
Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.
EP 05
IA, Vantagem Competitiva e Empreendedorismo
Se você quer entender onde estão as maiores oportunidades da IA e como incorporá-la na sua estratégia, este episódio é essencial.

CONVIDADO
Santiago Fossati
KASZEK
Transcrição do episódio
Olá, somos o podcast AI First Cast. Eu sou Fred Pericini, fundador de gaspers.ai e agência F2F. Fih, meu grande parceiro.
É isso aí, co-host aqui com você, mais um para conta, Fred.
Bora!
Legal! Bem-vindos, pessoal! Hoje nós temos um convidado muito especial, um cara que está num fundo grande, gerencia e toma decisões grandes que estão influenciando o mundo das startups e dos negócios, atua no Brasil. Vou passar a bola para ele, vai ser um bate-papo muito rico sobre AI e investimentos e oportunidades. Bem-vindo, Santiago Fossati! Bem-vindo ao AI First Cast.
Aqui a gente tem uma tradição, a gente não apresenta o nosso convidado. Então, nas suas palavras, conta para a gente quem é você, Santi.
Legal, obrigado pelo convite, Fred. Vou me apresentar muito rápido e vamos falar do mais interessante, que é o momento que a gente está vivendo no mundo. Eu sou Santiago Fossati, Eu sou sócio da KASZEK, trabalho na firma desde a sua fundação há 14 anos. Um pouco indo para trás, a KASZEK nasceu em 2011, fundada pelo Hernán Casay e o Nicolás Cecassi, que foram parte da equipe que fundou a Mercado Livre em 99. Então eles viveram na pele toda a implementação da internet na América Latina desde 99, quando tinha 1% de penetração de usuários online até hoje, onde o Mercado Livre virou a maior companhia da região, não só de tech, mas de qualquer mercado. E em 2011, a Fundação da Cacequi teve muito essa visão de ajudar a criar a próxima geração de grandes empresas de classe mundial saindo da América Latina. A gente já captou 3 bilhões de dólares. E já investimos em mais de 100 companhias. Fomos os primeiros investidores em companhias como a Nubank, Quinto Andar, Gympass, que agora é WellHub, Creditas, Kavak, Nuvemshop, Bitso e várias outras. A gente é muito otimista com o impacto positivo que a tecnologia pode trazer nas sociedades e principalmente com o impacto positivo que pode trazer regiões como a América Latina.
Então, bem animados com tudo que a gente tá vivendo hoje.
Santi, você como investidor profissional, onde estão as oportunidades em AI na sua visão?
Tem sido uma nova tecnologia que realmente tem chegado ao mercado de um jeito muito impressionante. Há muitos anos se falava de machine learning, analytics, grandes modelos, big data, cloud, tinha um pouco esse caldo de cultivo do que hoje é a revolução de AI, mas o que tem acontecido nos últimos 3 anos é impressionante. Desde o lançamento de ChatGPT-3 e esses grandes modelos de linguagem que realmente têm uma interação com usuários muito sofisticada, a maioria das pessoas tiveram um momento assim de falar, putz, isso aqui é o futuro? E acho que o que mais impressiona é que aconteceu numa velocidade muito maior que outras revoluções tecnológicas. Se você vê a curva de adoção de rádio, televisão, demorou décadas. Mesmo a internet, que hoje a gente acredita que tem um impacto global impressionante, tem conectado 5 bilhões de pessoas no mundo ou mais, demorou vários anos entre as primeiras Netscape, os primeiros browsers, começo dos 90 e o momento atual. Mas no caso de AI, eu li uma estatística que já mais da metade das pessoas nos Estados Unidos tem um relacionamento frequente com inteligência artificial e usa praticamente no seu dia a dia. Então, talvez pela relevância que a tecnologia cobrou nas nossas vidas na última década, todo mundo teve um acesso mais rápido à tecnologia e todo mundo está um pouco mais antenado.
Então, acho que realmente é uma tecnologia, é uma plataforma que vai ter muita relevância no futuro, das nossas vidas e obviamente também no futuro dos negócios. E a gente hoje tem um portfólio de mais de 100 companhias, algumas já nasceram nativas desse mundo de AI, mas muitas que vêm operando há 10, 15 anos e todas estão pensando como implementar essas novas tecnologias no seu dia a dia. Tem múltiplas frentes sendo trabalhadas hoje e realmente tem sido muito, muito impactante.
