu também estou tocando marca, né?
Estou com a responsabilidade de marca e comunicação. E enfim, estou aplicando AI como eu não podia aplicar na minha vida anterior e eu talvez, com certeza eu vou ser o menos técnico aqui dos entrevistados de vocês, mas as minhas experiências têm sido incríveis, eu virei um outro profissional.
Você que pensa, Você vai entrar no técnico aqui com a gente também, cara. Essa é uma versão resumida do currículo dele, tá? Não deu para fazer mais curto. O rapaz realmente é fera. Walmart, CVC, a última grande experiência na Vivo e agora na Loja do Mecânico. Então nós vamos conseguir ter uma visão de alguém que tem um conhecimento muito grande, experiência em marketing digital, em e-commerce desde os primórdios.
Agora, Fred, antes da gente mergulhar na nossa pauta aqui e conversar sobre AI de fato, o Fábio falou uma coisa para mim que eu acho muito interessante a gente trazer, né? Você entrou no começo da internet lá em 2004. Como é que foi essa decisão? Não deve ter sido fácil. O que que aconteceu? O que que tava passando na tua vida nesse momento Por que que você embarcou nessa?
Ela era a minha decisão menos óbvia, mas eu acho que eu já tomei várias decisões menos óbvias na minha vida. E eu normalmente gosto dos terrenos menos óbvios. Cara, eu era candidato profissional a programa de trainee, fazia de manhã, de tarde e noite, manhã, de tarde e noite. Dentre as oportunidades que eu tive, eu tive em indústria de bebida, eu tive em indústria de gás, eu tive em indústrias muito muito grandes assim, né, muito sólidas, conhecidas, sabe? Você conta para tua mãe, ela sabe o que que é. Mas no Submarino eu encontrei um ambiente quando eu comecei lá atrás. Esse ambiente, a começar pela minha entrevista, eu fui entrevistado pelos caras, a minha entrevista final durou 10 minutos. Eu saí de lá, eu tinha certeza que eu não tinha passado, certeza, certeza. Eu entrei lá, o Shino Harada era o diretor comercial e marketing. Num canto da mesa tava um gerente comercial que era o Bonfá, no outro tava Marcelo. O Marcelo depois foi presidente da Magneti Venda, tal, seguiu outra vida. O Bonfá também seguiu a vida dele lá, é presidente da Van Privé, mora em Milão. E o Chino, meu, tocou lá N negócio.
E aí a entrevista deles foi, ó, esse aqui é o seguinte, você falou que você é corintiano, né? Então durante o processo, durante o processo a gente quis validar que você é engenheiro, né? Engenheiro, sou engenheiro. Então é o seguinte, ó, melou o campeonato, Tá aqui as probabilidades de ganhar, empatar ou perder num triangular final com o Fluminense e com o Inter. Eu lembro bem que foi o ano lá que melou o Campeonato Brasileiro. Falou, as chances de ganhar dentro e fora de casa são essas, monta a melhor tabela para ser campeão e as regras do jogo são essas. Aí me deram um quadro em branco, eu fiquei lá, joguei as probabilidades. Falou, a melhor tabela é essa, você acha que é isso? Falei, eu acho que é isso. Falou, por quê? Contei um pouco da estatística que eu montei. Ele falou, então tá bom. Falei, você não quer saber mais nada de mim? Não, pode ir embora. Aí eu falei, mas você não vai me perguntar nada? Aí ele falou assim, não, esse book aqui de candidato, a gente já sabe tudo de você. Eu tinha certeza que eu não tinha passado, mas cara, quando eu passei, entrei naquele ambiente, cara, era um ambiente que naquela época era extremamente disruptivo.
Eu cheguei, os caras estavam de chinelo, o batismo da turma que entrava era dançar a música da Gretchen com roupa de mergulhador em cima de uma passarela de mesas. Falei, cara, eu não vou sair daqui, eu tô na faculdade, eu tô na faculdade. E ao mesmo tempo, tudo que você colocava a mão, porque nada existia, eu lembro de montar, o cara chegou para mim e falou, como é que sabe como funciona o AdWords? Falei, não, eu preciso de espaço publicitário para vender meus produtos. Aí me explicaram como é que era, sentei com o cara que cuidava, que era o Edu, que depois eu trabalhei com ele em outros lugares, a gente fez um algoritmo no Excel. Que puxava base de SKUs com o nome. A gente falou, concatena isso com isso, com isso, monta URL a partir disso. Entendi o que que era o TM, como é que marcava lá e tal. A gente botou uma máquina de criação de anúncios. E aí é o engenhar, né, cara? O engenhar é uma delícia. O engenhar pra mim é uma delícia. Então foi muito pouco óbvio essa minha entrada, mas eu caí num ambiente tão fértil, cara, porque era muito fértil, né?
Sim, hoje eu vejo, você vai lá no baixo, a constelação de e-commerce, não sei se vocês já viram isso, mas tem uma constelação de e-commerce que bota plataforma, player de logística, você bota tudo lá, cara, é uma parede de KK assim, ó, não acaba, não acaba, é empresa atrás de empresa. Na época não tinha ninguém, não tinha ninguém. Então foi muito legal desbravar isso assim, as empresas com as quais a gente se relacionava eram empresas que não sabiam nem que a gente era. E eu acho que eu comecei a conduzir muito do repertório que você vai criando durante a vida para falar, cara, se eu juntar isso com aquilo dessa forma, talvez dê alguma coisa. E putz, eu sou muito grato aos lugares que eu passei, assim, o Submarino em especial, porque foi onde eu aprendi que eu tenho realmente prazer de trabalhar.