É interessante esse ponto de serem investidas, todas elas já de alguma maneira estão olhando para uma implementação de AI, ou seja, mudando de alguma maneira o product view, né, a visão de produto, a incorporar e criar diferenciais com AI.
Agora, quando você pensa no mercado como um todo, tem algum setor que ele é mais fácil de pensar na adoção de AI e existem maiores desafios de implementação, ou você acha que tá tudo mais ou menos igual? Como é que você pensa?
O que eu acho é que em cada setor tem companhias que têm desenvolvido uma capacidade de evoluir e implementar tecnologia maior. E essas companhias claramente têm uma vantagem competitiva. E tem muitas companhias que hoje são líderes que vão implementar essas novas tecnologias e vão manter a sua liderança. E tem outras companhias que hoje são líderes que talvez não vão existir mais daqui a 10 anos. E quando a gente veja para trás, vai parecer óbvio, mas também vai ser surpreendente como essas companhias foram de líderes a companhias sem relevância. E vai ter, obviamente, e aí é algo que a gente acredita muito, uma nova geração de empreendedores que vão construir companhias muito relevantes, vão nascer com toda essa plataforma disponível. Mas o que a gente vê, só para dar alguns exemplos práticos, todas as nossas companhias, obviamente a gente investe em tecnologia, todas elas, grande parte do recurso que a gente dá para elas vai para contratar equipes de desenvolvimento. E todas as companhias estão usando ferramentas como Copilot para tentar acelerar a velocidade de lançamento de novos produtos, fazer o trabalho dos desenvolvedores mais eficientes, os melhores desenvolvedores falam: Putz, agora eu consigo trabalhar mais, ficar menos tempo procurando erros, porque eu tenho um assistente de QA, de Quality Assurance do código.
Eu acho que nós estamos vivendo um momento de transformação e ele tem um paradoxo, uma dicotomia, que de um lado, Tem os incumbents, que eles já têm dados e, portanto, a implementação dessa nova tecnologia tem a possibilidade de criação de valor rápida. Por outro lado, tem empreendedores com maior velocidade de criação de novos produtos. Então, um futuro bem interessante nessa disputa em todos os setores praticamente que envolve SaaS e tecnologia.
A gente vê muitas companhias que mantêm o seu modelo de negócios implementando AI, como falamos, para se evoluir mais rápido, para ter melhores canais de comunicação com o cliente. Agora você consegue fazer um Pix na Nubank só mandando um áudio no WhatsApp. Não sei se você já vê essa funcionalidade.
Não, sou cliente, mas não testei.
WhatsApp e você fala, faz um Pix para Freire de R$100, CPF XXX, e ele faz. Então, interessante, interessante. Tem companhias que estão usando muito bem AI no processo comercial delas. Aí um exemplo muito relevante do nosso portfólio, a Kavak, onde você quer saber qual é o teu próximo carro, que características ele deve ter, e você fala com AI, que uma pessoa no telefone Você fala, eu tenho filhos, viajo, preciso que seja 4×4. E ele entende que carro vai ter um orçamento de X, entende que carro vai ser o melhor carro para te servir, procurando uma base de dados de milhares de data que eles têm. Tem companhias também usando muito AI. A gente estava discutindo um exemplo prático hoje no escritório. Para, como se fosse um BI, um analytics, onde pessoas que não são técnicas conseguem fazer perguntas para uma base de dados e ter novas informações que permitem lançar um novo produto. Então, essas são implementações que são mais generalistas. E depois a gente tá vendo, e isso acho que é muito interessante para essa conversa, muitas companhias que já nascem com um modelo de negócios que hoje é factível pelo fato de nós termos esses modelos e que não era factível há 3 anos.
E são companhias que, mesmo sendo muito jovens, conseguem criar bases de dados muito relevantes. Então, concordo com você que esse acesso a informações proprietárias vira muito relevante e que muitos incumbentes têm acesso a essas informações proprietárias, mas também tem muitas novas companhias que criam informações proprietárias muito rápido e criam modelos acima dessas informações proprietárias que realmente elas conseguem montar um business.