Eu quero puxar essa experiência que você teve no começo da carreira. Você escolheu por trabalhar na internet. E você disse que não foi uma decisão óbvia. Faz um paralelo para mim do advento da internet naquela época com o advento do que você está vendo de inteligência artificial. Tem similaridade?
Ah, eu acho que tem bastante. Eu vou te contar, minha última mudança de carreira, sei lá, se eu fosse colocar em 3 big issues, o poder atuar com inteligência artificial estava nas 3 do topo de longe. Porque estando numa organização muito estruturada, que valida muita coisa para poder botar na mão, o que não tá errado, né? Porque, pô, ela tem um teto de vidro muito grande, 30 mil funcionários no administrativo para controlar. Então tem que validar mesmo as coisas para serem usadas. Mas o fato de eu estar limitado a usar era o mesmo sentimento que eu tinha lá atrás, porque a única diferença que eu sinto hoje É que a visão que eu tinha antigamente era de uma grande onda que tava vindo, e que essa grande onda eu tinha, eu podia, tinha duas opções: ou eu me jogava para surfar essa grande onda que já tava vindo, ou esperava todo mundo surfar e corria atrás depois. Mas tinha tempo, tinha tempo. O que eu sinto agora é que não é mais possível esperar, porque depois de uma onda já vem a outra, depois já vem a outra, depois já vem a outra, depois já vem a outra.
E o sentimento que eu tenho hoje é da mesma libertação que eu tenho lá atrás, que é da mesma forma que eu apostei na internet, ter apostado que ia me transformar num profissional muito diferente do que eu era e que não dava mais para esperar, porque as ondas são muito rápidas. E cara, eu vejo hoje em situações que eu entro assim, eu tô acabando minha formação no IBGC de conselho e as discussões lá, eu nem sou Nem expert no assunto, eu sou um usuário talvez early adopter da coisa. Mas as discussões que a gente tem e o nível de troca, eu falo, cara, a galera não usou nada, nada. Eles não têm noção do que é. E eu era assim, porque há poucos meses atrás eu também não podia atuar com isso. Hoje eu vejo, cara, que é um negócio que é um asset tão importante na vida e um dos meus acessos de carreira sempre foi a inovação e a tecnologia, eu não podia perder.
Cara, isso para mim é muito interessante, porque é a primeira vez que a gente ouve aqui de um entrevistado que ele mudou de emprego para poder usar AI.
Mudei de emprego.
Então assim, tem um call para mim de que, cara, as empresas que estão limitando o uso de AI possivelmente percam talentos.
Mas não tenho dúvida, eu não tenho dúvida. Se não estão perdendo talento, estão limitando seus talentos. Cara, o que tem de gente brilhante que podia estar usando isso lá dentro. Eu falo com eles hoje assim, você não perde contato, né? Você larga lá um cordão umbilical. Eu falo para eles, cara, tem muitos assuntos que a gente resolveria de uma forma completamente diferente do que a gente resolveu. Mas cada organização tem as suas características e os seus graus de como é que encaram Inovação, né? Eu acredito muito que um KPI que tá muito ligado aos lugares que me geram felicidade de trabalho é a quantidade de inovações validadas que essa empresa tem. E inovação não necessariamente é tecnologia, né?
Processo, tudo, né?
Processos, modelos, modelo de trabalho, modelo de onde sentar, sabe? Coisa que para mim faz toda a diferença, faz toda a diferença. Mas eu não tenho dúvida que eu fiz uma opção certa nesse sentido.
E agora na Loja do Mecânico você já tem uma liberdade de utilização de inteligência artificial muito grande.
Enorme.
Conta um pouco, como é que vocês estão usando? Quais casos de uso?
Eu acho que para começar a contar essa história é importante contar que em determinado momento a organização precisa se organizar para usar. Porque os indivíduos vão usar, mesmo em lugares controlados, o indivíduo ele usa de alguma forma, né? Nem que seja na máquina dele em casa, no home office, manda texto por email, muda lá, vai acontecer. Agora, quando o cara começa a usar mesmo, o problema é ser assim: você tá usando o GPT, você tá usando o Gemini, eu tô usando o Claude, você tá usando uma base, você tá usando outra, eu tô usando outra. Da mesma forma que BI e relatoria não bate se partir de lugares diferentes, Vai chegar uma hora que as IAs vão ter que se comunicar por você ou sem você. E a gente tá nesse estágio, assim, bom, agora a gente já sabe que todo mundo usa aqui, ninguém mais se nega que tá usando. Agora é como é que a gente organiza para o nosso uso ser colaborativo entre nós. E esse é o momento que a gente tá. Se for falar sobre casos, eu acho que assim, a empresa toma, e um dos motivos pelos quais eu queria entrar inclusive, é que Um co-founder, ele é o cara de tecnologia e ele é entusiasta de tecnologia.
Então assim, o que o Thiago fala e faz é porque ele ama o negócio e a tecnologia. O que ele fez? Ele estruturou a empresa para usar durante muito tempo, sabe? Assim, o MarTech feito para uso, ele é muito bem feito. Arquitetura e aplicação, ela é muito bem feita. Então se você quiser explorar do ponto de vista de análise, É só usar, é só usar. Obviamente tem que escrever um prompt direito, criar o teu agentezinho lá que vai fazer o trabalho, tudo bem. Mas a gente já— eu vou dar alguns casos básicos de uso aqui. Não sei os outros casos que contaram para vocês, mas vou falar. Eu não entro mais numa reunião sem gabarito, não entro mais numa reunião sem gabarito, porque eu sei quem vai participar. Se sou eu que vou apresentar, eu submeto o meu documento primeiro, submeto o meu documento para ver se ele tem coerência. E ela fala, ó, toma cuidado que esse slide aqui não bate com aquele. Vou lá e pá, corrijo. E eu tenho para mim uma coisa que eu aprendi muito na Vivo, que é que a ordem gera progresso e essa ordem tem fundamento de governança.
Então, quando eu vou apresentar alguma coisa, o meu modelo é mackenciano. E o meu modelo mackenciano, o bot, a AI sabe o que é. Então eu falo, ó, pega isso aqui, analisa e me dê todos os toques que eu tenho que corrigir para um modelo mackenciano. Ele me dá em linguagem mackenciana. Título, manchete, sabe aquela coisa marquesiana? Então isso dá um outro quê de qualidade também, porque quando você vai apresentar é aquele negócio, né? O slide marquesiano tem o quê? A manchete ela diz o que tem todo, não precisa ler o slide, a manchete diz tudo. Então é outro padrão do que você apresenta, você tira as incoerências, o padrão da apresentação e o enredo você testa, né? Você fala, putz, Ó, meu objetivo é esse, as pessoas que vão estar lá são essas, o histórico é esse, o meu atingível é esse. Então ele te dá o que prestar atenção, o que tomar cuidado para falar, o que você deve defender, quem você tem que amarrar com o quê. Só, cara, é meio que fazer prova com cola. Só que também para fazer a cola você dá um trabalho para produzir, né? Você precisa pensar nela, você precisa pensar nela, senão não serve.
Você não vai fazer prova de química para fazer prova, para prova de geografia, não vai dar certo. Então isso a gente usa, a gente usa assim nas nossas reuniões mais importantes e com os nossos times, no meu time especialmente, a gente usa. A gente não entra em reunião sem gabarito.
Eu amei, porque ele é simples, é besta esse caso, né? Não tem nada de sofisticado, porém ele traz uma eficiência grande para o time, né?
Não, reunião é outra, é outra reunião, é outra reunião.
E você foi o primeiro convidado que dá esse, nesse nível de requinte de generosidade, como a pessoa pode ser melhor amanhã. Sim, você acabou de, sim, quem tiver escutando a gente, ouça as palavras do Fábio aí com calma, porque você acabou de deixar claro como é que você pode ser melhor amanhã.
Mas isso foi muito legal, perigo que tem é a rejeição, né? Por vários motivos pode se rejeitar quem usa. Eu já ouvi falar que o cara é preguiçoso, que não confia, que blá blá blá. Você fala, cara, mas eu não tô falando de ser AI only, eu tô falando de ser AI first. Então, para mim, a AI ela não faz tudo que eu faço, mas ela me empurra. Fala assim, ó, a direção é para lá? É para lá, não vai para cá porque é para lá. Quais são os guard-rails? Tem na esquerda ou na direita? É isso que ela faz, ela me dá condições de ser mais eficiente, mas quem diz para ela o que eu quero Para onde eu vou, com o que que eu tô contando, quem são os elementos, sou eu, sou eu. Então ela me coloca isso, ela me dá muito mais poder de gestão, uma embalagem muito melhor do meu trabalho, uma capacidade de diálogo de outro nível. Isso serve em qualquer reunião, assim, reunião de resultado de venda, reunião com o conselho, não importa, não importa. Ela é muito, eu sou muito melhor com ela do que sem ela, muito melhor.
Essa é a tecla que a gente bate desde o primeiro episódio: pensar AI first te traz superpoderes, mas muitos.
E aí vem a pergunta, né, nesse estilo de uso que é um uso para as atividades do dia a dia, existe alguma atividade no seu dia que você não usa AI?
É, então agora a gente ficou no risco de virar dependente. Eu já me acho dependente. Eu já me acho dependente. Às vezes eu nem preciso revisar um texto, eu vou lá e reviso um texto.
Às vezes o texto é de duas linhas, né, que você quer fazer, e aí você vai lá e escreve um prompt de 4.
Mas se você já fez teste, né, você revisa coisa do teu passado e fala, meu, isso aqui eu achei que foi muito bem feito. Você bota para ela e fala, ó, julga para mim. Você vê que podia ser melhor, você vê que podia ser melhor. Então eu acho que isso é, isso é, eu, como diz aquela velha máxima, né, assim, eu não acho que a gente vai, 100% de nós vão perder os empregos por acompanhar, mas que quem tá usando vai ter vantagem, vai ter vantagem. Isso aí eu não tenho a menor dúvida, a menor dúvida. E é legal quando você vê que quando você força adoção, especialmente em gerações mais novas, elas promovem adoção nas gerações mais velhas. Porque invariavelmente assim, o gestor ele é mais velho que o cara de baixo.
Reverse mentoring.
Mas cara, se você enfia no cara de baixo, o que que eu fiz lá? Eu fui discutir licença de uso. Aí falar, para quem que dá? Eu falei, dá para esses caras aqui que eles vão promover o uso do chefe. E é dito e feito, porque a hora que o moleque chegar lá com o negócio que o chefe dele fala, nossa, é bem feito esse negócio aqui, ele também tem que começar a usar, porque senão ele fica defasado, ele fica defasado. Então, cara, eu, a mudança, a mudança do ambiente, a mudança com o nível das discussões é outro nível de discussão, é outro nível de discussão. E a gente tá criando a persona de tutoria nossa, né? Então assim, eu falei, ó, para nossa empresa nessa situação, o nosso tutor mentor, ele tem que ser como? Com referências quais? Quais referências de filósofo? Quais referências de administradores? Quais referências de visionários? Quais referências? Aí tem referências do esporte, porque você cria o personagem mesmo, né? Aquele avatar ali é o avatar que nos auxilia no dia a dia. E todo mundo usa o mesmo.
O Fábio é muito criativo.
Então todo mundo usa o mesmo.
Ele tem, ele me falou desse uso, que ele criou um mentor pessoal.