E é o desafio de ser incumbent, você já tem uma via de geração de valor e o change management, a gestão da mudança não é tão simples de ser feita no negócio. As implementações… Plug and play, de que você coloca aí no produto, não é necessariamente AI first, né, pensada a princípio com AI. Talvez o player que venha com um produto página em branco, ele tem uma aplicação mais relevante que gere mais valor. Esse é o game.
E acho que uma das indústrias onde a gente tá sentindo que o impacto Tá chegando mais rápido. E há indústrias, e vocês no limite, que indústria de mídia, e vocês já estão trabalhando com AI em mídia, mas tem uma companhia no nosso portfólio que imagino que vocês conhecem, que estava fazendo algo muito legal, é a Winning. Sim, uma companhia que desenvolveu uma ferramenta que permite entender como as pessoas interagem online com suas distintas redes sociais e dá a grandes marcas acesso a um perfil de como é o teu cliente, o que o teu cliente quer ver em quanto a conteúdo, como você desenvolve. No caso deles, muito focado em vídeo, um vídeo muito específico para teu cliente. Então, basicamente, continua tendo humanos muito envolvidos na criação de conteúdo, mas é uma criação de conteúdo sendo feita muito mais vaciada em dados e muito mais ágil para criação, com muito menos burocracia.
O processo de produção de vídeo com casting, direito de imagem, ele se torna um processo muito burocrático, custoso.
A gente já falou disso em um outro episódio.
Eu virei lead da Winning hoje à tarde.
Sério?
É, virei um lead, quero testar a solução. Achei muito interessante porque pega uma dor muito específica, né? Porque dentro do marketing existem muitas dores e essa é uma dor muito específica que é a produção de vídeo. Então eu tenho essa dor dentro da agência, óbvio. A gente tem uma produtora que é super AI, eles estão usando muito o Runaway, o HeyGen. Como ferramentas. Óbvio também o Midjourney, né, para as imagens. Mas eu virei lead e quero testar a ferramenta, vamos ver.
Legal. Se o Jean e o Carlos estão assistindo aqui, vão te ajudar aí com o onboarding. Mas é incrível o que eles estão fazendo. E a gente falou com os principais clientes dele, que são algumas das principais companhias da América Latina, E o que é interessante é que eles nos falaram, a gente procurou no mundo por soluções como o que a Winning está estruturando, mas não encontramos fora e encontramos aqui uma empresa brasileira que tem criado algo que realmente nível mundial.
Sim, sim.
Deixa eu fazer um corte dessa temática, Fred, só porque, gente, acho que tem um A gente tem um valor aqui em ter você com a gente, que você tem uma visão do empreendedor e do nível de maturação do mercado que é bem peculiar. E a América Latina está num momento que evoluiu, estamos mais maduros do ponto de vista de empreendedor. Mas quando a gente pensa em inteligência artificial, isso é novo para o empreendedor. Então aqui existe um dilema para quem não está usando inteligência artificial ainda. E a gente tem muito essa provocação de como que quem não está usando ainda, qual é o seu conselho? Ele pode ficar sem usar ou ele tem que fazer isso para ontem? O que que você acha?
Eu joguei, realmente tem muito tudo para ser feito. Acho que nós, inclusive aqui na CASEQ, primeiro a gente realmente se associa com grandes empreendedores. E quando a gente fala com os grandes empreendedores, muitas vezes são eles os que trazem as ideias revolucionárias para nós. É o mais comum. Então, e a gente tem visto que esses grandes empreendedores, esse talento que tem na América Latina, que hoje são empreendedores de segunda viagem, Pessoas que já tiveram participação em companhias que escalaram muito, eles estão olhando para esse mundo de AI. Então, vários estão antenados, estão falando, puxa, isso aqui é distinto, como vamos implementar? Como posso criar um novo negócio que não era possível no passado? Acho que quem não estiver usando no seu dia a dia precisa pelo menos ter uma conta no OpenAI ou em alguma das outras ferramentas, Perplexity. Acho que agora, o dia de hoje, não sei quando esse episódio vai estar no ar, mas final de janeiro de 2025 a gente viveu um final de semana com muitas novidades. Por um lado, na sexta-feira, o pessoal do OpenAI lançou esse Operator, que é uma espécie de assistente virtual que vai usar a internet por você, vai ajudar você a marcar reservas no restaurante ou comprar entradas do cinema, um monte de outras coisas que hoje demandam um tempinho de você e vai virar um comando de voz onde não precisa de uma API, de uma integração, o próprio robô que vai lá e usa a internet e faz a compra para você.