É da minha carreira.
É um agente de AI que ele treinou para mentorar ele. Então ele vai entrar na reunião ou ele vai discutir algum assunto com alguém, ele usa esse agente. Aí eu perguntei, como que você treinou esse agente? Ele falou, cara, Eu gosto do Ayrton Senna pela coragem. Então eu falei, use, você tem a coragem do Ayrton Senna, você tem o conhecimento de Platão, você tem o—
ele foi dando o caráter do Jô Soares. Sim, você montou, eu acho que eu vou ser processado por várias marcas, mas isso é genial, né?
Você montou o ideal de uma pessoa que você queria que ela existisse para te aconselhar.
Por meio de AI. E aí, como essas são pessoas públicas com muito conteúdo distribuído na internet, ela consegue, ele me traz menções, fala assim, ó, o Ayrton Senna usaria esta frase.
Quantas brigas de relacionamento você evitou com essa mentoria aí?
Vários acertos também. Isso é muito bom, porque dentro, na composição do meu mentor, tem uma linha psicológica. Com certeza, que eu gosto muito de uma psicóloga, que eu falei que eu quero ter alinhado a determinados preceitos dela.
Aí você é um cara da academia que passou por um monte de empresa, tem a veia curiosa, então você vai trazer o máximo de elementos sempre, você vai continuar refinando esses fomentos aí.
Para mim o negócio é isso, é engenhar com curiosidade e abertura, porque sem curiosidade e abertura não tem como usar. Fala, cara, se você não tem curiosidade e abertura, nem vou te dar uma licença. Porque vai perder tempo, vai perder tempo. Você não vai ter curiosidade de entender, você não vai ter abertura para se questionar e falar: porra, eu era, eu hoje eu sou melhor do que eu era antes, eu não sabia fazer tal coisa como eu acho que eu sei fazer. Se não tem essas duas coisas, é melhor nem ter, é melhor nem ter.
E ó, você é um cara hoje melhor do que você era ontem, tá fácil para mim afirmar isso aqui. Chegou lá na Loja do Mecânico, faturamento sensacional, igual você tá falando, juntando cadeira de digital marketing e comunicação, coisas que você até então não tinha feito. Qual é a próxima fronteira? O que que a AI vai trazer para loja do mecânico?
Cara, assim, a gente pode pensar da porta para fora. A gente colocou um agente, porque assim, ó, que que é o fundamento do nosso cliente? Ele não compra porque ele quer, ele compra porque ele precisa, porque ele vai trabalhar. Ele não pode errar a compra porque invariavelmente ele não tem muito, não é, não estamos falando aqui da Coca-Cola que vai lá comprar equipamento, não é a Heineken, não é a Mercedes-Benz, são O cara é o mecânico, o azulejista, esse cara que vai lá. E pô, e o produto é técnico, né? Como é que o cara escolhe um produto técnico? É do mesmo jeito que você escolhe suplemento da academia, porque alguém te falou, porque você viu alguém usar. E as referências são alguém, qualquer alguém que você confia, mas não é que alguém que você confia e sabe do que tá falando necessariamente. Então um dos trabalhos que a gente fez de fundamento, que a empresa já fez faz tempo, foi juntar tudo isso numa base de informação única para um LLM bebê. Então lá tá, cara, tem conteúdo da indústria, tem conteúdo do produto, tem manual de instrução, tem todos os produtos, as produções de conteúdo que a gente já fez na vida.
E tem muito conteúdo que produziu porque é técnico. E como qualquer LLM, a gente vai somando as respostas positivas para ajudar outros clientes no futuro. Então assim, se você entrar hoje pelo app numa página de produto qualquer e falar: ah, eu sou Fred, não entendo nada de marcenaria, tô com essa mesa quebrada com essa composição, tô precisando consertar ela, não tenho nada, mas eu comecei por essa furadeira, eu queria saber se ela me atende. Aí ele vai te falar: olha, talvez por isso, por isso, por isso, mas me fala um pouco mais. Aí você vai falar: quantas vezes você usa? Ah, eu uso uma vez e nunca. Ele vai falar: então essa pode ser uma furadeira para você. Ah, por quê? Por isso, por isso, por aquilo. Agora, isso para tirar dúvida de alguém que tem uso doméstico. Para alguém que é técnico, cara, é uma discussão. Você começa a ver as interações e a gente começou a pilotar isso em loja para o vendedor, porque melhor do que treinar o vendedor tecnicamente de tudo, sendo que ainda, além de tu ter turnover de vendedor, que é normal, né, é muito conteúdo. O cara não tem como aprender, ele não tem como aprender sobre uma desempenadeira, um elevador de carro, uma serra, um gerador, um compressor, uma máquina de solda tudo ao mesmo tempo.
Agora, se tiver um totem onde ele chega lá com o cliente, falou, faz a pergunta aqui, aí ele vai escrever a pergunta, texto livre, texto livre, como se tivesse no OpenAI.
E texto e áudio?
Não, só texto, só texto. Também vou ler, só texto, cara. Ele responde assim, a gente fez o, a gente subiu agora no aplicativo, dá de todo mundo que usou versus todo mundo que não usa. Primeiro assim, é O uso ele tem que ser amigável, né? Porque ele tem que ser alguma coisa que o cara entenda que não importa o nível de conhecimento que ele tem, ele pode usar. Então isso a gente tenta deixar o máximo claro possível. Mas a conversão de quem usa versus quem não usa, ela é o dobro. Ela é o dobro. Uau! Ela é o dobro.
Caramba!
O cara chegou na página de produto, imagina, você gastou um caminhão de dinheiro para trazer o cara para visitar o teu produto, ele chegou lá Ele tem, pode usar ou não usar o LDM Intelligence, que a gente ainda não batizou, mas vai ser um nome de batismo mais legal. Ele usa o Intelligence, quando ele usa, a conversão dobra de quem não usa.
Deixa eu aterrissar o povo, pessoal. A gente, ele tá contando aqui um caso de uso dentro do e-commerce, dentro das páginas de produto, tem um botãozinho lá, tire suas dúvidas, na Loja do Mecânico, que é para você dialogar sobre o produto que você tá com dúvida. Então são produtos que geram muita dúvida porque são muito técnicos. E ele tá dizendo, o Fábio tá dizendo que é esse, essa AI, que no fundo é um GPT treinado, né, produz uma conversão o dobro do que se não usar essa, essa inteligência artificial. E de novo, me encanta pela simplicidade, porque tem uma coisa aí que é difícil, que é você ter todo esse material de treinamento, né? Você ter todo o manual de instrução dos produtos, você ter ele digitalizado, você ter todos os conteúdos que você produziu e ter produzido bastante conteúdo. Então todo esse material de treinar um agente não é tão simples, mas do ponto de vista de aplicação e uso é uma coisa simples.
O add to cart é de 3,4 para 7, adição no carrinho, de quem usa conversa com quem não usa. Isso que a gente tá na primeira etapa. A primeira etapa é dentro da parte de produto para tirar dúvida sobre o produto. A gente vai avançar ele para ir para o front mesmo, para ser um campo aberto na entrada. Para você nem chegou no produto ainda, você vai lá contar tua vida. Você conta tua vida, ele vai te falar, bom, a lista de opções que só que te atende são essas. Inclusive falando, olha, você tem que comprar isso com aquilo, sem, com isso aqui, porque senão você não vai resolver tua vida. Como se fosse assim, ó, eu quero fazer uma receita de macarrão à carbonara, não sei nem por onde começar. Vai falar, tá bom, então você precisa disso, disso, disso, disso, disso, que se você tiver o ovo, você não precisa, você pode evitar o ovo.
Você abre o leque para um patamar que você ainda não tinha.
Não tinha. E para um produto técnico, né, porque é extremamente técnico. Eu não tinha a menor ideia de várias coisas assim. A gente fez um workshop para dar uma testada no conceito sobre máquina de solda. Meu, máquina de solda, para mim, eu só via aquela que, que do microcomponente lá, sabe, que o cara vai lá na 25 de Março lá e vai lá. Tem os internos, tem os externos, tem a gás, tem, meu, tem N características e o cara pode gastar desde R$20 na canetinha lá até gastar R$20 mil no equipamento.
E qual o tamanho do portfólio de vocês?
50 mil SKUs.
Olha só, aí cai no que você falou.
Só para cadastrar, já precisa de AI.
Não, isso a gente também usa. O que que a gente usa para fazer esse trabalho? O primeiro foi, pô, o que que a gente é carente aqui? Nomenclatura. Porque a nomenclatura de biblioteca é difícil você definir um padrão, né, o que que é bom, o que que é ruim. E aí o primeiro lugar que a AI atacou foi mudar 100% da nomenclatura dos SKUs, 100% da nomenclatura dos SKUs, pensando não só o que o cliente busca dentro, mas como também usa a favor da nossa busca interna, porque a gente tem um appliance de busca interna dentro do site. Então sabendo como o algoritmo da busca interna funciona, mais como os clientes procuram fora, Mas você assume algumas coisas, né? Você fala, pô, se muita gente escreveu dessa forma, deve ser a melhor forma. Então quando você soma tudo isso e devolve, você vê um negócio que chamava assim, compressor H2P10. Agora ele é um compressor de tantos pés que para usar em blá blá blá blá blá blá, usando do limite de caracteres bom para indexação. Então você tem umas regras lá e ele foi passando, meu, ele passou rodo nas nomenclaturas. E é um negócio que, cara, é meio lógico, né?
É meio lógico. Então tudo que aproxima da lógica é de uso muito— de pensar no uso é simples. Construir a fundação para usar não, né? Porque, pô, a fundação para isso é treta. Mas a minha sorte é que já tava pronto. Então eu cheguei para— eu, como diz os cara de tecnologia lá, eu virei o impulsionador, porque tava tudo na gaveta, tava tudo na gaveta. E eu acho que tem coisa que não tem muito o que pensar assim. Você fala, cara, ah, mas eu não tenho certeza se vai ficar melhor do que o sujeito faz lá, porque a vida dele fala, cara, não tem como não ser melhor, não tem como não ser melhor. Se no mínimo você padronizar a execução de 30 pessoas que fazem a mesma coisa para fazer de uma única forma, já é muito melhor, já é muito melhor. Que seja vir para ele apertar um botão de concordo, já é muito melhor, é muito melhor.
Você é um entusiasta e com certeza um early adopter na pessoa física. Quais são as diferenças entre adoção na pessoa física e na pessoa jurídica?
Ah, eu acho que na pessoa jurídica você tem mais certeza do que você quer buscar, né? Na pessoa física é uma descoberta. Tem uma coisa que assim, ó, a pessoa física, eu tenho um negócio que assim, eu vou começar o seguinte: eu desde os 30 anos eu decidi que eu ia contratar muitos profissionais para me apoiarem na minha vida. Então assim, psicólogo, nutrólogo, nutricionista, fisioterapeuta, médico, mentor de carreira, cara, eu tenho um zilhão de gente que me apoia aí. Eu acho que vale a pena porque meu CAPEX, eu olho isso como CAPEX, é investir em mim mesmo. E tem uns cara que eu já confio mais, né? Então eu já me abro plenamente. Então assim, meu, todo mundo tem seus segredos íntimos. Meu segredo, minha psicóloga sabe. Eu não sei se eu falo muito para AI os meus segredos íntimos assim, ó. Já prefiro, né, dar uma guardada. Já não confio 100% em quem tá lá apertando.