E a gente também viveu o lançamento do DeepSeek, que é uma nova tecnologia de AI chinesa que aparentemente tem tecnicamente muito menos demandas de processadores e de GPUs que as tecnologias que a gente vinha vendo até agora, e é open source e realmente é gratuito. Então quem não estiver usando tem acesso a modelos que são muito sofisticados de uma forma gratuita. Então de mínima usa no teu dia a dia, te ajuda a escrever textos, a pensar ideias, manda tuas ideias Para ele, qualquer email que você for enviar, que não dura, né, vai ter lá alguém bastante capaz te ajudando a planejar, né, criação de imagens. Então tá aí, tá lá, é gratuito, tá no alcance da mão de todo mundo. Nós temos sido grandes embaixadores dos nossos founders pensarem como implementar novos modelos de negócios. A gente tem um sócio na firma, o Andy Yang, que é um americano que morou 10 anos na China e hoje está aqui em São Paulo conosco, que só gasto tempo dele tentando ajudar a pensar as companhias como implementar esse tipo de algoritmos. Ele tem se especializado muito em inteligência artificial e nós também, no dia a dia das pessoas que trabalham conosco, nos provocamos.
Puts, eu estou fazendo isso com AI, agora já não faço mais. Não é maluco? Então, tem que testar e tem que implementar. E muitas das ideias vêm de interagir com a plataforma e falar, putz, esse adorno que eu tenho, que eu aprendi no meu trabalho, que é um insight que eu tenho do mundo, que não muitas pessoas sabem como é no mundo corporativo, como é esse processo de compra desse tipo de produto funciona, agora pode ser automatizado. Então, daqui a 3 meses eu posso lançar uma ferramenta que vai ajudar às pessoas, posso vender essa ferramenta.
Fazendo, usando, testando, brincando. Boa, é isso.
A minha pergunta vai no sentido muito de olhar para um futuro. É interessante que você falou a data, estamos no fim de janeiro gravando e tá acontecendo tudo tão rápido que daqui 3 meses talvez sejam outras coisas. E o DeepSeek foi dessa semana aqui que a gente viveu. E o futuro, cara? Difícil, né? Eu imagino com tanta efervescência, com tanto dinamismo, prever muito longo prazo. Mas e mais curto prazo? Para onde você vê a AI se desenvolvendo e gerando valor para o mundo?
Então, a gente é otimista, a gente realmente acredita que Obviamente, nas últimas décadas a gente viveu, quem viveu as últimas décadas viveu um mundo onde os produtos realmente ficaram mais acessíveis. Hoje mais pessoas têm acesso a computador, supercomputador que um celular na palma da mão, TV, muitos melhores carros, provavelmente pelo mesmo porcentagem do salário que comprava um carro bem pior. Nos anos 80. Então, realmente, os produtos têm baixado de preço. Agora a gente acredita que vem uma nova fase onde os serviços também vão ficar muito acessíveis, muito mais acessíveis. Então, a gente é otimista com todo o valor que vai ser criado por essa ferramenta. E tem muitas áreas distintas que vão ser também atravessadas pela AI. A gente falou de indústrias de… Advertising, mas também uma indústria que está chamando bastante a nossa atenção é biotecnologia. A gente já tem feito vários investimentos na interseção de AI e biotecnologia, até o Prêmio Nobel do ano passado foi dado para DeepMind da Google pelo trabalho que eles fizeram com AlphaFold, com o assunto de entendimento da estrutura das proteínas. É raro ver um Prêmio Nobel indo para uma tecnologia que tem tão pouco tempo, reconhecimento mais para o assunto.
E no nosso portfólio a gente tem investido numa companhia que chama Phage, que basicamente tem uma base de dados de fagocitos, que os fagocitos são os predadores naturais das bactérias, e tem trazido uma solução muito inovadora para tratar bactérias que vão virando resistentes aos antibióticos. Eles desenvolveram uma solução que ajuda muito os grandes produtores de proteína animal a eliminar problemas como a Salmonella nas produções deles, usando esses algoritmos que entendem que para a bactéria X é o poço traseiro, o fagocito Y. Então, essa é uma companhia que a gente tem investido nesse mundo. Também a gente investiu na Notco, que é uma referência mundial da produção de alimentos vegetais. Usando, imitando sabores e alimentos de origem animal. E mesmo no dia a dia do funcionamento das empresas, muitas coisas que hoje são feitas por pessoas, acho que vão ser automatizadas e vai dar mais escalabilidade às pessoas. Então, futuro do trabalho, que o que o trabalho vai ser e quanto tempo as pessoas gastam preenchendo formulários e quanto desse trabalho vai virar para coisas um pouco mais criativas. Tenho um exemplo muito relevante e que é bem interessante também na parte de data que a gente falava, que uma companhia do nosso portfólio que chama Compi, uma companhia que começou há 2 anos, eles basicamente criaram uma pesquisa de salários no mundo de tecnologia.
Então todas as companhias de tecnologia dividem os salários com a Compi, e Compi criou a base de dados que fica disponível para todas as companhias que participam na pesquisa, onde todo mundo pode acessar qual é o salário médio de um desenvolvedor pleno em São Paulo, né? Então eles criaram essa base de dados meio que gratuita, e acima disso eles criaram uma funcionalidade que basicamente faz o trabalho que antigamente era feito por um consultor com algoritmos e tem um recurso muito sênior com 20 anos de experiência nesse mundo de compensação que vai às empresas e ajuda as empresas a entender como elas têm que estruturar a compensação, o quanto elas têm que pagar para distintos cargos, quanto faz sentido toda a estruturação da compensação das empresas. Claro que as empresas hoje fazem de um jeito muito manual, tudo isso fica automatizado. Então, realmente incrível como isso está mudando e a gente acredita que muitas das áreas das empresas vão começar a ter essa colaboração de AIs específicas.
Em dois dos seus exemplos, você traz a comunicação e agora trouxe também um setor de serviços de recrutamento, de benefícios, né, de RH. Então assim, serviços profissionais tendem a ser modificados mais rapidamente com AI na visão?
Não, sem dúvidas é uma área onde vai ter muita evolução e os serviços vão ficar mais acessíveis, mais assertivos, mais baseados em dados e menos baseados em achismos. Então realmente a gente acredita que é um área que vai ter muita inovação e que bons empreendedores vão construir companhias bem relevantes em torno de todas essas ferramentas. Mas eu estou escolhendo aqui alguns exemplos concretos, mas toda indústria que a gente discutir provavelmente vai ser impactada. A gente poderia gastar muito tempo falando de serviços financeiros. O David Vélez falou que todo mundo vai ter um private banker no seu bolso com AI. A gente poderia discutir de varejo e Amazon já tinha lançado Alexa para compras via voz. Bastante tempo, né? Então eles já tinham percebido um pouco essa tendência. A gente obviamente poderia falar do setor de saúde, onde as pessoas provavelmente vai massificar o acesso com saúde qualificada, produtividade dos médicos, assertividade nos diagnósticos e eficiente, né? Mas você trabalha com isso, né?
Exatamente.
Você podia gastar várias horas falando só de quanto AI vai transformar a área de saúde. A gente tá vendo muito das nossas empresas que operam no mundo de logística, de eficiência, de criar melhores algoritmos para desenhar rotas mais eficientes.
Se a gente pensar no portfólio de vocês hoje, dá para pensar 3 exemplos que são os mais inovadores usando AI?