Vou te dar uma dica: cria um agente e na hora da configuração do agente você escola lá para baixo e tira para o GPT não compartilhar.
Eu sei, mas não sei se tá tão, se não tem um escondido por trás desse aí, né? Não, e eu gosto da minha psicóloga, eu gosto da minha psicóloga, ela não perderá o emprego para uma AI. Não, mas eu, mas a vida pessoal ela me dá mais amplitude de usar meu repertório, usa muito mais da minha criatividade do que a mais experimentação. A minha vida profissional ela usa do meu poder cognitivo. A minha vida pessoal, ela usa da amplitude da minha mente, assim, cara, eu dou umas viajadas assim, porque eu também tenho um momento de encontro que é quando você pensa em ideia para empreender, né? Então você fala, cara, aí eu tenho uns momentos de ficar conversando com a AI, né? Todo mundo tem, né? Eu tenho minha lá que eu gosto de ficar conversando com ela. Então na hora de fomentar a ideia de negócio também, então eu não vou deixar de ter vontade de voltar a empreender na vida. Aí eu tenho umas ideias, eu gosto de ficar lá, mas para mim tem essa distinção. Como o trabalho eu tenho objetivos muito claros, Ela usa mais o meu poder cognitivo do que da minha criatividade.
A minha criatividade, meu poder de amplitude de mente, de pensamento, ela tá no meu uso pessoal. Mas em algum momento elas se conectam, porque assim, é o uso pessoal, é o uso extensivo pessoal e amplo que me gera condições de raciocinar na empresa.
Olha, isso é demais, Fred. Esse episódio aqui dava para ir, né, vamos por 3 horas a fio. Eu vou fazer a minha última pergunta para você, Fábio. Dá para estratificar de onde vocês estão hoje, quanto é da receita gerada por IA, e o que você acredita que vai ser o futuro da Loja do Mecânico? Para onde você quer conduzir essa régua?
Ah, hoje a gente tá baby steps ainda, né? Mas é um baby steps num berçário muito de muita liberdade. Acho que esse berçário de muita liberdade, quase que uma escola num clube, cheio de lugar para se desenvolver e com muito pouca amarra, né? Então assim, até porque se você for pensar do ponto de vista dos investidores, isso muda o múltiplo da empresa, né? Sim, uma coisa é uma empresa de varejo. Assim, eu por mim eu tenho duas teses de valoração da empresa, pensando em viver da empresa. Primeiro é, para mim não é uma empresa de varejo, ela é uma empresa de B2B. Cliente encarteirado, compra com recorrência, o RFM da empresa é bonito. Segundo ponto é o dia que a gente conseguir juntar todos os nossos assets de marca, de comunicação e de tecnologia, cara, aí eu acho que, aí eu acho que o múltiplo é completamente outro, é completamente outro. E essa marca ela tem um poder, né, porque como ela é nichada, ela tem 35 anos de existência, 35 anos de existência. Então ela tem uma marca muito forte, ela tem um público hiper resiliente, Hiper resiliente, carente de outro lugar. Então assim, você fala, pô, o cara entrar no Mercado Livre, tem um zilhão de SKU.
Tem, tem um zilhão de SKU misturado com boneca, com piscina, com videogame, com enfim, não dá assim, no X da coisa se perde. Você vai procurar algum, você vai procurar adaptador, a primeira coisa que vai vir adaptador, vai vir um adaptador de carregador de celular. E ele se mistura no resultado, assim, o conteúdo não é aquele rico, não vai te ajudar, não vai te orientar. Obviamente eles podem ir por esse caminho e se eles quiserem, eles destroem quem tiver na frente, mas não parece ser o que tá no roadmap de curto prazo dos caras. Então acho que se a gente conseguir fazer uma geração de tecnologia capaz de ser o melhor vendedor assistente que o cara pode ter no segmento de ferramentas, maquinário do Brasil, Eu acho que a gente ganhou um jogo de longe assim, porque é muito carente. Você pode ir na Florença de Abreu comprar. Você tem moto? Alguém tem moto? Não, você não tem?
Tem uma elétrica.
Então você quebrou alguma coisa, você vai lá. Qual o melhor lugar em São Paulo para comprar equipamento, manutenção? Florença de Abreu. Você vai lá, pô, Florença de Abreu, cara, experiência, com todo respeito a quem tem loja lá, meu, você tem que confiar num cara, você não sabe quem que é, ninguém nunca validou, vai te enrolar, não vai te enrolar, você pode O cara pode ser super honesto, mas você não sabe. Aí o portfólio é limitado, que é o que tá lá dentro daquela loja, que é o que cabe lá dentro. Você não tem um elo de confiança. Se você falar para mim assim, olha, eu confio mais no cara da Florencio de Abreu que me atende, sem ser seu amigo, né? Se ele não for seu amigo, eu conheço, confio mais nele do que na AI de vocês que tira dúvida de produto, eu vou falar que você tá louco, porque não é possível. Porque ela tá validada tecnicamente, ela tá validada tecnicamente. E eu acho que esse lugar de venda assistida no e-commerce, ele é um lugar vazio, ele é um lugar vazio.
A sua empolgação com a venda assistida é maior do que com a capacidade da AI gerar eficiência operacional? Ou você vê como coisas diferentes e que podem andar em paralelo?
Eu tenho certeza que em paralelo é que a eficiência operacional ela vai ser empurrada como uma avalanche em qualquer instituição.
Essa já tipo, na sua visão, é uma batalha que todo mundo deveria estar travando.