Já mencionei várias companhias, posso continuar mencionando algumas mais. Uma outra que a gente gosta bastante, que também no mundo de publicidade, é a Brand Lovers, né, que basicamente vai atrás de uma plataforma que conecta grandes marcas com pequenos influenciadores digitais. E antigamente uma das grandes marcas do Brasil Provavelmente isso podia se conectar com os maiores influenciadores, pelo trabalho que demandava criar o conteúdo, garantizar que o conteúdo estivesse conectado com os valores da marca. Então, uma marca que quer que seja um vídeo na praia consumindo uma gaseosa na praia, é mais fácil se você contrata uma mega estrela e leva uma equipe de gravação. Mas agora talvez pequeno influenciador pode gravar esse vídeo e a Brand Lovers com AI consegue garantir que o vídeo atenda os padrões da empresa. Então realmente tem facilitado muito essa conexão de muitos influenciadores com grandes empresas, né? E tem trazido um pouco a dinâmica da mídia programática para esse marketing de influenciadores, onde todo vira mais mensurável.
Sim, sim.
E com uma distribuição mais assertiva. Cara, eu te assisti palestrar lá no Web Summit, foi super legal. E lá também eu passei muito pelas startups que estavam expondo lá e eu notei que quase todas em suas definições de em uma frase do que fazem, tinha a palavra AI ou data-driven. Como separar, como identificar as que realmente estão gerando valor e que são AI first ou as que estão enfeitando o pavão?
Então, acho que genuinamente todos os empreendedores querem implementar essas novas tecnologias. Então, o nosso trabalho como investidores, e principalmente investidores que investem na etapa temprana, no começo da vida das companhias, se bem hoje a gente pode investir numa companhia em todos os ciclos de vida dela, a gente se concentra muito nos primeiros passos, no que chama de Series A. É isso que nosso trabalho é, realmente reconhecer que companhias têm o potencial de ser as companhias ganhadoras das próximas décadas. E o que a gente mais olha na hora de decidir se vai investir numa companhia é a qualidade da equipe. E acho que isso, o fator humano do nosso negócio, não muda com essas novas tecnologias. Traz muitas novas oportunidades, mas continua sendo relacionado ao nível da equipe empreendedora, a visão da equipe empreendedora, paixão dos fundadores, porque esses fundadores, fundadoras são os corretos para resolver o problema que eles têm pela frente, como é o approach que eles têm para o problema que eles querem resolver, porque eles têm um insight que talvez ninguém mais no mundo tem para resolver esse problema. Então acho que Muitas coisas têm mudado nos últimos anos, mas esse foco da CASEQ, na qualidade das equipes fundadores, continua lá.
E obviamente a gente quer que os fundadores estejam atacando mercados que sejam muito grandes e com propostas que sejam muito escaláveis, com negócios que a gente goste, que consigam escalar sem precisar de tanto capital. E o nosso sonho Cada vez que a gente investe numa companhia, e é um sonho que a gente abertamente divide com as equipes nas quais a gente está investindo, é que essa companhia algum dia consiga seguir o caminho das companhias que eu mencionava no começo da nossa conversa e listar nos Estados Unidos e representar a América Latina no mundo, mostrando que inovação classe mundial Vem daqui. E a gente fica muito feliz quando vê que o maior varejista online do mundo, tirando Estados Unidos e China, é da América Latina, que é o Mercado Livre. O maior fintech e banco digital do mundo, que é o Nubank, é da América Latina. E a gente acredita que várias outras companhias vão seguir esse caminho. Companhias como Quinto Andar e WellHub e várias outras vão ser referências mundiais no que elas fazem, que a América Latina tem mostrar ao mundo que a gente consegue fazer coisas que são—
O potencial está aqui.
E eu queria dar ênfase nesse ponto. Na era da AI, a principal busca de um investidor é o capital humano.
Capital humano, material humano. Vou para uma última pergunta, Fred?
Bora.
Porque eu acho que o Santi tem a capacidade de trazer algo que a gente ainda não explorou. E a gente tá vendo um movimento de muita mudança climática impactando diferentes lugares do globo. Você vê potencial de AI em mudanças climáticas?