Não tem como fazer, né? Você fala assim, cara, sei lá, vou pegar a coisa, você pega a coisa que é muito operacional, muito operacional, não vou citar profissões senão pode causar outro tipo de efeito, mas assim, você olha dentro das empresas e fala, cara, isso aqui 100% operacional, né? Esse espaço ele vai sumir porque vai sumir, porque o capital vai exigir, porque já não é mais caro processar. Processar ainda é um pouco mais caro, mas guardar informação ficou nada, você não custa nada guardar informação, que era o grande storage, era o grande questão ano passado. Agora não é mais questão de storage, não é uma questão da aplicação, porque esse game da aplicação já tem lá os players que ganharam já. Então você já tem lá os LLM da vida que já vão resolver. Então no processamento e nos modelos já tem para usar. A questão é como é que você vai arquitetar e usar. E vai ter push dos investidores, porque seja, se for uma família, se for um fundo, se for aberto no mercado, vai ter push para usar. Não tem jeito, não tem jeito. Na Vivo a gente fez uma redução de call center com os da Aura.
Que a inteligência artificial de atendimento, que é um agente, né, cara? Como é que vai, como é que você vai lutar contra? Não tem nem como lutar contra. Então acho que isso aqui vai acontecer ser ou ser. Agora, enxergar espaços vazios de atuação e chegar logo, porque se antigamente era uma, a gente falava isso, né, em 20 anos atrás, quando começou a trabalhar, falou o negócio é de quem chegar primeiro, porque depois você chegou primeiro, você ganhou o jogo. E eu acho que ainda é o lugar de chegar primeiro. A venda assistida, eu tenho certeza que é um lugar que é de quem chegar primeiro. Para um produto técnico desse, cara, assim, e outra, construir a fundação para chegar lá e poder ter o dado acionável é muito extensa, leva muito tempo, investe muito dinheiro. Eu não vejo nenhum concorrente nosso com esse pátio fértil para brincar. Então quando a gente conseguir tirar dúvidas do cliente sobre o produto, ajudar ele a escolher e tirar todos os receios de compra, que aí acho que para mim é o último, a gente vai, a gente vai criar um outro modelo de relação de e-commerce. Que para mim a plataforma lá, campo de busca, categoria, edita o card, cara, eu acho que isso para mim é cartesiano demais para o Maia não vencer.
Sim, sim, eu acho que é cartesiano demais para o Maia não vencer.
É, e esse uso da venda assistida me vem muito na cabeça que os agentes no futuro têm valor monetário, né? Eu vejo muito como o surgimento dos apps, né? Quando lançou a loja ali do iPhone, tinha pouco app, pouca aderência. Hoje uma enxurrada. E os apps têm preço, ou você paga para comprar ele, ou você paga na hora que você usa, dependendo do uso. Eu vejo os agentes no futuro assim também, né, com o GPT tendo loja e contendo existindo agentes mais complexos que têm valor monetário.
Quer ver um outro exemplo? O fundo do iFood lá, o Fabrício Blaser, ele não fez investimento na Decolar? E para mim tem um fundamento isso. Comprar turismo é uma experiência horrível, é horrível, é horrível comprar tudo. Você vai comprar passagem, hotel, passagem, hotel e um transfer, é horrível a experiência, é horrível a experiência, porque não tem um agente para te atender. Imagina quando tiver uma, porque assim, o agente de viagem, eu sei do segmento onde eu trabalhei, o agente de viagem ele tem, ele tem motivos para existir, dentre os quais a segurança, por exemplo, né? Que você comprou, você comprou uma passagem que tem uma escala em um hub qualquer, pô, se der alguma merda com o teu voo, você perdeu o próximo, ele resolve o teu hotel, ele te bota em outro avião e tal. Então ele tem um motivo de existência, esse. O outro é te ajudar a decidir. E ele não só te ajuda a decidir porque ele vai entender quem vai viajar com você, se você gosta de tal coisa, se você não gosta de outra coisa, se você topa para pegar um transfer coletivo, se você nem pegar um carro sozinho, ele já congela a tarifa para você, para você poder tanto tempo para pensar, conversar com a tua mulher, decidir depois.
Cara, não tem por que uma tecnologia não fazer o que a gente faz no momento da venda e tirar todo o estresse da compra, porque é muito estressante comprar viagem, é muito estressante. E essa é uma outra venda assistida, cara. Eu tenho absoluta certeza que o lugar onde as pessoas mais vão se encantar em e-commerce vão ser as vendas assistidas. Porque você confia quanto no agente de viagem? Quando você vai começar numa IA da, sei lá, que seja da Decolar, da CVC, meu, você vai confiar, cara, 100%.
Um agente da loja do mecânico que vai me explicar sobre determinado produto, eu não vou encarar como, ah, possivelmente ele tá me enrolando. Ele manja muito do embasamento.
Técnico, né? Isso faz muita diferença.
E tem o lance da empatia que vence também, né? Porque não sei se vocês viram um caso acho que recente, foi de um agente do Salesforce, que ele recebeu um cliente que tava em luto, contando lá a história que perdeu alguém, eu não lembro se era mãe, alguém muito próximo. O agente recebeu, gerou empatia com o cara, não botou pressa nele em nada, recebeu, dialogou, dialogou, dialogou, dialogou, fez ele comprar. O cara ficou hiper feliz e ele tava conversando com a gente, ele tava conversando com a gente. Momento pior do que esse, porque assim, ó, não tem jeito. Assim, ó, a venda assistida ela acontece em 4 momentos, como qualquer call center. Você tem o primeiro momento que é— eu adoro, meu, adoro, adoro fazer carrapato em call center, eu adoro o processo de call center, aquele negócio faz pipô intenso, meu, adoro. Tem 4 etapas, não tem jeito. A primeira é a recepção. Você recebe alguém, você precisa descobrir quem é o cara do outro lado da linha. Pô, quando você descobre onde o outro cara da linha, o bom vendedor ele gera o primeiro, primeiro engate de empatia lá. Tem cara que até finge ter sotaque que não tem para conseguir fazer isso.