Então, se você olha para o nosso portfólio historicamente, A gente tem investido bastante em serviços financeiros, inicialmente em companhias que atendiam consumidores, com o tempo em companhias que atendiam outros negócios. Hoje a gente está investindo bastante em infraestrutura de serviços financeiros. A gente também investiu muito em marketplaces, plataformas que juntam oferta e demanda. Investimos muito em software, tem sido um foco grande da gente. Saúde, um setor que a gente tem tido bastante trabalho e uma tendência que a gente vê, e uma tendência onde o Brasil e a América Latina podem ser líder em todo esse assunto de mudanças climáticas. A gente tem tido sim uma atuação relevante nos últimos anos, temos feito vários investimentos. Um muito interessante, uma companhia que chama Mombaki, que é uma companhia que basicamente ajuda na criação de créditos de carbono aproveitando o potencial da Amazônia. Hoje eles operam principalmente no Pará, onde eles têm dezenas de milhares de hectares onde eles fazem o reflorestamento e eles criam créditos de carbono de altíssima qualidade e eles fazem parceria com Microsoft e Amazon e esses grandes players que estão focados em ser carbon neutral. Então, o Brasil tem sim o potencial de ser o maior mercado de reflorestamento mundial, por conta da geografia, da Amazônia, o potencial que vem por lá.
E depois a gente tem investido em várias companhias que estão trabalhando nesses assuntos de transição energética. Tem a Lemon no Brasil, que é um marketplace que permite que produtores de geração distribuída se conectem com pequenos negócios e comprem energia diretamente deles. Geralmente essa geração distribuída vende solar. Então faz todo o trabalho de articular um produto muito complexo que vem por lá. Tem BIA na Colômbia que também está trabalhando na comercialização de energia e uso mais eficiente de energia. Então realmente a gente tem percebido sim um potencial que tecnologia e especificamente AI está abrindo nesse mercado. Cada uma dessas companhias dá um uso muito relevante em AI para fazer seus produtos funcionarem. São todas companhias muito novas. Então a gente realmente acredita que parte do nosso papel é ajudar a gerar energia mais limpa, mais econômica, para ter mais negócios emergendo na América Latina e aproveitando essa vantagem que a nossa geografia nos dá. E a gente acredita também bastante nesse assunto de sequestro de carbono como um jeito de criar muito valor para a região nas próximas décadas. Então, ótima pergunta e um mercado onde a gente tem atuado bastante. A gente gosta do mercado, mas principalmente porque talentos incríveis como são os fundadores de todas essas companhias têm ido para esse mercado.
Só para citar um exemplo, equipe da Monbaki são dois fundadores: Peter, que era CEO da 99 Taxis e foi quem tocou toda a venda da 99 Taxis para a Gigi, isso foi em 2018, e o Gabriel, que é o cofundador dele, foi CFO da Nubank por 4 anos. Então Empreendedores experientes, exatamente, que já viram o negócio, o ciclo todo, e já conhece, já conhece, já conhece.
Cara, um papo espetacular, muito bom. Obrigado, muito obrigado. A gente tem a missão aqui no nosso podcast de trazer conteúdo que agregue para o dia a dia dos executivos, das pessoas que querem discutir como a AI vai impactar, está impactando no nosso dia a dia de negócios. Uma honra receber você aqui, todos esses cases, todas essas empresas que você trouxe, é muito rico. Muito obrigado e queria deixar aí um final para vocês também. Dizerem aí algumas palavras.
Eu fiquei encantado com o papo, Santi. Obrigado por despertar a gente para uma consciência empreendedora do ponto de vista de todos podemos ser melhores empreendedores, né? Acho que você trouxe isso de que ser melhor é possível. Isso é muito bom.
E tem oportunidade na mesa com AI na América Latina, na América Latina.
Então, isso, obrigado por isso.
Obrigado por me receber, gostei muito também da conversa.
Muito bom.
É isso aí, obrigado. Obrigado a todos vocês que ficaram conosco e compartilhem muito esse podcast para que outras pessoas usem mais inteligência artificial e sejam super-humanos. É isso aí, valeu.
APRESENTADORES
Quem apresenta o AI First Cast

Fred Pericini
Co-fundador da Agência F2F, Engenheiro de Produção pela UFSCAR, empreendedor com mais de 10 anos de experiência em Marketing Digital, foi consultor na McKinsey, diretor comercial do Groupon Brasil e Groupon China.

Filipe Xavier
Especialista em marketing digital, branding e estratégia de conteúdo. Experiência c-level, visão ampla de comunicação e tecnologia e entusiasta early-adopter de inteligência artificial.