Nisso aqui ele tá coletando informação para compor uma oferta. Então começa o algoritmo aí, né, porque ele tá coletando as informações, falou que Vamos pegar como se fosse de viagem. Não, viagem parece que é um caso da seleção. Pega qualquer outro caso. Vamos pegar um uso de algum serviço. Falar quem usa. Aí eu, minha mulher e meus dois filhos. Ah, tá bom. Quando vocês usam? Como é que vocês usam? Nesse papo vai engatando já o que gosta, pela linguagem vai pegando o que gosta. Ele pega isso aqui, que ele faz? Ele joga no prompt mental dele. O prompt mental dele vai dizer: olha, com essas características eu tenho que te oferecer isso. Isso, mas o que ele deve ter empurrado, deve ter de meta para empurrar alguma coisa em você. Então ele fala: bom, coletei uns dados, joguei na minha máquina, criei uma proposta de oferta. Você vai falar não na primeira vez. Então você vai devolver para ele: ah, não, por isso, não, porque por isso, por isso, por isso. Aí ele vai te voltar com contrapartidas. Das contrapartidas ele vai começar a te falar: mas isso é caro comparado ao quê? Aí você, por acaso, pegar um caso: ah, eu fumo cigarro.
Mas comparado com cigarro, isso não é caro e vai trazer um benefício muito maior para tua vida. O cara habilidoso, ele consegue fazer isso, né? Consegue fazer isso porque ele coletou lá no começo as suas informações, do mesmo jeito que coleta num prompt, processou na cabeça dele e combateu as objeções. No final, o bom vendedor, ele faz a última coisa, que ele pega todas as informações que ele coletou durante aquele tempo e te bota num checkout de one-click shop, que ele fala: então é o seguinte, ó, já que eu já peguei teu CPF, teu número, já boquei o hotel para você. Vamos pegar aqui uma viagem. Já boquei o hotel para você, ou seja, reservei a passagem, o nome da tua mulher eu já sei. As duas crianças têm quantos anos? Ah, uma tem 12, né? Outra, tá bom, tá fechado, vou te mandando por email. Isso aqui tudo é atuação de um agente, né? Por isso que ele chama agente de viagem. Por que que ele não pode? Por que que a gente não consegue? Por que a gente não vai criar um negócio desse online, friendly, por voz, que depois gera um documento que vai para tua caixa, que você dá aceite digital?
Cara, conecta no teu wallet do celular, bicho. Assim, eu acho que isso tende a revolucionar a experiência de compra online para muito melhor do que a loja, especialmente as compras complexas. Complexas, tem que juntar muita coisa, que tem muita gente para decidir, que o produto é muito técnico. Essas são as compras que o e-commerce foi vencendo aos poucos numa velocidade muito baixa, porque vender Commodity é fácil. Commodity é uma questão de conseguir distribuir, você precisa conseguir entregar para o cara. Porque, meu, você vai botar lá um iPhone, que dificuldade tem? Você tem um bom preço e distribui para o cara rápido. Agora, conseguir vender um produto técnico é outro papo, né?
É outro papo, toda cena dúvidas, comparativo de produtos.
Por isso que você olha os casos de agentes de banco, de telecom, é outro nível, é outro nível, é outro nível de banco. Então, cara, de banco, gente, a gente cometeu um pecado aqui nessa sessão.
Não, a gente foi consumido pelo entusiasmo. Exatamente. Mas olha, impressionante esse episódio foi para mim. Sim, acho que a gente conseguiu trazer para tona que a nossa essa proposta de ser enquanto podcast coisas que são muito práticas, reais e de valor para as pessoas. Eu vou para casa hoje, eu vou fazer o meu mentor. Não, eu não tinha, e eu achei genial, genial. Então queria te agradecer muito, foi um baita papo aqui. Eu como co-host tô saindo hoje melhor do que eu cheguei, igual você quando foi, tomou a sua decisão. A decisão de vir te entrevistar hoje tá me fazendo melhor do que eu cheguei aqui.
É incrível como a gente aprende com essas conversas aqui. Espero que vocês também tenham aprendido bastante como a gente. Aqui é o primeiro podcast nacional para discussão de inteligência artificial nos negócios. Comentem, curtam o canal, os comentários são lidos, a gente usa os comentários para bolar perguntas para os próximos entrevistados. E se vocês tiverem alguma recomendação de entrevistado, também podem escrever aí para gente.
Valeu, Fábio, cara! Obrigado aí pelo convite, é sempre um prazer, cara. Eu gosto muito de conversar, mas eu gosto muito de falar sobre as minhas experiências, porque eu acho que eu aprendi em mentoria que você não fala o que o outro tem que fazer, você coloca as tuas experiências à prova para o outro se espelhar. E de certa forma inspirar, né? Porque você fala, cara, eu já passei por algo parecido e a forma que eu lidei com isso foi isso. Pelo menos essa é a metodologia que eu aprendi na Endeavor e que eu continuo aplicando. Então, se serviu desta forma, minha experiência também, além das que estão aqui, eu deixo totalmente aberto, meu LinkedIn é super acessível e a gente troca ideia. Eu tenho esse prazer grande na minha vida, assim, apoiar pessoas é o meu grande prazer, um dia eu vou viver só disso. Mas eu ainda tenho muita lenha para queimar. Obrigado pelo convite, me chama aí para a próxima.
É isso aí, muito obrigado.
Valeu, gente, até a próxima!
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.